A princípio, as informações contábeis eram de interesse apenas de proprietários, no intuito de gerir seu negócio; e do Governo, para obter o perfil empresarial e para efeito de fiscalização. A expansão e o processo de globalização da atividade mercantil e resultaram em maior diversificação de usuários, estendendo a necessidade de obtenção das informações a
credores, dirigentes, acionistas, sindicatos etc. Esse crescimento do mercado resultou também em novas estruturas organizacionais das empresas como, por exemplo, as Unidades Estratégicas de Negócios, cada qual, com interesses distintos quanto às informações contábeis.
O Brasil se inseriu nesse complexo ambiente mercantil através do processo de globalização da década de 1990, dinamizando a economia com a exposição das empresas nacionais à concorrência externa. Desde então, as empresas vêm revendo seu modelo de gestão visando a ampliação da capacidade competitiva que lhe garanta a permanência no mercado. A conseqüência disto é a necessidade, cada vez maior, de informações contábeis que possibilitem aos administradores a obtenção de um claro panorama da realidade no momento das tomadas de decisões e de controle do empreendimento.
A criação de novos modelos organizacionais gerou novas necessidades que, por sua vez, conduziram à evolução das informações contábeis em sua trajetória histórica. Para os autores Beuren & Martins (2001:7) esta trajetória conta com cinco fases assim distribuídas:
1ª fase: na qual os sistemas eram desenvolvidos pela própria empresa, em um local denominado Centro de Processamento de Dados (CPD), e tinham como objetivo agilizar seus procedimentos internos e departamentos administrativos; limitavam-se porém a processar apenas as operações realizadas diariamente. 2ª fase: marcada pelo desenvolvimento da automação das linhas de produção da indústria e a preocupação em gerar sistemas que possibilitassem o suprimento das necessidades de informação de gerentes e executivos, para tomada de decisão. 3ª fase: com surgimento, na década de 1980 — em razão do acesso aos microcomputadores e às redes locais —, de diversas empresas ligadas exclusivamente ao desenvolvimento de sistemas de informação e de gerenciamento da tecnologia da informação que conseguiram seu lugar no mercado e substituíram, muitas vezes, o papel antes exercido pelo CPD. Nesse momento, para diminuir os custos com a locação de mainframes e de pessoal, as empresas passaram a terceirizar, socializando os microcomputadores e seus sistemas pela companhia e criando uma cultura interna de informática.
4ª fase: nos anos 90, quando as empresas estavam com seus sistemas equilibrados e funcionando adequadamente, surge a necessidade de levar a seus clientes e
fornecedores os benefícios resultantes da informática, gerando, assim, uma relação mais íntima e de acesso facilitado. A exemplo disto temos as integrações on-line com fornecedores para reposição de estoque que possibilitou implementar a metodologia just-in-time; e os atendimentos bancários eletrônicos, que permitiram aos clientes o acesso e a gerência de suas contas em diversos locais além da agência, disponíveis 24 horas por dia.
Nos dias atuais: com chegada da internet que revolucionou os modelos de comunicação exigindo que as organizações se moldassem a mais esta ferramenta. Novas formas de negócio e prestação de serviços foram sendo inventadas como o e-business (negócios pela Internet) e e-commerce (comércio eletrônico), transformando as tradicionais maneiras de interagir com os clientes. Além disso, a internet fez com que caíssem, definitivamente, as barreiras geográficas. Novas leis ainda estão sendo criadas para legalizar e oficializar transações de compra e venda, defender direitos autorais e regulamentar impostos.
São desenvolvidos e implementados hoje, vários produtos e sistemas de informação de auxílio às organizações, tais como o Enterprise Resource Planning, ERP, ou Planejamento de Recursos Empresariais, um produto que atua em todos os momentos do negócio, “desde a concepção de um produto, compra de itens, manutenção de inventário, área orçamentária e financeira, até auxiliar na gestão de recursos humanos, interação com fornecedores e clientes e acompanhar ordens de produção (BEUREN & MARTINS, 2001:7)”; ou o sistema de informação denominado Executive Information System, EIS, ou Sistema de Informações Executivas, SIE, como o objetivo principal de ampliar as possibilidades de alternativas para solução de problemas organizacionais e “permitir a exploração das informações disponíveis que possibilitem ao gestor traçar novos rumos e comportar-se de maneira pró-ativa face ao ambiente em que se encontra” 35. No entanto, é necessário estar atento para o fato de que:
“[...] a precisão das informações demandadas pelos usuários e o próprio desenvolvimento de aplicações práticas da Contabilidade dependerão, sempre, da observância dos seus Princípios, cuja aplicação à solução de situações concretas deverá considerar o contexto econômico, tecnológico, institucional e social em que os procedimentos serão aplicados. Isso significa, com grande freqüência, o uso de projeções sobre os contextos em causa, o que muitos denominam de visão prospectiva nas aplicações contábeis” (IUDÍCIBUS, et alli.
2000:69).
A produção contábil quantitativa, conforme Iudícibus et alli (2000:69), aplicada a uma entidade deve possibilitar a avaliação, com menor grau de dificuldade possível, da situação e das tendências desta, de modo que, com clareza, ela possa (a) observar e avaliar o comportamento do mundo econômico; (b) comparar seus resultados com os de outros períodos ou entidades; (c) avaliar seus resultados à luz dos objetivos estabelecidos; (e) projetar seu futuro nos marcos políticos e econômicos em que se insere. Partindo desta visão panorâmica, o usuário poderá planejar suas próprias operações com maior segurança.
Três requisitos são necessários à adequação do sistema de informações contábeis ao processo de planejamento36: (a) Forma: refere-se à utilidade e confiabilidade do conteúdo demonstrado; (b) Idade: diz respeito ao intervalo entre a data do fato ocorrido e a data do fato relatado, ou seja, as informações devem estar presentes no momento das tomadas de decisões, quando são necessárias; (c) Freqüência: trata da periodicidade da informação.
O autor Nakagawa (1993:15) menciona a questão da integração dos sistemas de padrões e orçamentos com a contabilidade como propulsora da adequação do sistema de informações ao processo de planejamento e controle e conseqüentes melhorias no desempenho dos gestores das áreas operacionais das empresas.