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Nettoeffekten av HS

Ao longo de ano lectivo 2008/2009, e após a observação dos locais frequentados pelos estudantes da UMa nos momentos em que não estão em aulas e, particularmente, quando se juntam para estudar, foi fácil perceber que apesar de existirem muitas salas de estudo espalhadas pelos vários pisos, a sala de estudo do piso 0 era a mais frequentada por várias razões: encontra-se no piso de entrada; tem uma ampla zona exterior para fumadores; é a mais espaçosa; fica mais próxima dos bares, para além de também possibilitar o acesso à rede

wireless da UMa.

A sala tem várias mesas com cadeiras e nas paredes laterais é possível encontrar várias tomadas de corrente onde podem ser ligados os computadores. Tem, ainda, a característica de ser totalmente visível do corredor do piso 0 por ser envidraçada. É quase um aquário, onde é possível observar do exterior tudo o que lá acontece.

A tarefa era aproximar-me dos grupos de estudantes que frequentavam a sala de estudo e tentar perceber como estudam, com quem, que meios utilizam e se, de facto, a Internet é um espaço muito procurado pelos estudantes para pesquisar informação de carácter académico, que permita que estes desenvolvam competências científicas, promovendo a melhoria das suas performances e notas em frequências e exames.

Podemos pensar que o espaço indicado para este tipo de observação deveria ser a biblioteca, afinal as bibliotecas, por tradição, estão conotadas com espaços de estudo por excelência. Hoje, esta realidade modificou-se consideravelmente e as bibliotecas partilham este “poder” com um conjunto de espaços online que se propõem fornecer os mesmos serviços e, por vezes, até a competir com eles devido à facilidade de acesso e às condições que possibilitam esse acesso. As bibliotecas configuram-se, ainda, como um espaço demasiado formal que não permitem as interacções que desejava observar.

A investigação ocorreu enquanto leccionava. Esta situação criou algumas limitações em relação à observação, mais concretamente no que tem a ver com o tempo disponível para realizá-la de uma forma descomprometida. Assim, e pelas razões indicadas, optei por observar durante um dia por semana. No dia determinado tentava arranjar um espaço na sala de estudo e aí observava as interacções existentes entre os alunos e a forma como utilizavam a Internet como recurso e apoio ao estudo. Por vezes, e quando era oportuno, conversava informalmente com alguns dos estudantes de forma a obter informações mais personalizadas e sistematizadas sobre o que pensam sobre o assunto.

As metodologias da investigação interpretativa tem disponíveis os meios que permitem apreender com rigor realidades com a natureza que vimos ser a da situação educativa:

incerta, complexa, fugidia, feita de acções, pensamentos e contexto. Na verdade, não se trata tanto de saber que técnicas e instrumentos podem ser prescritos mas de reter a orientação fundamental para a investigação. Ora esta fundamentação podemos encontrá-la, de acordo com os objectivos do investigador – os métodos dependem do investigador e não este daqueles como sucede na investigação analítica – nas múltiplas perspectivas que as metodologias interpretativas revestem: a fenomenologia, a etnometodologia, a etnografia, o interaccionismo simbólico ou ainda na investigação- acção, mais direccionada para a promoção da mudança. (Rodrigues, 2001, p.64)

Durante a estada no campo de observação, parti do princípio de que tão importante como o registo do discurso e da acção é a situação, a relação entre os presentes e as circunstâncias em que ela ocorre. O contexto apresenta-se como fundamental e deve ser identificado tendo em conta os seus componentes: os participantes, a audiência e o lugar. Spradley (1979) indica uma

check list básica a ser usada para guiar o registo da observação:

1. espaço: o lugar ou os lugares físicos. 2. actor: a pessoa implicada.

3. actividade: uma série de acções que as pessoas realizam e que se encontram relacionadas.

4. objecto: as coisas físicas que se encontram presentes. 5. acto: uma determinada acção.

6. acontecimento: uma série de actividades que as pessoas levam a cabo e que estão relacionadas entre si.

7. tempo: a sequência temporal em que se desenrolam as acções. 8. fins: as metas que as pessoas tentam atingir.

9. sentimentos: as emoções sentidas e expressas.

Este tipo de listas é muito rudimentar e baseia-se em classificações arbitrárias. No entanto, indica uma série de características relevantes do contexto em que decorreu a observação.

Os registos efectuados no campo de observação não possibilitam, provavelmente, uma visão global acerca do que acontece no local da investigação. O investigador etnográfico adquire um

conhecimento tácito mais importante que está para além dos seus registos escritos. É fundamental recorrer, regularmente, a notas soltas e memórias para relacionar e recontextualizar os acontecimentos manifestados e registados.

Com o objectivo de tornar estranho o que me era familiar e familiar o que me era estranho optei por uma metodologia que me colocou perante as seguintes questões: “o que é que especificamente está a acontecer aqui? (…) que significado têm estes acontecimentos para as pessoas que neles participam?” (Erickson, 1989, p. 200) e que definia como objecto da investigação não só os comportamentos, mas a acção e a dinâmica.

A opção recaiu numa abordagem holística, predominantemente intuitiva, que partia dos dados recolhidos para a teorização. Para Erickson, a descrição dos fenómenos educativos deve começar por uma fase tão intuitiva quanto possível, “sem nenhuma perspectiva conceptual prévia que possa limitar a serenidade do investigador…” (Erickson, 1989, p. 247)

A descrição e interpretação dos fenómenos observados não podem ficar pelo visível, o que pode ser observado do exterior. Para entender os fenómenos, é preciso que o investigador mergulhe no universo dos significados que os actores no campo atribuem às suas acções e às acções dos que os rodeiam.

Mas, em caso algum, se exige da Etnografia algo mais (e isto já é suficiente!) do que a possibilidade descritiva e interpretativa de uma cultura ou de manifestações culturais contextualizadas. Entenda-se, naturalmente, descrição no sentido denso de Geertz, de uma descrição explicativa. Não deve tratar-se de uma simples descrição elaborada, mas da reconstrução científica de um processo social que diferencie as intenções dos interlocutores. A abordagem etnográfica pressupõe uma certa distanciação, convertendo em estranho o que é familiar. (Pérez e Sabiron Sierra, 2001, p. 154)

3. TECNOLOGIA E INOVAÇÃO