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Neural Network

In document Text Pattern Discovery and Extraction (sider 45-50)

4.4 Design Alternatives

4.4.4 Neural Network

Assim como, as outras professoras, Bela fazia uso de recursos lúdicos nas suas aulas, como podemos observar no registro de nota de campo abaixo:

Ao começar a atividade, após a rotina de musicalização, calendário, contação das crianças e correção da atividade de casa, a professora pediu que todos guardassem seu material e sentassem próximo ao notebook, no chão para que pudessem ver as imagens e escutar o som do vídeo- “Natal/ Rn Cidade do Sol( musica: Linda baby)”. Ela colocou os três alunos com deficiência, presente neste dia, em frente ao computador para que eles pudessem prestar atenção. “Lucas”, porém ficou um tempo lá, mas não quis mais e a professora chamou atenção porque ele estava atrapalhando e, então, colocou ele próximo a ela e ficou fazendo carinho para ele se acalmar. Após assistirem o vídeo a professora conversou com as crianças perguntando e estimulando o alunos a respeito das imagens. Ela lembrou ainda de outras atividades já realizada sobre a Cidade de Natal reforçando o conhecimento adquirido anteriormente. E perguntou :quem conhece os lugares que apareceram no vídeo( praia de Ponta Negra, Praia do Forte, Ponte Newton Navarro, entre outros). As crianças começaram a falar sobre os lugares que já conheciam. Em seguida, mostrou a bandeira da cidade Natal, e perguntou quem sabia o que representava aquela imagem. Uma das crianças respondeu que era uma bandeira. Ela então questionou pra que servia? A professora aproveitou o entusiasmo das crianças para aprofundar o assunto sobre os símbolos ali presente. Foi então solicitado que as crianças construíssem uma bandeira. Bela deixou exposta a imagem da bandeira na tela do computador e foi desenhar no quadro para que “Rafael e Lucas” compreendessem melhor como deveria fazer. A professora passou nas cadeiras observando se os alunos estavam fazendo a tarefa corretamente. “Lucas” mostrou a atividade e a professora comentou: Isso! Tá ficando bonito. A

professora disse: “vamos escrever seu nome”. Sentou-se ao lado da criança , pegou o crachá e foi ajudando a escrever, observando e mostrando letra por letra. (nota de campo).

Com base nesta nota de campo percebemos que a organização e orientação da dinâmica da aula da professora Bela apresenta sequência didática semelhante a das outras professoras participantes da pesquisa. A rotina é desenvolvida a partir da roda, no qual ocorre o acolhimento, as interações, as trocas, a socialização de fatos ocorridos e de novidades. Este é o espaço de construção e produção de conhecimentos.

Um aspecto na hora da roda que merece ser destacado é o momento de correção das tarefas, uma vez que diferentemente das outras docentes ela dá retorno dessas tarefas através de uma correção coletiva, no qual cada criança apresenta sua atividade realizada para as outras. Num desses momentos de correção de atividades, a professora destacou que “Rafael” nunca realizava as atividades porque em casa ninguém o ajudava. Sendo esses um dos motivos que a fazia dar visto nas tarefas para que ele entre outras crianças pudessem realizá-la em sala com ajuda da professora e colegas.

Verificamos que nesta atividade a professora utilizou como instrumento pedagógico, o computador, para exposição da atividade. Essa ferramenta possibilita o acesso ao conhecimento através da visão e por isso requer atenção visual. O vídeo apresentado atraiu as crianças pelas imagens dos lugares da cidade Natal bem como pela entonação e letra da música. Esses recursos (vídeo, música, imagens e o computador) ampliaram o potencial da atividade, pois foram apresentados de maneira mais criativa e atrativa favorecendo o interesse e a participação no acesso ao conhecimento por diferentes veículos, principalmente ,o visual.

Outro aspecto a ser considerado nesse episódio é a forma como a professora se relacionava com o aluno “Rafael” colocando próximo dela para que ele não ficasse disperso e pudesse, assim, prestar atenção ao vídeo e participar da discussão sobre os pontos turísticos da cidade Natal. Além dessa observação cuidadosa a professora também dispensou uma orientação mais direcionada aos alunos com deficiência, pois ao mostrar as imagens chamava pelo nome dessas crianças indicando aspectos interessante e curiosos para prender a atenção deles.

A atividade de construção da bandeira (Figura 21), aplicada após a explicação pela professora de como proceder, permitiu as crianças experimentar diversos tipos de materiais como: cola, giz de cera, lápis, canudos, tesoura e papel camurça. O contato com esses materiais é bastante importante para a criança, pois é uma forma de desenvolver as habilidades motoras. Sendo assim, podemos dizer que a esta aula possibilitou a construção de saberes: de mundo, culturais, artísticos, musicais, o desenvolvimento da motricidade fina, a criatividade e a oportunidade de ampliar seus conhecimentos.

Figura 21- Construção da bandeira Figura 22- Intervenção da professora

Fonte: arquivo pessoal

Fonte: arquivo pessoal

Não podemos deixar de perceber que Bela utilizou para o desenvolvimento da atividade a mesma orientação para todos os alunos. Ela exigiu a atividade da mesma forma a todos. Pediu que cortassem, desenhassem e colassem, apesar de saber que algumas crianças teriam mais dificuldade para desenvolver essa tarefa. Por isso, ela desenhou no quadro passa a passo como deveria ser feito. Essa estratégia ajudou a todos os alunos não só os que tinham deficiência. Além disso, percebemos que não só nesse registro, mas sempre no momento das atividades ela dava mais atenção e assistência aos alunos com deficiência, sentando ao lado e elogiando-os como forma de estimulá-los.

Um outro episódio que consideramos muito importante para a aprendizagem das crianças, foi numa aula que Bela através de uma brincadeira proporcionou conhecimentos sobre sequência matemática. A atividade de sequenciação é uma forma de possibilitar ao aluno estabelecer relações lógicas a partir da percepção e

da comparação de atributos ou arranjos de objetos. Nesse tipo de atividade o aluno precisa perceber a série estabelecida e repetir a sequência. Como a professora tinha o objetivo de desenvolver nos alunos essa habilidade, propôs a atividade a partir da postura das próprias crianças, como podemos ver na nota de campo abaixo.

Hoje a professora Bela possibilitou, mas uma atividade vivencial. Ela chamou inicialmente 3 crianças e explicou como deveriam ficar: a primeira ficou em pé, a segunda sentada e a terceira de costas. Depois chamou uma criança é perguntou: Como você vai ficar para dar sequencia a essa dinâmica? O aluno pensou e os outros ajudaram dizendo que ficaria em pé. Assim ela continuou a atividade chamando outras crianças e mudando as posições. Ficamos observando se a criança com deficiência presente neste dia seria convidada a participar. Na quarta sequência de posições a professora perguntou ao aluno “Rafael” como ele achava que ficaria para continuar a brincadeira. Com a ajuda dos colegas ele compreendeu que deveria ficar sentado, mas depois não quis mais preferiu ficar em pé. A professora , explicou que se ele ficasse em pé iria desfazer a sequência. Apesar dá professora tentar convencê-lo explicando, mostrando com atenção e carinho, Rafael só queria ficar em pé, então, Bela perguntou as crianças como poderiam resolver esse conflito sem tirar Rafael da brincadeira. Elas propuseram trocar de lugar um que estava em pé com Rafael e assim o problema foi resolvido. A professora continuou mediando a aprendizagem e chamou três crianças para criar uma sequencia com posições diferentes. Após a dinâmica as crianças foram brincar com os jogos de montar.

Percebemos que mais uma vez a professora Bela proporcionou aprendizagens significativas. Para dinamizar a aula e possibilitar a construção de noções de sequência utilizou os próprios alunos para desenvolver a atividade de uma forma que envolveu e mobilizou a todos nesta proposta didática ativa e atrativa.

Um momento que nos chamou atenção foi como seria a forma da professora de resolve o problema do aluno “Rafael” que queria ficar de pé em vez de sentado como deveria ser. Sabíamos que ela não o tiraria da brincadeira para resolver a situação, por isso, ficamos curiosa e mais uma vez a professora se mostrou sensata. A fim de que o aluno com deficiência participasse da atividade utilizou de seu bom senso e perguntou aos alunos como resolver o impasse.

Para constatar se os alunos tinham compreendido o que era e como ocorria uma sequência matemática, solicitou que os mesmos criassem uma diferente das que já haviam sido formadas. Percebemos que essa proposta tinha como objetivo avaliar a aprendizagem proporcionada aos alunos com essa atividade.

Para finalizar o objetivo da aula, a professora disponibilizou jogos de montar que contem figuras geométricas (círculo, quadrado, triângulo) de diferentes cores para que as crianças pudessem através da discriminação visual e tátil reconhecer as figuras e formas, identificar as cores e montar a sequencia de agrupamentos formando um castelo (Figura 23).

Figura 23- Crianças desenvolvendo atividade com figuras geométricas

Fonte: arquivo pessoal

A professora utilizava diferentes estratégias para despertar o interesse e motivar a aprendizagem das crianças. Um dos recursos utilizado diariamente era a contação de história. Bela buscava despertar o gosto pela leitura nas crianças, por isso, em roda, organizava o espaço e atraia as crianças para a leitura despertando a concentração e o prazer em conhecer a narrativa. Antes de iniciar a contação ela preparava as crianças, cantando uma música que diz assim: “E agora minha gente uma história eu vou contar uma história bem bonita que todo mundo vai gostar”. Todas acompanhavam a canção e, em seguida, iam sentando encontrando uma forma agradável e que ficassem a vontade. Abramovich (1991, p. 22) afirma que antes de se iniciar a leitura é preciso,

[...] pedir que [as crianças] se aproximem, que formem uma roda, para viverem algo especial. Que cada um encontre um jeito gostoso de ficar: sentado, deitado, enrodilhado, não importa como[...] cada um a seu gosto[... ]E depois quando todos estiverem acomodados, aí começar [...]

Ao contar a história Bela utilizava tom de voz suave, nem alto nem baixo, atraindo as crianças para a leitura através de imitações, gestos e variação de voz.

Dependendo do seu planejamento utilizava também fantoche, filme, dramatização, projeção no computador e música.

Os momentos vivenciados de contação de história em todas as turmas foram riquíssimos, mas não podemos deixar de lembrar o dia no qual Bela contou a história “A pequena vendedora de fósforo”. Era período natalino no qual as emoções estavam à tona. Nessa época costumamos refletir sobre nossa vida e a do próximo, por isso a professora contou essa história emocionante. Essa narrativa é uma adaptação da história original no qual a personagem principal é uma criança pobre que numa noite de inverno, véspera de Ano novo, sai às ruas para vender fósforos. Com fome e frio acaba acendendo os fósforos e imaginando uma noite de ano novo feliz. O final é feliz porque uma pessoa a encontra na rua e a adota. Essa história suscitou discussões muito importante a respeito de sentimentos de solidariedade e compaixão para com o outro. Algumas crianças citaram casos de coleguinhas que trabalhavam na rua, outras comentaram que devia ser ruim ficar sozinha na noite de ano novo. Foram falas de crianças, mas com muito significado que deu para perceber a emoção da professora.

A partir da intervenção da educadora as crianças foram falando como ajudar o próximo que passa por necessidades ou dificuldades. Então, Bela perguntou: E na sala como podemos ajudar nossos colegas? Ela foi estimulando e as crianças foram falando: não brigando, ajudando na tarefa. Em seguida, Bela solicitou que as crianças recontassem a história através do registro de imagens e disse que quem estivesse próximo ajudasse o colega que tivesse com dificuldade. Esse foi mais um momento importante que devemos comentar, pois percebemos a interação entra as crianças, a cooperação e o auxílio na realização da tarefa, como podemos ver na figura 24.

Figura 24- Cooperação na atividade

De acordo com as observações e com os registros das notas de campo notamos que a ação pedagógica desenvolvida pela professora é atrativa e criativa despertando o interesse das crianças e motivando-as a participar das atividades. Ela Utiliza uma metodologia que facilita a aprendizagem da turma, através de informações claras e compreensivas, relacionando as aulas atuais com as anteriores, procurando sempre comunicar-se com eles para descobrir onde têm dificuldades e, assim, poder auxiliá-los na execução das tarefas, intervindo sempre quando necessário.

A metodologia de intervenções e estratégias, adotada pela professora apesar de não ter sido pensada levando em consideração as especificidades dos alunos com deficiência consegue facilitar o processo de aprendizagem e desenvolvimento de todos os alunos, inclusive os que apresentam deficiência.

Outro ponto importante na prática pedagógica desta professora é a diversidade de recursos utilizados e a proposta de atividade coletivas para facilitar a aprendizagem das crianças, mesmo que a intenção não seja diretamente relacionadas ao aluno com deficiência está dinâmica facilita a aprendizagem dessas crianças.

Tendo em vista a relação da professora com as crianças com deficiência percebemos que não há uma superproteção por parte da professora e que a mesma respeita o ritmo das crianças, propiciando estimulação adequada para o desenvolvimento de suas habilidades. Cabe ressaltar, também, que durante todo o tempo que estivemos na instituição, notamos que a professora tratava os seus alunos com afeto, mas, às vezes, fazia-se necessário impor certos limites. Bela buscava promover a socialização e a boa relação entre todos da turma, fazendo com que eles reconhecessem-se como integrante da sala e que, portanto era preciso respeitar as regras e combinados.

Um aspecto que merece ser destacado na prática pedagógica desta educadora por favorecer as relações de respeito, e contribuir com o processo de aprendizagem é o carinho, o vinculo afetivo que a professora dispensava aos alunos. Em todos os momentos, Bela demonstrava que gostava das crianças através de seus atos de carinho e de suas palavras de amor.

Com base nas observações realizadas das ações pedagógicas das professoras foi possível perceber estratégias de ensino-aprendizagem que as educadoras lançavam mão como forma de ficar próximo aos alunos e ajudá-los para

que participassem e realizassem as atividades propostas. A fim de descrever essas estratégias, registramos os métodos identificados na prática pedagógica e denominamos essas estratégias de acordo com a intenção proposta pelas professoras.

5.1.4 Estratégias de ensino utilizadas na prática pedagógica das professoras

In document Text Pattern Discovery and Extraction (sider 45-50)