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General View of the Distribution of the Plankton in the Summer and Auturnai

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O youTAG: gerador e de-indexador de vídeos online (2008), é um projeto desenvolvido a partir do grupo Interfaces Críticas que envolve, além do autor, Lucas Bambozzi, os pesquisadores Lucio Agra, Christine Mello, Priscila Arantes, Nancy Betts e Cláudio Bueno. O projeto foi contemplado pelo Rumos Itaú Cultural Arte Cibernética 2006/2007 e foi apresentado pela primeira vez na exposição Emoção Art.Ficial 4.0, no Itaú Cultural, em 2008. Desde então, está disponível on-line no endereço www.youtag.org.

FIGURA 08 - Lucas Bambozzi – youTAG – Captura da tela inicial

Esse projeto propõe ao usuário um sistema online de mixagem e indexação de vídeos previamente existentes e disponíveis na rede. Através da interface disponibilizada, o usuário poderá escolher sua mixagem de três maneiras diferentes: palavras chave, por título ou por uma frase. No primeiro modo, o usuário insere duas palavras e seleciona uma terceira a partir de uma lista pré-definida. Ainda nesse modo, ocorre um processo oculto para o usuário, a palavra selecionada da lista será alterada por outro termo, reconfigurando o conjunto de três palavras chaves sem que o usuário fique sabendo. Na segunda opção, o usuário insere um título para o vídeo, a partir do qual o sistema seleciona três termos (ou dois, que é o mínimo

de termos com que a algoritmo precisa para ser operacionalizado). Por último, na terceira opção, é possível selecionar uma frase a partir de um conjunto de citações célebres, das quais novamente são selecionados três termos pelo sistema. O sistema, então, relaciona essas palavras-chaves com tags41 já existentes em vídeos postados no YouTube42. Vale destacar que as tags dos vídeos do YouTube são determinadas pelo usuário que publicou o vídeo no site de compartilhamento. Assim, o sistema busca, apropria-se, remixa os vídeos selecionados e envia o link do resultado via e-mail, criando uma nova sequência audiovisual.

FIGURA 09 - Lucas Bambozzi – youTAG – Frame de vídeo remixado por palavra (sexo azeite riso) gerado em:

20/04/2012 por Juliana - Disponível em: http://youtag.org/829. Acesso em 06/05/2012

O questionamento central do projeto é discutir os sistemas de indexação de conteúdo através de tags, que, na Web 2.0, são responsáveis pela catalogação e descrição dos formatos que se estruturam a partir de banco de dados. Esse questionamento está descrito no texto de                                                                                                                

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Uma tag, ou em português “etiqueta”, é uma palavra-chave (relevante) ou termo associado com uma informação (ex: uma imagem, um artigo, um vídeo) que o descreve e permite uma classificação da informação baseada em palavras-chave. Tags ou etiquetas são, usualmente, escolhidas informalmente e subjetivamente pelo autor ou criador do item de conteúdo - isto é, não é parte de um esquema formal de classificação. É um recurso encontrado em muitos sites de conteúdo colaborativo recentes, e por essa razão, "tagging" associa-se com a onda Web 2.0. Normalmente, um item tem uma ou mais tags ou etiquetas associadas a ele.

(Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tag_(metadata). Acesso em 14 de maio de 2012.)  

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O título do projeto, Youtag, faz uma analogia direta à marca Youtube, o site mais popular de compartilhamento de vídeo na internet. (nota da autora). Disponível em http://www.youtube.com

apresentação de youTAG publicado no link “sobre”. Nas palavras do Bambozzi: “Em tempo de tags, metatags e indexadores de busca, o quê é o nome da 'coisa' e o quê é o nome possível da representação da 'coisa'? O que acontece nas vísceras dos search engines? (BAMBOZZI, 2008a)”.

É importante destacar que a tag tem o intuito de facilitar o acesso a base de dados, ou seja, ela atua como etiqueta que deveria, em teoria, descrever de forma genuína o conteúdo armazenado na base de dados. No entanto, uma vez que as tags são garantia de visibilidade na rede, fazendo com que o conteúdo - no caso do YouTube, o vídeo - tenha mais acessos, muitos usuários usam as tags de forma estratégica para aumentar a audiência de seus conteúdos. O que significa que essas tags não serão, necessariamente, uma descrição fiel do conteúdo. Entretanto, como coloca o autor do projeto, “o que está publicado geralmente está aceito, ‘normatizado’ e indexado.” (Bambozzi, 2008b). Foi diante desse contexto que o artista, aplicando os mesmos tipos de mecanismos de “tagging” no seu algorítmo, busca com o seu projeto uma desnaturalização deste processo de indexação aos olhos do usuário, ou seja, o projeto sugere “um deslocamento do estatuto de estabilidade associado às tags e sistemas indexadores.” (BAMBOZZI, 2008b).

Além da questão que envolve os processos de taggeamento na rede, o youTAG também problematiza outras questões sobre as práticas expressivas. Uma delas envolve a colaboração. Assim como o Post Secret, o youTAG também necessita da participação ativa do usuário, que assume o papel de colaborador do projeto. A colaboração, aqui, é entendida como o input do usuário na definição de novas tags que influenciam a escolha dos vídeos no youtube, e consequentemente, a mixagem que acontecerá, ou seja, não se trata de uma participação apenas contemplativa. O youTAG se coloca em uma posição de dependência da participação do usuário, afinal se o usuário não interagir com o sistema, não ocorre nenhuma mixagem. Para o Bambozzi (2008b), o youTAG é o tipo de projeto em que o usuário e seus inputs, suas decisões, planejadas ou intuitivas, exercem um papel determinante para que o projeto se constitua efetivamente como idealizado por ele. Inclusive, o usuário do YouTube tem essa importância de interferência também no youTAG, pois se ele opta por não aplicar tags em seu vídeo, ele impossibilita que o algorítmo do projeto o rastreie.

A questão da autoria também é problematizada no youTAG, já que as peças audiovisuais elaboradas nele são, segundo Bambozzi (2008b) ‘desautorizadas’ (de autoria muitas vezes bastarda). A problematização se dá no processo de construção do vídeo, e não na

percepção do produto (vídeo) em si mesmo. Isso ocorre porque a experiência de criação do vídeo envolve o artista (que propôs o site), o usuário (que interfere na elaboração do vídeo quando escolhe o tipo de mixagem), o banco de dados (os audiovisuais armazenados e taggeados no YouTube, que são usados na mixagem sem autorização do usuário que publicou o vídeo no YouTube) e o sistema (que possibilita as interações das partes). Diante do contexto apresentado, não se pode, de modo algum, considerar que algum deles seja, efetivamente, o autor do vídeo. O que temos, na realidade, é uma autoria dialógica.

Como se pôde notar ao longo das questões abordadas, o youTAG é um projeto que torna possível inúmeros diálogos na rede. Há um diálogo, por exemplo, entre o ambiente onde estão alocados os vídeos e o algoritmo do youTAG que se reapropria desses vídeos. Há um outro diálogo entre as tags do usuário do YouTube e as palavras-chaves do usuário do youTAG. Há também, o diálogo velado entre os vários autores existentes. Enfim, pode-se constatar que o produto, no caso o vídeo remixado, é reflexo de um processo dialógico complexo, possibilitado pela estrutura maleável e fluída das redes digitais. O youTAG não só pensa sobre a rede mas, sobretudo, acontece em rede.

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