3.3 Programming Toolkits for Visualization
3.3.2 Nesting and Related Techniques
Educação estatística
A Estatística tem vindo a ganhar importância na sociedade e em várias áreas profissionais, o que leva a suscitar interesse por parte dos investigadores em educação matemática. A forma como surge diariamente na comunicação social e em estudos para o governo e empresas, leva a que a interpretação dos dados estatísticos e a forma como são apresentados (gráficos, tabelas) não sejam apenas para estatísticos, mas sim para o cidadão comum. Steen (2002) refere que a Estatística é uma das áreas que está mais presente no dia-a-dia do cidadão comum.Ser um cidadão “literado” e informado, numa sociedade exposta a uma grande quantidade de informação estatística, requer a capacidade de interpretar e avaliar criticamente os dados que aparecem no dia-a-dia e de
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comunicar e tomar decisões informadas por eles (Ben-Zvi & Garfield, 2004; Gal, 2002). Este nível de literacia leva tempo a desenvolver, justificando a integração da Estatística nos currículos de muitos países, desde os níveis de ensino mais elementares. No entanto, o aumento do tempo dedicado ao ensino não é, só por si, suficiente para preparar cidadãos estatisticamente letrados, é necessário desenvolver, também, o seu raciocínio estatístico que está fortemente associado à tomada de decisões em condições de incerteza (Batanero, Burrill & Reading, 2011; Makar, Bakker, & Ben-Zvi, 2011). Tem havido progressos relativamente à educação estatística, uma vez que se tem seguido as recomendações de outros países, relativamente às orientações curriculares, aparecendo mais enfatizada em Portugal, no programa de Matemática às Ciências Sociais e do ensino secundário profissional. No entanto, o ensino da Estatística ainda é, de um modo geral, realização de cálculos, construção de gráficos e estudo de medidas estatísticas, não dando a oportunidade aos alunos de se envolverem em todo o processo estatístico, surgindo dificuldades em usar a Estatística adequadamente como ferramenta útil na resolução de problemas do quotidiano, tanto a nível escolar como pessoal. As mudanças preconizadas para o ensino da Estatística, não dizem só respeito ao conteúdo, mas também à forma como se ensina (Batanero, Burrill & Reading, 2011). Hoje em dia, defende-se um papel mais ativo e aprofundado no ensino da Estatística e esperam-se novas abordagens no seu ensino e aprendizagem, mais holísticas e orientadas para os dados e para o desenvolvimento estatístico dos alunos, valorizando as investigações em contextos reais, tirando partido da riqueza dos dados e da tecnologia (Ben-Zvi & Garfield, 2010; Henriques & Oliveira, 2012). Tendo em conta as novas abordagens para o ensino e aprendizagem da Estatística, relativamente à realização de investigações estatísticas, discutidas por Wild & Pfannkuch (1999), estas são reconhecidas como um processo inferencial, envolvendo os alunos que as realizam na generalização a outros contextos das conclusões retiradas a partir dos dados em análise. A investigação recente usa a expressão “inferência estatística informal” para designar o trabalho dos alunos como formas de inferência estatística, desde que começam a colocar questões sobre o conjunto de dados e a estabelecer relações, passando pela operacionalização da recolha de dados até ao momento em que se confrontam com a inferência formal (Watson, 2008). Makar, Bakken & Ben-Zvi (2011) explicam que a palavra informal é usada para: (i) tornar claro que a inferência estatística é um conceito alargado e não se restringe à estimação ou aos típicos testes de hipóteses formais; e (ii) destacar que não se espera que os alunos se apoiem em medidas estatísticas e procedimentos formais para formular as suas inferências. A
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inferência estatística deve ser ensinada aos alunos a partir de contextos ricos, permitindo tirar conclusões úteis e interessantes em contexto sobre os dados.
À medida que a sociedade valoriza a análise de dados e a capacidade de raciocinar sobre eles e de usá-los de modo efetivo e crítico na tomada de decisões, contrastando com as práticas habituais de aplicação de fórmulas que requerem cálculos morosos e repetitivos e sem significado para os alunos, a Estatística tem ganho destaque nos documentos curriculares, tanto nacionais como internacionais (GAISE, 2005; ME, 2007; NCTM, 2007).
A preocupação com a forma como se ensina e aprende Estatística deu origem à educação estatística. Isso ocorreu, em parte, devido às contribuições que esta apresenta perante as grandes transformações tecnológicas e científicas da sociedade moderna. A forma como as tabelas e gráficos aparecem nos meios de comunicação social leva a que o cidadão comum deva possuir a capacidade de interpretar essa informação, ou seja possua alfabetização matemática. Campos (2007) assegura que, nessa linha de investigação, apesar do objeto de estudo ser a estatística, o foco é a educação e daí se origina a conjugação educação estatística. Wodewotzki e Jacobini (2004) afirmam que a educação estatística se trata de:
Um processo que favorece a contextualização das informações e oferece oportunidades relevantes para reflexões e para críticas, sobretudo quando se trata de informações de ordem social. (p. 233)
Uma educação estatística crítica requer do professor uma atitude de respeito face ao conhecimento extra matemático que o aluno possui e transpõe para a escola.
O trabalho com a Estatística torna-se relevante ao possibilitar ao aluno, desenvolver a capacidade de recolher, organizar, interpretar e comparar dados para obter e fundamentar conclusões, que é a grande base do desempenho de uma atitude científica, que tanto é referida nos programas de Matemática. Esses temas são essenciais na educação para a cidadania, uma vez que possibilitam o desenvolvimento de uma análise crítica sob diferentes aspetos científicos, tecnológicos e/ou sociais. A aprendizagem da Estatística poderá ser mais significativa para a formação de futuros cidadãos desde que o professor não se limite a ensinar algoritmos e a repetir cálculos, mas que valorize outras competências e recorra a informações e dados reais do contexto dos alunos e possam ir ao encontro das suas expetativas. Como Steen (2002) refere:
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Os cidadãos quantitativamente letrados precisam de saber mais do que fórmulas e equações. Necessitam de uma predisposição para observarem o mundo através de olhos matematicamente críticos, para se aperceberem dos benefícios (e riscos) da aplicação do pensamento quantitativo nos assuntos quotidianos e para abordarem problemas complexos com confiança no valor do raciocínio ponderado. A literacia quantitativa confere às pessoas o poder de pensarem por si próprias, de colocarem questões inteligentes e de confrontarem as autoridades com confiança. Estas são as competências necessárias para singrarem no mundo moderno. (Steen, 2002, p.80)
Para este autor, a Estatística permite desenvolver o conceito de cidadania, ao promover uma reflexão para quem a compreende sobre praticamente todos os grandes assuntos de interesse público. Também Gal e Garfield (1997) referem que a Estatística possibilita aos alunos a compreensão e o saber lidar com a incerteza, variabilidade e informação estatística existente no dia-a-dia e, desta forma, contribuírem para a produção, interpretação e comunicação de dados de problemas com que se deparam na sua vida profissional.
Para além de promover a cidadania, Steen (2002) menciona que a Estatística intervém em outras áreas como: cultura, educação, profissões, finanças, saúde e trabalho. Na cultura, porque o homem deve entender o papel da matemática na vida; relacionar a história da matemática com o desenvolvimento da cultura e da sociedade; compreender que as conjeturas influenciam o comportamento dos modelos matemáticos e saber como utilizá-los para tomar decisões. A Estatística é de relevo para a educação porque muitas são as áreas científicas que necessitam da Estatística, por exemplo:a biologia, a medicina e as ciências sociais. Nas profissões, a Estatística desempenha um papel importante porque à medida que a interpretação de dados se tem tornado cada vez mais relevante em decisões que afetam a vida das pessoas espera-se que os profissionais de praticamente todas as áreas sejam capazes de usar ferramentas quantitativas. Neste contexto e tendo em conta as mudanças sucessivas e necessidades da sociedade e do mundo, a escola tem o papel importante de preparar os alunos para esse mundo em constante mudança. A Estatística assume deste modo um papel preponderante nessa preparação porque proporciona ferramentas metodológicas gerais para analisar a variabilidade (Gal & Garfield, 1997), determinar relações entre variáveis, desenhar as suas próprias experiências e tomar decisões em situações de incerteza (Batanero & Diaz, 2004).
Os avanços na tecnologia e a crescente facilidade de acesso a dados reais, fornecem aos professores novas ferramentas para adotar abordagens informais orientadas
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para os dados, usando contextos ricos e significativos para os alunos, como os proporcionados pelas investigações estatísticas (Ben-Zvi et. al., 2012) e porque não, também a modelação. Os múltiplos recursos tecnológicos hoje disponíveis têm sido incorporados na educação estatística de modos diversificados, em particular como instrumento de apoio aos alunos na exploração e análise de dados, na resolução de problemas estatísticos envolvendo dados reais e na compreensão de conceitos complexos e ideias estatísticas, com o objetivo de desenvolver o seu raciocínio estatístico (Ben-Zvi, 2006; Ben-Zvi & Garfield, 2004).
Assim sendo, é necessário que a escola prepare os alunos para que consigam pensar e refletir sobre a sociedade que os rodeia de forma crítica e ativa.
A Estatística como ferramenta na modelação matemática
A Estatística é uma ciência que se dedica à recolha, análise e interpretação de dados. Preocupa-se com os métodos de recolha, organização, resumo, apresentação e interpretação dos dados, assim como tirar conclusões sobre as características desses mesmos dados, para melhor compreender as situações.
Através do desenvolvimento do raciocínio estatístico é possível organizar e analisar melhor as informações recolhidas, possibilitando a compreensão de sua estrutura e interpretações adequadas (Wodewotzki & Jacobini, 2005).
Apesar da importância da Estatística no ensino da Matemática apontada por vários autores e a sociedade em geral, existem dificuldades inerentes ao ensino da Estatística. Os professores têm eles próprios que saber problematizar uma situação, organizar, tratar, interpretar os dados e conseguir saber se estes são ou não adequados (Batanero et al., 2004). Isto está de acordo com as quatro etapas inerentes a uma investigação estatística apontadas por Franklin et. al., (2007). Outros autores como Kader e Perry (1994) ainda destacam uma quinta fase que passa pela comunicação de resultados obtidos, importantíssima quando se realiza com os alunos tarefas de modelação matemática. Para outros autores, Wild e Pfannkuch (1999) existem quatro dimensões que dividem o pensamento estatístico: (1) ciclo investigativo; (2) tipos de pensamento; (3) ciclo interrogativo e (4) disposições (Figura 4).
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(1) Ciclo investigativo
Figura 4: A primeira dimensão do pensamento estatístico: ciclo investigativo (Wild & Pfannkuch,1999)
Segundo Shaugnessy (2007), esta é primeira fase dos inquéritos estatísticos, cujas fases coincidem com as apresentadas por Pólya (1945) para a resolução de problemas: compreender, planificar, executar e revisão do problema. No entanto, este autor refere que em Estatística, de um modo geral, não é concedido muito tempo à fase da problematização e da planificação, uma vez que quando aos alunos são apresentadas tarefas, nestas já aparece a problematização da situação e a recolha de dados, o que empobrece o ciclo investigativo. A formulação do problema de investigação estatística, como indicam Makar e Fielding-Wells (2010) constitui a base fundamental para o trabalho a realizar. Na sua perspetiva, as questões iniciais devem motivar os alunos, estar relacionadas com os seus interesses e serem desafiantes, e não causem frustrações ao nível da sua resolução. Heaton e Mickelson (2002) acrescentam que as questões devem ser abertas, estatisticamente ricas, com conteúdo apropriado aos alunos e relacionadas com outras áreas do currículo e do saber, referindo, que por vezes, esta fase é muitas vezes desvalorizada. No caso da modelação matemática e nesta investigação em particular o ciclo investigativo é mais rico, porque os alunos tiveram a oportunidade de serem eles, com base nas suas motivações e contextos profissionais fazerem conjeturas e formularem eles próprios problemas de situações por eles conhecidas e que quiseram ver estudadas. Neste sentido, a recolha de dados teve por base a organização de eventos e de atividades contextualizadas ao curso profissional em questão e foram eles próprios que se envolveram na operacionalização da recolha de dados e que foram posteriormente trabalhados em contexto de sala de aula. Deste modo, o ciclo investigativo do pensamento
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estatístico proposto por este autor pode ser trabalhado de forma mais rica e adequa-se perfeitamente ao que se pretende em modelação matemática.
Durante o planeamento da investigação estatística, cabe aos professores ajudar os alunos a tomar decisões metodológicas, que podem passar por, usar população em vez de amostras (Makar & Fielding-Wells, 2011). Contudo, esta fase também é frequentemente desvalorizada em sala de aula, não proporcionando aos alunos ferramentas para resolver problemas estatísticos na sua fase inicial (Shaughnessy, 2007). Outros autores, Heaton e Mickelson (2002) defendem que os professores devem responsabilizar os alunos por esta fase de planeamento.
A segunda fase do pensamento estatístico: Tipos de pensamento (Wild & Pfannkuch,1999)
(2) Tipos fundamentais do conhecimento estatístico:
Reconhecimento da necessidade dos dados
Transnumeração (mudança de representações para proporcionar compreensão)
Recolha de medidas do sistema real Mudança de representações de dados Comunicação de mensagens nos dados
Consideração da variação Perceber e reconhecer
Medir e modelar para o propósito de prever, explicar ou controlar Explicar e lidar com estratégias investigativas
Raciocinar com modelos estatísticos Raciocínio baseado em agregados
Integração da estatística e do contexto Conhecimento, informação e conceções
Tipos gerais:
Estratégico
Planear, antecipar problemas Ter em atenção restrições práticas
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Procurar explicações
Modelar
Construção seguida de utilização
Aplicar técnicas Seguir precedentes
Reconhecer e utilizar exemplos-tipo
Usar instrumentos de resolução de problemas
Para Shaugnessy (2007), o pensamento estatístico implica não só pensamento intrínseco não só à Estatística como também associado a pensamentos mais gerais e estratégicos, tal como a heurística de Pólya propõe.
A necessidade dos dados e o reconhecimento destes é a base do raciocínio estatístico e do seu pensamento, pois quando esta vertente é focada e porque o estudo inicia-se com um problema que se pretende resolver e interpretar, sendo imprescindível a recolha de dados para o problema em estudo (Burgess, 2007). Para a modelação matemática e neste estudo em particular, esta fase revela-se de extrema importância uma vez que os problemas surgem da necessidade dos alunos compreenderem o real e das situações inerentes à sua futura profissão, sendo necessário a recolha de dados reais e reconhecida a importância dessa mesma necessidade.
A transnumeração consiste na capacidade de se ordenar os dados, criar tabelas ou gráficos e deste modo encontrar a medida de localização que melhor se adapte aos dados, isto é, mudar a representação dos dados de modo a que esta faça sentido (Wild & Pfannkuch, 1999).
A variação afeta a tomada de decisões tendo em conta os dados, pois temos que compreender que os dados variam (Burgess, 2007). Na modelação matemática e uma vez que partimos da realidade, ao recolher os dados reais temos que perceber que os resultados que iremos obter a partir dos dados serão comparados a essa realidade e não a outra, não podendo avançar com generalizações.
O raciocínio com modelos, segundo Burgess (2007), é a fase necessária para dar sentido aos dados, incluindo tabelas, gráficos e medidas. Na modelação matemática em Estatística esta fase está presente, pois após a recolha dos alunos e do estabelecimento de conjeturas e hipóteses, é necessário organizar dos dados em tabelas e gráficos, permitindo
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posteriormente e na fase seguinte do ciclo de modelação à construção do modelo matemático.
Por último, a fase da integração da estatística e do contexto, corresponde à relação existente entre o conhecimento do contexto (no caso da modelação matemática, do conhecimento extra matemático) com o conhecimento estatístico, relacionando os dados da situação com os dados obtidos (Wild & Pfannkuch, 1999). Esta fase na modelação matemática corresponde à fase da interpretação dos resultados matemáticos, no caso deste projeto, resultados estatísticos com a situação real.
(3) Ciclo interrogativo
Figura 5: A terceira dimensão do pensamento estatístico: o ciclo interrogativo (Wild & Pfannkuch, 1999)
Wild e Pfannkuch (1999) referem que o ciclo interrogativo está associado a dados recolhidos a partir de atividades que permitam gerá-los, procurar informação, criticar os resultados e validar ou não, revelando-se uma dimensão interessante para a modelação matemática, dadas as suas fases sequenciais (Ferri, 2006). Nesta fase de investigação estatística, para além de se recolher e controlar os dados, faz-se uma “limpeza” dos mesmos (Martins & Ponte, 2010; Wild & Pfannkuck, 1999). Segundo Makar e Fielding- Wells (2011), os professores com experiência na orientação do trabalho dos alunos facilmente reconhecem oportunidades para aprendizagens significativas durante a discussão entre estes, relativa a problemas surgidos a partir da recolha de dados.
Este ciclo interrogativo, na modelação matemática é importantíssimo porque ao chegarmos a resultados matemáticos e ao compará-los com a realidade temos que ter a
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capacidade de nos interrogar acerca da sua adequabilidade à situação real e concluir se o modelo matemático construído e escolhido é válido ou não.
Quarta dimensão do pensamento estatístico (Wild & Pfannkuch, 1999)
(4) Disposições Ceticismo Imaginação Curiosidade e consciência -Observação e atenção Abertura
-Ideias para alterar preconceitos
Uma propensão de procurar um significado mais profundo
Ser lógico
Envolvimento
Perseverança
Segundo Shaugnessy (2007), as disposições apontadas por Wild e Pfannkuck (1999), para se tentar resolver um problema é necessário ter curiosidade em estudá-los e encontrar soluções; ser cético, característica essencial para criticar os resultados e não os aceitar de imediato; ter imaginação; ser aberto a várias e possíveis interpretações equerer aprofundar o assunto, podendo haver a possibilidade de voltar atrás no ciclo se tal se justificar. Estas disposições são essenciais no ciclo de modelação matemática adotado neste estudo, pois é a curiosidade sobre situações profissionais e conjeturas que os alunos fazem, que levam à criação de modelos reais e modelos matemáticos e é o seu ceticismo e capacidade crítica que pode conduzir estes alunos a aceitarem ou não o modelo matemático ao confrontarem resultados matemáticos com a realidade.
Wodewotzki e Jacobini (2005) enfatizam que para a compreensão e construção do pensamento estatístico, o estudo não deve ser feito isoladamente; é importante que seja trabalhado com dados reais, relevantes para os estudantes e, principalmente, obtidos por eles mesmos. Esta ideia vai ao encontro do que se pretende para este estudo, pois o objetivo é ensinar tópicos de Estatística através da modelação matemática e que sejam os próprios alunos, a partir das suas motivações e necessidades, face ao curso profissional
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em que estão integrados, a organizar atividades em contextos profissionais que levem à recolha de dados e ao surgimento de variáveis que possam levar ao estabelecimento de relações. Esta ideia é defendida por Burak (2004), pois segundo este autor, a modelação matemática vai ao encontro das expetativas do aluno, por dar sentido ao que ele estuda e por satisfazer esses interesses e motivações. O aluno passa a trabalhar com mais entusiasmo e perseverança, formando atitudes positivas face à Estatística e gosto por esta. O facto de relacionarmos a aprendizagem da Estatística com o contexto e motivações do aluno poderá ser um meio facilitador da aprendizagem.
O ensino e aprendizagem das distribuições bidimensionais
O conceito de covariação aparece na resolução de problemas do quotidiano e por isso faz parte dos currículos internacionais de vários países, surgindo em Portugal nos programas de Matemática do ensino secundário regular e profissional (ME, 2001a e 2001b) e mais recentemente no documento das metas curriculares para o 11.º ano de Matemática A (ME, 2013). Este conceito está relacionado com o raciocínio covariacional e é um dos aspetos fundamentais do pensamento estatístico, uma vez que envolve processos sobre o estabelecimento de relações entre variáveis, a representação gráfica dos dados bivariados permitindo a identificações de relações ou padrões e a justificação verbal sobre a covariação (Garfield & Ben-Zvi, 2008).
Várias investigações evidenciam alguma complexidade no ensino e aprendizagem das distribuições bidimensionais (Engel & Sedlmeier, 2011; Estepa & Batanero, 1996; Garfield & Ben-Zvi, 2008; Mugabe, Fernandes & Correia, 2012). A compreensão da regressão e correlação exige conhecimento básico sobre funções e, acima de tudo, a consideração da variação à volta de uma possível tendência (Engel & Sedlmeier, 2011). Covariação, num sentido mais alargado, é uma correspondência entre variáveis cujos valores envolvem alguma forma de associação (Batanero, Estepa & Godino, 1997; Moritz, 2004; Zieffler & Garfield, 2009). A definição de covariação é frequentemente incluída na definição de associação, segundo Moritz (2004). A primeira é distinta desta porque o termo associação estatística pode referir-se a associações entre duas variáveis