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Detection and Correction

In document Text Pattern Discovery and Extraction (sider 38-43)

Na dinâmica do trabalho percebemos poucas diferenças no fazer pedagógico das professoras. Entre os pontos semelhantes percebemos como metodologias:

atividades coletivas, recursos lúdicos na exposição das atividades, atividades vivenciais com base na experiência, no nível, e no interesse das crianças.

Nas observações realizadas no final do ano de 2010 tivemos apenas duas visitas proveitosas que contamos com a participação do aluno com deficiência. Os dois alunos faltavam muito e isso segundo, a professora era muito ruim para a aprendizagem deles porque dessa forma perdiam de participar das experiências e atividades desenvolvidas. Na primeira observação da prática da professora Branca de Neve pudemos perceber sua paciência e carinho para com todos os alunos e principalmente o que apresentava deficiência.

Depois de dois dias de visita sem sucesso, pois nem o aluno com deficiência intelectual nem o com transtorno global do desenvolvimento tinham vindo, hoje , terceira observação nessa turma, pudemos observar a dinâmica da aula com a presença de uma aluno com NEE. O aluno “Luizinho” estava muito inquieto. A professora com muito carinho chamou sua atenção e nos apresentou no momento da roda. Ele deu um beijo e ficou nos observando. Em seguida, Branca de neve e sua auxiliar relembraram o assunto trabalhado nas aulas anteriores sobre a importância da água para higiene do corpo, uma vez que estavam trabalhando o Projeto “ Corpo”. Após os diálogos foi colocado para escutar a música “Terra Planeta água” . “Luizinho” ficou colado no som, com o ouvido bem próximo, e estava muito contente, sorrindo. A professora olhava com carinho. Depois ela questionou as crianças sobre a música. Percebeu que as crianças estavam agitadas esperando o momento do banho de piscina (Figura 16) e resolveu continuar a discussão depois. Então ela disse: “podem ajeitar suas coisas e colocar a roupa de banho, para o banho de piscina”. Ela comentou que as crianças estavam ansiosas esperando esse dia, principalmente “Luizinho” que nunca havia tomado banho de piscina. (nota de campo)

Figura 16- Banho de piscina

Essa professora, também, possibilitou um momento diferente das atividades que acontecem num ambiente escolar. Utilizou como recursos lúdicos: a música, o banho de piscina para trabalhar sobre a importância da água, retomar o assunto que estava sendo trabalhado e proporcionar as crianças vivencias importantes para o sua aprendizagem e desenvolvimento. Essa brincadeira que a professora utilizou tinha uma proposta de trabalho com objetivos, metas e expectativas, ou seja, a professora tinha planejado uma aula diferente no qual o lúdico surgiu como ferramenta.

Esse episódio nos revela ainda a competência da professora em adequar seu planejamento tendo em vista o interesse das crianças. Ao perceber que as crianças não prestavam atenção na discussão porque esperavam ansiosas pelo momento a ser vivenciado, modificou a sequência didática, sem com isso, prejudicar o planejamento, pois após o banho de piscina, ao voltar à sala, foi retomado os questionamentos feitos anteriormente.

Essa experiência do banho de piscina é insubstituível para as crianças. Foi possível perceber isso nos olhos delas e na felicidade por estar vivenciando este momento. Todos brincaram ao tomar banho: “apostavam quem ficava mais tempo boiando, fantasiaram como se estivessem no fundo do mar e tivesse um tubarão atrás de pega´-los e imaginaram-se na praia chupando picolé” . “Luizinho”, inicialmente ficou isolado, olhando, sem querer entrar na piscina, mas a professora conseguiu convencê-lo a experimentar a sensação e brincar juntos com os colegas. Essa vivência proporcionou a todos os alunos um momento rico de interações, e trocas, no qual, todos estavam incluídos e participando.

Ao retornarmos no ano de 2011 os momentos de observações, verificamos que a professora Branca de Neve estava lecionando para o aluno “João” que, em 2010 havia estudado com Rapunzel. Percebemos que diferentemente de Rapunzel a professora utilizava outros mecanismos para fazer com que o aluno participasse das atividades. A sua postura de compromisso com a aprendizagem desse aluno e a afetividade que dispensava a ele eram seus maiores aliado na sua relação com “João”. A professora procurava se comunicar sempre através de gestos, alguns sinais de libras e expressões faciais demonstrando humor, paciência e sensibilidade ao se dirigir à criança. De acordo com o documento Saberes e Práticas (BRASIL, 2006, p. 53),

É importante nessa fase estimular a linguagem da criança com surdez para que ela possa desenvolver línguas e com elas comunicar-se. O trabalho deve ocorrer de forma mais lúdica e expressiva possível, com atividades bem contextualizadas, e com muito estímulo visual.

Ela utilizava ainda reforço positivo elogiando o tempo todo o aluno, com o polegar, indicando satisfação, mas quando se fazia necessário era rígida e colocava limites. Segundo Paniagua e Palacios(2007,p.132),

Deve-se proporcionar a segurança afetiva necessária para que os pequenos possam explorar, brincar, relacionar-se com outras crianças. Por outro lado, é preciso colocar exigências, desafios, normas que orientem a aprendizagem e a socialização.

Um dos momentos de diálogo com a professora que consideramos interessante ser exposto diz respeito a uma privação que “João” sofreu no momento do parque que é tão esperado por todos, mas que só é aproveitado pelas crianças que se comportaram bem e obedeceram aos combinados. Ela nos explicou que precisou ser rígida com ele, para que compreendesse que era integrante de um grupo, no qual existem regras e combinados. Essa intervenção foi feita de acordo com sua atitude de não haver super proteção em relação ao aluno com deficiência. Ela acreditava que todos deveriam obedecer os combinados estabelecido na turma em relação ao comportamento , a relação com os colegas , a organização da sala(materiais, brinquedos, livros) entre outros.

A sala da professora Branca de Neve estava trabalhando o Projeto “Contos Infantis” como mostra nota de campo abaixo:

A professora, na roda, canta a música da história para chamar atenção e conseguir silêncio. Começa a contar a história de Pinóquio. A cada parte contada ela vai mostrando as cenas na página do livro. As crianças ficam atentas a cada cena relatada e página mostrada. Ao terminar a história a professora pergunta quem quer recontá-la. Uma criança reconta. Depois a professora pergunta: quem são os personagens da história? Como é Pinóquio? Ela pergunta se é correto mentir? E reforça que elas devem ser crianças obedientes , sempre falar a verdade e não confiar em pessoas estranhas. Depois Branca de Neve explica como é a atividade que deve ser feita: reescrita da história através de desenhos. Para que “João” compreenda ela faz a moldura no quadro como se fosse à folha de ofício e escreve chamando a atenção dele para como deve ser feita a atividade.

Percebemos que durante a roda (Figura 17) e contação da história “João” permaneceu no círculo ao lado da professora, fazendo gestos de carinho, pegando na mão e prestando atenção nas imagens do livro. Depois, pediu o livro a professora e fez leitura de imagens.

A proposta da contação de história desperta o interesse das crianças. Elas observam a imagem e através da contação compreendem. Porém, a criança com deficiência auditiva por não escutar, se apoia nas imagens para compreender. Um método que pode ser utilizado para explorar a história e haver um maior entendimento do aluno surdo é contá- la de forma sinalizada ou dramatizada (BRASIL, 2006). Essa metodologia amplia as possibilidades de compreensão e participação de todas as crianças e principalmente do aluno com deficiência auditiva.

Na dinâmica deste dia, “João” foi sorteado para ser o ajudante juntamente com outro colega. Ele já sabia tudo que tinha que fazer, pois observava quando os colegas eram ajudantes. Por isso, entregou as folhas para cada criança, colocou os potes de coleções, lápis e borracha em cada mesa.

Nesta aula, percebemos que o registro da atividade foi explicado da mesma forma para todas as crianças, ou seja, através da exposição oral, e foi também cobrado de todas as crianças a mesma atividade, mas diante da limitação de “João” a professora explicou a atividade desenhando no quadro como ele deveria fazer. Este desenho foi uma estratégia utilizada pela educadora para proporcionar ao aluno a compreensão sobre a atividade, mas ajudou também a outras crianças que tinham ficado com dúvidas. Essa observação indica que muitas vezes a estratégia que o professor utiliza para o aluno com deficiência precisa ser direcionada, também, a um aluno sem deficiência, pois pelo ritmo ou por características específicas tem dificuldade para desenvolver determinada atividade.

Percebemos ainda que “João fez suas atividades com capricho, conseguiu identificar os crachás dos colegas e o seu, e escreveu o nome completo com a ajuda do crachá e o pré -nome sem crachá, como podemos ver na imagem abaixo (Figura 18).

Figura17- Momento da roda Figura18- “João” fazendo a atividade

Fonte: arquivo pessoal Fonte: arquivo pessoal

Figura19 - Crianças fazendo atividade (A) Figura20 - Crianças fazendo atividade(B)

Fonte: arquivo pessoal Fonte: arquivo pessoal

A comunicação entre a criança com deficiência, as demais crianças e a professora ficava um pouco comprometida, pois esta ocorria por meio de gestos, expressões e alguns sinais de libras, como já foi enfatizado anteriormente. Percebemos a necessidade do aprendizado da língua de sinais, tanto por parte da professora como do aluno, pra que as trocas e a aprendizagem sejam mais efetivas.

Enquanto as crianças faziam as atividades, a professora titular e a auxiliar ficavam circulando pela sala observando o envolvimento das crianças na atividade, as dificuldades e dúvidas e, se realmente, tinham entendido e estavam conseguindo realizá-la. Esse olhar era voltado para todas as crianças, mas era dedicado um tempo maior para o aluno com deficiência auditiva.

Observamos ainda que enquanto faziam a atividade as criança interagiam entre si, dando opinião sobre o desenho, sugerindo, orientando e ajudando na construção da atividade. A colaboração entre as crianças permitia uma interação social positiva de trocas de informações, habilidades e competências diferentes.

De um modo geral, a prática pedagógica da professora Branca de Neve assemelhava-se a da professora Rapunzel, o que se destaca é a forma utilizada por esta professora para explicar as atividades, através de desenhos, imagens, sinais de libras, de gestos ou falas pausadas de frente para criança. Outro ponto que consideramos importante na sua relação com este aluno era a postura positiva, carinhosa e comprometida quanto a o desenvolvimento do mesmo.

In document Text Pattern Discovery and Extraction (sider 38-43)