5 M ETODE OG MATERIALE
5.4 Analytiske perspektiver og strategier
5.4.1 Narrativ analyse
De um modo geral, observa-se que os atos potencialmente ameaçadores durantes as interações entre os Ministros são mitigados de diversas formas, como pausa, hesitação, marcação de deferência, seleções lexicais, seleção de tempos verbais, entre outras estratégias.
A respeito das estratégias de mitigação de atos potencialmente impolidos, observa-se o excerto 21:
Excerto 20
(A Ministra Cármen Lúcia estava proferindo seu voto, no qual ela se refere a um documento anexado ao processo)
1 Min. Ricardo Lewandowski: Poderia perguntar que documento é esse? 2 Min. Cármen Lúcia: Por favor!
3 4 5
Min. Ricardo Lewandowski: (hesitação) É apenas... é... Porque eu acabo de distribuir para as Vossas Excelências, evidentemente, Vossas Excelências certamente conhecem os autos muito melhor que eu...
6 Min. Cármen Lúcia: Como Revisor, com certeza não 7
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Min. Ricardo Lewandowski: (hesitação) Não tenho nenhuma dúvida com relação a isso. É, eu fiz... distribui às Vossas Excelências... é é... alguns documentos que são os seguintes: Primeiramente, uma... um interrogatório de Marcos Valério na polícia...
11 12
Min. Cármen Lúcia: Na/na... polícia que tá como reconhecendo e depois ele desmente. [...]
O Ministro Lewandowski, após o voto da Ministra Cármen Lúcia, pergunta a respeito de determinado documento mencionado em seu voto. A pergunta é feita de forma polida, usando o futuro do pretérito, Poderia perguntar que documento é esse?, forma conhecida no português brasileiro como meio para mitigar ordens, pois a pergunta exige, mesmo que de forma indireta, resposta da Ministra. Essa estratégia é apontada por Rosa (1992) como forma de mitigação, de atenuação de atos potencialmente impolidos, assim como por Brown e Levinson (1987), em suas estratégias 1 e 2 de polidez negativa: seja convencionalmente indireto e questione (seja evasivo) respectivamente. Leech (1983) também aponta a indiretividade como um modo de manifestação do Princípio do Tato, ou seja, de atenuação de atos potencialmente impolidos.
Ainda amenizando o ato, o Ministro se justifica listando os documentos distribuídos e, usando a Lei da Modéstia de Leech (1983), afirma que os demais Ministros conhecem os autos melhor do que ele, em ato autodepreciativo. Essa afirmação é imediatamente refutada pela Ministra, relembrando que, no papel de Revisor, seu conhecimento em relação aos autos é maior que o dos demais.
No excerto 22, observam-se estratégias de mitigação de atos potencialmente impolidos:
Excerto 21
(Um dos Ministros faz uma pergunta ao Relator, a respeito do seu voto, e ele responde)
1 2
Min. Joaquim Barbosa: [...] eram esses os esclarecimentos que eu tinha a prestar.
3 Min. Ayres Britto: obrigado, Vossa Excelência.
4 Min. Ricardo Lewandowski: Senhor Presidente, peço a palavra. 5 Min. Ayres Britto: Pois não.
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Min. Ricardo Lewandowski: Cumprimentando, inicialmente o nobre Relator pelo zelo que demonstra na análise do processo, mas eu, é:: queria fazer algumas colocações também e começar dizendo o seguinte: O quê que está em Julgamento aqui? Nós estamos julgando o item 4, lavagem de dinheiro, ou seja, a infração prevista no artigo 1º da Lei 9.613 de 98. [...]
O Ministro Ricardo Lewandowski apresenta uma consideração contrária à argumentação do Ministro Joaquim Barbosa. Buscando mitigar o ato, ele segue algumas estratégias de polidez sugeridas por Brown e Levinson (1987) e Leech (1983) no seu prefácio atenuador. Nesse contexto, observa-se a atuação dos Princípios pragmáticos do tato, do acordo e da aprovação (LEECH, 1983) e
Estratégias 5 e 6 de polidez positiva: procure acordo e evite desacordo, respectivamente (BROWN e LEVINSON, 1987). Assim, ele elogia a atuação do Ministro Barbosa antes de discordar de suas posições.
Ainda a respeito das estratégias de mitigação de atos potencialmente impolidos, observa-se o excerto 23:
Excerto 22
(O Ministro Joaquim Barbosa, na investidura do posto de Relator, começa a discursar ao término das palavras do Revisor, quando o Ministro Ayres Britto intervém e pede brevidade nas palavras)
1 2
Min. Barbosa: como Relator, gostaria de acrescentar um assunto em poucas palavras.
3 4
Min. Ayres Britto: [eu gostaria de fazer um apelo aos Ministros para que todos sejam breves na medida do possível
5 6
Min. Joaquim Barbosa: [não, mas eu sou sempre breve, Senhor Presidente. Muito breve! É...
7 8
Min. Ayres Britto: [porque se trata de questão de ordem e nós temos um longo caminho pela frente. (sorri)
9 10
Min. Joaquim Barbosa [porque eu acho que. nós já estamos muito atrasados. É eu queria acrescentar realmente poucas palavras... é o seguinte [...]
Fraser (1990) define atenuadores como modificadores de atos de fala que visam à redução dos efeitos indesejados que esses possam ter sobre o outro. Os atenuadores podem-se manifestar por meio de prefácios atenuadores, escolhas lexicais e marcação gramatical. O autor ainda menciona alguns recursos atenuadores. Brown e Levinson (1987) afirmam que os atenuadores, chamados por eles de softeners, podem-se manifestar por meio de partículas, expressões e entonação. Desse modo, observaram-se diversos usos dessas estratégias como forma de mitigar ações potencialmente impolidas entre os Ministros, tais como uso de determinados tempos verbais, como o futuro do pretérito, modalização prosódica, entre outros. Assim, observa-se que, em interações em que a harmonia é a meta entre os interagentes, o uso de atenuadores é essencial para mitigar atos potencialmente ameaçadores à face.
Observa-se que o Ministro Ayres Britto usa algumas das estratégias propostas por Brown e Levinson (1987) ao solicitar brevidade ao Ministro Barbosa, atenuando seu ato de diversas formas, como o uso do futuro do pretérito, na linha 3. Ele envolve os outros Ministros, como se o pedido fosse para todos, uma regra geral, não apenas para o Ministro Barbosa: o uso da expressão mitigadora “na
medida do possível”, linha 4; e ainda, sorrindo, apresenta justificativa para a solicitação, linhas 7 e 8. Essas estratégias de mitigação são comuns no português brasileiro, de acordo com Rosa (1992). Trata-se, portanto, de pedido indireto no qual é possível observar estratégias de mitigação de imposição.
O pedido envolve todos os Ministros, mas é direcionado especificamente a um deles. Essa estratégia de engajamento busca compartilhar a direção do ato para atenuá-lo. É proposta por Brown e Levinson (1987) e engloba as estratégias de indiretividade 11 (seja ambíguo) e 12 (seja vago), assim como a estratégia 1 de polidez negativa (seja convencionalmente indireto). Esse ato envolve também o Princípio pragmático do tato, proposto por Leech (1983), uma vez que busca minimizar uma imposição.