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Hjelpestønadsmottakere

In document Dokument nr. 3:5 (2000–2001) (sider 22-27)

A progressão do cinema abriu portas para a criação de novas mídias, mais que isso esse advento permitiu ao Mal uma nova roupagem, sempre atrativa, onde o público tinha total noção de quem ele era e ainda assim o admirava por toda a sua astúcia. A cinematografia foi o primeiro passo dado pelo Mal para se consolidar para sempre na história da humanidade. Foi através do cinema, que surgiram as mais variadas ramificações audiovisuais, resultando em produtos como games, histórias em quadrinhos e as narrativas ficcionais, conhecidas popularmente como telenovelas.

Mascarello (2006, p.37), esclarece que o cinema pouco a pouco organiza-se de uma forma industrial, assumindo diferentes modos de produção e exibição das películas. Além disso, a cinematografia deu início nos anos 20, ao processo de categorização, onde os filmes passaram a ser identificados mediante os temas abordados, beneficiando principalmente os realizadores das obras. Mesmo sendo explorado desde o início do cinema, o gênero horror só entra em vigor após o cine receber forte influência do expressionismo alemão.

Considerado um dos maiores movimentos da arte no período pós-guerra, o expressionismo alemão trouxe à tona muitas características do interior humano, como o medo, a angústia e os sonhos por exemplo. Seu intuito era distorcer as representações já encenadas, provocando no público sensações ainda não experimentadas. Gomes (2004), explica que as obras cinematográficas têm o poder de causar essas impressões no espectador, onde uma obra qualquer pode demandar uma abordagem que dispense uma das dimensões que em geral compõe uma obra expressiva.

Não há dúvida que embora, por exemplo, o realizador no cinema tenha à sua disposição uma cartela relativamente variada de programas e dispositivos para configurar os seus filmes, há filmes que são prioritariamente “de mensagens” enquanto outros são predominantemente temáticos pelo menos tanto quando há filmes cujos efeitos principais são de natureza sensorial ou emocional. Há filmes dedicados precipuamente a emocionar ou a fazer rir, nos quais, portanto, os programas cognitivos e sensoriais

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podem ter valor secundário, assim como há filmes com proposta sensorial predominante, desprovidos de pretensões pedagógicas ou de propósito de revelar alguma coisa sobre a realidade. E essas determinações, que só podem ser estabelecidas a posteriori, não incidem sobre a sua qualidade artística: há melodramas sublimes e filmes-mensagem medíocres e o contrário pode ser igualmente verdadeiro. (Gomes, 2004, p. 70)

Como o próprio nome já diz, o gênero horror despertava de facto o medo. Assim como hoje, o gênero provocava uma atração imediata entre o público e os personagens mais nebulosos. O expressionismo alemão, além de um grande impulsionador dessa categoria, foi o movimento que permitiu a conexão desmascarada do real com o fabuloso. O resultado disso foi o surgimento de dezenas de obras emblemáticas que serviram de alicerce para o que se consolidou como o gênero cinematográfico de maior ascensão do planeta.

Os primeiros filmes de terror não resultaram de imediato em grandes bilheterias, mas renderam ao gênero a solidificação e a fama que perdura até os dias de hoje. Um grande exemplo disso é o filme O Gabinete do Dr. Caligari (1920), do realizador Robert Wiene. Considerado a primeira produção desse período, a narrativa não só apresentou uma trama surpreendente como trouxe as telas do cinema recursos inéditos, como o flashback, o final surpresa e a própria caracterização dos personagens.

É bem evidente o estilo do filme: ângulos irregulares nos cenários (em sua maioria construídos de papel, com sombras pintadas), formas esquisitas, desproporcionais, maquiagem forte, gestos exagerados por parte dos atores, expressões fortes, enfim, são características que deram ao cinema novas possibilidades, novos sentidos, um clima mais misterioso. (Koball, 2005, para 5)

O filme Dr. Caligari, relata a história de um misterioso médico que visita feiras a fim de apresentar o show atuado por seu servo, Cesare, homem segundo Caligari sonâmbulo há mais de 20 anos. Cesare é acordado pelo médico, que se diz possuir poderes hipnóticos, ao chegar numa pequena cidade na fronteira da Holanda, e faz previsões macabras. As mesmas calham de ocorrer e coincidem com uma série de assassinato, cujos principais suspeitos são o médico e Cesare.

Segundo informações expostas no site Internet Movie Data Base (IMDB), que concentra informações de grande parte das produções fílmicas mundiais, a inspiração

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dos roteiristas Hans Janowitz e Carl Mayer surgiu meio a uma festa carnavalesca ao ver um estranho a esgueirar-se pelos cantos, os dois levaram cerca de seis semanas para escrever a trama, que não ultrapassou o investimento de 800 dólares para o que se transformaria numa relíquia cinematográfica.

O desenrolar da trama é cheio de mistérios e surpresas que estabeleceram uma rápida e fascinante conexão com o público, servindo inclusive de fonte de estudo para pesquisadores e curiosos. De acordo com o crítico de cinema Koball (2005), o filme traz características peculiares que o promoveram facilmente como primogênito da arte do horror. A película exerceu o papel não somente de comunicador, já que refletiu também sobre o desânimo, a incerteza, a desesperança instaurada na Alemanha pós a primeira Guerra Mundial e, fez críticas severas ao cenário político da época utilizando a figura do médico Caligari. Além disso, também serviu de inspiração para novas produções, a exemplo de Nosfetaru (1922) e Metrópolis (1927).

Ajustes na forma de interpretação, cenários, inserção de músicas próprias para o tema e planos cada vez mais macabros marcaram as primeiras produções do horror que serviram de base para o que podemos chamar de período de glória sem fim. O expressionismo permitiu, que essa vertente cinematográfica semeasse e ao longo dos anos a semente frutificou sendo seus frutos colhidos em abundância atualmente. O Capeta do início da criação do mundo era tímido, quer seja por que o espaço a ele dado era limitado ou mesmo por que sua atuação era ofuscada pelo salvador oficial nomeado pela igreja, Jesus. No cinema, o Mal pôde expandir sua atuação transformando-se em personagem principal de uma perspectiva que por vezes foi desacreditada.

O Capeta deixou de ser fantasiado para ser ele próprio, utilizou-se do que tem de melhor, que são suas infinitas facetas e vestiu-se delas para dar vida a personagens emblemáticos, muitas vezes aterrorizante, mas sedutores. O resultado foi o aumento da procura pelo gênero e seu crescimento, fazendo com que o mesmo alcançasse números avassaladores em bilheteria. Maffesoli (2004), explica que a contradição é muitas vezes o que nos falta para complementar nossa carga de satisfação vital. “Por um surpreendente paradoxo, é aceitando o mal, em suas diferentes modulações, que podemos alcançar uma certa alegria de viver” (Maffesoli, 2004, p.21).

Despidos de preconceito o público lotou centenas de salas de cinema e acompanhou de perto a progressão do Capiroto. Bergan (2010) ressalta que “os filmes

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feitos para aterrorizar a plateia têm uma longa história no cinema. Da provocação de sustos à representação da violência gráfica, eles oferecem uma forma de catarse ao explorar nossos medos e ansiedades mais profundos” (Bergan, 2010, p.40). Em pouco tempo o Diabo deixou de ser a figura do imaginário popular para ser a estrela mais rentável de hollywood. A prova disso foi o filme O Exorcista (1973), do diretor William Friedkin.

Baseado no livro que leva o mesmo nome, O Exorcista é a produção do gênero horror de maior bilheteria da história. Os 12 milhões de dólares, investidos em elenco, cenário, produção e divulgação renderam aos cofres da Warner Bros mais de 400 milhões de dólares, que não deixam de ser faturados ainda hoje. Único filme de horror da história mundial a ser indicado ao Oscar de melhor filme, O Exorcista apresenta ao púbico outra forma de manifestação do Mal. A história do filme resume-se na possessão de uma garota de apenas 12 anos pelo Diabo. Sem saber mais a quem recorrer, sua mãe é aconselhada por um médico a iniciar o mais breve, sessões de exorcismo e pede ajuda a um padre para sanar o problema. O desenrolar da história é repleto de efeitos que causam reações das mais diversas.

Em entrevista à TNT nos anos 90, o realizador Friedkin disse ter ganhado o livro e decidiu ler apenas algumas páginas, mas diante da mistura do medo e fascínio ele finalizou em uma noite as 340 páginas e, decidiu propor ao autor do exemplar uma adaptação para o cinema, que seria rodada seis meses depois. “Eu fiquei aterrorizado. Não conseguia me mexer de tanto medo depois que o terminei. E, ao mesmo tempo, aquele livro exerceu um fascínio em mim. Fiquei obcecado” (Quem, 2013, para 2).

O filme, ainda hoje, gera muito impacto não somente pela construção da narrativa, mas principalmente na forma como ela se apresenta. Segundo informações disponíveis no IMDB, todos os detalhes foram pensados minunciosamente, desde a maquiagem da menina que o Diabo se apossa testada 80 vezes até os gritos aterrorizantes, que são gravações de porcos e vacas indo ao abate. Para dar mais realidade ao enredo, as gravações foram realizadas em uma câmara fria. Stabolito (2012) ressalta que, o público foi convidado, mesmo que inconscientemente, a solucionar os problemas apresentados no decorrer da trama.

O cineasta vai apresentando diversos “mistérios” e “desafia” o espectador a encontrar explicações lógicas para eles: os barulhos no sótão (ratos?), a cama que balança

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(invenção da mente da menina?), o comportamento de Regan (problemas psicológicos?) e o vandalismo à estátua da igreja (magia negra?). No entanto, tudo vai cair por terra a partir do segundo ato da produção, o que apontará a transição para o segundo estágio – a concentração. (Stabolito, 2012, p.7)

Mas, não foi apenas O Exorcista que arrancou gritos de medo do público mundo afora, outra produção não menos impressionante também está na lista dos filmes de bilheteria milionária. Com um orçamento que não ultrapassou o três milhões e meio de dólares, O Bebê de Rosemary (1968), lançado cinco anos antes do best seller cinematográfico, também provocou grande repercussão e faturou 33,4 milhões de dólares. Com direção de Roman Polanski, o filme trata sobre um jovem casal que ao decidir ter um filho percebem que no ventre o que está a carregar é o filho do Demo. Toda a trama gira em torno do satanismo e sua multiplicação através da humanidade. A jovem Rosemary é apenas um meio utilizado para a semente do Mal chegar ao mundo.

Polanski foi apenas um dos muitos realizadores que apostaram no demonismo para alavancar sua carreira e entrar para a história de sucesso da cinematografia. Alfred Hitchcock foi além e em 1960 lançou Psicose, com uma trilha sonora que até hoje chega dar um frio na espinha dorsal de quem o assiste. O cine também faz parte da lista de grandes bilheterias e granjeou mais de 30 milhões de dólares. Seguindo a linhagem de sucesso Poltergeist: o fenômeno (1982), do diretor Steven Spielberg ultrapassou os 100 milhões de dólares em bilheteria.

Foram inúmeras as formas de apresentação da figura do Mal, quer seja em forma de vampiros, palhaços, pássaros, zumbis, fenômenos sobrenaturais ou mesmo como o próprio Rabudo, trazendo-lhe muitas vezes como o título do próprio filme como Lisa e

o Diabo (1973); Uma noite alucinante: a morte do Diabo (1981) e Advogado do Diabo

(1997). Na terceira posição do ranking das categorias fílmicas mais lucrativas, como

aponta o site especializado em números do cinema, The Numbers, o gênero de horror segue incontestavelmente a linha do sucesso. Muitas das suas produções entraram para o que se chama hoje de cinema cult e fazem parte de uma seleta categoria de obras de arte.

O horror é arte? Nesse segundo nível, o trabalho do horror não é nada senão arte; ele alcança o estatuto de arte simplesmente porque está procurando alguma coisa para além do artístico, algo que precede a arte: está procurando pelo que eu chamaria de pontos de

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pressão fóbica. A boa história de terror vai se embrenhar no seu centro vital e encontrar a porta secreta para a sala que você acreditava que ninguém além de você conhecia. (King, 2007, p.17)

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