2 Nord Pool and strategic behaviour
2.1 The Nordic electricity exchange
Hall (1997) acena para uma revolução conceitual de peso no que diz respeito ao entendimento da cultura e às práticas culturais. Tal revolução é por ele chamada de “virada cultural”. Esta consiste fundamentalmente em que a cultura
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constitui toda a vida social, não sendo produto da mesma nem tampouco estando de forma imanente em sua origem, mas lhe constitui e é por ela constituída pelos diversos discursos nela inscritos. A virada cultural refere-se, conforme Hall (2003), a uma mudança do foco de análise da sociedade; não se tratando de simplesmente considerar indispensáveis às análises da cultura, como se fosse uma variável que, junto às explicações sociais e econômicas, poderiam completar o entendimento das transformações sociais. É interessante notar que, contrariamente a visão a respeito de indústria cultural e o papel devastador da cultura, sua redução à simples ideologia que aliena e se desenvolve em função de determinações economicistas, de fato não foi só ressignificado, mas se tenta realizar uma “ascese” das concepções que veem cultura como ideologia perniciosa com função de cimentar o banal em oposição a uma alta cultura, na qual só se poderia acessar pelos seus produtos originais, como pensavam Adorno, Horkheimer, Marcuse, Walter Benjamin e outros. Hall, argumenta que,
A “virada cultural” está intimamente ligada a esta nova atitude em relação à linguagem, pois a cultura não é nada mais do que a soma de diferentes sistemas de classificação e diferentes formações discursivas aos quais a língua recorre a fim de dar significado às coisas. O próprio termo “discurso” refere-se a uma série de afirmações, em qualquer domínio, que fornece uma linguagem para se poder falar sobre um assunto e uma forma de produzir um tipo particular de conhecimento. O termo refere-se tanto à produção de conhecimento através da linguagem e da representação, quanto ao modo como o conhecimento é institucionalizado, modelando práticas sociais e pondo novas práticas em funcionamento. (…) A “virada cultural” amplia esta compreensão acerca da linguagem para a vida social como um todo. (HALL, 1997, p.17).
Para além de seu caráter técnico, a cultura da tecnologia digital criou um sistema específico de informações que cada vez mais nos conectam, intencionalmente ou não, por meio da cibercultura, que é o discurso da tecnologia. Só é possível se integrar socialmente se fala a linguagem da tecnologia _ enviar e receber e-mails, pagar contas, comprar produtos, inscrever-se em concursos ou em processos seletivos para ingresso em universidades; isso se levarmos em conta tarefas cotidianas que já fazem parte do rol básico de sociedades em desenvolvimento. Fazer e escrever blogs e/ou sites, fazer buscas avançadas na internet, utilizar com autonomia ambientes virtuais de aprendizagem para ensinar
e/ou aprender; fazer, integrar e utilizar a seu favor perfis nas redes sociais, fazer pesquisas de mercado e de consumidores nas redes sociais; mapear, classificar e ranquear pesquisas, pesquisadores e periódicos científicos, realizar procedimentos cirúrgicos com auxílio da robótica com médicos em lugares diferentes em tempo real, entre outras atividades. Tais práticas da cultura atual funcionam num discurso que cria novas hierarquias do saber e novas estruturas de poder. Basta observarmos as transformações na medicina, como o projeto genoma e as pesquisas com células-tronco, que buscam mapear aspectos de doenças até então sem respostas, até mesmo sua cura; transformações nos meios de comunicação, que demandaram mudanças nos modos de fazer jornalismo, apresentar programas, desenvolver novas práticas de marketing, mudanças no cinema, passando a explorar a linguagem 3D e 4D como forma de narrar filmes; na educação e pedagogia, a utilização de ambientes virtuais de aprendizagem que demandam inserção ampla numa cultura digital; na cultura “tradicional”, o uso da digitalização de materiais históricos para arquivamento, preservação e divulgação, esta e outras tantas práticas culturais ocorridas na sociedade contemporânea.
É possível realizar uma leitura dessas transformações do ponto de vista marxista, considerando a infraestrutura e as relações de trabalho que dela derivam como fatores determinantes. Contudo, a incipiência de tal discurso economicista se mostra quando vamos explicar, por exemplo, o desenvolvimento de tecnologias mais avançadas na medicina como a automação de laboratórios, que resultaram em otimização e rapidez de exames e terapêuticas de cura de muitas doenças, como alguns tipos de câncer, ou de melhoria e aumento da qualidade de vida das pessoas, com doenças imunológicas, como a AIDS, o lúpus; além disso, os avanços tecnológicos, na medida em que criam novas práticas no exercício de uma profissão e reorganiza relações de trabalho subvertendo o conceito clássico marxista de força produtiva, requerem atualizações constantes dos profissionais da medicina.
Em “A centralidade da cultura: notas sobre as revoluções culturais do nosso tempo”, Stuart Hall afirma a centralidade da cultura na medida em que esta se encontra permeando múltiplos debates contemporâneos. A cultura tem hoje um papel constitutivo em diversos aspectos da vida social, em que a pluralidade, os conflitos, o entrecruzamento e a convergência de culturas vêm sendo constante e
progressivamente ampliados pelas tecnologias digitais da informação e comunicação.
Assim, “Uma cultura plural exige métodos e teorias igualmente dotados de flexibilidade _ e rigor, sem dúvida – para dar conta do que está ao redor.” (MARTINO, 2005, p. 31). Os estudos culturais se colocam num contexto de mudança e flutuação de sentido da cultura. A cultura passa a ser vista como espaço plural, não redutível a classificações tradicionais do tipo alta, média e baixa cultura ou cultura popular.
Stuart Hall argumenta que a revolução atual vem da vivência empírica da cultura e emerge também de um conjunto de atitudes frente à linguagem, pois lhe é dada “uma posição privilegiada na construção e circulação do significado” (1997, p. 9). Para além da representação pura de fatos tal como se apresentam gerando unicamente uma versão sobre estes fatos, consequentemente uma versão sobre a verdade diversos campos do saber, como a filosofia, a literatura, a sociologia e o feminismo passaram a ver a linguagem como constituinte dos fatos (du Gay, 1994 apud Hall, 1997).
Se a linguagem da cultura digital constitui a vida cotidiana, fazendo emergir processos colaborativos de aprendizagem – nem sempre conscientes e intencionais - que em nossa sociedade vem ocorrendo na experimentação da realidade, tais processos não se fazem com o desconhecimento/alienação das pessoas, muito menos com sua inteira cumplicidade e concordância. Nessa perspectiva, a linguagem é entendida como espaço não só de compreensão, contemplação e análise, mas de transformação, de conflitos, lutas, resistência e negociação. Nesta discussão, Hall, afirma que,
toda prática social tem condições culturais ou discursivas de existência. As práticas sociais, na medida em que dependem do significado para funcionarem e produzirem efeitos, se situam “dentro do discurso”, são “discursivas”. (HALL, 1997, p.18)
A tecnologia digital representa um marco entre as tecnologias análogas (imprensa, TV) porque delimita a conversão de textos, números, sons e imagens em números binários, codificando-os, para digitalizá-los e levá-los a web através da internet. É marcada pela convergência abrangente entre a computação e as telecomunicações, que a convergência põe as informações, os conhecimentos, os
sujeitos e as identidades em movimento, em que o tempo e o espaço são subvertidos; as distâncias são anuladas e o sujeito adquire uma plasticidade nunca antes imaginável (BRIGS & BURKE, 2006, Apud ZUIN, 2010).
Essas novas relações criadas pela tecnologia digital se traduzem em modificações culturais profundas, que dizem respeito à totalidade de nossa cultura. Pierre Levy denomina nossa cultura atual de cibercultura. Há diversas denominações, como cultura da convergência (JEKINGS, 2008), convergência digital, cultura digital (SANTAELLA, 2003). Lévy define cibercultura como “o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço”, sendo o ciberespaço (também denomina de rede)
O novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial de computadores. O termo especifica não apenas a infraestrutura material da comunicação digital, mas também o universo de informações que nela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo. (LEVY, 1999, p. 17)
Lévy (1999) assinala que a tecnologia digital não envolve raciocínios maniqueístas ou vinculados a neutralidade, expressam o modo como a sociedade vive em cada época e expressa seus conflitos “já que de um lado abre e de outro fecha o espectro de possibilidades. As tecnologias digitais “surgiram como infraestrutura do ciberespaço, novo espaço de comunicação, de sociabilidade, de organização e de transação, mas também novo mercado da informação e do conhecimento.” (LEVY, 199, p. 32). Contudo, o fato de o ciberespaço encontrar-se avançando cada vez mais rápido, não necessariamente implica um correspondente desenvolvimento da cibercultura. Pierre Levy (1999) explica que um “sintoma” da cibercultura é a sensação de que se é estrangeiro diante das mudanças tecnológicas. A velocidade com que ocorrem as mudanças tecnológicas condiciona nossa percepção de exterioridade e de deslocamento, dando a impressão que as mudanças vêm de fora, de outros “lugares” que não os nossos, realizadas por outras identidades, diferentes da nossa, ocorrendo invisivelmente. Neste contexto de falta de clareza sobre a ordem das coisas _ por vários motivos, entre eles o desconhecimento ou parco conhecimento do discurso em que fala a linguagem da tecnologia _ é necessário atenção ao que" Levy
(1998/1999) chama de inteligência coletiva, um dos principais motores da cibercultura. Segundo este autor,
Quanto mais processos de inteligência coletiva se desenvolvem – o que pressupõe, obviamente, o questionamento de diversos poderes -, melhor é a apropriação, por indivíduos e por grupos, das alterações técnicas, e menores são os efeitos de exclusão ou de destruição humana resultantes da aceleração do movimento tecnossocial. O ciberespaço, dispositivo de comunicação interativo e comunitário, apresenta-se justamente como um dos instrumentos privilegiados da inteligência coletiva. (LEVY, 1999, p. 29)
A inteligência coletiva demanda, pela forma e ritmo do uso e produção de tecnologias, o desenvolvimento de uma aprendizagem colaborativa, flexível, participativa, interativa, socializante e aberta; propõem-se novas formas de aprendizagem, avaliação e gestão; onde os sujeitos percebam que podem se deslocar o tempo inteiro, e que sua cidadania também é medida na sociedade pelo grau de inclusão no discurso da cultura digital.
Na medida em que se situa cultura nos domínios do simbólico e do discursivo, não se quer afirmar a primazia do discurso e da cultura sobre todas as dimensões da realidade, mas que ela é uma das dimensões que não apenas mostra o que já a realidade (previamente) produziu, mas ela é a própria realidade como parte constituinte e constituída em relação às outras práticas da realidade igualmente consideradas nas análises sociais. A cultura e o discurso não são apenas uma indústria de produtos em série, mas,
a soma de diferentes sistemas de classificação e diferentes formações discursivas aos quais a língua recorre a fim de dar significado às coisas. O próprio termo “discurso” refere-se a uma série de afirmações, em qualquer domínio, que fornece uma linguagem para se poder falar sobre um assunto e uma forma de produzir um tipo particular de conhecimento. O termo refere-se tanto à produção de conhecimento através da linguagem e da representação, quanto ao modo como o conhecimento é institucionalizado, modelando práticas sociais e pondo novas práticas em funcionamento. Dizer, portanto, que uma pedra é apenas uma pedra num determinado esquema discursivo ou classificatório não é negar que a mesma tenha existência material, mas é dizer que seu significado é resultante não de uma essência natural, mas de seu caráter discursivo. (HALL, 1997, p. 10).
um espaço simbólico de dominação e reprodução de ideias de massa e dominantes, mas é um espaço de entrecruzamento e embate entre diferentes culturas, em que fragmentos de cultura constantemente se rearranjam, os dispositivos tecnológicos vêm hoje cumprindo a tarefa de fazer rearranjos culturais.
Stuart Hall afirma na obra A diáspora que o campo dos estudos culturais é um campo eminentemente discursivo. É, portanto, um campo que abriga esta pesquisa não apenas por estar no domínio da análise dos diversos aspectos da cultura, mas também por compreendê-las no campo da discursividade e problematiza como a dimensão simbólica representa conflitos políticos e culturais.
O funcionamento da educação a distância através das tecnologias digitais da informação e comunicação depende da formação discursiva da sociedade, porque “toda prática cultural tem condições discursivas de existência. As práticas culturais, na medida em que dependam do significado para funcionarem e produzirem efeitos se situam 'dentro do discurso, são 'discursivas'.” (HALL, 1997, p. 14).
2.3.1 A Tecnologia digital enredada na Formação Docente: discursos conectados
Sendo as práticas sociais discursivas e sendo o discurso um espaço de disputas culturais, os “estudos culturais são uma formação discursiva, no sentido foucaultiano do termo” (HALL, 2003, p. 188). Toma-se aqui, portanto, as tecnologias da informação e comunicação e o uso de seus dispositivos como uma prática cultural em que se interconectam os diversos discursos e se convergem várias culturas. Isto não significa de forma alguma uma redução dos dispositivos tecnológicos à análise das formações discursivas; não só porque as formações discursivas são uma parte _ não a única _ constitutiva das tecnologias, mas também porque fazem parte dos dispositivos, realidades discursivas e não discursivas, conforme explica Michel Foucault em A microfísica do poder. O que se e problematiza aqui é se a cultura e os dispositivos tecnológicos se articulam entre si como estratégia discursiva e dispositivo na educação a distância. Como elementos conectados e discursos articulados, atingem mecanismos, instituições,
técnicas, epistemes e metodologias de regulação. Trata-se de saber como essa regulação cultural dos dispositivos tecnológicos está sendo desenvolvida a partir das estratégias discursivas engendradas no discurso da UAB.
Não se trata de buscar respostas fundantes e causais, de cunho essencialista, que pretendam encontrar conclusões verdadeiras e prová-las metodológica e matematicamente. Os estudos culturais assumem, segundo Wortmann outra episteme.
… que relativiza o poder de verdade contido nas asserções e nos arranjos estruturais disciplinares e que permite a ampliação das categorias analíticas usadas para examiná-las. Além disso, muitos desses estudos atentam para os processos em que se dá a produção e circulação de discursos, destacando como esses discursos se instituem em _ e, ao mesmo tempo, instituem os _ embates que implicam a produção de significados para as 'coisas' que a eles dizem respeito. (WORTMANN, 2001, p. 100)
O que diz respeito ao discurso oficial da UAB, são as condições de produção de um discurso que hegemoniza a tecnologia em detrimento de um tipo de educação, pautada possivelmente em práticas pedagógicas fundamentadas em necessidades dos sujeitos multiculturais, uma pedagogia não asfixiada pelas tecnologias. Como o discurso fundado nos dispositivos tecnológicos, utilizados como mediação para a educação à distância, institui, cria e legitima a tecnologia como um dispositivo poderoso na afirmação de uma política de qualidade, embasada num projeto de inclusão social, o qual pretende valorizar as diferenças, as identidades e as subjetividades num mundo multicultural? Como isso aparece na formação de educadores a distância? Indagamos se a UAB se apresenta como um discurso que, por um lado, tenta tratar os sujeitos nas suas diferenças _ porque uma política de inclusão _ valorizando sua cultura local em conexão à global, e ao mesmo tempo individualiza o sujeito, a partir de estratégias de controle e subjetivação, amparando-se no discurso do mérito da tecnologia como principal dispositivo de poder capaz de integrar o sujeito à cultura?
Faz sentido, portanto, problematizar o discurso oficial da Universidade Aberta do Brasil, não só porque se inscreve como programa de governo e política educacional, mas porque acena para a constituição de práticas culturais inter- relacionadas às relações de poder, sistemas de saber e regimes de vida social.
centralidade da cultura liga-se à regulação social e à política nas sociedades da modernidade tardia, uma vez que é na esfera cultural onde se encontram relações entre poder e cultura. Daí a necessidade em entender como os dispositivos culturais instituem formas de governo da própria cultura que regulam o funcionamento das instituições e práticas culturais, exercendo um poder visível sobre a vida cultural. Nessa noção de regulação cultural, é possível interrogar as estratégias e mecanismos de controle da UAB na construção de um sistema de ensino superior que decide por si os rumos da formação de professores além de criar seus próprios mecanismos de avaliação institucional, assumindo uma autoregulação. Uma prática cultural que se autorregula requer a descoberta do que está abaixo _ no sentido de base _ da sociedade fazendo-a assim funcionar. Porque
se a cultura, de fato, regula nossas práticas sociais a cada passo, então, aqueles que precisam ou desejam influenciar o que ocorre no mundo como as coisas são feitas necessitarão – a grosso modo – de alguma forma ter a 'cultura' em suas mãos, para moldá-la e regulá-la de algum modo ou em certo grau. (HALL, 1997. p. 22)
Por isso que Hall (2007) entende a cultura inscrita e funcionando no interior do “jogo do poder”. Contudo um poder que, nos seus jogos, sempre circula, delineia, desconstrói e reconstrói as práticas culturais, em um movimento permanente, atravessando toda a existência social. (FOUCAULT, 1979).
Interessante notar que tanto o campo da pesquisa em educação como o campo dos estudos culturais apresenta uma multiplicidade de objetos, teorias e métodos que podem servir como ancoragem nas investigações. Apesar de a relação entre os estudos culturais e a educação parecer contraditória, sendo esta última subenfatizada em relação ao primeiro, como aponta Handel Wright (Apud VORRABER, 2003, p.56), a discussão sobre a inter-relação entre ambos expande-se no circuito da educação. Encontram-se várias referências que tratam a educação como constituída de práticas culturais, sendo estas formações discursivas (HALL, 2003; VORRABER, 2003; SANTAELLA/2003; GIROUX, 1997; SILVA, p. 2001).
Logo, questionar o discurso da UAB, no que este entende por educação a distância e tecnologias digitais, direciona-se para a investigação das relações e
jogos de poder imbricados nas concepções de educação e tecnologia encontradas nesse discurso. Quais desses discursos atuam circunstancialmente como centro do poder? E como organizam seu saber e o põe em funcionamento para informar e exercitar seu poder?
A pergunta feita tem a ver com a indagação como as tecnologias digitais funcionam como dispositivos de poder? Esta pergunta implica perceber os vínculos entre educação e a sociedade que a produz, não na perspectiva determinista, mas na perspectiva de compreender quais os dispositivos de poder que fazem parte dos discursos e das práticas dos atores e como tais dispositivos mediam a relação entre educação e sociedade. É preciso problematizar em que medida a educação e a tecnologia não estão sendo utilizadas em favor de objetivos reducionistas, de viés mercadológico e economicista e, nesse sentido, quais as condições de, por dentro dessa estética política, se encontrar práticas culturais capazes de produzir conhecimentos, teorias e métodos pedagógicos que superem dimensões restritas e asfixiantes no uso dos dispositivos tecnológicos na Educação a Distância.
A Educação a Distância pode, por um lado, possibilitar a quebra de hierarquias de saber, sobretudo as que se encontram tradicionalmente no topo da cadeia da universidade; por outro, a popularização da cultura através da Educação a Distância ancorada unicamente nos dispositivos tecnológicos, pode contribuir para a limitação do próprio saber. Quais as implicações disto? A resposta provavelmente não reside na EAD, mas na proposta de EAD implementada para formação de professores? Trata-se de perguntar, a quem e a que interesses seus objetivos representam e atendem? A que projeto de Estado e/ou Governo encontra-se inserido? A quem quer atingir? Se é um projeto de inclusão das maiorias, possibilitando-lhes acesso à educação e à cultura de nível superior, tendo impactos obviamente na Educação Básica, como não executá-lo e concebê-lo de forma a responder interesses unívocos e dominantes? Como expandir cultura e educação sem negligenciar sua qualidade social? Como conceber a cultura e a Educação a Distância como práticas culturais, produto e produtoras de subjetividades, sem que estas se individualizem e isolem-se? Como usar os dispositivos de poder inseridos nas diversas práticas culturais de EAD a favor de uma educação de qualidade? Estas questões não são feitas aqui para inviabilizar a Educação a Distância, mas ao contrário, para compreendê-la
como mais um espaço de luta simbólica em que as práticas culturais se realizam mediadas pelos dispositivos tecnológicos dentro da sociedade.
Os dispositivos tecnológicos não existem autonomamente e independentes