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D ET SVENSKE UFØRE - OG SYKEPENGESYSTEMET

6. ANALYSE NORGE OG SVERIGE

6.2 D ET SVENSKE UFØRE - OG SYKEPENGESYSTEMET

Ultimamente eu tenho refletido bem mais que antes (risos), por conta das leituras né, das leituras realizadas no grupo, da preparação para o mestrado... Então, eu tenho lido e refletido mais. Eu sou meio, meio não, muito crítica nesse ponto de estar sempre pensando nesse sentido, refletindo... Embora tenha consciência de que eu não faço muito diferente pra mudar, mesmo tendo essa criticidade, acho que eu ainda faço pouco pra mudar.

(ER - Denise)

Eu acho que deveria mudar mais, mas é uma coisa assim, é uma questão de personalidade. Eu fico pensando: “ah, eu poderia fazer uma aula no pátio, uma coisa assim diferenciada”, mas eu não vejo muito sentido em você sair com os alunos e deixá-los à vontade. Não é muito meu perfil isso. Eu gosto de ter mais a segurança de ter mais uma sala fechada, que ali você domina o seu ambiente. Não me sinto segura saindo para fazer uma atividade diferenciada ou então deixando os alunos à vontade. Não é uma característica minha também. Então, por isso que às vezes eu faço uma mudança, uma modificação dentro daquilo que eu tenho segurança.

Nesses dois excertos, a professora fala sobre a reflexão e sobre a mudança de postura a partir da reflexão sobre a ação (SCHÖN, 1986). Ela utiliza as palavras “ultimamente” e “antes” como marcos temporais para distinguir duas fases: o período de participação durante esta pesquisa e “antes”, quando ainda não havíamos começado os encontros reflexivos. Podemos perceber que o processo de reflexão compartilhada (SCHÖN, 1983), proporcionou a ela espaço para pensar “bem mais” em seu trabalho, como ela mesma enfatiza. Por meio da reflexão, Denise mostra-nos que a visão que ela tem sobre si mesma é conflitante: considera- se uma professora crítica (visão positiva sobre si mesma), mas percebe que faz pouco para mudar (demonstra um juízo de valor negativo). Denise justifica sua resistência a mudanças utilizando traços de sua personalidade e conclui que não se sente “segura” para mudar. Talvez a professora ainda tenha dúvidas sobre como melhor posicionar-se, ou ainda não tenha consciência do que realmente acredita e realiza em sala de aula e, por isso, não vê possibilidades alternativas para o seu trabalho. Barcelos (2006b) explica que somente a partir do momento que temos consciência daquilo em que de verdade acreditamos, “vislumbramos uma possibilidade de pensamento alternativo.” (p. 26). Por outro lado, as experiências educacionais, pelas quais a professora passou durante sua formação ou trajetória profissional, legitimam sua forma de agir e pensar e dificultam as tentativas de mudança, confirmando a tese de Johnson (1994) de que, muitas vezes, as crenças dos professores estão tão arraigadas, que mesmo tomando consciência delas, o professor não consegue mudá-las na ação. Assim, o professor sabe quais são as incoerências de sua prática, mas não consegue modificá-la. No entanto, as mudanças não acontecem bruscamente e têm relação com o que chama de

“momentos catalisadores” (BARCELOS 2006a), que, por promoverem a explicitação de problemas e dúvidas, geram uma consciência das crenças e ações existentes em sala de aula. A partir de questionamentos acerca de ambas as instâncias, podem ocorrer transformações das crenças e das práticas.

Considero os encontros reflexivos que tivemos durante este trabalho como “momentos catalisadores”, nos quais nos encontramos em posição de refletir sobre nossa prática. Os risos referem-se a esses momentos que não são considerados tão agradáveis, já que nós problematizamos nossa prática e levantamos dúvidas e questionamentos acerca desta. Outro aspecto interessante é que, na escola, não existem muitos momentos destinados à reflexão. Não há espaço para que os professores, de forma compartilhada, reflitam sobre sua prática com os colegas e, assim, a percepção e tomada de consciência acerca da prática torna-se muito mais difícil. Conseqüentemente, poucas mudanças tendem a acontecer.

É interessante notar que as atividades diferenciadas, em sua opinião, são aquelas que fogem da gramática e que utilizam a comunicação, a pesquisa e as atividades em grupo como foco principal; isto é, o fazer em sala de aula durante o qual ela tenta se libertar das rotinas, proporcionando ao aluno novos contextos interativos de aprendizagem. Assim, a professora Denise tem a crença de que é importante mudar, mas na prática ela não muda pelo fato dos resultados poderem ser considerados negativos por ela e pelos alunos, ou ainda, gerarem indisciplina durante as aulas. Embora ela possua a crença de que é importante mudar, ela não modifica sua prática, configurando uma relação hermenêutica (RICHARDSON, 1996), ou seja, dissonância entre suas crenças e prática.

É possível constatar que esta relação se estabelece principalmente por dois fatores. O primeiro deles é que o novo produz insegurança, assim, é melhor ficar no seguro da rotina do cotidiano. Entendo que as escolhas e posicionamentos da professora são frutos da cultura educacional na qual ela está inserida. Ao ser produzida historicamente, e transmitida de geração em geração, essa cultura legitima os pressupostos e as “visões comuns de determinada sociedade sobre o ensino e a aprendizagem de um modo geral.” (ERICKSON, 1986). Levando em consideração que o passado de nossa sociedade influencia na maneira pela qual ela se organiza, pensa e age em relação a todos os aspectos da vida, inclusive sobre a educação, podemos entender que o que leva a professora a agir desta forma é a reprodução de práticas historicamente produzidas. O segundo fator diz respeito à possibilidade de que as atividades diferentes daquelas com as quais os alunos estão habituados gerem indisciplina. Assim, manter os alunos em sala fica mais fácil para que ela tenha o controle do grupo. A indisciplina na escola pública é um dos principais fatores que fazem com que os professores

não consigam realizar suas crenças na prática. A falta de disponibilidade de recursos e as difíceis condições de trabalho também contribuem para que as crenças em relação à realização de atividades de cunho comunicativo não se concretizem na prática.

4.1.8. Os erros e acertos guiando a prática pedagógica