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Implikasjoner for videre forskning

6.3. Implikasjoner for praksis

6.3.2. Implikasjoner for videre forskning

do coletivo Transmute como forma de dar visibilidade à sua organização sistêmica, discutir suas emergências, o entrelaçamento entre seus elementos, suas conexões com outros sistemas, como os que envolvem os trabalhos realizados pelo diretor artístico Keith Armstrong9, para além do coletivo Transmute. É, enfim, apresentar o coletivo como processo, o processo como um sistema complexo adaptativo.

Falando sobre a natureza de um dos trabalhos desenvolvidos pelo coletivo Transmute,

Intimate Transaction, Tony Fry, pensador na área de eco design, observa que, as origens

do trabalho são muito mais uma questão de discutir as ideias do que falar de uma fusão entre arte visuais e tecnologia, e a apropriação e inversão que ela envolve de formas e métodos de jogos de computador. Essas ideias dizem respeito, sobretudo, à exploração de uma noção plural de ecosofia.

Como referido em várias publicações do coletivo Transmute, existe uma preocupação evidente com a crise ecológica que vivemos e que envolve um problema de causalidade circular: ao mesmo tempo em que causamos os problemas ambientais que temos que confrontar, esses problemas são inerentes ao sistema natural que contribui para que sejamos o que somos, nos comportemos de certas formas, interferindo no ecossistema. Keith Armstrong considera que, sua prática em arte digital, que inclui os trabalhos como

       

dive to its depths of meaning. This is to call for new standards in public access to art, art not as finite object but as process and system, a fluid, moving stream of data configurations, embodied in networks, on screens, in material structures, in installations and environments, endlessly open to transformation and change.” (ASCOTT, 2003, p. 270)

9 Keith Armstrong é diretor de criação, designer de mídias e integrador de sistemas, trabalhando em conjunto

com equipes multidisciplinares. É fundador e diretor do coletivo interdisciplinar ‘Transmute’. É editor de

Queensland, para o National Arts Newspaper Realtime, e é membro da QUT Creative Industries Media-Architecture

integrante do coletivo, objetiva contribuir para mudar esse panorama de crise ecológica através de uma abordagem do fazer artístico que chama ground media.

Segundo Armstrong, ground media seria uma forma de prática artística que se estrutura em torno da compreensão de que, nossa crise ecológica, é também uma crise cultural, perpetuada pelo nosso sentimento de separação das ecologias materiais e imateriais das quais dependemos. Essa visão, segundo Armstrong, "[...] concorda com a concepção Aristotélica da praxis que concerne aos pensamentos e ações que compõem a nossa vida ética e política, com foco em promover o bem estar humano e, por extensão, bem- estar não-humano.”10 (ARMSTRONG, 2008, tradução nossa).

Essa noção se insere no que Armstrong chama de uma praxis ecosófica, que objetiva criar contextos nos quais a audiência, tanto durante o trabalho quanto depois de terem se envolvido, "[...] adquire entendimentos de sua co-dependência energética tanto com outros interatores ou espectadores dentro do trabalho e, através da associação metafórica com os mundos ecológico e eco-social conectados além.”11 (ARMSTRONG, 2008, tradução nossa).

No contexto dessa praxis ecosófica, no que se refere especificamente ao trabalho

Intimate Transactions, a obra convida a refletir sobre a possibilidade de novos sujeitos

ecológicos ou socioambientais. Como observa Tony Fry, "Fundamentalmente, a intenção interativa do trabalho foi criar um meio para refletir sobre um tipo particular de experiência - a experiência do nosso ser relacionalmente ligado como um corpo coletivo.”12 (FRY, 2010, tradução nossa). Assim, através de estratégias interativas e intervenções performáticas, foram criadas experiências nas quais os participantes paulatinamente constroem uma compreensão de seus papéis compartilhados em redes de relações energéticas complexas que os conectam a outros habitantes do trabalho artístico, através de associações metafóricas com os mundos social e ecológico, para

       

10 Do original em inglês: “[…] concurs with the Aristotelian conception of praxis which concerns the thoughts and

actions that comprise our ethical and political life, focused upon furthering human well being, and by extension, nonhuman well being.” (ARMSTRONG, 2008)

11

Do original em inglês: “[...] gain understandings of their energetic co-dependency both with other interactors or spectators within the works and, through metaphorical association, with the connected ecological and eco-social worlds beyond.” (ARMSTRONG, 2008)

12

Do original em inglês: “Crucially, the interactive intent of the work was to create a means to reflect upon a particular kind of experience – the experience of our being relationally connected as a collective body.” (FRY, 2010)

além do contexto da obra. Como explica Armstrong, "Os participantes são encorajados a refletir sobre suas ações tanto durante quanto após o trabalho, através de conversação e escrita, de forma a compreender gradualmente o leque de fatores locais e em rede, moldando as suas experiências e as influências sistêmicas que os afetam."13 (ARMSTRONG, 2008, tradução nossa).

Figura 1.04 // Keith Armstrong demonstra a estrutura teórica de Intimate Transactions, 2003

Essa praxis ecosófica é parte essencial do conjunto de informações que integra a base do sistema que é o processo criativo coletivo do qual emergem os trabalhos Grounded

Light (2003) e Shifting Intimacies (2006), sendo também evidente na proposta de um

vestível prototípico chamado In_Step (2007). Esses trabalhos não são, nas considerações práticas dos artistas, produtos do coletivo Transmute. No entanto, se consideramos o coletivo como processo e esse processo como um sistema, podemos incluir essas obras como emergências no processo auto-organizacional de um complexo onde, a noção de uma praxis ecosófica, aparece na base da estrutura sistêmica. Complexo do qual emergem trabalhos como Liquid Gold (2001), Transact (Flesh/Skin/Bone) (2002) e, como últimas emergências estudadas aqui, as diferentes versões de Intimate Transactions.

       

13

Do original em inglês: “Participants are therefore encouraged to reflect upon their actions both during and after the work through conversation and writing in order to gradually understand the range of local and networked factors shaping their experiences and the systemic influences that affect them.” (ARMSTRONG, 2008)

Os trabalhos incluídos no estudo de caso, e que constituem sub-estudos de caso, por sua vez, compartilham uma base conceitual que é a base conceitual do coletivo

Transmute, na instância inferior do nosso Modelo Úmido, influenciando todas as outras

instâncias e, por conseguinte, as conexões entre os elementos do sistema.