1. Introducción
1.1 Envejecimiento
1.1.7 Neuroinflamación y envejecimiento
Chego à escola para enfim ter o contato com os alunos e juntos construirmos as atividades do minicurso e constituirmos o público-alvo da minha pesquisa de mestrado, depois de um final de semana de muito trabalho, organizando o material a ser entregue aos alunos e as atividades para esse primeiro dia.
Começamos as atividades atrasados neste dia, pois estávamos esperando os alunos que se inscreveram para participarem das atividades. Fiquei decepcionada quando apenas cinco alunos compareceram na escola. Estive pensando na semana anterior, quando eu fui várias vezes à escola convidá-los para participar do minicurso e com muita insistência, a inscrição que começou com quatro alunos, tinha terminado a semana com dezessete alunos na lista. Porém, para nosso primeiro dia de atividades, compareceram somente cinco alunos.
Para o primeiro dia eu já havia preparado as atividades, com a finalidade de fazer uma introdução do tema e problematizá-lo (Problematização inicial) e a partir dos resultados da problematização construir as principais situações tratadas no minicurso, levando em consideração a opinião do grupo sobre os problemas a resolver e os conceitos necessários para solução desses problemas.
Eu comecei as atividades com os cinco alunos presentes, valorizando cada coisa que enquanto grupo fazia.
Fiz uma breve apresentação do trabalho, falando sobre a importância dele para a minha pesquisa de mestrado, solicitando a participação livre e espontânea dos alunos, sem, contudo, falar ainda da temática a ser desenvolvida.
Em seguida fizemos a atividade 1, uma atividade de apresentação do minicurso. Comecei a apresentação, falando meu nome, minha formação, de onde eu estava vindo, para onde eu queria ir e, porque havia escolhido aquela escola como local de aplicação das atividades, passando a vez para outro aluno fazer sua apresentação. A apresentação foi livre; não se estabeleceuum roteiro para que assimacontecesse.
Terminada a apresentação, fiz a distribuição do material para os alunos a fim de ser utilizado durante as atividades da semana. O material deles continha lápis, caneta, papel e lápis de cor, caderneta que seria o diário, a cartilha destinada aos alunos e duas cópias do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE D), os quais eu pedi que levassem para seus responsáveis para conhecimento e autorização da participação dos alunos. A cartilha traz o texto “De onde vem à água?”, o qual conta a historia de Joãozinho e de muitas situações enfrentadas por ele para o acesso a água para seu consumo.
No segundo momento, passamos a trabalhar a segunda atividade, disponibilizada na cartilha, na qual junto com os alunos lemos e refletimos sobre o texto “De onde vem à água?”. Antes de iniciar o texto perguntei aos alunos se havia água na casa deles e se haviam tomado banho para irem à escola, simulando uma situação em que na minha casa não havia água na torneira pela manhã e que eu tive que conseguir água para tomar banho e fazer o café da manhã.
A leitura do texto foi acompanhada pelos alunos, com algumas paradas necessárias à reflexão e ao questionamento, trazidos tanto por mim quanto por eles sobre as situações vividas por Joãozinho, em comparação com as situações vividas por eles no seu cotidiano. Percebi que o trecho que mais chamou a atenção dos alunos foi quando os personagens da historinha tomam banho de rio e mencionam a Lenda da Cobra Grande; os alunos queriam saber mais sobre a lenda e perguntavam se as lendas são verdade; falavam sobre o rio que banha a cidade16. Nesse momento eu questionei se eles já tinham pensado que as lendas têm muito a ver com os elementos naturais encontrados numa determinada região e perguntei também se eles sabiam sobre um elemento abundante na região em que eles vivem. Os alunos falaram de vários elementos, entre eles a água. Então, lembramos e discutimos sobre várias lendas regionais, como a Lenda do Boto, nas quais a água também está presente.
Outra situação que chamou a atenção dos alunos foi em relação à doença de Joãozinho. Eles ligaram a doença ao fato do menino ter tomado banho no rio. Fiquei pensando como os alunos só reconhecem a água do rio como contaminada, não considerando os outros
16A sede do município de Abaetetuba está localizada na margem direita do rio Maratauíra, afluente do rio
tipos de água que o Joãozinho teve acesso. Isso pode demonstrar a ideia do senso comum de água limpa (água distribuída pela empresa de abastecimento, a água do poço artesiano e a água mineral) ser sinônimo de água potável.
Relacionei essa situação com a poluição dos rios e com a visão estética apresentada por Branco (2010) e enraizada no pensamento dos alunos, especialmente observando a situação do rio que banha a cidade como corpo receptor de efluentes sanitários das comunidades ribeirinhas. Os alunos observam essa situação e mesmo sem dispor de informações mais específicas sobre a qualidade das águas do rio, desenvolveram suas concepções mediante convivência em sua realidade.
Para finalizar a atividade 2 foi proposto responder a um questionário presente no final do texto. As perguntas do questionário são: 1-Você consegue identificar o problema principal abordado na historinha?; 2-Você consegue observar os problemas vividos por Joãozinho? Quais são?;3-Você já passou por alguma dessas situações? O que você e sua família fizeram?; 4-Observe e retire da historinha aquilo que você gostaria de responder ou conhecer junto com o Joãozinho; 5-Você gostaria de saber sobre algo a mais que não aparece na historinha?
Após o registro das respostas, fizemos uma discussão sobre as principais considerações dos alunos. Todos os alunos conseguiram identificar o principal problema abordado na historinha relacionada ao primeiro questionamento: o problema do acesso à água potável. Para a segunda questão, os alunos responderam que os principais problemas vividos por Joãozinho foram à doença e a falta de água. Na discussão eles relacionaram a doença com o banho de rio e a falta de água como culpa da empresa de abastecimento, pois segundo os alunos, Joãozinho recebia essa água em casa, mesmo sem o texto mencionar a origem da água na casa de Joãozinho. Percebi como os alunos conseguiram transportar o problema da falta de água na casa do Joãozinho para a sua realidade, associando o problema do texto com o problema enfrentado por eles com frequência na escola e em suas casas.
Em relação à terceira questão, os alunos confirmaram ter passado por algumas situações parecidas com as da historinha, especialmente ter dor de barriga e ter que tomar medicamentos para resolver a situação e; passar por alguns momentos de falta de água tendo que conseguir água em outro lugar.
Para a quarta e quinta perguntas não obtive respostas satisfatórias nos questionários. Contudo, na discussão os alunos revelaram aquilo que gostariam de conhecer na historinha, como: de onde vem a água? Qual a diferença de água potável e água limpa?As bactérias
podem existir na água?Qual a diferença de água mineral e a água do rio?Como é feito o tratamento da água?
O questionário e as discussões das respostas dos alunos possibilitaram delimitar os tópicos e as atividades a serem trabalhadas nos próximos encontros. Na proposta temática os temas devem ser trabalhados de acordo com as necessidades surgidas no momento da problematização inicial (DELIZOICOV; ANGOTTI; PERNAMBUCO, 2011). E foi isso que tentamos fazer nesse primeiro encontro, a partir do interesse e das necessidades do grupo, trazer os conhecimentos necessários para resolver os problemas e ainda fazer com que os alunos sentissem a necessidade de obter um conhecimento que eles ainda não detinham.
Com as sugestões e depois acordado pelo grupo, fechamos como tema central A Água para o Consumo Humano e, como principais problemas a serem discutidos durante o minicurso:
Do que é feita a água? De onde vem à água?
Como deve ser a água que consumimos?
Após a observação e delimitação dos principais problemas apresentados pelos alunos e por meio das questões acima e da necessidade de conhecimentos para discutirmos possíveis soluções, foi que eu passei a concretizar o planejamento para as demais atividades do minicurso, especialmente, no que se tratava de viabilizar os conteúdos necessários. Então selecionamos os principais conteúdos a serem tratados nas diversas atividades que, de forma geral, foram:
A quantidade de água no planeta Terra;
Ocorrência, disponibilidade e distribuição de água no Brasil; Ciclo da água;
Tratamento da água
Abastecimento de água nas residências;
Após a seleção dos conteúdos nos passamos para a atividade 3, que aparece como sugestão na cartilha distribuída para os alunos e teve como proposta que os alunos desenhassem aquilo que mais tivesse chamado a sua atenção na historinha. Inicialmente pensei nessa atividade como um momento lúdico para proporcionar um ambiente de aprendizagem e de descontração para os alunos. Porém, as ilustrações feitas pelos alunos permitiram observar como são as interpretações acerca do rio, da criança amazônica e as representações do corpo humano e do ambiente.
Nesse encontro, utilizei termos como historinha e atividades de desenho e pintura. Apesar de parecerem infantis, os alunos aceitaram bem o termo e as atividades e gostaram da cartilha. Percebi que a utilização do termo historinha nos permitiu deixar em segundo plano a formalidade da relação entre alunos e professora e do texto “De onde vem a água?”, facilitando o entusiasmo pela leitura.