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Implisitt hukommelse og prosessuell kunnskap

3.1. Litteratursøk og forskningsstatus

3.2.1. Implisitt hukommelse og prosessuell kunnskap

É através de nossa percepção e de nossa representação que conhecemos e nos sentimos parte do universo físico – a matéria em seus vários estados e formas, as forças que atuam sobre essa matéria. É nesse diálogo entre o nosso universo perceptivo e o mundo dos fenômenos, que a ciência clássica fundou suas bases sob o signo da objetividade, reinando em um universo constituído por objetos isolados, em espaços neutros, submetidos a leis universais. Esses objetos existem de maneira positiva, ou seja, sem a interferência do observador em sua construção. Essa construção diz respeito à sua situação no espaço (a posição e a velocidade), às suas qualidades físicas e químicas como massa, energia, além das forças que nele atuam como a gravidade, por exemplo.

É assim que, no final do século XIX, o método de decomposição e medição da ciência clássica, triunfava como artifício para conhecer e definir a realidade. Nas colocações de Edgar Morin, esse objeto é, então, “[...] uma entidade fechada e distinta que se define

       

4 Numa referência a Marshall McLuhan: McLUHAN, M. Os meios de comunicação como extensões do homem.

Tradução de Décio Pignatari, São Paulo: Editora Cultrix, 1964. (copyright 1964)

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A exposição Deep Sea na Waterhouse Gallery do Natural History Museum, em Londres, de 28 de maio a 5 September 2010, construiu um abrangente e fascinante panorama da história da exploração das profundezas oceânicas. A oportunidade de visitar a exposição durante o período de estágio PDEE no Reino Unido (2009-2010) foi importante como momento de refletir sobre como os avanços científico-tecnológicos em cada uma das fases dessa exploração influenciaram, viabilizaram, definiram visões de mundo, construções de realidades. Disponível em: < http://www.nhm.ac.uk/visit-us/whats-on/thedeep/>. Acesso em: 08 jan. 2011.

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Numa referência à descoberta recente de bolhas de raios-gama (gamma-ray bubbles) que se estendem por 50000 anos luz, de ponta a ponta na via láctea. Ver: SU, Meng; SLATYER, Tracy R.; FINKBEINER, Douglas P. Giant gamma-ray bubbles from fermi -lat: agn activity or bipolar galactic wind? Disponível em:

<http://arxiv.org/PS_cache/arxiv/pdf/1005/1005.5480v3.pdf >. Acesso em: 20 jan. 2011.

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Infra-thin é um neologismo criado por Marcel Duchamp para medir as margens quase imperceptíveis de

isoladamente de seu ambiente. Quanto mais o isolamos experimentalmente, melhor determinamos sua realidade ‘objetiva’.” (MORIN, 2003, p.124).

Dessa forma, podendo o objeto ser descrito e definido a partir de leis gerais e de unidades elementares, a objetividade das ciências clássicas, exclui todas as referências ao observador, ao ambiente e, em última instância, à organização desse objeto. A biologia estudou as diferentes espécies de animais e plantas extraindo-as de ambiente e contexto – isolou o indivíduo, o organismo, depois a célula, até chegar à molécula. A física isolou o átomo, depois as partículas subatômicas. Mas é no cerne mesmo desse método, que nasce a possibilidade da mudança, no início do século XX. Se o átomo não é mais a unidade elementar (noção que vem desde Demócrito) e, como descrito no Modelo Planetário de Niels Bohr, era uma estrutura instável, onde os elétrons com carga negativa orbitavam ao redor de um núcleo com carga positiva formado por prótons, se instaura uma crise de ordem, de unidade e, em última instância, de identidade.

A matéria pode ser onda e pode ser partícula – ora ela é considerada como um sistema composto de quarks, ora como um campo de interações específicas. No contexto dessas transformações, a partícula que era elementar, enquanto objeto, “[...] perdeu toda substância, toda clareza, toda distinção e às vezes, até mesmo, toda realidade; ela se converteu em nó górdio de interações e trocas.“ (MORIN, 2003, p.126). O objeto se revela sistêmico. O que seria a unidade constituinte do universo físico – metais, gases, líquidos, os animais e as plantas –, não tem mais consistência, solidez, está em fluxo, em desequilíbrio, enquanto sistemas em processo organizacionais. Para além da noção de sistema, existe apenas a dispersão particular.

2.3. Sistemas de Sistemas

Dentro da lógica sistêmica, a realidade física é constituída por um complexo de sistemas dentro de sistemas. Nessa lógica, segundo Stéphane Lupasco, a noção de sistema unitário, isolado do todo sistêmico, não faz sentido, “[...] o simples sistema sendo apenas uma abstração didática.” (LUPASCO, 1962, p.186, apud MORIN, 2003, p.129). Desde definições mais básicas como a de Leibniz para quem o “sistema é um conjunto de partes” (LEIBNIZ, 1666, apud MORIN, 2003, p.131) até as considerações do biólogo Ludwig Von Bertanlanffy em sua General Systems Theory, onde “Um sistema pode ser

definido como um complexo de elementos em interação” (BERTALANFFY, 1977, p.84), a ideia de sistema pressupõe duas premissas essenciais que são, a inter-relação entre os elementos, e o fato de o todo sistêmico ser constituído pelos elementos em inter-relação, ou seja, um aspecto de totalidade ou globalidade e um aspecto relacional.

A ideia de organização é a ponte que liga totalidade e inter-relação e torna as três noções indissociáveis, podendo-se conceber uma definição de sistema como “[...] uma unidade global organizada de inter-relações entre elementos, ações ou indivíduos.” (MORIN, 2003, p.132). Essa é a definição que adotaremos na presente abordagem para estudar processos criativos coletivos em artes digitais como sistemas complexos adaptativos.

Segundo M. Mitchell Waldrop, no livro Complexity: The Emerging Science at the Edge of

Order and Chaos (1992), a complexidade é a ciência de compreender como agentes

interagem uns com os outros para se influenciarem mutuamente e ao todo que integram. Os organismos, por exemplo, se adaptam constantemente ao longo de um processo dito evolutivo, se organizando em um sistema ecológico ajustado em função dessa dinâmica. Segundo o pesquisador, esses sistemas auto-organizados são adaptativos, ou seja, sua lógica organizacional trabalha no sentido de tirar vantagem de todos os acontecimentos. É essa lógica dos sistemas complexos, a adaptação, os saltos à beira do caos. É essa lógica que, segundo Waldrop, fez florescer o Santa Fe Institute e as ciências do século XXI, numa perspectiva mais ampla.

Assim, do estudo dos sistemas computacionais, das redes, à dinâmica de grandes corporações, e a sistemas sociais das mais diversas ordens, a lógica dos sistemas complexos adaptativos tem ajudado a descrever e compreender a fenomenologia da complexidade. Estudando sistemas sociais a partir dessa ótica, John Miller e Scott Page, no livro Complex Adaptive Systems, publicado em 2007, mostram que os chamados

Sistemas Sociais Complexos Adaptativos8 demonstram algumas características-chave

dos CAS. Para eles, “as características inatas de muitos sistemas sociais tendem a produzir complexidade. Agentes sociais, sejam eles abelhas ou pessoas ou robôs, veem- se enredados em uma teia de conexões uns com os outros e, através de uma variedade

       

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de processos adaptativos, devem navegar com sucesso através de seu mundo.” (MILLER; PAGE, 2007, p.10, tradução nossa).9

Com o objetivo de explorar a modelagem da complexidade sistêmica, Miller e Page consideram o que chamam de um mundo simples, composto por duas cidades, cada uma delas com 3 (três) cidadãos. Segundo Miller e Page, o experimento evidencia características de CAS na medida em que, em primeiro lugar, tem-se “[…] uma rede de conexões que, nesse caso, resulta das ligações dos cidadãos uns aos outros por serem residentes em uma dada cidade”10 e, em segundo lugar, observa-se “[....] mudança

induzida por escolhas feitas por todos os diferentes tipos de agentes no sistema.”11 (MILLER; PAGE, 2007, p.20, tradução nossa).

O experimento demonstra, por exemplo, que a introdução de ruído, ou de diferentes regras de comportamento, pode interferir na organização dos sistemas sociais. O modelo dos pesquisadores incorpora temas centrais, relacionados aos sistemas sociais complexos adaptativos, como equilíbrio, dinâmica, adaptação, e o papel central das interações não-centralizadas na organização do sistema.