2. TEORI
2.2 Næringsklyngeperspektiv
As tecnologias digitais mudaram a forma de o ser humano ver o mundo. Antes o conhecimento era visto como algo a ser armazenado. Hoje, entende-se que ele é algo a ser buscado e a fim de entretecer relações. Diante disso, é esperado que aconteça uma mudança conceitual na forma de entender e realizar a educação.
Já foi superada a ideia de que o único lugar onde se aprende é na escola. Também se tornou evidente o fato de que os novos desafios exigem uma escola que trabalhe muito além da simples memorização de conteúdos, conforme foi visto no capítulo anterior. Mas como conseguir essa aprendizagem ampla e significativa? Quais recursos os docentes podem utilizar na sala de aula com o intuito de enriquecer a prática do ensino?
As perguntas acima possuem respostas variadas. Contudo, no presente capítulo, será dado destaque à tecnologia que é apontada por Moran (2000) e Napolitano (2008) como sendo uma possibilidade de inovação do ensino, a saber, o vídeo. Antes de tratar de seu uso pedagógico, é interessante analisar todos os preceitos que evidenciaram o potencial desse
recurso na finalidade educacional. Para tanto, será avaliado o uso da televisão e sua interseção com as atividades desenvolvidas na escola.
Alguns meios eletrônicos de comunicação tais como rádio, televisão e vídeo, ao se tornarem financeiramente mais acessíveis e populares, foram aos poucos sendo incorporados às práticas pedagógicas, realizadas em muitas escolas brasileiras nestas duas últimas décadas, e se tornaram uma ferramenta disponível para a construção de novos saberes. Entretanto, empecilhos ainda são apontados.
A dificuldade de utilizar a televisão, por exemplo, a serviço do trabalho docente é consequência da limitação de alguns profissionais da educação em perceber que esse veículo não faz uso da linguagem contínua típica do universo escolar. A televisão emprega um discurso descontínuo e simultâneo. Segundo Moran (2000), sua eficácia se deve também à capacidade de articulação, de superposição e de combinação de linguagens totalmente diversas. Estas linguagens seriam imagens, sons e escrita, tornando real uma narrativa de caráter leve, possuidora de uma lógica própria, pouco delimitada, com gêneros e conteúdos de abrangência bem ampla. É inegável a relevância da televisão na difusão da informação; por isso, fundamental no processo de comunicação. Qual professor não sugeriu a seus estudantes, ao menos uma vez, que assistissem aos telejornais?
A TV, antes do advento da internet, podia ser caracteriza como “a mídia das mídias”, isto é, tinha um caráter antropofágico, pois ela absorvia todas as outras mídias e formas de cultura, desde as mais artesanais, folclóricas e prosaicas até as formas mais eruditas, como cinema, jornal, documentário e até o circo, o teatro, entre outros (VINHOLI, 2002). Ainda hoje é o meio através do qual diferentes indivíduos podem ter fácil acesso a algum assunto no qual tenham interesse. Isso só foi possível graças à retórica desta tecnologia, que conseguiu com sucesso encontrar muitas fórmulas que se adaptam perfeitamente à sensibilidade do homem contemporâneo (MORAN, 2000).
A indústria televisiva não para nunca de produzir novas informações e o público continua assistindo continuamente. Do outro lado da tela, acomodado na sala de casa ou em um restaurante, na sala de espera de um hospital ou em qualquer outro local, está o telespectador. Tanto podemos chamar esse indivíduo de cidadão como de consumidor, destacando-se, inclusive, que o mais comum é ele ser as duas coisas ao mesmo tempo, conforme argumenta Cunha (2007). Nestas condições, por considerável influência da
televisão, ele cada vez mais opina, influi e decide sobre o que gosta e, assim, vai definindo a sua rotina de vida (BARBEIRO, 2002). É uma relação onde a TV influencia a sociedade, mas pouco se observando o contrário.
Tanta facilidade de comunicação resultou em um grande poder de influência na tomada de decisões e na formação de opinião dos adultos e até de crianças. Como aponta a pesquisa de Fusari (2002), ao comentar que as crianças brasileiras de uma faixa etária anterior ao período escolar assistem à televisão de três a quatro horas por dia, aproximadamente, e, quando passam a frequentar o ambiente escolar, levam suas concepções sobre diversos assuntos. Dessarte, a escola não representa mais a única detentora do controle da formação de “verdades”, haja vista ser notório o fato de que a televisão tem mais influência sobre a formação de opinião dos estudantes do que os cursos de Ciências das escolas (SANTOS & MORTIMER, 2001).
A educação não pode ser pensada como separada da comunicação, principalmente por que "ninguém nasce feito", segundo Paulo Freire (2003). O ser humano se desenvolve aos poucos, na prática social de que tomamos parte e, hoje, as novas tecnologias, principalmente aquelas que servem de meios de comunicação, são as grandes responsáveis pela formação. Por isso, a escola não pode mais ignorar o que se passa ao seu redor, bem como permanecer alheia aos meios de comunicação de massa, sob o risco de se tornar cada vez mais criticada (VINHOLI, 2002).
Já não é mais o tempo no qual a escola se configurava como a grande transmissora de conhecimentos. A TV encontrou a fórmula de se comunicar com a maioria das pessoas, tanto crianças como adultos (MORAN, 2000). A Televisão e a escola fazem parte hoje do universo sociohistórico e cultural do homem contemporâneo. Esta tecnologia tem papel importante na transmissão de ideologias e pensamentos, sendo responsável pelas mudanças de atitudes (GARCIA, 2006). Se a escola é um local para onde se canalizam as mais diferentes culturas, os sujeitos dessa escola são telespectadores de muitas horas diárias de exposição à TV, assistindo-a com satisfação e prazer, aprendendo com ela e a partir dela, reproduzindo hábitos e costumes culturais (FUSARI, 2002). E é nessa quebra de hegemonia da informação que a escola terá que reconstruir seu novo papel, não buscando a hegemonia, mas sim trabalhando de forma integrada a essas formas de comunicação e aprendizado, aproveitando todas as suas potencialidades.
Observando que a televisão tem um grande alcance entre os jovens, é salutar que na sala de aula se faça uso desse recurso tecnológico, pois além de ser parte do cotidiano dos estudantes, também é uma forma de melhorar a comunicação entre os professores, os estudantes e a comunidade. A escola tem características tipicamente verticais. A quebra dessa estrutura é fundamental e constitui o primeiro passo para desenvolver uma comunicação. É preciso urgentemente alimentar a comunicação pedagógica fazendo uso das mais variadas formas de interrelação entre educandos e educadores (GUTIERREZ, 1998).
Além da programação definida pelas emissoras, com o advento dos videocassetes e dos DVDs foi possível ao professor usar de forma programada este recurso e colocá-lo no planejamento anual fazendo uma previsão própria de exibição. Nova tecnologia, nova linguagem! Nesta parte do trabalho serão analisadas essa nova linguagem e suas implicações.