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Junto com a Interface Gráfica do Usuário (IGU), o banco de dados, o espaço navegável e a simulação, a visualização dinâmica de dados é uma das mais genuínas e novas formas culturais proporcionadas pela computação. É claro que os admiradores de Edward Tufte24 vão lembrar que é possível encontrar exemplos de
corresponding record. If a database is too large to display all of its records at once, a search engine can be provided to allow the user to search for particular records. But the interface can also translate the underlying database into a very different user experience.
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Even when there does not exist, technically speaking, a "collection of data, or information, that is specially organized for rapid search and retrieval," the potential of getting-retrieving-finding what you want is omnipresent, just on the other side of the interface.
24
Edward Rolf Tufte (Kansas City, 1942) é professor emérito de estatística, design gráfico e economia política na Universidade de Yale, além de ser um dos mais importantes especialistas em infografia. O trabalho de Tufte é especialmente importante para as áreas de design de informação e leitura visual, e lida com a comunicação visual da informação. (Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Edward_Tufte. Acesso em 10 de janeiro de 2012)
representação gráfica de dados quantitativos já no século 18, mas o uso de meios eletrônicos transforma essas representações de exceção em norma. Também torna possível uma variedade de novas técnicas de visualização e usos para visualização. (MANOVICH, 2002)25
Conforme exposto por Manovich em seu artigo “A visualização de dados como anti sublime e nova abstração”26, pode-se verificar que a visualização não é algo completamente recente, e muito menos nova. Em termos gerais, pode-se dizer que a história da visualização de dados se divide em duas grandes partes: a primeira se dá nos primórdios da cartografia, percorrendo os gráficos estatísticos e infográficos, chegando até início da década de 80. Já a segunda parte tem início na década de 80 e emerge, segundo o autor, do âmbito da complexidade crescente da informação e das possibilidades trazidas pelo advento da tecnologia digital, principalmente pelo desenvolvimento de softwares e sistemas de computador altamente interativos e de fácil manipulação. Conforme expõe Quigley, a visualização, “desde o advento das estações de trabalho gráficos, tornou-se sinônimo do processo computacional de tornar dados visíveis.” (QUIGLEY, 2006, p. 320)27.
Diante desse contexto, Manovich (2002) define o termo “visualização” através de situações em que os dados quantitativos – que em sua origem são abstratos e desprovidos de qualquer forma gráfica – são transformados em uma representação visual. Aqui, é importante salientar que uma pessoa é perfeitamente capaz de compreender e analisar dados tabulares sem necessariamente dispor de uma representação visual desses dados. No entanto, os relacionamentos entre os dados e padrões existentes ficam mais compreensíveis quando são traduzidos em formas gráficas. Por isso a visualização de dados se torna tão importante na contemporaneidade, já que auxilía a cognição humana a prover de algum sentido o excesso de dados que a cerca. Em outras palavras, através da visualização de dados se apresentam os sentidos interpretativos latentes nos dados “puros”, não tratados.
É também diante da percepção dessa latência de sentidos que alguns projetos recentes
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Along with a Graphical User Interface, a database, navigable space and simulation, the dynamic data visualization is one of the genuinely new cultural forms enabled by computing. Of course the fans of Edward Tufte will recall that it is possible to find examples of graphical representation of quantitative data already in the eighteenth century, but the use of computer medium turns such representations from the exception into the norm. It also makes possible a variety of new visualization techniques and uses for visualization.
26
Data Visualisation as New Abstraction and Anti-Sublime 27
Since the advent of graphic workstations, however, it has become synonymous with the computational process of making data visible.
vêm utilizando essa saturação de dados eminente como input criativo. São projetos que, a priori, não buscam, necessariamente, tornar os dados “puros” mais compreensíveis. Pelo contrário, muitos deles estão em busca de elaborar interfaces sensíveis a partir dos dados e muitas vezes subvertem as intencionalidades funcionais e originais das informações. De acordo com Santaella:
São as franjas estéticas da tecnologia que brotam de sua exuberância, algo transbordante, muitas vezes inútil para os propósitos da ciência, mas insistente na beleza com que premia os nossos sentidos. Uma estética que nasce da capacidade tradutória cada vez mais sutil das tecnologias para trazerem as abstrações inteligíveis à superfície epidérmica dos sentidos. (SANTAELLA, 2007, p.168)
Pode-se dizer ainda que o resultado desses projetos - frequentemente proprietários de uma beleza abstrata que impressiona e sensibiliza, como destacou Santaella - muitas vezes não demonstra uma relação visual imediata com os dados iniciais, direcionando-se rumo a uma linguagem cada vez mais abstrata e codificada.
São projetos, por exemplo, como o Conductor - MTA.me28, do Alexander Chen - músico e programador do Google CreativeLab -, que transforma o mapa do metrô de Nova York em um instrumento de cordas interativo. A iniciativa toma como referência os horários reais da saída de cada trem, captados através da API29 disponibilizada pela “Metropolitan Transportation Authority”30. Essa API fornece acesso aos dados detalhados da agenda de paradas e saídas dos trens, armazenados no banco de dados da MTA.
28
Disponível em: http://mta.me/ 29
API, de Application Programming Interface (ou Interface de Programação de Aplicações) é um conjunto de rotinas e padrões estabelecidos por um software para a utilização das suas funcionalidades por programas aplicativos que não querem envolver-se em detalhes da implementação do software, mas apenas usar seus serviços. De modo geral, a API é composta por uma série de funções acessíveis somente por programação, e que permitem utilizar características do software menos evidentes ao utilizador tradicional.
(Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/API. Acesso em 10 de janeiro de 2012) 30
É uma empresa pública norte-americana responsável pelo transporte público da região de Nova York. Mais informações em: http://www.mta.info
FIGURA 01 - Alexander Chen - Conductor - MTA.me - Captura das telas
A movimentação das linhas se inicia no momento em que o usuário entra no site e o primeiro movimento se dá em paralelo ao trem que partiu no último minuto (em tempo real). Usando os horários do metrô, a peça começa com uma linha que indica a partida de um trem em tempo real para, em seguida, acelerar o tempo e mostrar, em alguns minutos, um ciclo de 24 horas.
No site, as linhas do metrô se comportam, através do movimento elástico e emissão sonora, como cordas de um instrumento musical, e cada vez que uma linha cruza outra ou quando são tocadas pelo cursor, um som é emitido pelas linhas e o movimento que adquirem indica que uma linha “tocou” a outra.
de partida nos trens, confirmado pelo texto ao lado, que narra qual trem está partindo. O relógio também indica o processo de aceleração do tempo e, por conseqüência, da partida dos trens.
Os usuários que passarem a anestesia estética e estranheza inicial e se dispuserem a decifrar a navegabilidade e interatividade que rege o projeto, iniciam uma viagem exploratória e imersiva. A navegação e interação do projeto é colocada de forma refinada - exigindo do usuário um esforço um pouco maior que o normalmente empregado em navegações habituais -, pois, através do tencionamento desse processos, abre-se um vasto conjunto de possibilidades interpretativas e de sentido.
Para o pesquisador e artista australiano Withelaw (2008), esses tipos de projetos de visualização de dados transcendem a informação, encaminhando-nos para uma “experiência dos dados” (WHITELAW, 2008). Segundo ele:
A arte dos dados se direciona à imersão e sensação; salienta a abertura e a intuição, mais do que a extração de valor ou significado. Acima de tudo, nos confronta com sua própria imanência, uma multiplicidade de relações; com uma estrutura como potencial, latente, e emergente. Esta postura está se tornando uma espécie de auto- referencial afirmativo da sociedade em rede (WHITELAW, 2008).31
Com a apropriação artística, a visualização está deixando de ser apenas uma série de ferramentas, tecnologias e técnicas para compreender e analisar um vasto conjunto de dados. Na verdade, o que se percebe é a legitimação de um espaço poético para experimentação, que acaba, por sua vez, elevando a qualidade estética da visualização como um todo.
31
It turns towards immersion and sensation; it emphasises openness and intuition, rather than the extraction of value or meaning. Most of all it confronts us with immanence itself, a multiplicity of relations; with structure as potential, latent, and emergent, not given and named. This stance is in turn a kind of self-referential affirmation of the networked society.