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A mais numerosa produção da literatura examinada sobre o ensino básico se dedica a discutir questões ligadas ao estatuto científico da avaliação da qualidade do ensino (BARRETO, 2001). Relacionada a essa qualidade tanto defendida na educação está a importância de avaliar os vídeos produzidos e/ou exibidos em sala de aula.

Quando se constroem materiais audiovisuais, está-se utilizando uma linguagem muito específica, que precisa ser reconhecida pelos alunos (GARCIA, 2006).

Nos pontos a serem observados numa avaliação, deve-se levar em conta não apenas a dimensão cognitiva, mas a social, a afetiva, seus valores, motivações e até mesmo a própria história de vida do docente (BARRETO, 2001). A busca da possibilidade de avaliar a qualidade do ensino faz recair a ênfase nas variáveis do processo, muito mais do que no produto da educação.

No caso em particular dessa pesquisa, e seguindo essa lógica, seria também inconveniente avaliar a atividade de produção de vídeo apenas pelo seu produto final. A

avaliação deve ter um caráter contínuo, que supõe trocas constantes entre avaliador e avaliado, o que pode implicar, dependendo do nível de ensino, maior interação com as próprias famílias dos educandos (BARRETO, 2001). As mudanças em relação ao indivíduo que participou do processo apontam na direção da autonomia e, em relação ao social, na direção de uma ordenação democrática e, portanto, mais justa da sociedade.

O eixo da avaliação no caso da produção de recursos audiovisuais deixa, portanto, de girar exclusivamente em torno do aluno e da preocupação técnica de medir o seu rendimento. Observar os conflitos gerados em torno da produção, a construção coletiva do conhecimento, bem como o próprio ato de pesquisar sobre o assunto a ser abordado é fundamental numa atividade bem sucedida.

Além das questões acima levantadas, não se pode desprezar a análise reflexiva diante dos materiais audiovisuais produzidos. É fundamental que o docente seja criterioso, avaliando tanto vídeos de origem comercial, quanto também aqueles produzidos pelos próprios estudantes. A ideia não consiste em somente adotar materiais perfeitos, mesmo porque tais produções nem sequer existem. Nesse sentido, aprenta-se uma listagem de questões destacadas por Mandarino (2002), que podem auxiliar em uma avaliação. Não se afigura possível oferecer uma pauta completa de análise e avaliação, já que sempre haverá questões específicas de cada professor, de cada escola, de cada planejamento anual, entre outras especificidades.

• O material consegue criar expectativas, despertar o interesse do espectador?

• O tema é apropriado à linguagem audiovisual?

• O que a possibilidade de visualização acrescenta?

• O tema pode ser desenvolvido de forma mais eficaz por intermédio de outras linguagens?

• Que conteúdos curriculares das diferentes disciplinas escolares são abordados?

• Os conteúdos são adequados ao currículo oficial? E ao currículo da escola?

• Os conteúdos são adequados ao nível de compreensão dos alunos?

• Os conteúdos correspondem a uma unidade completa, a alguns tópicos, ou a um conjunto de unidades temáticas?

• A abordagem do tema é atual, ou já existem novos enfoques ou tendências?

Fazendo uma breve pausa na lista, observa-se que é provável que o leitor esteja abismado com a quantidade de tópicos a serem observados. Vale ressaltar que nenhuma produção deve ser descartada, simplesmente por não atender necessariamente a todos os quesitos aqui apresentados. Requer-se apenas que o docente tenha ciência dos motivos que o levam a adotar determinado vídeo. Mesmo que um determinado vídeo atenda apenas a um dos pontos levantados, ainda assim poderá ter relevância. Dando seguimento à relação de questionamentos a se fazer, tem-se:

• O programa possibilita o trabalho interdisciplinar? Com quais disciplinas?

• O tema e os conteúdos são adequados ao tratamento de temas transversais como sexualidade, ética, meio ambiente, etc?

• Todos os aspectos relacionados com o tema e/ou conteúdos foram abordados?

• A quantidade de informação é: insuficiente / superficial; suficiente / adequada; demasiada / complexa?

• Que complementos e aprofundamentos são necessários?

• Qual o tipo de linguagem empregada?

• Valoriza mais as imagens ou a linguagem verbal?

• Valoriza a dimensão emotiva, a imaginação e a sensibilidade?

• Utiliza efeitos sonoros para valorizar a mensagem?

• Utiliza efeitos visuais (gráficos, animações, legendas, etc.) para reforçar a mensagem?

• A linguagem verbal é coloquial, regional, formal ou científica?

• Está ao alcance da faixa etária e do contexto social dos alunos?

• Será necessário um trabalho prévio com alguns termos usados para que a obra possa ser compreendida?

• Há preconceito? De que tipo?

• Como são tratadas as questões acerca das atitudes e dos valores sociais?

• O vídeo possibilita ou suscita a comunicação, bem como um trabalho posterior à exibição?

• A duração do vídeo permite que sejam planejadas as atividades complementares necessárias?

• Valoriza o conhecimento prévio dos alunos? A cultura popular?

Após toda a exposição deste capítulo, conclui-se que é possível trabalhar com o vídeo na sala de aula, tanto colocando os alunos diante da tarefa de produzi-lo quanto desenvolvendo atividades a partir de sua exibição. Estas metodologias, contudo, precisam ser estudadas, na busca de estratégias que explorem ao máximo suas potencialidades no caminho de uma aprendizagem significativa.

Almeja-se a uma Escola pública, principalmente, na qual se vá constituindo o conhecimento aos poucos num espaço de criatividade. Uma escola democrática na qual se realize a pedagogia da pergunta, na qual se ensine e se aprenda com seriedade (FREIRE, 2003). Educar com esta nova “velha ferramenta” será uma revolução, e talvez a produção e utilização de vídeos na escola faça com que professores e alunos se aproximem mais e falem a mesma linguagem, quebrando os paradigmas convencionais do ensino atual.

No capítulo seguinte serão apresentados todos os recursos metodológicos utilizados na coleta de dados da pesquisa sobre a construção de vídeos no ensino de Biologia. Os motivos que levaram a escolha desses instrumentos também serão explanados ao longo dos tópicos.