4.2 K ONSEKVENSER
4.2.2 Fysiske konsekvenser
Para se compreender a criação de conhecimento na organização, é necessário visualizar que ela ocorre em duas dimensões básicas, uma epistemológica e outra ontológica.
No que se refere à questão epistemológica, os autores se baseiam na “distinção” estabelecida por MICHAEL POLANYI (1966) entre conhecimento tácito e conhecimento explícito. O conhecimento tácito é pessoal, específico ao contexto e, assim, difícil de ser formulado e comunicado. Já o conhecimento explícito ou “codificado” refere-se ao conhecimento transmissível em linguagem formal e sistemática (NONAKA, 1997).
Conforme já destacado, o conhecimento tácito inclui tanto elementos cognitivos quanto técnicos, os cognitivos estão intimamente ligados com os modelos mentais das pessoas, já os técnicos, incluem as técnicas e habilidades que a pessoa traz consigo. O conhecimento explícito é aquele que pode ser descrito de forma literal.
Uma analogia interessante é o processo de se fazer um bolo. A habilidade de fazer o bolo é o conhecimento tácito, enquanto a receita para se fazer o bolo, é o conhecimento explícito. É importante refrizar que, por mais que a explicitação se aproxime da perfeição ela nunca conterá todo o conhecimento tácito de uma atividade. O inverso disso seria acreditar que uma pessoa, por possuir a receita de um bolo, pudesse fazer o bolo, sem nenhuma experiência anterior com o processo de cozinhar. O conhecimento que importa não está nos normativos, e sim no intelecto das pessoas que atuam nas áreas.
Os autores criaram um quadro que ajuda a compreender a diferença entre os dois tipos de conhecimento. Eles os diferenciam através das dimensões empírico/racional, temporal, e formal. O conhecimento tácito está relacionado com os sentidos e com um processo de aprendizagem que envolve todo o corpo enquanto o explícito está mais ligado ao raciocínio lógico. O tácito, temporalmente, está relacionado a experiências no presente, enquanto o explícito tem a ver com o seqüenciamento das idéias, dos passos para se realizar uma tarefa.
QUADRO 3-3. Dois tipos de conhecimento.
CONHECIMENTO TÁCITO (SUBJETIVO) CONHECIMENTO EXPLÍCITO (OBJETIVO)
Conhecimento da Experiência (Corpo) Conhecimento da racionalidade (Mente) Conhecimento simultâneo (Aqui e Agora) Conhecimento seqüencial (Lá e então) Conhecimento análogo (Prática) Conhecimento Digital (Teoria) Fonte: NONAKA, 1997.
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A conversão epistemológica decorre da interação entre os dois tipos de conhecimento, pois é possível, através de mecanismos específicos, transitar do conhecimento tácito para o conhecimento explícito. O autor apresenta quatro modos de conversão epistemológica que são: a socialização, a externalização, a internalização e a combinação, estes modos de conversão estão expressos no Quadro 3.2.
É importante observar que os conceitos utilizados por Senge têm uma íntima ligação com os modos de conversão apresentados por Nonaka. Em todos os momentos, há questões como a dos Modelos Mentais, Domínio Pessoal, Objetivos
Comuns, Aprendizagem em Grupo e Visão Sistêmica, em aplicação.
QUADRO 3-4. Formas de conversão epistemológica.
↓ DE \ PARA → TÁCITO EXPLÍCITO
TÁCITO
Socialização: É o compartilhamento de experiências, modelos mentais ou
habilidades entre pessoas. Ex: Reuniões de Brainstorming
Externalização: É a tentativa de criar o “conhecimento perfeito”, que se desenvolve por etapas, iniciando por
metáforas, e seguindo através de analogias, conceitos e hipóteses até
chegar no modelo.
Ex: A saída das idéias, de metáforas, até chegar ao protótipo de um produto
novo.
EXPLÍCITO
Internalização: Incorporação de conhecimentos explicitados anteriormente. “Intimamente ligado
ao aprender fazendo”. Ex: “A documentação ajuda os indivíduos a internalizarem suas experiências, aumentando assim seu
conhecimento tácito. Além disso, documentos ou manuais facilitam a
transferência do conhecimento explícito para outras pessoas,
ajudando-as a vivenciar indiretamente as experiências dos outros (ou seja, ‘reexperimentá-las’)”
Combinação: É a junção de conjuntos diferentes de conhecimento explícito
através de documentos, etc. É a combinação de informações de forma a
criar um novo tipo de informação. Ex: Combinação de dados sobre as
vendas para descobrir não o que é vendido, mas como vender mais.
A conversão do conhecimento pode ser considerada como um dos pilares de sustentação da sobrevivência das organizações, por ser ela a responsável pela constante revitalização do meio empresarial. O conhecimento pode ser explicitado, e passa a ser informação, mas desta forma tende a se depreciar rápido, ou como coloca SVEIBY (1998), o conhecimento tácito articulado como informação envelhece com rapidez.
Este raciocínio é compartilhado por STEWART (1991), pois, segundo ele é necessário separar constantemente o que é trivial do que é um ativo intelectual. É importante não confundir dados e informações, que em analogia a sistemas fabris, mais se aproximam da idéia de estoques e matéria prima, com o conhecimento e os ativos intelectuais, que, seguindo a mesma analogia, são o capital e os ativos produtivos da organização. Neste sentido, a depreciação ocorre rápido com relação aos dados disponíveis, explicitados. Já a competência criada em transformar dados em conhecimento, que é adquirida com o tempo, tem um tempo de depreciação maior.
Na medida em que é convertido o conhecimento vai-se acumulando de forma que pode-se representar o ciclo de criação do conhecimento como uma espiral, chamada pelos autores de Espiral do Conhecimento e representada, na próxima página, na Figura 3.3:
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É por este motivo que a conversão necessita ser constante e não basta ocorrer apenas em nível epistemológico e individual, é necessário que seja repassada para outras pessoas e áreas da empresa o que representa outro tipo de aprendizagem, bem como criação de conhecimento.
Esta outra transição necessária à gestão do conhecimento na empresa é a
ontológica. Ou seja, é necessário que exista a possibilidade de difusão de conhecimento
para outros níveis da organização e, segundo NONAKA (1997), também para fora da organização.
O conhecimento tácito mobilizado é ampliado “organizacionalmente” através dos quatro modos de conversão do conhecimento e cristalizado em níveis ontológicos superiores. Chamamos isso de ‘espiral do conhecimento’, na qual a interação entre o conhecimento tácito e explícito terá uma escala cada vez maior na medida em que subirem os níveis ontológicos. Assim, a criação do conhecimento organizacional é um processo em espiral, que começa no nível individual e vai subindo, ampliando comunidades de interação que cruzam fronteiras entre seções, departamentos, divisões e organizações (figura 3.4).
FIGURA 3-4. Espiral da Criação do Conhecimento Organizacional (adaptada de Nonaka & Takeuchi, 1997).