Os gestores selecionados para este trabalho de pesquisa através de seus relatos puderam compartilhar as experiências que vivenciaram quando à frente da instituição de ensino Lauro Sodré. Nesse sentido, é válido mostrar o perfil que cada um apresenta.
No quesito que diz respeito à formação, os três gestores mostraram que o percurso formativo trilhado por eles, começou pelo grupo escolar e teve continuidade em outro município, pois em Moju o ensino era de 1ª até a 5ª série do primário. Mas, todos conseguiram concluir o primário, depois nível secundário, em seguida a graduação e apenas um cursa uma pós-graduação, como demonstra o gráfico a baixo identificando os sujeitos por G1, G2 e G3.
PRIMÁRIO SECUNDÁRIO GRADUAÇAO PÓS-GRAUDAÇÃO
G1
G2
G3
Figura 26GRAU E LOCAL DA FORMAÇÃO DOS GESTORES
Primário SECUNDÁRIO SUPERIOR PÓS-GRADUAÇAO
G1 Pública Particular/Conveniada Pública Pública
G2 Pública Pública Pública xxxxxxx
G3 Pública Pública Pública xxxxxxx
O período de formação, tanto primária quanto secundária e superior dos entrevistados, varia entre o final da década de 1960 e início da década de 1990, indicando a contemporaneidade dos estudos, muito embora depois de saídos do Grupo Escolar Lauro Sodré tenham ingressado em instituições de ensino diferentes, a base curricular da formação destes era idêntica por se tratar de uma base nacional comum de ensino.
Embora os gráficos acima mostrem que os gestores já tinham o ensino superior quando estavam à frente da instituição, e isso pode ter sido um dos requisitos para assumirem a função, somente o G1 aparece com o curso de pós-graduação, pelo motivo de este achar necessário ter preparação na área em que atuaria como ressalta dizendo:
Para mim foi uma experiência muito grande, por conta que eu tive que fazer até um curso de, uma pós-graduação de gestão, eu me sentia no dever de fazer um curso de gestão para que eu pudesse colaborar com a gestão do Lauro Sodré e automaticamente com os alunos.
A expectativa do trabalho administrativo no estabelecimento de ensino fazia com que o diretor se mantivesse informado e por serem da área da educação e atuarem como docentes este profissional buscava outras formações, de modo a atender melhor o público e desenvolver seu trabalho com eficácia, como esclareceu G1 em sua fala.
Com relação à assunção ao cargo da direção da escola, os gestores esclareceram que foram indicados para a função, pois este era um cargo estratégico dentro da luta sindical e política e o que esta função representa no município, devido a escola Lauro Sodré ser a escola sede da SEDUC em Moju. Desse modo, o processo de eleição direta para diretor não foi concretizado, muito embora o Professor Raimundo Roberto Almeida Ribeiro, depois de ser indicado para a função de diretor tenha realizado eleições na instituição e sido confirmado no cargo, teve que abdicar da função por conta das mudanças na estrutura do ensino no município.
Os docentes envolvidos nesta pesquisa que relatam seus perfis consideram o Grupo Escolar Lauro Sodré o lugar de base da formação que receberam, embora, também, pelas condições de ensino na cidade de Moju tenham sido obrigados a migrar para outros municípios no intuito de continuar o estudo ginasial e nível subseqüente, eles mostraram que os fundamentos da formação que receberam serviram de suporte para o profissionalismo.
Eu estudei o ensino primário do Lauro Sodré, só de primeira a quinta, lá só tinha o primário, depois fui para Belém estudar.
Estudei em Belém até o segundo ano do ginásio, depois vim para Moju e continuei trabalhando, aí, sim, fui estudar em Abaetetuba e fiz o terceiro e quarto ano ginasial em Abaetetuba e foi lá que eu terminei meu magistério. Em Abaetetuba fiz o terceiro e quarto curso ano ginasial e depois terminei o primeiro, segundo e terceiro ano magistério, era educação, naquele tempo era curso de educação que correspondia ao magistério (Maria de Fátima Nery)
Pela carência de profissionais para o magistério, por vezes, a direção do Grupo dava oportunidade àqueles que ainda estavam em formação. Talvez por isso o professor tenha visto a necessidade de se aprofundar nos estudos e continuar atuando na docência.
Estudei no grupo escolar o primário, lá no Lauro Sodré, lá no primeiro velho, do outro lado onde é o FORUM hoje, lá que eu comecei a estudar, estudei primeira, segunda, terceira série aí depois eu não passei, e aí vim para o Lauro Sodré daqui no colégio novo, aí comecei a estudar a terceira série, estudei a terceira, a quarta e a quinta série, e aí depois ainda cabia uma admissão ao ginásio, ao antigo ginásio, e aí eu fui para Abaetetuba, o padre arrumou no Nossa Senhora dos Anjos e eu fui para lá, e aí, eu fiz a primeira série do ginásio até o terceiro ano, e de novo no terceiro ano eu não passei, aí eu fui transferida para o Bernardino, e aí já estava na reforma do ensino e eu passei para a 7ª série, que correspondia a terceira série do ginásio, então eu fiz lá a sétima e a oitava, e depois eu ainda fiz outra prova para poder entrar no 2º grau, era uma prova de português, aí passei e estudei o segundo grau que era o magistério, terminando em 1978.
Tentei chegar ao ensino superior em várias áreas, e acabei indo para Belém fazer Ensino Religioso, aí eu estudei lá Arquidiocese, só que não foi válido. Aí fiquei por 5 anos por aí, quando foi 2002 eu entrei no curso de História na federal e terminei em 2006 o meu curso de história.
Quando eu comecei a trabalhar aqui no Lauro Sodré eu estava só com o magistério, ainda quando eu estava no primeiro ano do 2º grau, aí na época a Irmã Cecília trabalhava aqui no Lauro Sodré e estava precisando de professores e eu estava desempregada e ela para me ajudar, assim como ela ajudou a Regina, a Rosárea…, essa turma todinha entrou, nessa época não precisava político, precisava só ela pegar a documentação e levar para a SEDUC e a gente ainda recebia pela prefeitura, quando chegava em julho a gente recebia esse dinheiro da SEDUC (Maria Auxiliadora e Silva da Silva)
A falta de oportunidades para permanecer no lugar onde reside tornou o processo de formação dos docentes uma via-crúcis, pois, sair da comodidade de seu município e enfrentar horas de viagem submetida a situações climáticas amazônicas adversas, nem sempre representava uma experiência edificante. Mas mesmo assim os profissionais da educação vinculados ao Grupo Escolar se mantiveram convictos do que queriam para suas vidas.
Estudei o ensino primário do grupo escolar, sendo o ensino de 1ª a 4ª série, depois prossegui em Abaetetuba o primário, depois, eu voltei para cá, porque já tinha o ensino de 5ª a 8ª séries porque a Irmã Cecília quem trouxe, ela era a irmã da educação.
O segundo grau eu já fiz no Antônio Gordo, era o ensino modular do curso de magistério, que vinham professores de Belém.
Depois eu fiz o ensino superior na área de Ciências Humanas. (Regina Nery)
Os progressos obtidos nos estudos abriram os horizontes aos profissionais que quiseram e conseguiram seguir adiante com a formação para o magistério. As tentativas de ingressar em outros níveis de ensino são resquícios de uma época em que a oportunidade de adentrar em uma formação secundária e superior eram muito difíceis, pois havia grande demanda de alunos que pretendiam estudar, mas eram poucas as vagas e raras as instituições existentes. Com os avanços no setor educacional, em Moju, no ano de 1977, foi implantado o ensino de 5ª a 8ª séries do primeiro grau, o que possibilitou mais uma chance aos alunos prosseguirem nos estudos.
Estudei o ensino primário lá no Lauro Sodré primeira série, ainda naquela época não tinha barra dois, barra três, naquela época era assim, a primeira série inferior e superior, inferior era aquelas ainda na alfabetização, no meu caso eu fui para a primeira série superior, porque eu já conhecia as letras porque meus pais ensinavam a gente em casa. Isso era no Lauro Sodré antigo onde eu fiz até
a terceira série do primário, aí de lá eu fui para Abaetetuba, aí estudei a quarta e passei para a quinta série do primário, que não é essa de agora.
Logo em seguida veio o ensino moderno e eu comecei a fazer a quinta série aí depois veio a sexta, a sétima e a oitava. Eu voltei para o Lauro Sodré no supletivo, aí depois fiz o segundo grau em magistério que fizemos modular por etapa aqui no Antônio Gordo (Nadir Trindade)
O movimento dos educadores para alcançar o grau de instrução que permitisse sua permanência em sala de aula gerou uma visão que analisada através de gráficos pode esclarecer certos aspectos da formação docente de Moju. Por isso os profissionais docentes serão identificados como P1, P2, P3, P4 e P5, de modo a facilitar a leitura dos dados.
PRIMARIO GINASIAL/5ª a 8ª 2º GRAU SUPERIOR
P1 P2 P3 P4 P5
Figura 28 GRAU E LOCAL DE FORMAÇÃO DOS EDUCADORES
Primário Ginásio/5ª a 8ª 2º Grau Superior
P1 Pública Pública Pública
P2 Pública Particular Pública Pública
P3 Pública Pública Pública
P4 Pública Pública Pública Pública
P5 Pública Pública Pública
Figura 29 CONDIÇÃO DA FORMAÇÃO QUANTO A INSTITUIÇÃO
Neste quesito é perceptível que a formação dos professores que ocorre em nível primário, ginasial ou 5ª a 8ª séries para os que ingressaram no novo sistema de ensino, secundário e superior, oscila quanto ao local onde ocorreu sua formação. Depois do ensino primário todos saem de Moju para freqüentar instituições de ensino localizadas em outros municípios. Em determinados casos, alguns retornam para Moju com o intuito de continuarem os estudos.
O regresso desses estudantes à antiga instituição se deve ao fato de que com o avanço nos investimentos em educação, em Moju, a partir do ano de 1977, ocorreu a instituição do ensino primário de 5ª
a 8ª séries e depois, já no início da década de 1980, também iniciou o ensino secundário por módulos ofertado pela SEDUC.
A criação de mais escolas e vontade política de investir no avanço educacional por parte do governo do Estado, movimentou o sistema de ensino local. Assim, a possibilidade de formação docente melhorou significativamente, dando oportunidade ao ingresso de novos profissionais no setor, que até então eram contratados segundo os critérios da direção da escola e ou indicação política.