Shin/Makoto significa verdade; Ken é espada.
―Empenhar-se com seriedade é uma das chaves principais do sucesso‖ - Fujii-sensei, 8o Dan Hanshi de Sapporo, Japão, 2002
10- SENSHIN (DEDICAÇÃO) “専心”
Dedicar a vida a causas nobres. Fazer tudo com dedicação, dando o máximo de si. Essa é a lição que tem de ser aprendida. O resto é conseqüência.
11- SHUUCHUU – CONCENTRAÇÃO “集中”
Avançar para o centro (centralizar, focalizar). A concentração melhora com a meditação. A concentração canaliza as energias, melhorando o rendimento/resultado.
12- KENSON – HUMILDADE “謙遜”
―Quem se vangloria é humilhado e quem se humilha é enaltecido‖
―Para aprender é preciso ter humildade‖ – Tadachi Tamaki, 7º Dan, Presidente da Confederação Sul-americana de Kendo.
Sua mensagem final é: ―VIVA O PRESENTE‖! DOMO
ARIGATOUGOZAIMASHITA.
[Palestra- Prof. Dr. Yashiro Yamamoto, Abril de 2008 – USP - São Carlos]
Nesta palestra, o Sr. Yamamoto trata da temática principal do Kendo, o seu ‗código ético‘. Nota-se no geral as linhas de ação desse código em seus próprios termos. Ora, sobressai uma concepção de ‗religiosidade‘ na figura do ‗samurai‘168 que se
apresenta como um sistema de coordenadas que garantem um substrato comum para as ‗relações sociais‘, mais do que um sistema ordenado que tivesse função de ‗culto‘ ritualizado acerca das divindades. Neste momento só posso indicar tal hipótese em linhas gerais para posterior desenvolvimento169. O primeiro ponto a se notar é que Inazo Nitobe170, em seu prefácio ao homônimo livro (2004 [1899-1908], P. 4) nos diz:
168―侍‖.
169 É notória uma espécie de ‗religiosidade‘ no Kendo, pois se trata – de certa forma – de gerenciar a relação entre ‗espíritos‘, que apareceriam enquanto planos de atualização de uma identidade japonesa. Não obstante, a reflexão sobre os meandros das relações entre religiosidades de matriz ‗oriental‘ e essa prática marcial em muito excederiam os objetivos da presente pesquisa e serão corretamente equacionados na pesquisa de doutorado. Mas o ponto que gostaria de levantar no momento é que tendemos a entender como ‗religiosidades‘ práticas que não são tomadas exatamente nesse registro pelo ―pensamento japonês‖.
170 Escrito pelo diplomata Nitobe em inglês nos idos de 1899 e 1900 [Filadélfia- EUA], é referência para os praticantes e para os palestrantes, visto que sintetiza as ‗sete virtudes‘ de um código que era repassado oralmente nas famílias de samurai e hoje é re-significado no Kendo no campo das atitudes, ou pelo menos possui essa pretensão.
About ten years ago, while spending a few days under the hospitable roof of the distinguished Belgian jurist, the lamented M. de Laveleye, our conversation turned, during one of our rambles, to the subject of religion. "Do you mean to say," asked the venerable professor, "that you have no religious instruction in your schools?" On my replying in the negative he suddenly halted in astonishment, and in a voice which I shall not easily forget, he repeated "No religion! How do you impart moral education?" The question stunned me at the time. I could give no ready answer, for the moral precepts I learned in my childhood days, were not given in schools; and not until I began to analyze the different elements that formed my notions of right and wrong, did I find that it was Bushido that breathed them into my nostrils.
Ora, a educação moral relativa ao Kendo se processa como uma nebulosa de virtudes ‗ideal-virtuais‘ denominada em síntese por ‗Bushido‘171, referenciado e
apreendido nos eventos enquanto eixos disciplinares atualizáveis. É digno de nota a quantidade de pesquisadores que apontam o ‗Bushido‘ nos estudos sobre japoneses. Citamos dois casos que bastam para situar-ilustrar a questão. Por exemplo, Krauss, J.B. (1939, P. 658-659)172:
―Hinter dem etwas auffallsüchtigen Titel des Buches verbirgt sich eine emst zu nehmende, soziologisch wie volkskundlich wertvolle Studie über Geist und Sittengesetz des japanischen Samurai, bekamt unter dem Namen Bushido. ...Harakiri und der Geist des japanischen Ritters - Bushido, das Sittengesetz des japanischen Ritters in Alt-Japan - Bushido und der Shintoismus Bushido und der Buddhismus - Bushido und die chinesische Moralphilosophie in Japan - Bushido und das japanische Fechten (Kendo) - Bushido in der Gegenwart uud einprägsames Bild des japanischen Rittergeistes, dessen beste Traditionen in der japanischen Armee und Marine weitergepflegt werden.‖
Que embora indique em uma resenha – no início da II Guerra Mundial – os ‗valores‘ presentes no ‗Bushido‘ que eram ‗certamente‘ mantidos no ‗espírito‘ da marinha e exércitos japoneses [incluindo o Kendo], serve para indicar como o tema do Bushido foi objeto de olhares ‗ocidentais‘, e mais especificamente enquanto um plano de doutrinação dos jovens japoneses. A posição de Spinks, C. H. (1944, P. 57)173 é de ver o Bushido e seu código enquanto um processo de educação centrado na produção de um ‗espírito japonês ultra-nacionalista‘, marcada por uma idéia de ‗patriotismo
171 ―武士道‖.
172 J. B. Kraus: Harakiri. Die siebenundvierzig Ronin. by Toshi Noishiki, Monumenta Nipponica, Vol. 2, No. 2 (Jul., 1939), pp. 658-659 Published by: Sophia University
exacerbado‘. Ora, é curiosa essa idéia levando-se em consideração sua emissão por um estadunidense, visto que não ativado por ‗ultra-nacionalismos‘... Seja como for, nessas leituras o ‗Bushido‘ é encarado enquanto um código de referência sócio-centrado. No contexto do Kendo, tal ‗código‘ é efetivado-atualizado – no geral, pois minha etnografia não permitiu observar o contrário – nas figuras ilustres tidas como referenciais, conforme a citação de exemplos, muito embora todo pequeno ‗ato‘, por mais insignificante que possa parecer se encaixa no código e pode ser pensado como ‗mais ou menos japonês‘ – na geometria da japonesidade.
Note-se a fala do professor Toida:
E, quando a gente promete, a gente cumpre. Igual no Bushido, se não tem ninguém mais e você promete alguma coisa, você tem que cumprir. Se sensei dá a palavra, promete estar em algum lugar, tem que estar. Porque, se não o que as pessoas vão pensar? Então não fala desde o começo. Se tiver certeza, fale. E vem, dedica junto, e mostra que você está aqui. [Entrevista prof. Toida, maio de 2007]
Penso que o debate sobre ‗realidade‘ e ‗ilusão‘ desse código não levará a lugar algum, visto que a discussão sobre sua validade data pelo menos do Séc. XVII no Japão, na figura de Yamamoto Tsunetomo [1659-1719](2004). Neste livro, Yamamoto discursa sobre o ‗Bushido‘ argumentando que o ‗caminho do samurai‘ é constantemente corrompido por circunstâncias adversas, e entre elas o ‗medo‘ da morte, que era condição sine quae non da personitude samuraica. Se é impossível que em grau máximo se viva socialmente tais virtudes, também é impossível descartar a validade de sua operação hodiernamente em espaços micro-sociais174.
O ‗Bushido‘ se apresenta de posse de três ‗religiões conectadas‘, ou ainda ‗tradições‘:
O Kendo, do meu ponto de vista, segue a tradição budista, a tradição xintoísta e a tradição confucionista, né. Do budismo, ele pega duas coisas importantes: o caminho do meio e a auto- análise. Agora, do xintoísmo ele pega exatamente essa parte de respeitar, de amor a família, amor à pátria, concentrando mais nesse assunto. Do confucionismo, ele pega a noção de obedecer; conviver e tratar o seu superior bem, conviver bem com seus pais, e depois, respeitar bem as coisas estabelecidas, ou seja, leis,
174 Rogers (1990, P. 255): In Hagakure, 1716, his work on the ethics of bushido, Yamamoto Tsunetomo complains that the samurai of his day were interested only in discussing money, clothes, and women, and that they had lost interest in the Way of the Warrior. Arts of War in Times of Peace. John M. Rogers, Monumenta Nipponica, Vol. 45, No. 3. (Autumn, 1990), pp. 253-260.
costumes; então essas coisas tem que ser respeitadas. [Entrevista Prof. Tamaki, fevereiro de 2008]
O shinto (DAVIS:1992), (READER et al 1993), (READER: 1994) é uma espécie de culto religioso de Estado que tem na figura do imperador seu objeto central175. De acordo com o livro ―Japanese Religions: A survey by the agency for cultural affairs‖ (HORI& IKADO& WAKIMOTO& YANAGAWA: 1999, P.29 e seguintes):
It is difficult to capture shinto in a definition, for the phenomenon that goes by the name had its beginnings in the shadowy, prehistoric period when human beings started to live on the japanese archipelago, went through many changes and developments in the course of its history, and to the present day includes not only religious but also socio-cultural dimensions. (P. 29)
Não obstante, o Shinto ‗moderno‘, ―as a religious system can be regarded as having four main forms: the Shinto of the Imperial House, Shrine Shinto, Sect Shinto and Folk Shinto.‖ (Idem, ibdem). O primeiro é centrado em ritos ―for the spirits of imperial ancestors and observed at imperial institutions, is distinguished from others forms partly because its rites are performed by the emperor in person and partly because its retains the most archaic styles of Shinto worship… … and not open to the general public.‖
A parte isso e ao redor desse centro tem-se uma constelação de objetos variados, constando artefatos da natureza [há divindades variadas para cada elemento: rios, pedras, plantas, céu, sol, terras, florestas etc.] (READER: 1993), (CHAMBERLAIN & ASTON: The Kojiki: Records of Ancient Matters, 2005) e também os parentes são objeto de culto e deferência. Em janeiro de 2007, quando fui a SP para entrevistar o Sr. Ishihashi, o prof. Yamamoto foi junto a mim, conforme argumentei no primeiro capítulo. Quando cheguei a sua residência em São Paulo [Liberdade] tive uma surpresa: pelo que pude notar, ele e a senhora sua mãe176 foram prestar homenagem ao butsudan [altar budista], no qual havia um incenso aceso [senti o cheiro] e eles bateram em um
175 Atribuía-se uma origem divina e eterna ao imperador japonês e essa sacralidade é tema de deferência ainda hoje, conforme pude notar nos festejos do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, realizado no complexo do Anhembi, em São Paulo, em junho de 2008. Participei da ‗divisão‘ do Kendo no referido festejo e percebi a atualização de um ‗mito‘ em específico, o da deusa Amaterasu, quando o príncipe japonês chegou ao sambódromo. Ver a frente.
176 Sra. Fumiko Yamamoto, cerca de 90 anos, lúcida e de acordo com o Sr. Yashiro, possui um documento atestando sua descendência direta de família samurai.
sino duas vezes. Após a homenagem, o Sr. Yashiro voltou e conversou comigo. Bem, o objeto de culto era o Sr. Zenzo Yamamoto, pai do Prof. Yashiro. Por outro lado, o ‗modo-potência‘ de ‗culto‘ do shinto é a ‗memória‘, imperial-ilustre, local-espacial- territorial e também familiar-geracional.
Such loyalty to the sovereign, such reverence for ancestral memory, and such filial piety as are not taught by any other creed, were inculcated by the Shinto doctrines, imparting passivity to the otherwise arrogant character of the samurai. Shinto theology has no place for the dogma of "original sin." On the contrary, it believes in the innate goodness and God-like purity of the human soul, adoring it as the adytum from which divine oracles are proclaimed. Everybody has observed that the Shinto shrines are conspicuously devoid of objects and instruments of worship, and that a plain mirror hung in the sanctuary forms the essential part of its furnishing. The presence of this article is easy to explain: it typifies the human heart, which, when perfectly placid and clear, reflects the very image of the Deity. When you stand, therefore, in front of the shrine to worship, you see your own image reflected on its shining surface, and the act of worship is tantamount to the old Delphic injunction, "Know Thyself." But self-knowledge does not imply, either in the Greek or Japanese teaching, knowledge of the physical part of man, not his anatomy or his psychophysics; knowledge was to be of a moral kind, the introspection of our moral nature. Mommsen, comparing the Greek and the Roman, says that when the former worshiped he raised his eyes to heaven, for his prayer was contemplation, while the latter veiled his head, for his was reflection. (NITOBE, 2004 [1899-1908], P. 9). 177 Sobre o ‗budismo‘, alguns aspectos seus tomam forma e re-significação quando apropriados pelo zen. De acordo com Nitobe: (2004 [1899-1908], P. 9):
A foremost teacher of swordsmanship, when he saw his pupil master the utmost of his art, told him, "Beyond this my instruction must give way to Zen teaching." "Zen" is the Japanese equivalent for the Dhyâna, which "represents human effort to reach through meditation zones of thought beyond the range of verbal expression." Its method is contemplation, and its purport, as far as I understand it, to be convinced of a principle that underlies all phenomena, and, if it can, of the Absolute itself, and thus to put oneself in harmony with this Absolute. Thus defined, the teaching was more than the dogma of a sect, and whoever
177 This religion… …thoroughly imbued Bushido with loyalty to the sovereign and love of country.
These acted more as impulses than as doctrines; for Shintoism, unlike the Mediaeval Christian Church, prescribed to its votaries scarcely any credenda, furnishing them at the same time with agenda of a straightforward and simple type (NITOBE, 2004 [1899-1908], P. 10).
attains to the perception of the Absolute raises himself above mundane things and awakes, "to a new Heaven and a new Earth." O budismo enquanto prática ascética teve seu surgimento – um dos, dentre vários – com o príncipe Sidharta na índia, alastrando-se pela Ásia até chegar ao Japão178. De acordo com Suzuki (SUZUKI, Takeshi. Budismo: do primitivo ao japonês, SP, S/D) existem dois troncos no Japão e em um deles, há a prática da meditação, chamada zazen [za= sentar; zen-meditar]179. Há três planos na prática do zen, os exercícios respiratórios e meditativos, os koan – ou problemas sem solução lógica aparente ou refletida – e o satori – iluminação – que é o objetivo supremo ao qual aspira
um praticante (HERRIGEL: 1993).
No início e no final dos treinamentos de Kendo, tem-se lugar a ‗meditação‘ tomada como forma-atualidade de ‗purificação‘. O prof. Ishihashi dá uma importância grande a tal prática em seus treinos180:
Ao final do treino em São Carlos no dia 30 Março de 2007 durante a visita de professores da FPK, o Sr. Ishihashi falou sobre o mokusoo [meditação silenciosa] e o sentido de gratidão que deve permear essa prática; a meditação do início do treino tem por objetivo limpar a mente para que seja possível receber novos ensinamentos. Por outro lado, a meditação ao final busca visualizar o que foi aprendido. O agradecimento fornece o sentido de humildade. [nota pós-treino- março 2007]
O Sr. Ishihashi nos diz sobre a relação entre Kendo e zen:
Tudo é um meio pra você se libertar da malha do lado físico e subir mais um degrau, né, de consciência, de liberdade. Neste livro [apresentação de um livro], que eu peguei uma cópia do Yamada sensei, a pessoa que escreveu ele estudou zen budismo por anos e escreveu o seguinte: ―o Kendo é harmonia e a harmonia emana de deus‖. Está escrito aqui; não sou eu que estou dizendo. Então, através da prática do Kendo, e para se harmonizar, é preciso ter um correto coração. O propósito do
178É dada como data de chegada do ‗Zen‘ no território nipônico, enquanto transformação do ‗Tao‘ chinês (WATTZ, 2008, P 44) o início do Século 10 [1191]. É de se notar o ‗diálogo‘ mediado – ora deliberadamente por embaixadores, ora por guerras – entre China e Japão e, diga-se de passagem, os próprios alfabetos e entre eles o sistema de kanji foram importados da China, de acordo com Ortiz (2000, P.26) e milhares de outros autores. É questão de se perguntar em qual medida o Japão se fechou ao contato com outros países, uma vez que suas ‗trocas‘ com o continente datam do Séc. X e jamais foram interrompidas.
179 Chamado no Kendo de Mokussoo “黙想”.
180 É correlato ao zen um problema filosófico de ampliação do ‗eu‘, que seria visto como uma conjugação entre o ‗eu‘ sujeito e a totalidade das coisas e seres (WATTZ, 2008, P. 23); se me cabe uma observação, em questão está o problema da unidade e da multiplicidade, só que a solução do zen é a incorporação da perspectiva, do outro sempre. A oposição clássica entre sujeito e objeto torna-se sem sentido a partir do zen, através do postulado de um ‗eu multiversal‘.
Kendo é harmonizar o coração. Segundo o autor S gen mori, ele fala do ken e zen; toda prática que tem d [caminho] na palavra: Kend , Judō etc., então, todo esse caminho, todo o objetivo desse caminho é chegar a Buda, é se elevar. É caminhar em direção ao sagrado. É se elevar e não ficar esperando ser salvo... não ficar atento só à técnica mas melhorar a personalidade, aumentar a consciência. A consciência de uma pessoa, no caso do zen-budista que ensina bastante, é o se concentrar em um ponto, o que concentra a energia. Quando eu li isso me deu arrepio [risos]... ...tudo o que é importante deve ser praticado, estudado. Porque no lado do zen-budismo, né, é a mesma coisa; no zen, ele é praticado sentado. Agora, Kendo... tem que ―entrar no páu‖! [risos] e chegar a esse nível, do zen- budismo.
Ken e zen são unos. Onde ken e zen são unos? Ken é pra matar a pessoa; zen é pra salvar a pessoa. Aonde é que ken e zen vão ser
unos? Existe um nível de Kendo que é chamado de ―aiuchi‖, ou
seja, jogar a sua vida para dar o golpe. Só que esse nível ainda não é o nível. O nível ideal é o de ―ainuke‖, que é o de você chegar lá, ficar na frente do outro, guardar o shinai, falar obrigado e ir embora. Esse nível está no nível de zen budista que pesquisa ―liberar o coração‖ né, libere o coração. Quando você está no nível de maior concentração, aí você libera o coração e aí o ken e o zen são unos. [Entrevista Sr. Ishihashi, janeiro de 2007]. O Confucionismo181 é uma prática de respeito e ‗decoro social‘ conforme tomado pelo Kendo182. Oferece uma série de preceitos e máximas de como conduzir-se por um ‗caminho do meio‘ perante a vida, respeitando superiores e inferiores, exigindo de si o correto, sendo compreensivo com as dificuldades alheias e ter reverência pelos pais e pelos mais velhos (CONFUCIO, 551-479 a.C: 2003, 2007). Conforme posso
181 ―His enunciation of the five moral relations between master and servant (the governing and the governed), father and son, husband and wife, older and younger brother, and between friend and friend, was but a confirmation of what the race instinct had recognized before his writings were introduced from China. The calm, benignant, and worldly-wise character of his politico-ethical precepts was particularly well suited to the samurai, who formed the ruling class. His aristocratic and conservative tone was well adapted to the requirements of these warrior statesmen.‖( NITOBE, 2004 [1899-1908], P. 10).
182 Tem-se variadas leituras sobre a utilização do ‗confucionismo‘ para além da prática ‗religiosa‘, notadamente as vertentes econômica, ou a utilização do ‗neo- confucionismo‘ como sobre-utilização da mão de obra, pois centrada no domínio da agência: ORNATOWSKI, G. (1998 25/3–4): Japanese Journal of Religious Studies, On the Boundary between ―Religious‖ and ―Secular‖ The Ideal and Practice of Neo-Confucian Self-Cultivation in Modern Japanese Economic Life. Político-econômica, notadamente a utilização do confucionismo como justificativa da política de estado japonês contra os imigrantes, principalmente clandestinos: KAWAMURA, Lili Katsuco. 2001. A questão cultural e a Discriminação Social na Migração de Brasileiros ao Japão. In CNPD, Seminário Internacional Migrações Internacionais - Contribuições para Políticas . Brasília, CNPD; e identitária, com uma revisão da literatura a partir da arqueologia identitária ‗japonesa‘ e posteriormente ‗nipo-brasileira‘: SASAKI, E.M.P: Ser ou Não Ser Japonês? A Construção da Identidade dos Brasileiros Descendentes de Japoneses no Contexto das Migrações Internacionais do Japão Contemporâneo. Tese de doutoramento, Campinas, SP : [s. n.], 2009
notar, o conceito de ‗decoro‘ – nas traduções – aparece como central em Confúcio, de onde se deduzem todas as outras máximas. Se sou obediente, respeitoso e verdadeiro,
todo o resto aparece como conseqüência. ―Se um homem afastar da mente o amor pela
beleza e aplicá-la muito sinceramente ao amor pelos virtuosos; se, ao servir aos pais, ele puder empenhar o máximo esforço; se, no relacionamento com amigos, suas palavras forem sinceras – mesmo que os homens digam que ele não aprendeu, eu certamente direi que sim‖ (CONFUCIO, 551-479 a.C: 2003, P. 8). As conclusões e indicações obtidas a partir do ‗respeito‘ e da ‗hierarquia‘ no primeiro capítulo sintetizam a argumentação.
Em outubro de 2008 participei de um seminário realizado no Bunkyo [Liberdade] tendo por foco as baixas graduações [aspirante, 1º e 2º Dan]. O palestrante foi novamente o professor Yashiro Yamamoto que falou sobre alguns temas de