• No results found

Nærmere om de enkelte sakene i vignettundersøkelsen

In document Dokument nr. 3:5 (2000–2001) (sider 39-46)

4.4 Saksbehandlingen

4.4.2 Nærmere om de enkelte sakene i vignettundersøkelsen

É correto afirmar que a narrativa seriada quer seja em formato de folhetim impresso, radionovela ou mesmo telenovela exerceu e ainda desempenha grande influência no Brasil. Seu poder simbólico ultrapassa o campo do entretenimento e transforma-se de imediato em um valioso produto cultural reconhecido pela massa e por intelectuais que enxergaram nas narrativas um novo campo de estudo. Desde seu surgimento na televisão brasileira, muitas foram as emissoras que contribuíram para o aprimoramento das narrativas seriadas. A capacitação da equipe técnica, investimentos em aparelhagem e na própria linguagem novelesca fizeram com que a telenovela brasileira se consolidasse no Brasil.

Entretanto, foi através do surgimento da Rede Globo de Televisão que a dramaturgia brasileira alçou novos vôos. Pertencente ao grupo Marinho, a TV Globo não era reconhecida apenas como mais um dos veículos de comunicação adquiridos pela

59

família, desde o seu nascimento em 26 de abril de 1965 o grupo estabeleceu um novo modo de produção e estética, que teve como principal preocupação o alcance na transmissão televisiva. A Rede Globo iniciou então uma espécie de captação de pontos de transmissão espalhados em vários estados brasileiros. As “afiliadas”, emissoras menores, transmitiam a grade televisiva da emissora garantindo assim seu alcance em todo o território brasileiro.

De acordo com Portela (2017), a instalação da base técnica e econômica dos processos modernos de comunicação são características de uma reorganização da estrutura produtiva do país, que incluem os avanços tecnológicos, a exemplo da instalação de uma rede de fibra ótica promovendo a progressão no quesito alcance da emissora. A família Marinho já era expert no ramo da comunicação no Brasil. Possuidora do maior jornal do país, O Globo, que foi inaugurado pelo patriarca, Irineu Marinho, em 1925, o grupo também detinha o poder a Rádio Globo, lançada em 1944 e a Rio Gráfica e Editora, aberta em 1952.

A televisão, segundo o site Memória Globo (2018) teve sua concessão aprovada pelo presidente da época Juscelino Kubitschek em 1957, mas seu lançamento oficial ocorreu apenas em 26 de abril de 1965, cerca de um ano após o Golpe de 1964, que restringia a liberdade de imprensa no país por meio do AI-5.

O AI-5 impõe total controle dos meios de comunicação de massa, sujeitando jornais, revistas, emissoras de rádio e de televisão, livro, cinema, teatro. Música, disco e todas as formas de expressão do pensamento à censura prévia. O presidente da República tem o poder de intervenção nos Estados e municípios, de suspender ou afastar de suas funções funcionários civis e militares, de confiscar bens, confinar e expulsar pessoas, cassar mandatos, invadir domicílios, suspender direitos políticos. (Bahia, 1990, p. 313)

Apesar das dificuldades impostas pelo regime da época e da larga concorrência, a Rede Globo buscou se destacar, mesmo tendo nos primeiros anos seguir praticamente a mesma linha de exibição das demais concorrentes. O Memória Globo (2018) relata que, a criação da emissora Globo movimentou o mercado de televisão no Brasil, fazendo com que vários profissionais, tanto na área jornalística quanto artística, encontrassem na Globo a oportunidade para desenvolver suas carreiras e estimular a produção de conteúdo nacional. “Uma programação baseada em jornalismo e entretenimento, tendo a novela como carro chefe, logo se firma e passa a ser distribuída

60

para outros estados por meio de emissoras próprias adquiridas de outros empresários, e de emissoras afiliadas” (Memória Globo, 2018).

Aos poucos a Rede Globo expande suas atividades, onde não apenas o alcance territorial entra em destaque, mas principalmente seu modo de produção. A tv Globo passou a investir massivamente em sua programação, cujo o foco eram as áreas do telejornalismo e a dramaturgia. O lançamento do Jornal Nacional, em 1969, deu novo fôlego a emissora, que incrementou a transmissão jornalística com elementos ainda não utilizados. A questão do “Boa noite” proferido pelo apresentador ao término da transmissão e as entradas ao vivo foram umas das inserções. Mas, o que mais chamou a atenção do telespectador era a maneira como se apresentavam as notícias.

Com o conceito de noticiário que desperta o interesse de todos os brasileiros, o Jornal Nacional inova no formato e na linguagem. Na estreia, uma novidade no script: enquanto os telejornais, até então, deixavam a notícia mais impactante para o fim, o JN cria a “escalada”, pequenas chamadas dos assuntos mais relevantes na abertura. Após a escalada, o primeiro bloco começa com o principal assunto factual do dia. (Memória Globo, 2018)

Na teledramaturgia a Globo formou um time experiente, criando de imediato um vasto campo de possibilidades. A emissora passou a reconhecer os autores e diretores das tramas como peças fundamentais, onde o lucro estava diretamente ligado ao prestígio artístico. Segundo Borelli (2005), “essa qualidade jamais existiria sem a presença de intelectuais e artistas consagrados que, no decorrer dos anos 1960 e 1970, migraram de outros campos culturais, como a literatura, o cinema e o teatro, para compor o quadro de profissionais da emissora” (Borelli, 2005, p. 201).

Investimentos massivos em equipamentos, aprimoramento da linguagem e na própria capacitação da equipe transformaram as telenovelas da emissora em verdadeiras produções hollywoodiana, resultando de imediato na fidelização do público. Dessa grande fábrica de experimentações surgiram nomes como Janete Clair, Dias Gomes, Walcyr Carrasco, Silvio de Abreu, Emanuel Carneiro e tantos outros que deram vida a personagens com as mais variadas personalidades que até hoje mexem com o imaginário popular. A telenovela foi o território escolhido pelo Mal para reinar de vez entre na terra dos viventes. Como uma verdadeira mina de ouro, o Capiroto,

61

denominado neste produto audiovisual de “vilão”, usou e abusou das suas mil faces vestindo-se de personagens emblemáticos.

Maffesoli (2004) ressalta que, antes a aparição do Demo era o sinônimo de um espetáculo da infelicidade, mas no mundo hodierno os "ritos piaculares", voltam com força na mídia e podem assim ser entendidos como o retorno do recalque de um mal irrefreável, de uma violência fundadora, de fantasmas sempre presentes. Fantasmas esses adorados e reverenciados pelo público brasileiro, que acompanha cada passo das narrativas. Para termos uma ideia do alcance das narrativas exibidas pela emissora, em 1970 a trama Irmãos Coragem, escrita por Janete Clair obteve 100% de audiência em boa parte dos capítulos.

A história reuniu o maior elenco em telenovelas até então, e obteve mais audiência do que a final da Copa de 1970, entre Brasil e Itália – o jogo foi apresentado num domingo e, no dia seguinte, a audiência da novela foi maior (...). (Memória Globo, 2018)

As telenovelas da rede Globo, cativaram o público e como o próprio slogan da emissora diz, “Globo e você, tudo a ver”, o telespectador se entregou e a cada nova trama dezenas de personagens feitos para rir, sonhar, se inspirar e marcar, a exemplo dos vilões. Do empenho das equipes surgiram (...) “a história, mais ou menos longa, mais ou menos fracionada, inventada por um ou mais autores, representada por atores, que se transmite com linguagem e recursos de TV (...)” (Pallottini, 1998, pp. 23-24), e que fez da emissora referência mundial em teledramaturgia.

Sassá Mutema (Lima Duarte), de 'O Salvador da Pátria' (1989); Viúva Porcina (Regina Duarte), de 'Roque Santeiro' (1985); Maria de Fátima (Gloria Pires) e Odete Roitman (Beatriz Segall), de 'Vale Tudo' (1988); Perpétua (Joana Fomm), de 'Tieta'

(1989) e Nazaré Tedesco (Renata Sorrah), de 'Senhora do Destino' (2004) são alguns

dos muitos personagens que através do seu modo peculiar contribuíram para a telenovela alcançar a representatividade que tem hoje. Unânime em produções novelescas, a Rede Globo deixou para trás as tramas com um só núcleo, para abordar outras temáticas, de outras esferas, tudo isso unificado em um só produto, garantindo assim a posição de maior produtora de teledramaturgia do planeta.

62

In document Dokument nr. 3:5 (2000–2001) (sider 39-46)