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6 KVINNENES INNTOG

6.4 Motivasjon og selvtillit

Eis uma variável que pode ser considerada polêmica por muitos pesquisadores. A renda salarial foi categorizada neste estudo como sendo baixa, média e alta, de acordo com os salários visualizados dentro das próprias instituições de Segurança Pública. Portanto, o conceito de baixo ou alto, aqui discutido, não se relaciona com as definições socioeconômicas do resto da população.

Realizada essa explicação, observou-se a distribuição de frequência dos casos de tentativas e foi encontrado que a maioria dos profissionais que tentaram suicídio é de renda baixa, 50 (47, 67%) (Tabela 22) o que indicaria que possivelmente o baixo poder socioeconômico está associado às tentativas de suicídio.

Realizados os cálculos estatísticos, na associação entre indivíduos para mais de uma tentativa de suicídio, a renda baixa indicou risco, mas sem significância estatística. Na

associação para o desfecho suicídio consumado, a renda baixa foi estatisticamente significativa, com RR = 2,545 IC 95% (1,063 – 6,090) (Tabela 32).

O baixo ganho salarial é uma das principais queixas das categorias trabalhistas e está entre os motivos de adoecimento da classe policial (LOURINHO; PAULINO, 2014). Atualmente, com as garantias de jornada de trabalho diária e semanal, férias, idade e tempo de serviço para aposentadoria, entre outras, recai naturalmente sobre a remuneração financeira o desejo de melhoria de muitos ramos trabalhistas. Não seria muito diferente com os profissionais de Segurança Pública, muito embora ainda se verifiquem muitas reclamações das condições, ambientes e equipamentos de trabalho.

Assim, no que tange às três garantias constitucionais segurança-educação-saúde, três áreas com maiores reclamações dos brasileiros frente ao governo, é a Segurança Pública que possui menor investimento (SAPORI, in: LIMA, 2015). Portanto, tal informação suscita a ideia de que a baixa renda do profissional de Segurança Pública estadual pode se relacionar com a menor valorização financeira de investimentos.

Nesse sentido, ressalta-se que a maioria dos profissionais de baixa renda apresenta menores patentes das instituições: são os soldados e cabos da PMCE/CBMCE, os escrivães e os inspetores de Polícia Civil. Com a valorização imobiliária na cidade de Fortaleza e região metropolitana, os mencionados profissionais são impulsionados a morar em regiões periféricas ou em cidades da região metropolitana, muitas vezes em zonas pobres, onde a presença estatal se encontra mais enfraquecida.

Nessa alusão, percebe-se que muitas vezes, a classe de baixas patentes e cargos da Segurança Pública mora ao lado de populações marginalizadas, tendo que conviver com situações de violência onde o apoio institucional dos órgãos vinculados de Segurança Pública demora a chegar em casos de ocorrências.

Na verdade, muitos desses profissionais se encontram marginalizados devido ao baixo ganho salarial. Isso não vale para todos os profissionais, mas pode valer para muitos (LOURINHO; PAULINO, 2014). O que se presencia em nível de Brasil é o cerceamento de zonas de moradia, como crescimento de condomínios fechados, com câmeras de segurança, portões automáticos, cães de guarda, cercas elétricas e vigilância privada.

Por outro lado, morar em zonas das periferias das cidades brasileiras e/ou em suas regiões metropolitanas, onde o aparelhamento do estado é mais escasso e até sucateado, propicia cenários de violência, de acordo com a “teoria das janelas quebradas”, que indica que o ser humano, ao se confrontar com um ambiente deteriorado, tende a também exercer a violência contra o patrimônio que, por sua vez, enseja a violência contra pessoas. Portanto, a

urbanização equilibrada se mostra essencial para obtenção de segurança (OLIVEIRA, 2014; GABER; WRIGHT, 2016).

Em virtude disso, muitos estão pagando por uma segurança privada, já que não se sentem seguros com a Segurança Pública. Dessa forma, existem grupos empresariais lucrando muito com a insegurança e com a sensação de insegurança da população. Nessa situação, ressalta-se que os profissionais de Segurança Pública têm também direito à sua proteção individual e a de sua família. Concordando com essa ideia, Adorno e Minayo (2013, p.590) expressam “É importante assinalar também que como cidadãos e trabalhadores os policiais têm direito a sua segurança pessoal”.

Em relação à saúde, em até pouco tempo, os militares da PMCE e CBMCE não tinham direito ao cartão e, consequentemente, aos serviços do Instituto de Saúde dos Servidores do Estado do Ceará - ISSEC (Eis uma inequívoca discriminação contra essa classe). Depois eles foram aceitos pelo ISSEC e o número de conveniados aumentou ao todo em 50% (ISSEC, 2010).

Em seguida, com o aumento dos servidores, vislumbrou-se um colapso do sistema, quando sem atendimento “reclamadores” ocuparam o prédio do setor de saúde dessa instituição (O POVO, 2015). Entrementes, o hospital da polícia militar (HPM) foi retirado do comando dos militares e tornado hospital público comum e todos os militares e familiares tiveram que recorrer aos hospitais conveniados ao ISSEC.

No Rio de Janeiro, mostrando que essas ações no Ceará foram realizadas na contramão do que deveria ser benéfico para a saúde dos profissionais de Segurança Pública, BORGES (2013, p. 679) relata um dos projetos para os policiais da PMERJ “Essa diretoria possui hoje três importantes projetos em andamento: I. A construção de um novo Hospital Central da Polícia Militar que vai dobrar a capacidade instalada de leitos hospitalares...”.

Em Minas Gerais, verificou-se existência de um HPM e do Hospital Espírita André Luiz (HEAL), com o qual a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) mantém convênio de saúde para atendimento aos policiais que apresentam quadro de doenças psiquiátricas (GISCHEWSKI, 2004).

O HPM do Ceará foi despersonalizado para os serviços aos policiais militares, mas criou-se esperança que o ISSEC pudesse atender melhor e com mais qualidade a essa classe. Entretanto, o que aparentemente foi visto como um conquista se transformou em reclamação, quando em torno de 20.000 profissionais de Segurança Pública do Estado passaram a ter o direito ao ISSEC, sobrecarregando a capacidade de serviço do referido instituto.

Em virtude disso, o agendamento tornou-se mais difícil, bem como em alguns setores houve escassez de materiais e remédios. As dificuldades vividas pelo SUS reverberam também no ISSEC, muito embora o ISSEC seja conveniado a alguns hospitais particulares.

Os corredores lotados do Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e do Instituto Doutor José Frota - IJF são provas vivas dessas dificuldades para o Estado do Ceará. Muitos bombeiros diariamente conduzem ou escoltam ambulâncias a esses hospitais e, portanto, conhecem de perto a realidade em virtude do próprio trabalho na saúde pública. Outros tiveram que ser internados em tais hospitais, vivendo essas dificuldades por eles mesmos. (O POVO, 2015).

Por fim, observa-se que em relação à educação, à saúde e à segurança, os profissionais da SSPDS estão no afã de preservar e proteger as suas vidas e a vida de seus familiares, predispostos a pagar serviços extras para obtenção de direitos que deveriam ser gratuitos. A motivação para isso chega a ser maior ainda do que para muitas pessoas de outros ramos trabalhistas, pois o profissional de Segurança Pública se vê mais vulnerável em contato com a criminalidade vigente no Estado e no país.

A baixa renda salarial, portanto, apresenta-se como fator de risco relevante no estudo do fenômeno de tentativa de suicídio e de suicídio praticados por profissionais de segurança púbica, pois as dificuldades para se conseguir o “piso vital mínimo”, fazem com que muitos profissionais, principalmente os policiais, procurem fazer o conhecido “bico”, ou seja, prestar serviços extras na segurança privada, para a complementação de renda.

No Brasil, a má distribuição de riqueza é notável e não se torna diferente para os servidores públicos. Através do sítio eletrônico Portal da Transparência do Estado do Ceará, existe acesso livre para informações acerca dos salários vigentes para os membros do judiciário, do executivo e do legislativo que podem ser consultados. Evidencia-se, portanto, as disparidades e a má distribuição de riquezas pelas diferenças remuneratórias observadas, já que para professores, por exemplo, não se paga o piso nacional e para membros do judiciário, os valores podem passar do teto constitucional.

Dentro da própria Segurança Pública, os salários são bem divergentes de instituição para instituição, o que pode ser facilmente constatado pelo Portal da Transparência, gerando conflito de opinião que às vezes reverbera nas relações de trabalhos internos, entre as 04 instituições estaduais vinculadas da Segurança Pública, e para com o público externo.

Em relação a estar desempregado, entende-se um fator de risco nessa situação (QUARTILHO, 2014) para a população em geral. Por extensão, observou-se que a má

remuneração, gerando dificuldade de acesso a recursos básicos para uma vida saudável, pode também desencadear processos depressivos, e a depressão é fortemente associada aos suicídios (SOUZA, 2012).