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6. ANALYSE NORGE OG SVERIGE

6.3 A NALYSE AV DE SVENSKE REFORMENE

Tenho aprendido pelos erros e acertos (risos). Eu acho que todo dia eu estou aprendendo com eles. (...) Você vai pra sala de aula... Pra você tudo está lindo, maravilhoso, perfeito, vai dar tudo certo. Quando você chega à sala você vê cada coisa, que não aconteceu nada daquilo que você planejou e muitas vezes você fala: “nossa, eu não estava preparada pra isso!”. E cada dia eu procuro melhorar alguma coisa, eu acho que mesmo com esses anos aí que eu tenho, eu não acho que eu já estou pronta e completa não. Cada dia eu estou aprendendo uma coisa nova.

(ER - Denise)

Às vezes eu penso que eu sei alguma coisa, que eu posso prever alguma coisa (...) mas às vezes é tão assim, saio de lá [da sala de aula] tão chateada, sem esperar aquela reação. Às vezes também é uma reação positiva que eu não tava esperando. Penso que é mais uma questão de preconceito mesmo. Porque você sai de uma aula que não foi muito boa e você já entra, talvez, com aquela expectativa, que esta não será também. Mas às vezes você se encanta tanto com aquela aula, fala: “nossa, que bom, valeu a pena, essa aula compensou a aula anterior!”. (...) Às vezes eu me surpreendo.

Ao afirmar que baseia sua prática em erros e acertos e então sorrir, Denise demonstra ter consciência de que esse (basear a prática em erros e acertos) não é o posicionamento esperado de um professor. Assim, os risos, remetem ao fato de ela, apesar de ter entrado em contato com as teorias educacionais, não as utiliza em sua prática. A docente acredita que a forma como age não é adequada, mas não modifica sua postura, mesmo após realizar leituras de textos teóricos, que a ajudaram a refletir sobre a prática para que ela pudesse traçar caminhos mais conscientes e adequados.

Pelo que Denise expressa, podemos compreender que ela tende a considerar que os saberes da prática são mais importantes que as teorias acadêmicas, ao mencionar a quantidade de anos trabalhados com educação e dizer que é a experiência que guia sua prática (“Tenho aprendido pelos erros e acertos (risos)”). Mesmo assim, questiona seus conhecimentos e sua experiência quando diz “pensar saber ou prever algo”. Ela tem a visão de que aprende mais com a experiência do que com a teoria, mas se mostra receptiva ao aprendizado de ambas, ao buscar novos conhecimentos, experiências e a reflexão, para poder melhorar seu trabalho. No entanto, nem a experiência, nem a teoria têm sido suficientes para lhe dar respaldo para enfrentar as diversas situações do dia-a-dia, pois, muitas vezes, as respostas que Denise

encontra nas teorias, não condizem com os reais problemas que ela enfrenta na prática ou as suas experiências não dão conta de responder as complexas situações da sala de aula.

É interessante notar que, apesar de a professora, durante os encontros reflexivos ou em conversas informais, argumentar que precisava de suporte teórico, não há, nos dados, indícios de que o insumo teórico tenha colaborado com mudanças na prática da professora participante da pesquisa. Denise leva em conta seu conhecimento prático pessoal, ou seja, “o corpo de convicções e significados, conscientes ou não, que emergem da experiência íntima, social e tradicional e são expressos pela prática do professor” (CLANDININ & CONNELLY, apud TELLES, 2002, p. 99) para planejar, ministrar e avaliar as aulas. Acredito, no entanto, que tomar consciência de sua postura já seja um caminho para que esta professora busque um melhor posicionamento na prática e em sua formação continuada. Não defendo aqui que a percepção e a experiência não sejam importantes na prática docente, mas concordo com Pessoa & Sebba (2006, p. 43) quando defendem a “importância de o professor não apenas refletir coletivamente sobre sua prática, mas também recorrer à teoria acadêmica, a fim de que os saberes da prática e da teoria possam se informar e se desenvolver mutuamente”, pois, quando não recorremos a nenhum conhecimento científico, corremos um risco maior de fazermos escolhas equivocadas ou menos adequadas ao processo de ensino-aprendizagem.

É consenso na literatura (VIEIRA-ABRAHÃO, 2002; FANG, 1996; GRADEN, 1996) que as expectativas que os professores trazem para a aula são de grande importância, já que estas buscam confirmar-se no fazer pedagógico. É possível perceber no discurso de Denise que há um conflito entre quais seriam os posicionamentos adequados a serem tomados pela docente. Entendo que isso acontece porque Denise ainda não se apropriou, de fato, de nenhuma teoria. Zakir (2008), investigando as representações de professores em formação, constata que, quando não existe apropriação da teoria pelo professor, ou quando não se estabelece uma mediação entre teoria e prática, pode existir uma equivalência entre teoria e técnica de como dar aulas. Nesse caso, “a “teoria”, confundida com técnica de ensino, fica num plano muito superficial e não é capaz, portanto, de promover uma mudança profunda no modo como o professor trabalha, servindo apenas para suprir uma necessidade momentânea que possa ocorrer em sala de aula” (p. 16).

Embora Denise busque demonstrar (com os risos) que sabe que a teoria é importante no processo de ensino-aprendizagem, principalmente pelo fato das leituras realizadas durante este estudo defenderem esta posição, ela parece trazer a crença de que a experiência é mais importante do que as teorias acadêmicas no processo de ensino-aprendizagem. Assim, ela acredita que deveria fundamentar seu trabalho em teorias e pesquisas, mas o embasa somente

em sua experiência, configurando uma relação hermenêutica (RICHARDSON, 1994) entre aquilo que pensa e o que realiza em sua prática.

4.1.9. A afetividade sob medida: o prazer no processo de ensino-