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2 BACKGROUND

2.5 E NGLISH IN S CANDINAVIA

2.1.1 Estudo documental

Foram analisados 12 documentos entre relatórios, manuais, termos de referência e normas técnicas, publicados pela SPM, de 2003 (ano de sua criação) a 2010 e que, de alguma forma, se referem aos atendimentos psicológicos para mulheres em situação de violência, descrevem e orientam as ações de referência de forma implícita ou explícita ou servem para nortear as/os psicólogas/os em seus atendimentos nos serviços que compõem a rede de enfrentamento à violência contra as mulheres (Brasil, 2003a, 2004, 2005a, 2005b, 2006a, 2006b, 2006c, 2009, 2010a, 2010b; Taquette, 2007a; Taquette et al., 2007b.).

Assim, os trechos dos documentos que se enquadravam nesse critério foram transcritos para possibilitar a realização das análises pretendidas.

Para a identificação desses trechos de interesse para a análise, foi utilizada a técnica de busca de palavras-chave como: psicólogo/a/os/as, psicologia, psicanálise. Após as primeiras análises a pesquisa se estendeu para palavras como depressão, ansiedade, resiliência e arteterapia.

2.1.2 Pesquisa de campo

Alguns poucos estudos (Hanada et al., 2008, 2010; CFP, 2008, 2010), apresentam o foco no atendimento psicológico das políticas especializadas para mulheres em situação de violência. No estudo de Hanada et al. (2008, 2010) há a avaliação das pesquisadoras sobre o trabalho desenvolvido pelas psicólogas e sobre alguns documentos da SPM, como já foi citado; e na pesquisa do CFP (2008, 2010), uma descrição de como esses/as profissionais realizam o trabalho, a partir do ponto de vista dos/as próprios/as profissionais.

No contexto desses estudos, a proposta desta tese é apresentar como psicólogas avaliam as orientações da política especializada no enfrentamento à violência contra as mulheres, a estruturação das equipes multidisciplinares e as motivações para algumas

60 mulheres permanecerem em situação de violência.

As psicólogas inscritas no CRP 20 (CFP, 2011a) seção Acre foram convidadas a participar da entrevista a partir de convite via mensagem eletrônica. Tinha-se como objetivo entrevistar psicólogas que atendem ou atenderam na rede de enfrentamento à violência contra as mulheres e psicólogas que não tinham essa experiência, de forma que pudesse haver uma comparação entre as respostas dos dois grupos.

Das 32 psicólogas convidadas, todas mulheres, 15 manifestaram o desejo em participar como voluntária de pesquisa, mas só 12 participaram. Assim, foram realizadas 12 entrevistas de fevereiro a março de 2012, sendo seis com psicólogas com experiência em serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres, em especial o centro de referência e a casa-abrigo, e seis com psicólogas que nunca fizeram atendimento em serviço especializado de atendimento às mulheres, mas que em sua experiência de trabalho já atenderam mulheres em situação de violência. Por fim, desse último grupo, uma psicóloga relatou experiência com meninas em situação de conflito com a lei, e outra, quando a instituição onde trabalha não tinha ainda a psicóloga para atender no serviço especializado, quando solicitada, realizou alguns atendimentos.

Utilizou-se a entrevista semiestruturada como técnica para a investigação, após os resultados de um estudo inicial através de um questionário online (Porto & Bucher- Maluschke, 2012a) (Anexo A).

Assim, inicialmente, foram apresentados os temas que deveriam ser abordados pelas entrevistadas: a experiência de realizar atendimentos com mulheres em situação de violência; as orientações da SPM e o lugar da psicologia nesse contexto detalhados em alguns subtópicos (Apêndice A).

As psicólogas entrevistadas avaliaram algumas das frases que foram discutidas pela pesquisadora na etapa da análise documental. Entretanto, para que as frases retiradas das publicações da SPM pudessem fazer sentido sem o contexto de todo o parágrafo, foi necessário acrescentar, em alguns casos, expressões como “é necessário” ou “é preciso” de forma que a frase viesse a ter sentido como uma orientação. Assim, a psicóloga entrevistada avaliava seu grau de concordância com as afirmações apresentadas. As afirmações, retiradas dos manuais e termos de referência da SPM, 17 referentes ao atendimento psicológico a mulheres em situação de violência (1ª a 16ª, 20ª e 21ª – as questões 20 e 21 desse bloco foram enviadas posteriormente via endereço eletrônico, numa forma de tentar complementar as informações estendendo as frases analisadas aos documentos publicados em 2007) e três elaboradas pela pesquisadora (17ª, 18ª e 19ª)

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(Apêndice B). Essas frases foram apresentadas às psicólogas entrevistadas que avaliaram sua concordância numa escala Likert que apresentava: concordo fortemente; concordo; concordo parcialmente; nem concordo, nem discordo; discordo parcialmente; discordo; discordo fortemente. A informante também era chamada a comentar sobre as razões de seu grau de concordância com relação à frase.

Por fim, a aplicação de um questionário fechado para a definição de um perfil sociodemográfico e de formação em psicologia (Apêndice C).

O roteiro de pesquisa utilizado assim como o termo de consentimento livre e esclarecido (Apêndice D) constam no projeto de pesquisa que foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal do Acre em 13/10/2010 (Anexo B). É importante destacar que o termo de consentimento foi apresentado às informantes antes do início da entrevista.

No decorrer da entrevista, nos casos em que a psicóloga não entendia a frase apresentada na escala de avaliação, foi orientado que comentassem a partir do que entendeu, independentemente de ser o entendimento “certo”. Seria o entendimento possível quando não se tem o texto todo, e sim frases soltas. Nos casos em que o documento oferecia uma explicação para o termo como, por exemplo, “resiliência”, quando a informante não entendia, era explicado a partir do significado dado pelo manual. Quando não havia a explicação, era solicitado que a entrevistada comentasse a partir do que foi possível compreender. Pois a entrevistadora também não sabia o que significava. Por fim, para as que não entendiam o que era a “rede de atendimento”, eram elencados os serviços que a compõe: casa-abrigo, centro de referência, delegacia especializada, serviço de aborto previsto na lei, entre outros.

As entrevistas foram gravadas em gravador digital e posteriormente transcritas e revisadas. A revisão foi realizada com a leitura do texto transcrito simultânea ao áudio para tentar corrigir eventuais erros de transcrição.