3. Materiales y métodos
3.3 Análisis conductual (pruebas comportamentales)
3.3.3 Laberinto de Barnes
Para esse encontro planejei duas atividades. A atividade 9 seria com o objetivo de aproveitar os dados coletados pelos alunos e discuti-los. Na atividade 10 levei um vídeo para os alunos observarem o ciclo da água.
À medida que os alunos iam chegando, entregavam os questionários dados no encontro anterior, preenchidos (nem todos os alunos trouxeram os questionários). Inicialmente, pensei em formar novamente grupos de trabalho e ajudar os alunos a organizarem os dados trazidos por eles. Mas, em conversa com os estudantes percebi o quanto seria difícil para eles, mesmo com a minha mediação, realizar a atividade.
Desse modo, nos organizamos em um único grupo, no qual os alunos faziam a leitura dos dados de seus questionários e eu os anotava nas categorias de análise na cartolina. No final, conseguimos construir um cartaz, com as informações trazidas pelos alunos, como mostra a figura 11.
FIGURA 11: Resultado dos dados coletados pelos alunos
Fonte: Arquivo da autora
Após anotarmos os dados, eu coloquei o cartaz na parede e pedi para que todos os alunos prestassem atenção naqueles dados e dissessem o que eles significavam para eles.
As questões 1 e 2 do questionário referiam-se aos dados gerais (endereço e bairro) das pessoas entrevistadas pelos alunos. A questão 3 referia-se ao local de onde vem a água utilizada em casa. Os alunos observaram que a maioria das pessoas disse usar água da COSANPA e água mineral em casa: “[...] a água da COSANPA serve para tomar banho, a água mineral serve para beber.” (Davi); “Não bebemos água da COSANPA porque é amarela e com ferrugem.” (fala dos alunos assinalada por mim).
A quarta questão estava relacionada à falta de água constante nas residências. Os alunos notaram que a maioria (12 pessoas dos 16 entrevistados disseram que sim). Para
explicar o fato os alunos disseram que: “não tem água da COSANPA”(fala dos alunos e assinalada por mim); “às vezes passamos um dia inteiro sem água.” (fala da aluna Ema e assinalada por mim).
Observamos também que oito pessoas dizem fazer algo para conseguir água para usar em casa (relacionado com a pergunta 5) e que 9 pessoas não consideram a sua água de boa qualidade (relacionado a pergunta 6). Os alunos comentaram na discussão que não é certo as pessoas ficarem sem água e novamente referiam-se a água da COSANPA como amarela e feia.
Começamos a atividade 10 com a exibição de um vídeo20intitulado “A turma da Clarinha e o Ciclo da Água”. Esse vídeo exibe o Ciclo da Água, mostrando também a passagem da água pelas estações de tratamento, pelas casas e pela estação de esgoto. No início os alunos não queriam assistir um vídeo sobre o Ciclo da Água. Contudo, ficaram bem atentos durante a passagem da historinha contada e pediram para repetir a fim de observarem com mais cuidados os assuntos tratados no vídeo.
Fiquei muito entusiasmada com o interesse que os alunos demonstraram para assistir o vídeo. Enquanto professora, sempre ficava satisfeita com a aceitação dos alunos para as atividades e, nesse momento, foi que percebi a aproximação dos estudantes e a crescente participação deles no minicurso.
Depois da exibição do vídeo, sentamos em roda para conversarmos sobre os principias assuntos tratados no vídeo e sobre o pensamento dos estudantes para esses assuntos. Os dados aqui tratados correspondem as minhas anotações das falas dos alunos.
Eu pedi para que os alunos falassem de que se tratava o vídeo. Imediatamente responderam que se tratava do Ciclo da Água, pois o próprio título do vídeo já mostrava isso. Pedi que eles observassem no vídeo as situações apresentadas no Ciclo da Água. Os alunos observaram a alusão três assuntos: 1-Tratamento da água; 2-Desperdício da água; 3- Tratamento do esgoto.
Em relação ao tratamento da água os alunos observaram que, no vídeo, a água a ser tratada vem do rio, passando pelo “carvão, areia, cascalho fino e cascalho grosso” (Ana). A aluna Alice disse “que a água mineral é água potável”. Eu levantei uma discussão sobre esse assunto: Será mesmo que toda a água mineral é potável?
Logo surgiu um diálogo entre os alunos enquanto eu anotava as falas da discussão. As falas transcritas a seguir estão na ordem em que foram surgindo na discussão:
Nem toda a água mineral é potável. A água potável tem que ser tratada. (Dani)
Professora, eu vi na televisão que a água mineral pode ta contaminada. Tem gente que tira água da torneira, bota na garrafa e vende. (Lúcia)
A água potável pode ser tratada ou industrializada como água mineral. (Alice) A água potável passa por tratamento, tem que ser limpa... e não faz mal para nosso organismo. (Ana)
A água do açaí nem sempre é potável, colocam qualquer água para bater açaí. (Lúcia)
Percebi o quanto a discussão estava fluindo, pelo fato de as alunas discutirem sobre seus pontos de vista e ampliando-os para situações que nem apareciam no vídeo, situações da sua realidade, permitindo-nos pensar e discutir sobre elas.
Como o assunto água potável estava bem presente, resolvi esclarecer alguns conceitos científicos que usamos para água potável (ser insípida, incolor e inodora, apresentando algumas substâncias benéficas para a saúde dissolvidas nela). Imediatamente, os alunos disseram que “á água do rio não é potável, ela é poluída, mas se passar pela estação de tratamento ela pode (ser usada)”. Percebi que estavam lembrando-se da historinha do Joãozinho, no texto “De onde vem à água?”, considerando os trechos que mais chamaram a atenção deles (o banho no rio e a doença do menino) e que eles repensavam uma ideia surgida ainda no primeiro dia, de que deveria ser proibido usar a água do rio.
Ainda quanto ao tratamento os alunos continuaram a falar sobre como faziam para utilizar a água em suas casas.
A água de casa é filtrada. (Ana)
Não coloco nada na água de poço, ela vem limpa. Tem filtro. (Alice)
Para não adoecer precisa filtrar a água, colocar aquele negócio (a aluna fez um sinal referindo-se ao hipoclorito de sódio). Um dia eu peguei hepatite e o médico disse que foi da água. (Ana)
Continuamos a discussão e eu perguntei aos alunos se lembravam do trecho das nuvens do texto “De onde vem à água?”. Eles disseram que sim e que no vídeo mostrava de onde vinha a água. “Professora, os pingos da água forma evaporando e formando as nuvens” (Ana) e completou “A nuvem é feita de água e não de ar”. Nesse momento, esclarecemos uma discussão surgida no segundo encontro, no qual uma das equipes disse que as nuvens que apareciam na imagem do planeta Terra eram formadas por ar.
Os alunos ampliaram a discussão para falar sobre o desperdício da água. Percebi que a atenção dos alunos estava sendo resgatada e a participação estava mais efetiva.