6.4 Screen-Space Methods
6.4.2 Applications of VDP to Radiosity
As situações ocorridas envolvendo os profissionais que atuaram no Grupo Escolar Lauro Sodré foram experiências que marcaram sua permanência na instituição. Assim, resgatar esses episódios é importante para conhecermos as condições em que se davam o trabalho educativo praticado pelos docentes.
A dificuldade maior era a do conhecimento, agente não tinha uma formação, então algumas coisas não foram passadas, ensinadas por causa disso. (Maria Regina Cardoso Nery)
A limitação docente reconhecida pela professora Regina Nery, esclarece que muitas vezes não havia condições para o repasse do conhecimento por carência na formação do professor, por isso, alguns se lançaram em busca de certificação em outros níveis de escolaridade, como ocorreu com a professora Maria Auxiliadora e Regina
Quantas vontades que eu tinha de ir para uma universidade e eu não conseguia, eu estudava sozinha em casa para fazer o vestibular e não passava, porque estudava só não tinha a orientação de ninguém era muita força de vontade mesmo.
A professora acima mencionada, representa um exemplo claro das inúmeras tentativas que muitos profissionais faziam para ingressar no ensino superior, mas pela pouca oportunidade de vagas nas universidades a disputa se acirrava. No entanto, além da questão da formação outros docentes apresentaram diferentes percalços como, por exemplo, a perseguição política, a inexperiência no início da carreira de professor, a falta de matérias para trabalhar, ou seja, mesmo com todas as conquistas os profissionais dos serviços gerais, secretários, diretores sofriam para trabalhar na área da educação.
A dificuldade só foi as perseguições políticas, só isso, o resto foi maravilhoso, o trabalho eu fazia por gosto, eu ganhava 100 horas eu trabalhava de manhã, intermediário, a tarde a noite para mim ter a escola, aqui, na palma da minha mão, se você perguntasse: Onde está um grampo? A Fátima sabia onde estava. Eu me desdobrava não era por causa do dinheiro, mas era por causa do amor ao trabalho, eu queria trabalhar, eu não pensava em dinheiro, a minha maior ganância era de trabalhar. (Fátima Nery)
Ao ser questionado sobre as dificuldades para o exercício de seu trabalho, os docentes, as vezes faziam uma exaltação do trabalho ao invés de relatar as desventuras ocorridas durante o tempo que exerceram a profissão. Não que não houvessem dificuldades, mas se comparado à satisfação e a realização que sentem por terem desenvolvido bem sua função, as dificuldades que estavam camufladas na falta de recursos didáticos, a pouca valorização do magistério etc., e que eram rotina na vida do profissional da educação, pareciam pequenas, chegando a nem ser necessário descrevêlas.
Com relação às dificuldades na gestão escolar, por ser um tema que abrange muitas questões pertinentes à organização do espaço institucional, não foram poucas as exposições de problemas para quem assumia o cargo, pois, são inúmeras as situações que o gestor tem que administrar para tornar o processo ensino-aprendizagem exeqüível como relata o ex-diretor Raimundo Almeida:
A primeira dificuldade foi a questão financeira, nós tínhamos dificuldades muito na questão de conseguir material didático, de infra estrutura para desenvolver a educação. A segunda dificuldade que nós enfrentamos muito foi a questão do pagamento de professor, professor recebia muito pouco. Por conta disso, um professor pra ser um bom professor ele precisa de incentivo, e eu vejo a remuneração como um dos pontos fundamentais para que haja uma melhora na educação. Porque a partir do momento que você sai de casa e você sabe que você deixou seu alimento para sua família, seus filhos, que no seu retorno você possa ter aquele alimento, você produzirá melhor Então outros fatores que influenciavam, que influenciou a dificuldade que nós enfrentamos, que eu sempre…, era a formação de professores também, formação… Como eu estava falando, era muito difícil passar no vestibular, era muito difícil os programas que hoje tem de formação continuada a nível de graduação e pós-graduação, naquela época era difícil. O professor tinha que aproveitar as oportunidades que o governo dava, ou então por si só tinha que fazer curso de graduação e pós- graduação, que foi o que eu fiz, fiz muito curso de pós-graduação por minha conta
O baixo salário do profissional da educação fazia o professor do nível primário ter a jornada de trabalho extensa, não dando a ele condições de desenvolver bem seu profissionalismo e nem ter tempo para se dedicar ao aprimoramento da formação. Essas dificuldades levantadas pelo professor Raimundo Almeida reforçam a análise de que para haver melhoria e qualidade na educação o professor tem que ser melhor assistido e mais bem remunerado.
Por ser a pessoa à frente da instituição educacional, em determinados momentos o diretor necessita negociar com as forças internas e externas do estabelecimento de ensino para fazer o trabalho educacional acontecer. Desse modo problemas vão surgindo e dificuldades aparecem no dia-a-dia.
Por ser um profissional da educação, o diretor da escola compreende muito bem o papel que a instituição de ensino tem na sociedade, o grau de responsabilidade com a formação dos educandos e o compromisso trabalhista com os profissionais que com ele atuam. Para tentar atender a todas essas demandas o gestor estabelece políticas administrativas a fim de possibilitar o melhor que a instituição pode oferecer, por isso, as vezes chega a ser mal compreendido por sua determinação e excesso de zelo.
Na entrevista dirigida aos gestores, um item referente às dificuldades, que surgiu com maior ênfase, foi a situação financeira da instituição, não que a escola quisesse ter dinheiro para ter seu caixa econômico sólido, mas, mediante a carência de recursos didáticos e de infra-estrutura, a boa condição das finanças poderiam ter melhorado as condições de trabalho na instituição.
A principal dificuldade foi a financeira, das maiores foi a dificuldade financeira, também relacionamento, convencimento com profissionais antigos, sendo o financeiro se resumindo a infra estrutura, eu queria fazer uma coisa melhorzinha, mas esbarrava no financeiro. (Maria Augusta Nery Cristo)
Por compreender que o processo de formação para ser desenvolvido com qualidade necessita de infra-estrutura em prédio, materiais pedagógicos e qualificação de pessoal a ex-diretora nota que para alcançar tais resultados são necessários investimentos financeiros, e mediante a falta da condição monetária se tentava usar da criatividade com a utilização de cópias de livros, regrar o pouco recurso que chegava para manutenção do prédio etc. No entanto, sabia-se que esses arranjos não sanavam as carências materiais da Escola Lauro Sodré.
Outras questões suscitadas pelos entrevistados com respeito às dificuldades enfrentadas no período em que estiveram à frente da instituição de ensino são referentes ao relacionamento entre diretor e funcionalismo, exigência no cumprimento do horário de trabalho, pouco incentivo do magistério, formação de docentes e a diminuta participação dos pais na vida escolar do aluno.
Tive muita dificuldade, principalmente com funcionário, porque eu estudei, eu cresci obedecendo ordens, respeitando… Eu sou um Caxias na hora de chegada, de saída e no Lauro Sodré o pessoal não cumpria horário, o pessoal chegava e saía a hora que bem entendia, procurava e não tinha funcionário.
Logicamente eles sabem que eu cobro, mas eu cobro porque eu cumpro porque se eu não cumprisse eu não falaria nada.
Os empecilhos, que em determinado momento da história emperraram ou impediram o trabalho administrativo de viabilizar melhores condições para a execução das atividades educacionais, dificultaram, também, a efetivação dos projetos educacionais elaborados pelos espaços institucionais oficiais que cuidam da educação no país. Desse modo, não dando condições para que a instituição de ensino possa promover plenamente seu papel, o próprio Estado impedia a instituição de alcançar as metas por ele projetadas.