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Næringsutvikling mellom tradisjon og innovasjon

Com esse processo, destacaram-se, além das influências externas, figuras internas a essa educação que trabalharam no sentido da conscientização política e libertadora. Dentre esses, nomeamos cinco deles ligados à Educação Popular em Timor: Francisco Borja da Costa, Abílio Araújo, Vicente Maria dos Reis (Sahe), Manuel Gama (Dr. Lekdoe) e João Varudo (Dr. Maubere).

em 1970, os membros de uma

Mari Alkatiri, José Ramos-

Este grupo deu origem à Casa dos Timores e era composto por Abílio Araújo, Borja da Costa, António Duarte Cavarinho e Vicente Maria Reis. (HILL apud SILVA, 2011, p. 105). Mais tarde, estariam envolvidos com a conquista da independência e com a criação da RDTL.

Segundo informações de Silva (2015), Francisco Borja da Costa foi um jornalista timorense que trabalhou no Diário de Notícias em Portugal, junto com José Saramago. Além de jornalista, ele foi poeta e o criador de uma das maiores canções da luta pela resistência em Timor-Leste, o Foho Ramelau.77 Ele esteve lá e depois talvez encontrou com alguns poetas angolanos naquele momento (...) e depois quando estava em Portugal ele conseguiu escrever o Foho Ramelau. (SILVA, 2015).

Juntamente com Borja da Costa, Abílio Araújo musicou a poesia Foho Ramelau. Silva (2015) ainda registra: [musicais e]

Foho Ramelau. Este é conceito principal também da Educação Popular, Foho Ramelau foi também um conceito político como o kuda78[também] foi também conceito político e, também o conceito Maubere. (SILVA, 2015). Na entrevista, Silva (2015) também ressalta que Abílio Araújo, é um homem muito importante em Portugal, ele escreveu o programa política com os colegas dele, o Programa Politico da FRETILIN, é um intelectual muito conhecido até hoje

Assim, como o Programa Político da FRETILIN (ANEXO 03) possui um grande viés com a Educação, Abilio foi um grande idealizador de um ensino voltado à libertação nacional.

Além dessa música, a parceria entre Borja e Abilio gerou também a canção Katatalak

Sulimutuk . Também, destaca-se a poesia intitulada Um minuto de silêncio (ANEXO 04), muito utilizada até hoje e ele foi morto no primeiro dia da invasão (...), 17 de dezembro de 1975, aqui em Díli, mas as poesias dele permanecem. SILVA, 2015). Silva destaca, ainda,

em relação a Borja da Costa que, a poesia dele influenciou muito, até mesmo nos dias atuais

Pode-se, então, com essa fala, compreender a influência que esse poeta teve e ainda tem junto aos timorenses, em especial, no contexto da Educação Popular, já que eram utilizados de temas da literatura. (SILVA, 2011)

Outro importante membro da Casa dos Timores foi Vicente Maria dos Reis (Sahe). Segundo depoimento de Silva,

77Anexo 02.

78De forma literal, significa cavalo na língua Tétum. Foi utilizado como tema gerador na concepção da FRETILIN-

O Sahe foi o maior Educador timorense no terreno79, ele estudou Engenharia

na escola técnica em Lisboa, mas depois voltou a Timor quando ele estava no quarto ou quinto semestre da Universidade, voltou a Timor em 1974 e surgiu como o maior pensador dentro dos Timorenses. Nas bases de apoio, o Sahe foi muito conhecido, e também o Xanana80 foi aluno do Sahe, O Lu Olo81, o

Xanana, o Lere82, o Taur Matan Huak83foram todos estudantes do Sahe. Eles

têm um alto respeito ao Sahe. Por quê? Ele era um homem do exemplo, tinha grande amizade com as pessoas e era inteligente, e ele trabalhava com outras pessoas, então ele, como se diz, era orador, grande orador, todas as pessoas eram apaixonadas pelo Sahe, todos. (SILVA, 2015)

Compreende-se que esse trabalhar com outras pessoas, entendido como um trabalho conjunto, promove uma horizontalidade. Isso gerou sua fama de maior educador em Timor- Leste, pois foi professor do Centro de Formação Política (CEFORPOL) orientado pelo Departamento de Orientação Política e Ideológica (DOPI).

Destaca-se, então, o papel de Sahe em seu processo de educação política ligada à liderança da luta armada, mas que se estendeu aos trabalhadores rurais com apoio da juventude ligada à UNETIM (SILVA, 2014, p.56).

O CEFORPOL era direcionado principalmente a lideranças da FRETILIN nas

montanhas84 (SILVA,

2015):

TABELA 02 - Estrutura regional da FRETILIN em 1976

Fonte: Adaptado de SILVA (2011, p. 173)

79Território de Timor-Leste.

80José Alexandre Xanana Gusmão foi membro do Comitê Central da FRETILIN de 1974 até 1978. 81Francisco Guterres Lu Olo

82Guilherme dos Santos foi membro do Comitê Central da FRETILIN de 1974 até 1978. 83Atual presidente da República Democrática de Timor-Leste (RDTL).

Silva a maioria dos líderes em Timor, alguns estão no parlamento nacional85, foram alunos do CEFORPOL nas montanhas

foram criados nos seis setores citados na tabela acima, sendo

(...) constituídos por alunos militares, líderes médios dos militares e também dos civis, jovens literados também participaram dos cursos regulares por pelo menos 3 meses, e assim, alguns mais tarde se tornaram delegados políticos, comissariados, viajando todo o tempo para fazer propaganda, discutir com os povos sobre questões de segurança. (SILVA, 2015).

Nesse sentido, o entrevistado destaca Sahe como o maior educador de Timor, pois Vicente Reis utilizou-se dos pressupostos teóricos aprendidos na Casa dos Timores e os utilizou de forma a adaptar ao contexto timorense, tendo aí a prática da Pedagogia Maubere:

Vicente é uma pessoa que conseguiu aprender várias teorias da revolução, mas conseguiu adotar a situação de Timor, ele é pensador dentro da FRETILIN, ele foi professor, educador. Então o Sahe foi o espítito, além de Nicolau86, Nicolau

87. Nicolau88é lider, à frente, o Sahe é reservado, pessoa reservada,

e ele conseguiu sistematizar várias teorias para adotar a cultura de Timor e também interpretar a cultura de Timor pra serem teorias. (SILVA, 2015).

As práticas de Sahe, que foram utilizadas pelo Primeiro Ministro da RDTL, Nicolau Lobato, foram, segundo Silva (2011, p. 23), atividades que utilizavam teorias revolucionárias e nacionalistas (Mao Tsé-Tung, Amilcar Cabral, Paulo Freire), desenvolvendo assim, algo que era único e, especificamente, timorense, a denominada Pedagogia Maubere Revolucionária, marcada por seu caráter libertador em contraposição à opressão gerada por anos de invasão ao país.

Outra dimensão da Educação Popular diz respeito à saúde. Uma das principais bases da resistência em Timor encontrava-se no monte Matebian e, em consequência da guerra e dos problemas de saúde acumulados durante anos, o governo da RDTL construiu três centros de saúde e educação em Baguia (subdistrito de Baucau próximo ao Matebian): Centro de Saúde em Samalari, onde foram produzidos comprimidos e fornecidos serviços de saúde; Centro de Saúde na aldeia Bibela, com produção de comprimidos e realização de serviços de saúde e, um

85 É certamente o nome de Centro de Educação Popular do Sahe no Setor Leste Centre. Houve um CEFORPOL

para quadros de todos os níveis, incluindo oficiais militares e os funcionários do Ministério do Trabalho e Serviços

Sociais. , tradução nossa)

86Nicolau Lobato.

87De tradução do inglês, significa o cérebro da resistência. 88Nicolau Lobato.

terceiro e talvez o mais importante Centro de Produção de Medicamentos em Kaisae-Hoo. Este último foi criado por Manuel Gama, que construiu depois um outro ramo do centro em Uato- Lari, em meados de 1977. (SILVA, 2011, p. 215-216). Nesses três centros médicos eram realizadas pesquisas médicas e produção de medicamentos. Eis o que registra Silva (2011, p. 216):

(...) com base em suas próprias experiências, (...) para experimentar e ter sucesso. Eles eram, portanto, centros de educação popular e de aprendizagem, fazendo uma contribuição única para a luta de libertação nacional contra a

(tradução nossa).

Essa foi, então, uma das diversas dimensões da Educação Popular no Timor-Leste, que, nas palavras de Freire (1977, p. 30) é

aprendizagem do fazer que se realizou esse processo.

Nesses moldes, destacam-se os papéis de Dr. Maubere e do já citado Dr. Lekdoe que no depoimento de Silva (2015) apresentam

(...) outro tipo de Educação Popular [que] foi através da introdução de plantas indígenas para serem medicinas89, FRETILIN construiu escolas populares de

saúde nas bases de apoio, havendo destaque para dois nomes famosos: o Dr. Maubere, foi iliterado, mas ele conhecia bem plantas indígenas então promoveu um centro de educação no centro norte em Remexio90e conseguiu

educar quase 200 paramédicos para trabalhar em todo o campo das bases de apoio. Em outras partes do país, Manuel Gama (Dr. Lekdoe), foi analfabeto também. Ele foi preso em Angola em 1959 e depois voltou para Timor mais tarde em 1960 e, depois quando Indonésia invadiu esteve em Timor também. Em Angola anteriormente, ele trabalhou com um Doutor Português que fez pesquisa sobre plantas indígenas em Angola, ele aprendeu sem escrever, só vendo e praticando. Quando indonésia invadiu ele surgiu como enfermeiro e, estabeleceu um centro de produção de medicinas e conseguiu trabalhar até o final das bases de apoio em 197891. Ele teve muitos alunos paramédicos que

trabalharam com ele. O centro funcionava em Baguia, centralizado em Baguia92, mas em outras bases de apoio havia também práticas de produção de

medicinas com plantas indígenas. Isso pra mim, foi científico e Político.

Manuel Gama residiu em Portugal e lá acabou aprendendo práticas ligadas à saúde e também pressupostos teóricos de Amilcar Cabral. Tem-se, então, essa experiência teórica traduzida em uma educação de caráter político e científico, direcionada à libertação nacional de

89Medicamentos.

90Cidade do Distrito de Díli.

91Quando as bases de apoio foram derrotadas pelo exército indonésio, havendo a necessidade de mudança de

tática.

Timor-Leste, tanto em seu aspecto formativo, quanto no que se refere à necessidades básicas da população com relação à mortalidade. Nesse sentido, tem-se o trabalho sistematizador do conhecimento que,

(...) proporcionaria o surgimento de verdadeiros centros de estudos que, girando embora em torno de um tema central agricultura, saúde, por exemplo desenvolveriam análises globais dos mesmos. Centros que se iriam convertendo a pouco e pouco, em função mesma de trabalho sistematizador do conhecimento, em permanente processo de aprofundamento, em futuras unidades universitárias mas de uma universidade que nasceria das classes trabalhadoras. (FREIRE, 1977, p. 30)

Assim, Silva (2011, p. 228) define este processo como second cultural army93, pelo qual

tornaram-se figuras proeminentes, usando sua "inteligência natural" e conhecimento local para a produção de medicamentos, o que demonstra que o conhecimento indígena e fitoterapia são poderosos meios de revolução no sector da saúde. (tradução nossa)