• No results found

Musikalsk sammenheng mellom språk og rytmikk

6.1. Øving på Time og rytmiske ferdigheter

6.1.1. Musikalsk sammenheng mellom språk og rytmikk

Trazendo essa noção para o nosso Modelo Úmido, podemos entender a gênese de uma consciência sistêmica, consciência do todo, inteligência do todo, simultaneamente e concomitantemente à gênese da arquitetura sistêmica, à morfogênese. Em ambos, Condillac e Bergson, a inteligência não nos dá um conhecimento direto e atual da

       

23

Do original em inglês: “Bergson also recognizes instinct and intelligence as two different modes by which we apprehend reality and by means of which we receive and use different kinds of knowledge. (CARR, 1930, p.XXV)

24 Do original em inglês: “[...] the division of organized matter into separate bodies is relative to our senses and to

our intellect.” (BERGSON, 2010, p.109)

25

Do original em inglês: “Intellectuality and materiality have been constituted, in detail, by reciprocal adaptation.” (BERGSON, 2010, p.109)

realidade, mas apenas sua representação em um mundo de objetos no espaço, um mundo de ações e reações mensuráveis.

É através do instinto, um modo de conhecimento oposto à inteligência, que construímos nossos pontos de vista como oposto à visão externa da realidade, da vida como é vivida. Bergson propõe, em certo ponto, pensar na hipótese de consideramos as coisas do ponto de vista da extensão e não apenas da duração, supondo que, em vez de agir,

sonhássemos. Então, “Ao mesmo tempo, o eu é disperso; nosso passado, que até então

ainda estava reunido dentro do impulso visível que ele nos comunicava, é quebrado em milhares de lembranças tornadas externas uma para a outra.”26 Assim, nossa personalidade “[…] descende em direção ao espaço. Ela se encosta ao seu redor em sensação.”27 (BERGSON, 2010, p. 117, tradução nossa).

Falando de dialética como um relaxamento da intuição, Bergson acredita que através dela, muitos acordos são possíveis. A dialética é necessária para por a intuição à prova. É para ele, por meio dessa intuição prolongada, que o filósofo pode concordar com seus pensamentos e, os filósofos, podem concordar entre si, alcançando o objetivo da filosofia para o qual um contínuo ir e vir entre natureza e mente, é necessário. Nas considerações de Bergson,

Quando colocamos nosso ser de volta em nossa vontade, e nossa vontade nela mesma no impulso que prolonga, nós entendemos, sentimos, que a realidade é um crescimento perpétuo, uma criação feita sem fim. Nossa vontade realiza já esse milagre. Cada trabalho humano no qual há invenção, cada ato voluntário no qual há liberdade, cada movimento de um organismo que manifesta espontaneidade, traz algo novo ao mundo. Verdade, isso são apenas criação e forma.28 (BERGSON, 2010, p.137, tradução nossa).

Não existe sistema durável, na compreensão de Bergson, que não seja ao menos em algumas de suas partes, vivificado pela intuição. Trazendo essa compreensão para nossa

       

26

Do original em inglês: “At once, the self is scattered; our past, which till then was gathered together into the invisible impulsion it communicated to us, is broken up into a thousand recollections made external to one another.” (BERGSON, 2010, p,117)

27

Do original em inglês: “[...] descends in the direction of space. It coasts around it continually in sensation.” (BERGSON, 2010, p,117)

28

Do original em inglês: “When we put back our being into our will, and our will in itself into the impulsion it prolongs, we understand, we feel, that reality is a perpetual growth, a creation pursued without end. Our will already performs this miracle. Every human work in which there is invention, every voluntary act in which there is freedom, every movement of an organism that manifests spontaneity, brings something new into the world. True, this are only creation and form.” (BERGSON, 2010, p.137)

abordagem, um sistema, para que seja criativo, deve prescindir de liberdade, envolver uma espontaneidade que traz algo novo, a possibilidade de emergência de algo novo. Invenção num movimento em espiral no tempo – em um circuito irreversível em espiral.

Optamos por colecionar as antenarrativas e narrativas que integram os espaços estoricizados, em um lugar onde a linha entre consciente e inconsciente é tênue. A opção por utilizar dinâmicas de escrita e desenho emergentes realizadas a intervalos temporais foi influenciada pela participação em exercícios de escrita emergente realizados pela autora, bem como pela leitura do livro de Clarice Lispector, Água Viva (LISPECTOR, 1998), que constitui, ele mesmo, um instigante exercício de escrita emergente.

Nessa dinâmica, o tempo não é o tempo aparente e linear dos intervalos entre as dinâmicas. Evidencia-se e é intrínseca, uma temporalidade interna, dos processos mentais, de recordação e exploração das memórias construídas a partir de impressões, de outras memórias, até se tornarem imaginação e a coleção desses diversos processos dentro do processo criativo, potencialmente convergir na realização de um trabalho artístico. Cada bolha de significado, cada espaço estoricizado, tem seu tempo interno – o tempo das antenarrativas e narrativas que o constituem.

Vemos em Bergson que, para a coexistência de sensações inextensivas dar origem ao espaço, “[…] deve existir um ato da mente o qual leva todos ao mesmo tempo e coloca- os em justaposição: esse ato inédito é muito parecido com o que Kant chama de uma forma a priori de sensibilidade.”29 (BERGSON, 2001, p.94, tradução nossa). Se nos propusermos a caracterizar esse ato, veremos que ele consiste, essencialmente, de intuição ou, em vez dessa concepção, de um meio vazio homogêneo. Por isso, para Bergson, é difícil chegar a outra concepção de espaço que não a de que “[…] espaço é o que nos habilita a distinguir um número de sensações idênticas e simultâneas umas das outras.” 30 (BERGSON, 2001, p.94-95, tradução nossa).

       

29 Do original em inglês: “[...] there must be an act of the mind which takes them all at the same time and sets

them in juxtaposition: this unique act is very like Kant calls an a priory form of sensibility.” (BERGSON, 2001, p.94)

30

Do original em inglês: “[...] space is what enables us to distinguish a number of identical and simultaneos sensations from one another.”30

No nosso Modelo-Bolha, onde cada um dos espaços estoricizados engloba 7 (sete) níveis de percepção dos sujeitos que são os elementos do sistema – impressão, atenção,

memória, comparação, julgamento, reflexão, e imaginação –, a coleção de espaços

estoricizados, tende a se ampliar no e com o processo organizacional do sistema. É a partir dessa coleção de espaços estoricizados que é possível a emergência de novas narrativas, e de antenarrativas e sua natureza não-linear, randômica.

O processo de captura das narrativas e antenarrativas integrantes de espaços estoricizados se baseia, como já referido, em dinâmicas de escrita e desenho emergente, podendo haver gravação de vídeos com depoimentos na forma de brainstorming. As experiências iniciais que são o ponto de partida para a realização das dinâmicas de colecionar antenarrativas e narrativas podem ser realizadas a partir de conversas e discussões presenciais ou online entre os integrantes do coletivo, ou de experiências da audiência em uma instalação que está sendo exibida, por exemplo. Contribuindo para a construção do Modelo Úmido, as atividades relacionadas a cada um dos níveis na dinâmica são os seguintes:

1) Impressão (desenhos emergentes produzidos imediatamente após a experiência e/ou gravação de vídeo com depoimento na forma de brainstorming);

2) Atenção (escrita emergente produzida aproximadamente 1 (uma) hora após a experiência e/ou gravação de vídeo com depoimento na forma de brainstorming); 3) Memória (escrita emergente e desenho produzidos aproximadamente 1 (um) dia após a experiência);

4) Comparação (escrita emergente produzida aproximadamente 1 (uma) semana após a experiência, que pode ser combinada com a produção de um painel semântico);

5) Julgamento (escrita emergente produzida aproximadamente 1 (um) mês após a experiência);

6) Reflexão (escrita emergente produzida aproximadamente 2 (dois) meses após a experiência);

7) Imaginação (escrita emergente e desenho produzidos aproximadamente 3 (três) meses após a experiência).

Figura 5.03 // Espaços Estoricizados e os níveis de percepção em que se agrupam as narrativas e antenarrativas – da impressão à imaginação. (Modelo-Bolha)

Integrado a esse processo de construção de um modelo como um olhar a partir da complexidade para os processos criativos em artes digitais, incorporamos no processo de construção do presente trabalho, duas instâncias de estudos de caso como parte empírica da pesquisa que se desenvolve nos capítulos seguintes. Em uma primeira instância, analisamos o processo criativo do coletivo Transmute, dirigido por Keith Armstrong e, em um segundo momento, apresentamos a série Instantes de Metamorfose, desenvolvida pela autora enquanto integrante do coletivo O Duplo.