2. Theoretical Approach
2.2 New Regionalism Approach
Todos os 95 indivíduos completaram pelo menos 92% das 36 sessões dos treinamentos físicos.
A Tabela 10 apresenta o número de ocorrência dos componentes da SM antes e depois das duas intervenções.
Tabela 10 - Número de ocorrência dos componentes da SM, antes e depois das duas intervenções. Componentes da
Síndrome Treinamento Físico Resistido (49 sujeitos) Treinamento Físico Aeróbio (46 sujeitos) Antes Depois Antes Depois 0 --- 2,0% (1) --- 2,2% (1) 1 --- 10,2% (5) --- 13,0% (6) 2 --- 53,1% (26) --- 37,0% (17) 3 89,8% (44) 34,7% (17) 82,6% (38) 41,3% (19) 4 8,2% (4) --- 17,4% (8) 6,5% (3) 5 2,0% (1) --- 0% p = 0,04 p = 0,03
A análise dos dados revelou que ambas as intervenções foram capazes de diminuir significativamente o índice de ocorrência da SM. Antes da aplicação das intervenções, tínhamos 49 sujeitos com SM, selecionados para praticar o exercício resistido e 46, nas mesmas condições, para o exercício aeróbio. Após a aplicação dos treinamentos físicos, observou-se uma redução de 65,30% dos componentes da SM nos escolares que praticaram o treinamento resistido, seguido de uma redução de 52,17% desses componentes nos alunos submetidos ao treinamento aeróbio. Constatou-se, através do experimento, que a intervenção que promoveu o maior impacto na redução dos componentes da SM foi o exercício resistido.
Tal fato reforça a idéia de que o exercício físico é um coadjuvante importante na redução da SM. Vita e Kcaney (2002), Baz (2003) e Schjerve et al. (2008) trabalharam com exercícios aeróbios e resistidos e encontraram reduções significativas dos riscos cardiovasculares, confirmando que essas duas intervenções são capazes de contribuir para a diminuição dos riscos à saúde e, consequentemente, para o reforço das indicações encontradas neste estudo.
Chen, Roberts e Barnard (2006) afirmam que, em seus estudos, após 14 dias de dieta e exercício aeróbio, houve uma redução de 100% no número de componentes da SM em crianças e adolescentes. Já em estudo semelhante realizado por Leite et al. (2009), esse número caiu de 45% para 13%. Embora no presente estudo não tenha havido interferências nutricionais- diferentemente dos dois estudos acima -, a redução no número de componentes da SM foi significativa com exercício aeróbio. Isso, entretanto, ocorreu após 12 semanas de
intervenção, tempo muito superior ao despendido pelos autores supracitados. Outros estudos, com populações diferentes, mas com tempo de intervenção semelhante à pesquisa atual, reforçam a contribuição do exercício aeróbio para a diminuição da SM. (CASELLA FILHO, 2007; STRAZNICKY et al., 2009; AIZAWA et al., 2009).
A intensidade moderada, utilizada no presente estudo para a prescrição do treinamento aeróbio, apresentou um impacto significativo na diminuição da SM nos escolares. Entretanto, estudos como o de Kang et al. (2002) e Tjonna et al. (2008) constataram que em adultos o exercício aeróbio de alta intensidade, comparado com exercício aeróbio moderado, foi mais eficiente para diminuir o número de componentes da SM, bem como o de indivíduos classificados como portadores dessa síndrome. Mesmo não sendo foco do estudo a comparação da intensidade e sim do tipo de treinamento, a pesquisa indica a eficácia do exercício aeróbio moderado na redução da SM, revelando-se um importante tratamento para alvo clínico, especialmente em uma população cujo risco de desenvolver doenças cardiovasculares apresenta-se acima da média, como é o caso dos jovens envolvidos nesta pesquisa.
A redução de 65,30% no número de ocorrências da SM, observada no grupo de exercício resistido é corroborada por Jurca et al. (2005), que identificaram, como resultado do treinamento resistido, alterações fisiológicas que refletiram na diminuição da ocorrência de SM. Essas alterações acarretam modificações agudas e crônicas no organismo, proporcionado maior força muscular, aumento no gasto energético e maior captação da glicose pelo músculo, devido ao aumento da permeabilidade da célula, além de proporcionar ao endotélio o estímulo para sintetizar o óxido nítrico, provocando vasodilatação e diminuindo a PA. (MEIRELLES, 2004; MATSUURA; MEIRELLES; GOMES, 2006).
Pelo fato de ambas as intervenções terem apresentado influências significativas na redução dos componentes da SM, pode-se dizer que tanto o treinamento físico resistido quanto o aeróbio são capazes de reduzir a SM em escolares. É importante destacar que durante as sessões de treinamento resistido nenhum efeito adverso foi apresentado. Isso é um fator relevante, pois demonstra a segurança da prática dessa modalidade para escolares. (FAIGENBAUM et al., 2009).
A Tabela 11 demonstra o impacto que as duas intervenções provocaram no número de jovens que apresentavam os componentes da SM, comparando-se seus quadros clínicos pré e pós-intervenção. Ao comparar as duas intervenções, observa-se que tanto os treinamentos aeróbios quanto os resistidos produziram efeitos significativos sobre a obesidade abdominal, a pressão arterial e a glicemia. No caso das dislipidemias, por sua vez, os efeitos foram
diferentes. O treinamento físico aeróbio, quando comparado com o exercício resistido, foi mais eficiente para reduzir as concentrações de triglicérides. Entretanto, ao comparar os resultados das duas intervenções sobe o HDL, o treinamento resistido apresentou um aumento significativo nas concentrações de HDL, enquanto o exercício aeróbio não proporcionou nenhuma alteração significativa.
Tabela 11 – Impacto no número de ocorrência de indivíduos que apresentavam os componentes da SM, pré e pós-intervenção.
Constatou-se, no presente estudo, que o componente que sofreu o maior impacto das intervenções foi a glicemia sanguínea, com reduções de 76,92% e de 100% resultantes dos treinamentos aeróbio e resistido, respectivamente. O segundo componente que sofreu maior redução foi a pressão arterial, com diminuição de 52,63% entre os praticantes do treinamento resistido (Tabela 11).
Entretanto, comparados com os demais componentes, o HDL e os triglicérides foram os indicadores que apresentaram a menor redução de ocorrência depois das intervenções com treinamento físico aeróbio (10,81%) e resistido (23,07%). Alguns autores, porém, argumentam que as intervenções com treinamento físico devem ter duração maior que 12 semanas ou gasto energético superior a 1200 kcal por semana, para conseguirem provocar adaptações capazes de interferir nas concentrações dos lipídios (DURSTINE et al., 2002; TOLFREY; CAMPBELL; BATTERHAM, 2004). Pode-se supor que, em virtude da duração das intervenções não ter ultrapassado 12 semanas, elas não tenham proporcionado uma porcentagem maior de redução nessas ocorrências. Percentualmente, os resultados da Tabela 11 apresentam uma redução maior no número de ocorrência dos componentes da SM atribuído ao treinamento físico resistido, quando comparada com a redução dos casos totais.
Componentes da SM Treinamento Pré-intervenção
nº de ocorrências nº de ocorrências Pós-intervenção % redução p
1) Obesidade Abdominal Aeróbio Resistido 46 49 38 41 17,40 16,32 0,005 0,01
2) Pressão Arterial (PA) Aeróbio Resistido 31 38 22 18 29,03 52,63 0,001 0,001
3) Glicemia de jejum Aeróbio Resistido 13 11 3 0 76,92 100 0,001 0,002
4) Triglicérides Aeróbio Resistido 19 16 14 14 26,31 12,50 0,03 0,16
Obesidade Abdominal
Foi constatada, com o presente estudo, uma redução significativa da Obesidade Abdominal, resultante dos dois treinamentos. Antes da intervenção, a ocorrência da obesidade abdominal no grupo de treinamento físico aeróbio foi detectada em 46 escolares, reduzindo após o treinamento físico, para 38. Já no grupo de treinamento resistido, registrou-se a ocorrência de 49 casos antes da intervenção, passando a prevalecer em 41 jovens (Tabela 11). Ao comparar as duas intervenções, não foram observadas diferenças de impacto na obesidade abdominal, provando que qualquer uma das intervenções pode fazer parte de um tratamento para redução da obesidade abdominal.
Os resultados encontrados no estudo são relevantes, visto que a diminuição da Circunferência da Cintura tem sido associada a benefícios metabólicos e vasculares como: resistência à insulina, intolerância à glicose, HA sistêmica, dislipidemia e diabetes tipo 2. ( LORENZO et al., 2003; DESPRÉS et al., 2008a,b).
Os achados da presente investigação são suportados por Sarsan et al. (2006), Macêdo (2009) e Stensvold et al. (2010), que identificaram a diminuição da Obesidade Abdominal com a intervenção dos exercícios resistido e aeróbio. No entanto, são resultados diferentes dos apresentados pelo estudo de Poehlman et al.(2000), que não encontraram alterações na gordura subcutânea nem na intra-abdominal.
Os resultados da redução da ocorrência de 16,32% da Obesidade Abdominal nos escolares que participaram do treinamento resistido corroboram com os de Winett e Carpinelli (2001), Hunter (2002), Castaneda et al. (2002) e Casella Filho (2007). Sabe-se que o exercício resistido não possui características de oxidação de gordura durante o treinamento físico. No entanto, é importante salientar que o fator mais relevante para a redução da Obesidade Abdominal é o montante da gordura oxidada durante todo o dia. (SCHJERVE et al., 2008). Esses fatores podem ter influenciado nos resultados encontrados na presente investigação, embora a obesidade abdominal tenha sido um dos componentes da SM com menor impacto de redução.
Outras possíveis explicações para a influência do exercício físico na diminuição da Obesidade Abdominal estão relacionadas a complexas interações envolvendo hormônios, enzimas e receptores. (WILLIAMS, 2001; HAVEL, 2010). A associação desses hormônios durante as intervenções oferecidas no presente estudo podem ter desencadeado o aumento na liberação dos ácidos graxos livres oxidáveis, diminuindo a Circunferência da Cintura e, consequentemente, eliminado um dos componentes da SM. Essa redução da Obesidade
Abdominal nos escolares é um fato extremamente importante, visto que Rosa et al.(2006) afirmam existir uma relação entre a obesidade e a pré-hipertensão em adolescentes, que é um determinante de alerta para a necessidade imprescindível de intervenção, desde a infância, visando à diminuição da obesidade, principalmente a abdominal.
A presente investigação indica que a redução de 17,40% da ocorrência de Obesidade Abdominal com o treinamento físico aeróbio foi maior do que o adquirido com o resistido, demonstrando ser o exercício aeróbio uma estratégia mais eficaz. Todavia, os resultados apontam influências benéficas que ambas exercem para a redução desse componente da SM.
Pressão Arterial
Constatou-se através dos resultados que ocorreu, com ambas as intervenções, uma diminuição significativa nos valores da PA, comprovando que os treinamentos aeróbios e resistidos produzem efeitos semelhantes sobre esse componente. A tabela 11 demonstra que na pré-intervenção com o treinamento aeróbio, 31 escolares apresentavam a PA alta e, após a intervenção, o número dessa ocorrência reduziu-se para 22. No treinamento físico resistido, 38 escolares apresentavam altos níveis de PA antes da intervenção, apresentando uma redução, após a intervenção, para apenas 18. Concluiu-se que o treinamento que proporcionou o maior impacto na redução da ocorrência de PA elevada foi o resistido, com redução de 52,63%, contra os 29,03% apresentados pelo exercício aeróbio.
Os resultados obtidos no presente estudo corroboram com os de Banz (2003), no caso de indivíduos que apresentavam dois componentes da SM. Porém, outros estudos, como o de Schjerve et al. (2008) e Sarsan et al. (2006), apresentaram resultados divergentes quando compararam os dois tipos de intervenção. Schjerve constatou diminuição da PA através do exercício aeróbio, mas não encontrou diferença significativa com o exercício resistido, enquanto Sarsan constatou reduções significativas dessa variável através do exercício resistido, mas não as encontrou no exercício aeróbio.
Resultados semelhantes, mas com tempo maior de intervenção (8 meses) e com intensidade elevada, foram encontrados por Kang et al. (2002), em cujo estudo a prática do exercício físico resultou na redução significativa dos níveis da PA. É importante destacar que na presente investigação não houve qualquer prescrição medicamentosa e que, portanto, a redução dos níveis pressóricos decorreu exclusivamente dos treinamentos físicos, fato esse de grande relevância, uma vez que o exercício físico pode atuar como hipotensor não- farmacológico (LATERZA et al., 2008), devendo ser uma parte integrante da modificação de
estilo de vida, indicada para o tratamento e prevenção da HA. (MONAHAN et al., 2000; PESCATELLO et al., 2004).
Sabe-se que a perda de peso contribui para a diminuição dos níveis pressóricos e, consequentemente, do risco cardiovascular, dada a forte relação entre obesidade e HA. (NATIONAL HEART, LUNG AND BLOOD INSTITUTE, 2004; YUNG et al., 2009). No presente estudo, embora não se tenha controlado a variável peso corporal dos participantes, verificou-se que a melhora significativa registrada nos níveis de PAS não decorreu da perda de peso, visto que essa perda não foi considerada significativa. Sabe-se que as causas da diminuição da PA induzida pelo exercício físico não são totalmente claras (YOUNG; KARAS; KUVIN, 2004). No entanto é apontada, como uma das possíveis explicações, a produção do óxido nítrico, um dos reguladores do fluxo sanguíneo e controlador da agregação plaquetária, que tem sua secreção aumentada pela prática do exercício físico, tanto o aeróbio quanto o resistido. (BRANDÃO; PINGE, 2007; VITORINO et al., 2007).
Assim, os exercícios aeróbios e resistidos oferecidos aos escolares, uma vez que envolveram grandes grupos musculares, podem ter sido eficazes na melhora da função endotelial. (BACON et al., 2004; LOPES; GONÇALVES; RESENDE, 2006).
Schjerve et al.(2008) constataram a eficiência do exercício aeróbio - tanto o moderado como o de alta intensidade - na significativa diminuição da PAD em 6 a 8 mmHg. O exercício de alta intensidade foi significativamente mais eficiente do que o moderado para a melhoria da função endotelial, ao passo que o exercício resistido não foi capaz de proporcionar mudança nessa variável. Porém o contrário foi observado no presente estudo em que, após 12 semanas de exercício resistido, foi possível constatar redução dos níveis pressóricos. Pesquisas anteriores acerca da temática deste estudo, como as de Kelley e Kelley (2000), Winett e Carpinelli (2001) e Castaneda et al. (2002), confirmam esses achados, ao averiguarem a diminuição das pressões diastólica e sistólica nos participantes submetidos ao treinamento físico resistido.
O impacto das duas intervenções nos níveis pressóricos, constatado no presente estudo, contribuiu para a redução da ocorrência da PA, componente da SM, comprovando a eficácia desses procedimentos na melhoria da qualidade de vida dos jovens. Entretanto, o treinamento físico resistido apresentou-se mais eficiente para a redução do número de escolares com PA elevada.
Glicemia em jejum
A glicemia em jejum sofreu diminuição significativa com os dois tipos de treinamento físico. No início do estudo, 24 jovens apresentaram glicemia alterada e, no final, após as intervenções, somente três permaneciam nessas condições, enquanto os demais haviam entrado nos parâmetros aceitáveis. A intervenção com o treinamento físico resistido apresentou o maior impacto de redução (100%) no número de escolares com glicemia alterada. O treinamento físico aeróbio, por sua vez, apresentou um impacto de 76,92% na redução dessa variável (Tabela 11). A glicemia de jejum foi o componente da SM em que as duas intervenções provocaram maior redução no número de ocorrência de casos.
De forma similar, os estudos de Holten et al. (2004), Sigal et al. (2007), Ishibashi, Maurino Júnior e Liberatore Júnior (2007) constaram, também, reduções significativas da glicemia. Resultados semelhantes, porém em população adulta, foram encontrados por Poehlman et al. (2000), quando avaliaram mulheres não-obesas sob a influência dos exercícios aeróbio e resistido, na sensibilidade à insulina. Concluíram que a sensibilidade foi aumentada em ambos os treinamentos (aeróbio e resistido). Em idosos, Ferrara et al. (2006) demonstram os benefícios dos dois tipos de treinamento para o controle glicêmico. Percebe-se que o exercício aeróbio e o resistido são estratégias eficientes para serem usadas desde a infância até a senescência, pois são capazes de diminuir os riscos à saúde, principalmente em indivíduos acometidos pela SM.
Porém, os resultados supracitados não corroboram com os de Banz et al. (2003) e Stensvold et al. (2010), que afirmam não terem obtido, com as duas intervenções, qualquer alteração nos níveis de glicemia em jejum.
Boulé et al. (2001), após uma extensa meta-análise, constataram que os exercícios aeróbios e resistidos exercem influências clinicamente importantes sobre a glicemia, diminuindo a resistência à insulina hepática e muscular, aumentando a permeabilização da célula em relação à glicose. Essa melhoria na captação da glicose pela célula é um fator que deve ter contribuído para a diminuição da glicemia em jejum nos jovens pesquisados, o que pode ter influenciado na redução da SM, tanto para os participantes do treinamento físico aeróbio, quanto para os do exercício físico resistido.
Recentes estudos apontam uma diminuição significativa da glicemia em jejum em três meses (CHANG et al., 2008) e dois meses (OUNIS et al., 2008b) de intervenção com exercício aeróbio em jovens na faixa etária de 12 a 14 anos. O exercício físico proporciona o aumento dos receptores de insulina e da expressão dos transportadores de glicose (GLUT4)
para dentro da célula (YOUNGREN et al., 2001), o que pode explicar a diminuição dos níveis de glicemia sanguínea encontrados no presente estudo.
Todos os jovens que participaram do treinamento físico resistido no presente estudo tiveram suas concentrações de glicemia em jejum diminuídas, ao ponto de passarem a se enquadrar nos parâmetros aceitáveis. Resultados semelhantes foram detectados por Shaibi et al. (2006) que, ao analisarem os efeitos do treinamento resistido na sensibilidade à insulina em 22 adolescentes do sexo masculino com alto risco de desenvolver diabetes tipo 2, registraram, após a intervenção, um aumento significativo na sensibilidade insulínica. O aumento dessa sensibilidade é um fator importante para diminuir a possibilidade de os adolescentes desenvolverem a diabetes tipo 2. Embora o presente estudo não tenha avaliado a sensibilidade à insulina, pôde-se observar a diminuição da glicemia em jejum, independentemente do tipo de intervenção adotado e do sexo do indivíduo participante.
Dados de Castaneda et al. (2002) determinaram a eficácia do treinamento resistido, porém em população diferente da do presente estudo: em adultos com diabetes tipo 2, esse tipo de treinamento foi capaz de proporcionar melhora do controle glicêmico. Porém, o contrário foi observado por outros autores, que não encontraram as mesmas influências. São os casos de Gutin et al.(2002) e Casella Filho (2007), que não detectaram redução significativa nos níveis de glicose em jejum, com o exercício resistido. Na presente investigação, não houve diferença entre os treinamentos físicos oferecidos, provando serem as duas intervenções capazes de reduzir esse componente da SM.
Os exercícios proporcionam o aumento da captação de glicose pelo sistema muscular, resultando em sua regularização, colaborando para a diminuição de fatores de risco cardiovasculares, devido ao incremento do fluxo sanguíneo e à melhora do retorno venoso, que influencia na PA. Embora alguns autores não tenham encontrado diminuição da glicemia em jejum decorrente de exercícios físicos, sabe-se que as concentrações de glicose são maiores em quem não pratica esses exercícios. (CASAZZA et al., 2009b). Esse fato é importante, para que se incentivem os escolares a praticarem qualquer tipo de exercício físico, pois os dados do presente estudo confirmam o impacto positivo exercido nos níveis glicêmicos pelos treinamentos aeróbios e resistidos, principalmente por este último, que apresentou a maior redução nos níveis glicêmicos, quando comparado ao primeiro.
Lipídios sanguíneos
Ao analisar os dados das concentrações de lipídios sanguíneos apresentados na Tabela 11, constatou-se que o treinamento físico aeróbio foi significativamente mais eficiente para
diminuir as concentrações de triglicérides, ao passo que não apresentou efeito sobre as concentrações de HDL. O treinamento físico resistido, por sua vez, apresentou-se mais eficiente no aumento significativo das concentrações de HDL, embora não tenha sido capaz de exercer influência na diminuição dos triglicérides. Esses dois componentes da SM foram os únicos em que os exercícios aeróbios e os resistidos não produziram efeitos semelhantes. Antes da intervenção, o número de ocorrências de altas concentrações de triglicérides era de 19 no grupo do treinamento aeróbio e 16 no grupo do resistido. Depois da intervenção, essas ocorrências diminuíram para 14 em ambos os tipos de exercício físico. Já os números de casos de concentrações baixas de HDL eram, inicialmente, de 37 no grupo do treinamento aeróbio e 39 no do resistido. Após a intervenção, esses números registravam baixas de 33 e 30, respectivamente.
Embora nenhuma mudança significativa tenha sido constatada nas concentrações de HDL com o exercício aeróbio, observa-se uma redução de 10,81% no número de escolares que tinham esse componente da SM. Já no exercício resistido, que não apresentou impacto na redução de triglicérides, foi observada a redução de 12,50% no número de escolares que apresentavam esse componente. Em contrapartida aos resultados do presente estudo, Baz et al.(2003) e Parente et al. (2006) constataram a influência de ambas as intervenções no aumento das concentrações de HDL, porém não encontraram diminuição nas concentrações de colesterol total, dos triglicérides e do LDL. Os dados dos autores supracitados e da presente investigação divergem dos resultados encontrados por Stensvold (2010) em população adulta com SM, onde não constataram nenhuma melhora significativa nos níveis de lipídios. Alguns autores enfatizam que o tempo e a energia despendidos no treinamento físico influenciam diretamente na melhora do perfil lipídico. (DURSTINE et al., 2002; TOLFREY; CAMPBELL; BATTERHAM, 2004). Embora no presente estudo a intervenção tenha ocorrido em apenas 12 semanas, foi constatado um aumento nas concentrações do HDL, decorrente do treinamento físico resistido, o que, entretanto não foi identificado dentre os resultados do treinamento aeróbio. Supõem-se que, o tempo despendido no treinamento