• No results found

Nomadene: en utsatt gruppe i forhold til HMS samspillet?

4   RESULTAT

4.6   Kontraktens lengde og ”risikoutsatte grupper”

4.6.1   Nomadene: en utsatt gruppe i forhold til HMS samspillet?

EM BUSCA DO CORPO

REPROGRAMADO

Sobre corpo, compreendemos que na contemporaneidade este é detentor de um vasto espaço nos discursos difundidos socialmente, bem como a ele é dedicado uma grande atenção no que concerne a realização de terapias, práticas corporais, entre outros processos interventivos com finalidade de lazer, expressão e cuidados com a saúde. Diante deste contexto, Nóbrega (2009, p. 18) alerta para a necessidade de uma “reflexão acerca dos discursos, práticas e valores atribuídos a essa ‘onda do corpo’, evitando assim uma possível, e já visível, banalização do corpo e do movimento humano”.

Muitos são os estudos que se debruçam sobre o corpo na tentativa de compreendê-lo, outros, entretanto, debruçam-se sobre as relações estabelecidas a partir dos seus usos e de suas formas de expressão como no esporte, na dança, nas lutas etc. Nestes estudos, percebemos uma diversidade de compreensões sobre o corpo, visto que, ele foi e é visualizado a partir de diferentes óticas de análise que lhe atribuíram características específicas a depender do contexto e dos instrumentos utilizados na investigação.

Em uma breve análise do percurso histórico das compreensões sobre o corpo Nóbrega (2001) verificou que este esteve coberto de características distintas, assumidas de acordo com o contexto histórico, cultural e social em que estava inserido. A ele foram atribuídos “valores como corpo-objeto, corpo-mercadoria, corpo-pecado, corpo-sujeito, corpo-prótese”, entre outros (NÓBREGA, 2001, p. 1).

Refletindo sobre o corpo, Nóbrega (2010) chama a atenção para a cultura de consumo que se criou sobre o corpo na contemporaneidade, especialmente a partir da influência das instituições midiáticas. Segundo a autora:

Uma nova cultura do consumo se estabelece a partir da imagem do corpo bonito, sexualmente disponível, e associado ao hedonismo, ao lazer, e à exibição, enfatizando a importância da aparência e do visual. Essas imagens de corpo são divulgadas pelos meios de comunicação de massa e mídia eletrônica, exigindo toda uma rotina de exercícios, dietas, cosméticos, terapias, entre outras preocupações com a imagem e a autoexpressão, uma exposição sem limites do corpo (corpo-outdoor) (NÓBREGA, 2010, p. 23).

Percebemos então que os discursos sobre o corpo veiculado pela mídia são em sua maioria restritos diante a variedade corporal existente, pois, adotam padrões que devem ser dissipados no imaginário social buscando uma adequação coletiva como sinônimo de felicidade, de beleza, e, acima de tudo, de saúde.

Destacamos a necessidade de reflexão sobre o corpo em telas de imagens pela confusão que nos causam de pertencimento e estranhamento. Pertencimento pelo reconhecimento de muitas de suas características como semelhantes a si, ao eu corpo, e o estranhamento consequente da distorção proporcionada pelos aparatos tecnológicos responsáveis pela mediação e transmissão das imagens do corpo. Sobre isso, destacamos as palavras de Baudrillard (1990, p. 63) quando argumenta que:

No espaço da comunicação, as palavras, os gestos, os olhares ficam em estado de contiguidade incessante, sem contudo jamais se tocarem. É por que nem à distância, nem a proximidade são as do corpo em relação ao que cerca. A telas de nossas imagens, a tela interativa, a tela telemática são ao mesmo tempo muito próximas e muito distantes: muito próximas para serem verdadeiras [...], muito distantes para serem falsas. Criam assim, uma dimensão que já não é exatamente humana, uma dimensão excêntrica que corresponde a uma desporalização do espaço e uma indistinção das figuras do corpo.

A impossibilidade do tocar é consequência do distanciamento oportunizado pela mediação imagética, distância essa que se aproxima na oportunidade de reconhecê-lo enquanto corpo. Portanto, o corpo em telas de imagens deve ser refletido e compreendido na complexidade em que nos representa e se apresenta para nós.

Assim, devemos compreender que na veiculação dos discursos sobre o corpo, a mídia assume um papel central. Através dos diferentes espaços da comunicação, sejam eles: jornais, revistas, televisão, internet, entre outros, ela transmite para a população diferentes compreensões, saberes e práticas sobre o corpo. Este fato merece a atenção de pesquisas que

se proponham a investigar o corpo e suas influências nos diferentes contextos e espaços sociais, como: escolas, academias, hospitais etc.

Portanto, buscaremos aqui pensar como o corpo foi veiculado através das telas de imagens da televisão e do computador no quadro Medida Certa, promovendo a construção de compreensões, saberes e praticas sobre ele, construções estas que muita das vezes acabam por fragmentá-lo, ou seja, desconstruí-lo.

Conforme expressa a imagem 13 apresentada na abertura deste capítulo, esse corpo foi essencialmente controlado a partir das medidas. As fitas métricas como mordaça na boca dos apresentadores simboliza o controle alimentar efetivado na busca pela medida certa. É necessário fechar a boca e diminuir o consumo de alimentos para redução do peso e consequente obtenção dos objetivos do quadro. O olhar dos apresentadores demonstra espanto e sufoco sobre essa necessidade do controle alimentar.

Neste quadro, o corpo foi o personagem principal. Sobre os corpos foram realizadas intervenções na busca por um aprimoramento fisiológico e estético, bem como de busca pela obtenção de saúde. Todavia, as informações veiculadas não mantiveram uma coerência nas compreensões sobre corpo, manifestando assim elementos que nos permitem visualiza-lo a partir de diferentes características que são discutidas em categorias de conteúdos posteriormente.

Diante os dados analisados chegamos as seguintes categorias de análise: corpo como sistema operacional; corpo biológico; corpo fragmentado e exterior ao sujeito; corpo quantificado e padronizado; e, corpo sujeito.

Sobre as categorias de conteúdo construídas para a discussão deste tema neste capítulo, é importante deixar claro que a separação ou categorização utilizada não objetiva o isolamento dos conhecimentos de cada uma delas. Ao contrário, é usado como efeito didático para construção textual visando tornar as discussões mais claras para os leitores e evidenciar

as características mais fortes em cada uma das compreensões sobre o corpo. Todavia, os conhecimentos apresentados em uma categoria não estão isentos de também estarem presente ou mesmo se relacionar com os conhecimentos apresentados em outras.

Corpo como sistema operacional

Destacamos dentro desta categoria as compreensões, saberes e práticas que se propuseram a realizar uma reprogramação do corpo. Os termos reprogramar ou reprogramação foram frequentemente utilizados durante todo o desenvolvimento do quadro pelos profissionais da área médica, nutricional e da Educação Física, bem como pelos jornalistas integrantes e pelo público que acompanhou o quadro. Portanto, esta compreensão do corpo foi a que mais se sobressaiu nos discursos do Medida Certa.

Em muitos momentos, a ideia da reprogramação foi tomada como conceito base para os objetivos e as intervenções realizadas. Segundo a jornalista Patrícia Poeta o desafio do quadro é “reprogramar o corpo em 90 dias” (PATRÍCIA POETA, VÍDEO BLOG 03). A todo instante se enfatizava a necessidade de reprogramar o corpo. Durante os programas foram apresentados como o corpo estava sendo reprogramado, que benefícios tinham sido alcançados e o que ainda era necessário reprogramar.

A associação do corpo a um sistema operacional se deu justamente pela ideia propagada de reprogramar. O termo traz em si a significação de tornar a programar, ou seja, programar algo novamente. De acordo com Ferreira (2000, p. 560) programar é definido como: “1. Fazer o programa de; planejar. 2. Prever ou selecionar, como parte de programa ou de programação. 3. Determina a forma de funcionamento (aparelho, computador), fornecendo programa. 4. Elaborar”. Direcionar o ato de “programar” ao corpo é de forma indireta relacioná-lo a um sistema operacional, que em muitos momentos associa-se a aparelhos como exposto na definição acima, especialmente ao computador.

Sobre este fato, percebemos que quando é realizada a programação no corpo não se devem negar os componentes nele existente, mas é necessário reorganizar os hábitos e costumes para poder atingir os objetivos estabelecidos, no caso do quadro a perda de peso entendida como obtenção da saúde. Podemos perceber isto quando a jornalista Renata Ceribelli apresenta que o objetivo do “reality” é reprogramar o corpo, e que os jornalistas/apresentadores passaram pelo processo de reprogramação mantendo as rotinas de cada um (RENATA CERIBELLLI, VÍDEO BLOG 02).

O termo reprogramação corporal nos desperta para uma associação ao sistema operacional de um computador. Dessa forma, o corpo se associaria a este, visto que, seria necessária a “instalação” de novos hábitos, especialmente através da prática regular de exercícios e do controle alimentar, bem como por meio da “remoção” do que não lhe é útil ou do que atrapalha o seu desempenho. Realizar-se-ia uma formatação na busca por um melhor funcionamento.

Esse corpo enquanto sistema operacional, assim como os sistemas computacionais, está submetido aos riscos da contaminação dos vírus. Estes vírus seriam provenientes de diferentes fontes, sejam os vírus biológicos estudados e decifrados nos laboratórios pelos profissionais da área da saúde, ou, os vírus sociais, que aqui caracterizaríamos a partir das modas, do consumo, das aparências, entre outros, e que no cotidiano nos infectam ou buscam nos infectar.

Para refletir de forma mais detalhada sobre os vírus sociais acima comentados, destacamos o fenômeno das modas. Sobre este, Baudrillard (1990, p. 77) comenta que:

Basta considerar o efeito da moda. É um contágio miraculoso das formas, em que o vírus da reação em cadeia prevalece à lógica da distinção. O prazer da moda é, decerto, cultural, mas não seria mais ainda decorrente do consenso imediato, fulgurante nos jogos dos signos? As modas, aliás extinguem-se como as epidemias, quando devastaram a imaginação, e o vírus se cansa.

Portanto, verificamos que a moda surge como um efeito viral que contamina as pessoas, contaminação essa que se extinguirá, ou se ressignificará, quando se normaliza dentro do contexto social em que estas vivem. Atrelada ao consumo, a moda serve socialmente como forma de distinção entre os grupos, assim, o efeito da moda mostra a contradição entre a busca pela adequação de todos e a necessidade de distinção seja através dos produtos, marcas, formas de usos, frequentação de espaços, entre outros. No contexto atual a moda cansa quando se torna habitual, fato que demanda a necessidade do surgimento de novas modas.

Assim, percebemos que a moda enquanto vírus social atrela-se as relações de poder exercidas socialmente, não um poder centrado em um único sujeito ou grupo, mas um poder que circula através das relações exercidas e vivenciadas por esses. Sobre isso destacamos as palavras de Foucault (2012, p. 284), visto que segundo ele:

O poder deve ser analisado como algo que circula, ou melhor, como algo que só funciona em cadeia. Nunca está localizado aqui ou ali, nunca está nas mãos de alguns, nunca é apropriado como riqueza ou bem. O poder funciona e se exerce em rede. Nas suas malhas os indivíduos não só circulam, mas estão sempre em posição de exercer esse poder e de sofrer sua ação, nunca são o alvo inerte ou consentido do poder, são sempre centros de transmissão.

Assim, o poder presente nas modas ao mesmo tempo em que submete os sujeitos as suas ideias é submetido também às ideias e ressignificações dos sujeitos que a recepcionam. No entanto, ao pensar a questão das modas é imprescindível reconhecer que “adoramos ser imediatamente contaminados, sem refletir”. Ou seja, embora tenhamos nossos pontos de resistências é necessários estimulá-los para que nossa contaminação aconteça de forma consciente e crítica. Dessa forma, é necessário que tenhamos claro que “a moda é um fenômeno irredutível por que participa desse modo de comunicação insensato, viral,

imediático, que só circula tão rápido porque não passa pela mediação do significado” (BAUDRILLARD, 1990, p. 77).

Diante este contexto de uma multiplicidade de vírus, é necessário a “instalação” e utilização de antivírus eficientes (vacinas, reflexões, atividade física, controle alimentar, entre outros) e constantemente atualizados para que possamos resistir às investidas infecciosas destes, sejam eles sociais ou biológicos, e conviver harmoniosamente enquanto corpo.

Portanto, esse corpo enquanto sistema operacional é reconhecido nos discursos do quadro, fato que nos leva a refletir sobre uma percepção social mais ampla sobre ele. Conforme argumenta Baudrillard (1990, p. 13):

Outrora o corpo foi a metáfora da alma; depois foi a metáfora do sexo; hoje já não é mais metáfora de coisa nenhuma. É o lugar da metástase, do encadeiamento maquínico de todos os seus processos, de uma programação infinita sem organização simbólica, sem objetivo transcendental, na pura promiscuidade consigo mesmo, que é também a das redes e dos circuitos integrados.

Essa compreensão do corpo enquanto máquina ressurge nessa associação do corpo aos sistemas operacionais, como descritos acima, em uma programação infinita. Assim, o sujeito enquanto corpo é incitado constantemente a estar se reprogramando para atender as necessidades sociais, sejam elas profissionais, afetivas, sexuais, entre outras. É necessário se atualizar constantemente, ou seja, reprogramar-se.

Diante a forte influência dos computadores na resolução dos problemas sociais e nos processos de comunicação e de relacionamento, os seres humanos são em muitos momentos comparados a estes. Conforme apresenta Baudrillard (1990, p. 31) “a revolução cinerbenética leva o homem, diante da equivalência entre cérebro e computador, à interrogação crucial: sou um homem ou uma máquina?”.

Essa interrogação que coloca o ser humano diante a inquietação da associação a uma máquina não é recente, no entanto, verificamos ressignificações dessa associação. O corpo

que anteriormente foi constantemente associado a uma máquina, sendo esta pensada através das máquinas a vapor, de funções mecânicas, de funções “braçais”, de força, de produção do trabalho. Este, seria visualizado no arcabouço dos seus músculos, ossos e constituintes biológicos que associados entre si possibilitariam o desenvolvimento de trabalho, assim como as máquinas apresentadas acima, sendo um metáfora do outro, ou seja, corpo e máquina.

Que máquinas nos possibilitam a associação com os seres humanos na contemporaneidade? Acreditamos diante os discursos evidenciados no quadro, que os seres humanos pensados enquanto máquina assemelham-se as máquinas digitais, virtualizadas e integradas a circuitos de informações, máquinas essas que tentam reproduzir, e muitas vezes reproduzem, funções desempenhadas pelos seres humanos nas relações sociais. Todavia essas máquinas apresentam limitações que as tornam estranhas ao homem. Para Baudrillard (1990, p. 61):

O que sempre distinguirá o funcionamento do homem do funcionamento das máquinas, mesmo das mais inteligentes, é a embriaguez de funcionar, o prazer. Inventar máquinas que sintam prazer está ainda, felizmente, fora dos poderes do homem. Todos os tipos de prótese podem concorrer para o prazer dele. Embora invente algumas que trabalham, “pensam” ou se deslocam melhor do que ele ou por ele, não há prótese, técnica ou midiática, do prazer do homem, do prazer de ser homem. Para isso seria necessário que as máquinas tivessem ideias do homem, que pudessem inventar o homem, mas para elas é tarde demais: foi ele quem as inventou. É por isso que o homem pode exceder o que é, ao passo que as máquinas nunca excederão o que são. As mais inteligentes são exatamente o que são, exceto talvez no acidente ou na falha, que sempre lhes podem ser imputados como um desejo obscuro. Elas não tem o excesso irônico de funcionamento, excesso de funcionamento que corresponde ao prazer ou sofrimento, pelo qual os homens se afastam de sua definição e se aproximam do seu fim. A infeliz máquina, nunca excede sua própria operação o que talvez explique a profunda melancolia dos computadores... Todas as máquinas são celibatárias.

Os argumentos apresentados na citação acima são de fundamental importância para visualizar as fortes distinções existentes entre o ser humano e a máquina, independente do tipo de máquina. O ser humano enquanto corpo vivo e situado em um contexto está sujeito às sensações, as ressignificações e as reconstruções dos sentidos e modos do viver. As máquinas

estão condicionadas e programadas ao desenvolvimento de funções específicas pensadas a partir dos desejos e necessidades de quem as programa, todavia o ser humano não se rende aos desejos “próprios” das máquinas.

Pensando os discursos do quadro que compreendem o corpo como um sistema operacional, fica evidente a necessidade de uma reprogramação corporal. Nas análises realizadas fica evidente que a reprogramação deve ser realizada predominantemente de acordo com os conhecimentos técnicos exteriores ao sujeito, de profissionais capacitados, no caso da Medicina, Nutrição e Educação Física.

A ideia apresentada acima é sintetizada na fala da jornalista Renata Ceribelli quando realiza a apresentação da proposta do quadro. A jornalista argumenta que: “vou tirar da memória do meu corpo tudo aquilo que me fez engordar no decorrer dos anos, e vou reprogramá-lo em 90 dias” (RENATA CERIBELLI, POSTAGEM 01).

Durante o quadro, evidenciamos que os apresentadores perseguiram a perda de peso como objetivo a ser alcançado. Além disso, foram em diferentes momentos abordados os riscos que a obesidade oferece a saúde e o que poderia ser feito para amenizar ou retirá-los dessa situação. Conforme Hauser, Benetti e Rebelo (2004, p. 73) em artigo publicado na Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano dizem que “para evitar que a prevalência da obesidade continue crescendo, surge à necessidade de adotar-se medidas de prevenção. Estas podem ser através do aumento do gasto calórico pelo exercício ou pela diminuição na ingestão calórica”.

Esclarecendo sobre o processo de reprogramação objetivado pelo quadro, a jornalista solicita que os acompanhantes do quadro esqueçam que os participantes estão fazendo dieta, e reconheçam que estes estão reprogramando o corpo. Segundo ela, reprogramar o corpo significa dar um novo padrão de saúde através de mudanças alimentares e da prática de exercícios. Vejamos:

Para começar, esqueçam a palavra DIETA. Eu e o Zeca NÃO estamos de dieta. A proposta do Medida Certa é REPROGRAMAR O CORPO em 90 dias. E o que isso significa? Dar um outro padrão de saúde para o corpo através de mudanças nos hábitos alimentares, e principalmente incluindo atividade física DIÁRIA na nossa vida. Assim, o corpo vai entender que ele vai ter que funcionar com novas regras, ou seja: queimando mais gordura, diminuindo o colesterol, melhorando a circulação sanguínea, enfim, ele vai funcionar de maneira mais saudável, melhorando e muito, a qualidade de vida, o bem estar. Como fazer isto? Não adianta eu e o Zeca passarmos para o público um cardápio sugerido por um médico ou nutricionista, pois ele só servirá para nós (RENATA CERIBELLI, POSTAGEM 51).

Diante os argumentos expostos verificamos que o corpo nesta reprogramação se torna passivo, visto que as intervenções foram realizadas de fora para dentro não oportunizando a atuação do próprio corpo, que para nosso entendimento não pode ser reconhecido somente como objeto, mas também como sujeito que se modifica. Embora a jornalista defenda a ideia de não estarem realizando dieta, a mesma entra em contradição com outros momentos do quadro, em que claramente afirma e defende a realização de dietas.

Para a reprogramação do corpo os discursos apoiam-se na realização de exercícios e no controle alimentar na busca pela perda de peso, ambos com base nos conhecimentos biológicos. De acordo com estudos da área com enfoque biológico, “a combinação de dieta mais exercício proporciona perdas de peso mais eficiente, durante um curto ou longos períodos, do que somente uma destas intervenções” (HAUSER, BENETTI E REBELO, 2004, p. 77). Entende-se desta forma que “uma alimentação equilibrada quantitativa e qualitativamente, aliada a uma prática desportiva, garante o trabalho metabólico normal, que conduz o indivíduo a atingir e manter seu peso ideal” (SERRA e SANTOS, 2003, p. 700).

No controle do peso os hábitos alimentares possuem grande influência. A imagem 14 mostra a jornalista Renata Ceribelli no jantar de um casamento, a mesma apresenta o prato constituído basicamente de fibras e proteína de carne branca. Segundo Serra e Santos (2003, p. 701) “hábitos e práticas alimentares são construídas com base em determinações socioculturais. No mundo contemporâneo, a mídia desempenha papel estruturador na construção e desconstrução de procedimentos alimentares”. Além disso, vale salientar segundo as autoras citadas acima que “as práticas alimentares de emagrecimento inserem-se numa lógica de mercado impregnada por um padrão estético ideal”.

Um dos momentos fortes sobre a reprogramação do corpo acontece através do diálogo entre a nutricionista Laura Breves e a jornalista Renata Ceribelli. A jornalista comenta sobre a dificuldade em emagrecer rápido e a nutricionista responde:

Quando você inicia um programa de emagrecimento geralmente a pessoa se dedica melhor no primeiro mês [...] por que tá incomodando o peso, depois