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Utilizamos, portanto, dois tipos de amostras, as quantitativas e as qualitativas. Ambas foram colhidas com o intuito de fazer uma análise dialética das respostas; em seguida para que pudéssemos combiná-las, usamos o método da correlação. Obedecendo-se uma combinação de técnicas e métodos, quantitativos e qualitativos, teorizados por diversos pesquisadores em metodologia avaliativa (GUBA & LINCOLN; ERZBERGER & PREIN; RUSS-EFT & PRESKILL), as questões foram aplicadas de forma que nos permitiram o máximo de flexibilidade nas respostas das pessoas entrevistadas. Muitas vezes, no decorrer do trabalho das correlações das respostas elas funcionaram como se fossem adaptações de falas, mas sem nenhuma manipulação das motivações dos sujeitos envolvidos.

Isso nos proporcionou um maior envolvimento nas comunidades e um amplo conhecimento das inter-relações e reais intenções dos interessados. À medida que se descobria dificuldade para as respostas, novas datas eram agendadas e novos questionários eram aplicados. De acordo com as respostas às perguntas se pôde fazer apropriações temáticas relacionadas com outros tipos de dados, recolhidos em outras questões. Isso permitiu que acontecesse um processo de análise, cha mado de dialética entre o quantitativo e o qualitativo, feitos com respostas abertas, fechadas, respondidas ou não.

Há, exatamente, sete perguntas no questionário, elaboradas a partir da hipótese do trabalho, na qual a abordagem utilizada, normalmente em avaliações quantitativas (CRESWELL), partiu das hipóteses de trabalho e que desejando ser confirmadas ou não pela entrevistadora, foram “testadas” previamente para a elaboração da estrutura do questionário (APÊNDICE A). Diagnosticada com essa pré-verificação (ou não), acontece uma adequação, podendo ou não se explicar os resultados encontrados. A hipótese tornou-se, neste trabalho de campo, o ponto referencial e de partida para escolha dos métodos, da coleta de dados, dos desenvolvimentos das questões e de todas as suas variáveis, sejam nos sujeitos envolvidos individual ou coletivamente.

Aqui, entre os métodos da pesquisa quantitativa se destacam os questionários investigativos, hermenêuticos. Eles forneceram descrições “numéricas” das atitudes, motivações e opiniões dos entrevistados, os quais foram utilizados em escalas de respostas nas questões fechadas. Por exemplo, por meio de amostra dos resultados de uma determinada resposta se inferiu generalizações sobre uma “população” amostrada até conseguirmos

interpretar as possíveis abstenções e abstrações das respostas. O uso dos questionários investigativos e quantitativos permitiu uma tabulação mais precisa e um resultado mais rápido dos números dos envolvidos, o que não foi o caso das pesquisas abertas, as quais levaram um tempo muito maior para ser estudada e compilada.

Algumas questões, testadas pessoalmente pela entrevistadora, foram objetos de pré- testes no ano de 2005 em algumas comunidades da cidade de Porto Velho que não foram escolhidas para o final do trabalho. Isso aconteceu antes que fosse definido e delimitado o real campo a ser pesquisado. Essas perguntas foram levantadas previamente para que se possibilitasse a elaboração prévia de um questionário investigativo mais real e também, com maior complexidade. Essa foi uma das primeiras fases do projeto o que provocou a definição detalhada dos objetivos da investigação deste trabalho. Mais tarde, após a identificação do objetivo da pesquisa, se permitiu, em alguns casos, que respostas fossem dadas e até generalizadas em resultados tabulados por três pessoas, que explicaremos melhor a seguir no item sobre métodos de confiabilidade.

Foi ao longo do tempo em que os trabalhos de campo iam sendo efetuados que também se definia o tipo de pesquisa que aconteceria, a pontual, a progressiva, ou a multivariada. E sempre tivemos um estreito contato com especialistas em estatísticas, nas áreas de ciências humanas, educacionais, psicológicas e tecnológicas. Assim, também, se sucederam as definições de como seriam especificadas as formas de coleta dos dados para cada grupo específico das três paróquias envolvidas.

A análise dos dados de cada uma dessas amostras resultou em dados numéricos que refletiram a freqüência de respostas, positivas ou negativas, mas nenhuma dela s foi considerada isoladamente na tabulação geral. Todas agrupadas e correlacionadas nos deram as definições das respostas e estas, posteriormente, foram analisadas pelas duas pessoas convocadas, além da entrevistadora, e que fizeram correlações com outros aspectos dos trabalhos de campo, como por exemplo, na medida em que se colocava em dúvida uma resposta, buscávamos opiniões de outras pessoas e de documentos comprobatórios que pudessem auxiliar-nos nas interpretações e avaliações.

Como ilustração dessas avaliações nas pesquisas de campo, escolhemos aleatoriamente nas respostas das mulheres entrevistadas, algumas falas isoladas e significativas para a comprovação da pergunta central deste trabalho. Estas serão descritas no início de cada capítulo ou quando acharmos procedente para clarificação de conceitos.

Os métodos utilizados aqui nas pesquisas qualitativas diferem-se dos utilizados nas pesquisas quantitativas, inclusive porque necessitamos usar referenciais teóricos, estratégias,

formas de coleta e as análises de dados diferentes. Nos métodos qualitativos isso pode ser feito também com textos, imagens, gestos, além de diversas observações por parte da pessoa entrevistadora. Vimos que as estratégias de investigação qualitativa puderam sofrer significativas influências durante a pesquisa, uma vez que as variáveis não foram por todo tempo, pré-definidas, e em cada paróquia que chegávamos havia uma porção de elementos novos a serem descobertos.

Algumas situações como negações de respostas, discussões e discordâncias dos conteúdos ocorreram no campo e são consideradas normais pelos especialistas. Para alguns deles são até recomendáveis que existam, pois permitem eficiência nas chamadas pesquisas qualitativas, conforme (CRESWELL). Por exemplo, ocorreram algumas situações atípicas, próprias de questões relativas àquele ambiente de atividade e, observada a situação conversávamos como entrevistadora e normalmente continuávamos conduzindo a pesquisa, o que permitia que descrevessem detalhes mais específicos dos indivíduos e dos ambientes, ou seja, as respostas iam além das perguntas e do próprio ambiente dos entrevistados.

Assim, fizemos uso de múltiplas metodologias e todas elas auxiliaram em todos os trabalhos, sejam eles nos grupos, nas reuniões ou entre conversas particulares.

Os métodos de trabalho foram baseados, principalmente, em observações, entrevistas e documentos, incluindo gravações de vídeo, som, fotos, etc; de forma geral, não houve uma pré-definição exata da pesquisa, sendo que se tornaram muito mais emergentes durante a sua execução. Em certos locais, ocorreu que algumas questões, em virtude da dificuldade de interpretação dos entrevistados, tiveram que ser aprimoradas por meio de releituras; uma vez alteradas as frases, oralmente, pela entrevistadora, o enunciado pode ser absorvido de forma mais eficaz pelos entrevistados.

Tivemos, em dado momento, também, que mudar alguns métodos de coleta de dados. Como muitas respostas eram, fundamentalmente, interpretativas, realizamos descrições, analisamos dados por temas ou categorias para que pudéssemos interpretar falas mais adequadamente e assim desenvolver conclusões embasadas nos referenciais teóricos.

A pesquisa qualitativa acabou por ser muitas vezes, condicionada pela nossa visão de pessoa já familiarizada com a realidade pesquisada, pelos momentos em que lá realizávamos os trabalhos e pelas pessoas que se tornaram nossas conhecidas. Então, apoiada nos autores já citados, adotamos numa determinada fase das pesquisas que em primeiro lugar revisássemos os questionários já respondidos e respeitássemos mais os perfis desses envolvidos, o que ajudou com que aperfeiçoássemos as maneiras de abordagens e de técnicas.

Quanto à forma de como os resultados nos são disponibilizados, é preciso que, de fato, a análise e a avaliação aconteçam com o auxílio de profissionais da área da estatística, pois, atualmente, muito pouco eles têm sido explorados para pesquisas nas áreas das ciências humanas e da religião. Ao considerar que há todo um processo oculto existente no universo das multi-relações das pessoas nos meios pesquisados, esses resultados devem transparecer verdades que estejam não apenas nos números estatísticos dos relatórios. Por isso, as estatísticas nos fornecem inúmeras vantagens se pudermos usufruir de múltiplas técnicas e métodos que auxiliem na análise dos dados coletados e, em se tratando de analisar relações de poder e de gênero humano, se torna interessante adotar procedimentos multivariados.

Sobre a Estatística Multivariada, VALÉRIO a define como:

O conjunto de métodos ou técnicas estatísticas que permitam a análise das relações de múltiplas variáveis dependentes e/ou múltiplas variáveis independentes, ou ainda métodos de análise das relações entre indivíduos caracterizados por duas ou mais variáveis correlacionadas entre si. (VALÉRIO, 2004)

Assim, foi importante para a nossa pesquisa que as respostas abertas passassem por uma análise de conteúdo, uma vez que percebemos que parte das pessoas entrevistadas encarava o questionário como um processo que podia auxiliar em manobras eclesiásticas do trabalho das mulheres, mas outras pessoas tendiam a considerá-lo como uma forma de julgamento do trabalho feminino, baseando-se, muitas vezes, em seus juízos de valor, ou mesmo movidas apenas pela subjetividade ou emoção.

Dessa forma, essa mesma autora ainda nos apresenta a necessidade de se estudar, no conjunto de métodos aplicados para avaliar as relações humanas, também, a validade do questionário aplicado e a confiabilidade das questões, pois para ela,

A validade e a confiabilidade são requisitos essenciais para uma medição. Para que uma medida tenha validade, ela necessita ter confiabilidade; contudo uma medida confiável poderá ou não ser válida. A confiabilidade do instrumento de medição é uma condição necessária, mas não suficiente para garantir o êxito da pesquisa. É essencial que se tenha certeza de estar medindo, realmente, aquilo que se quer medir. Este é o objetivo da validade. De nada adianta medir de forma confiável um construto que não seja o que queremos.

Assim, outra forma de análise que utilizamos foi a de avaliar o conteúdo das respostas. É um método, da chamada pesquisa qualitativa, muito utilizado para as ciências humanas e comunicações sociais, e também adotado nos novos tratamentos de que stionários com muitos dados qualitativos (MINAYO apud CAPPELLE).

A análise de conteúdo das respostas ocorreu em três momentos cronologicamente diferentes: a pré-análise, a exploração do material e, por último, o tratamento dos resultados de inferência e interpretação. Fizemos de acordo com BARDIN/FERREIRA, cujas etapas assim compreenderam: a) pré-análise: organização e sistematização das idéias.

Foram escolhidos os documentos para análise retomando as hipóteses, os objetivos e o problema da qual a Igreja pesquisada é o nosso objeto. Na pré-análise, os documentos e materiais foram escolhidos e constituíram o que denominamos de um Corpus fechado58 do

capítulo, de forma que desse primeiro material poderemos responder, aos critérios de exaustividade, representatividade, homogeneidade e pertinência das questões abertas.

Esse primeiro contato com o material, o que BARDIN chama de leitura flutuante, foi um contato exaustivo com todo o material de análise; b) exploração do material: foi a etapa mais longa do trabalho por tratar da fase em que os dados brutos do material foram codificados. Deu-se a realização das decisões tomadas na pré-análise. A codificação compreendeu da escolha das unidades de registro (recorte), da seleção das regras de contagem (enumeração) e da escolha das categorias (classificação e agregação).

Também fizemos a unidade de registro por tema, frase ou até por uma palavra que achamos pertinente para o nosso tema. A seleção de regras de contagem foi estabelecida de forma criteriosa obedecendo algumas normas (presença, ausência, freqüência, anuência, etc.); c) tratamento dos resultados obtidos e interpretação: os dados brutos foram submetidos a operações estatísticas, tornando-se significativos e válidos, possibilitando evidenciarem as informações obtidas. A partir dos resultados pudemos obter inferências que possibilitaram a interpretação dos nossos objetivos e referenciais teóricos. Assim, como já dissemos, os resultados foram avaliados pelos outros dois analisadores (uma mulher e um homem), de forma que juntos pudemos garantir a confiabilidade e a validade do conteúdo analisado.

Também para que conseguíssemos coerência e validação da análise dos dados, o material e as categorias de caracterização foram padronizados e reavaliados por dois grupos de pessoas do próprio local. Tudo isso para que o se conseguisse um resultado com o menor número de interferências externas.

Seguimos a determinação da confiabilidade da análise do conteúdo conforme KRIPPENDORFF, o qual orienta três tipos de tratamento: estabilidade, reprodutibilidade e precisão.

58 A constituição do Corpus fechado envolve a escolha e a organização do material da pesquisa. Após essa leitura flutuante deverão ser escolhidos índices, relacionados com os objetivos do trabalho. Estes índices deverão ser organizados como indicadores

a) estabilidade: é o grau de invariabilidade por meio do tempo e requerendo procedimentos de testes e re-testes. Classificamos os conteúdos, deixando por um tempo parado e retornamos a classificá-los. A grande semelhança nas classificações foi o indício da estabilidade.

b) reprodutibilidade: foi o grau em que o processo foi recriado em várias circunstâncias (analisadores, lugares, etc.). Cada um dos três analisadores investigou e classificou, separadamente, o mesmo material. Em muitas respostas, os analisadores tiveram a mesma interpretação dos dados e os classificaram de maneira semelhante. Isso foi um indício da reprodutibilidade.

c) precisão: foi o grau que procuramos buscar com um processo funcional para os três analisadores, o que nos remeteu a um padrão conhecido do resultado que esperávamos.