Da descrição dos pontos apresentados no presente capítulo são realçados vários temas considerados importantes para o desenvolvimento presente e futuro da imagiologia de urgência. O ponto 2.1 faz uma revisão global dos modelos de gestão a aplicar na urgência de imagiologia, salientando a interacção com o meio exterior e a importância da estratégia e da estrutura a adoptar pelas referidas unidades. Descreve também modelos mais recentes de gestão dos recursos humanos muito importantes para aplicação no meio profissional complexo e exigente que é o SDU e abre pistas para a abordagem estratégica de integração da urgência de imagiologia no serviço de urgência global não só no mesmo espaço físico como podendo abranger um espaço físico ou uma área geográfica mais heterogénea ou mais vasta. Salienta por um lado a importância de aspectos como a inovação, propensão à mudança e controlo permanente dos procedimentos adoptados (já de si uma inerência do SDU) e por outro lado a relevância de factores ambientais e das condições de trabalho na satisfação e no desempenho dos profissionais. Os tópicos analisados nos pontos 2.2 e 2.3 referentes à evolução da imagiologia no sentido da sofisticação tecnológica e do alargamento de conhecimentos necessários e à importância da actividade respectiva em horas incómodas, constituindo uma actividade a 24 horas por dia, sete dias da semana, permitem destacar os aspectos que serão considerados relevantes para operacionalizar o trabalho empírico a descrever. No ponto 2.4 é analisada a inter-relação da actividade das duas especialidades de Imagiologia (Geral e Neurológica) e sua integração na organização da referida urgência. Evidencia-se a existência de um tronco de conhecimento comum, não só a nível de conhecimentos médicos e tempo de internato de especialidade, como de espaço físico de actuação, cujo aproveitamento pode ser importante para rentabilizar os recursos humanos médicos existentes e disponíveis para o Serviço de Urgência. Da correlação das considerações do ponto 2.3 com o ponto 2.4 surgem indicações relativas à estrutura e estratégia de actuação das duas especialidades no SDU.
20 www.acss.min-
saude.pt/Portals/0/Direccoes_e_Unidades/Coord_Reg_Formacao_Profissional/.../Lista_IM2007 AFE.pdf
A Hipótese Geral, que se apresenta em três parágrafos, traduz a importância dos tópicos descritos na abordagem actual da organização desta actividade e a necessidade de modificação dos modelos presentemente instituídos.
• Nos Hospitais Centrais, os avanços tecnológicos e científicos revelam uma tendência para a subespecialização e aumento da complexidade operacional, que se repercute na Medicina de Urgência e de igual modo na Imagiologia de Urgência, justificando uma remodelação e adaptação da gestão de recursos humanos médicos a este contexto.
• O modelo de Imagiologia de Urgência em funcionamento a nível nacional não dá prioridade à intervenção do imagiologista na aplicação de todas as técnicas de imagem médica acessíveis na sua actividade curricular e profissional. Deste modo não permite ao imagiologista atingir o nível de complexidade, conhecimento ou responsabilidade profissional que o próprio e a sociedade solicitam, nem faculta ao doente a melhor abordagem que a gravidade da situação clínica exige.
• Os novos modelos de gestão de recursos humanos (GRH) a aplicar na actividade médica dos SU requerem um protagonismo activo dos profissionais médicos na implementação da mudança atendendo à complexidade dos conhecimentos aplicáveis, ao seu papel primordial no considerado centro operacional da actividade hospitalar e ao elevado significado que estes profissionais atribuem à prestação do Serviço de Urgência.
Estes três paradigmas justificam uma análise e modificação do modelo funcional da Imagiologia na Urgência que deverá ser mais abrangente e recorrer a um quadro médico mais experiente, inclusivamente mais focalizado nesta actividade e com o objectivo de melhorar a eficácia operacional.
Os considerandos da literatura teórica e empírica apresentada estabelecem princípios de orientação a estabelecer para a organização da urgência de imagiologia. A necessidade de modificação ou de melhoramento dos modelos existentes resulta da
demonstração apresentadas através das Hipóteses Operacionais a descrever e analisar nos Capítulos seguintes. Com a referida demonstração pretender-se-á provar a desadequação dos modelos funcionais existentes demonstrando a pertinência das preposições apresentadas na Hipótese Geral e a consequente necessidade de modificação dos mesmos modelos. A demonstração dos pressupostos necessários à mudança considera-se alcançada através do papel primordial da profissão médica na performance das unidades de saúde (Mintzberg, 1982), pela importância estratégica da elevada complexidade da actividade em si (Drucker, 1993; Toeffler,1994) e através do trabalho empírico efectuado demonstrando a importância atribuída pelo centro operacional médico à actividade no SDU.
Apresenta-se um modelo conceptual (Quadro 2.7) da intervenção na organização da actividade do quadro médico de um SDU de Imagiologia localizado num hospital central, constituindo os pontos centrais do trabalho empírico efectuado. Salienta-se os pontos de intervenção no plano organizativo (círculo central), os vectores de acção estratégica e estrutural (anel intermédio azulado e em perspectiva) e os objectivos organizativos resultantes (espaço periférico, texto verde). A cada um dos alvos da intervenção, traduzindo as hipóteses operacionais a analisar e descritas no capítulo seguinte (Capítulo Três), poderá corresponder um ou mais vectores de acção. Os vectores de acção a aplicar serão o incremento da inovação organizacional e da flexibilidade laboral e a melhoria do desempenho e das condições de trabalho e deverão constituir o cerne da mudança preconizada pelas hipóteses operacionais. Assim, apresentam-se os vectores preferenciais para os alvos da intervenção a analisar no presente estudo:
• Alvo “condições de trabalho”: vectores “ambiente de trabalho” e “inovação”;
• Alvo “valências disponíveis”: vectores “desempenho” e “flexibilidade”; • Alvo “limite etário para horas incómodas”: vectores “flexibilidade” e
“inovação”;
• Alvo “área de conhecimento”: vector “desempenho” e “inovação”; • Alvo “integração funcional”: vectores “flexibilidade” e “desempenho”.
No presente Capítulo Dois, apresentou-se literatura e bibliografia demonstrando a pertinência dos objectivos a atingir através da mudança da actividade organizacional
(descritos na área periférica, balões com texto verde, do modelo conceptual). Com o estudo empírico pretender-se-á demonstrar, pela análise das opiniões do painel de especialistas incluídos no estudo, a necessidade de mudança em relação aos tópicos alvos da intervenção demonstrando a inadequação dos paradigmas existentes, ou porque não estão a ser implementados ou porque a comparação com a literatura teórica ou empírica aconselham a respectiva modificação. De acordo com a literatura apresentada demonstra-se a necessidade de a modificação do modelo actual ser implementada pelos actores principais intervenientes nas estruturas hospitalares, de que são exemplos a importância atribuída por Mintzberg (1982,1992) ao centro operacional, e a resistência deste mesmo centro operacional à integração, segundo Lawrence e Lorsch (1967).
O b j e c t i v o s o r g a n i z a c i o n a i s
Aumento do limiar de idade para Subespecialização Horário de Quadro 2.7: Modelo conceptual do planeamento organizativo de umCondições de trabalho Limite etário para horas incómodas Valências disponíveis Área de conhecimento Completação Neurorradiologia Radiodiagnóstico Valências a incluir: Radiologia Convencional e de Intervenção, Ecografia-Doppler Instalações físicas. Meios técnicos.
A l v o s da
I n t e r v e n ç ã o
Ambiente de trabalho I n o v a ç ã o F le x ib ilid ad e D es em p en h o Separação Radiodiagnóstico NeurorradiologiaCAPÍTULO TRÊS: MÉTODOS E TÉCNICAS DA PESQUISA
Neste capítulo apresentam-se os passos elaborados para a efectivação da investigação, os critérios que nortearam a escolha do método e técnicas de estudo e sua justificação, os critérios de escolha dos profissionais médicos abordados e as Hipóteses Operacionais e respectivas questões associadas utilizadas para corroborar a Hipótese Geral.
3.1. FASE EXPLORATÓRIA: DEFINIÇÃO DAS PERGUNTAS OU QUESTÕES
A primeira fase da investigação designou-se por “fase exploratória”, tendo como finalidade investigar e determinar questões passíveis de aplicação nas Hipóteses Operacionais a estabelecer em relação à Hipótese Geral.
Nesta fase exploratória foi elaborado um procedimento fundamental que consistiu na realização de um estudo exploratório através de um inquérito nacional (cuja descrição se apresenta no Anexo Um) dirigido a Serviços de Radiologia de Hospitais Centrais ou Distritais de primeira linha com capacidade superior a 350 camas, onde foram escrutinados uma série de temas, por um painel de colegas pertencentes aos respectivos serviços. Com este estudo exploratório (em que participaram cerca de cento e cinquenta profissionais) pretendeu-se analisar o posicionamento de um conjunto alargado de médicos em relação ao Problema Geral e a uma série de questões, algumas das quais utilizadas para formulação das Hipóteses Operacionais. Após a análise dos resultados obtidos no estudo exploratório passou-se aos procedimentos seguintes, que consistiram na definição do método de avaliação dos peritos e selecção destes últimos (Fig.3.1).
Fig. 3.1 : Modelo da Investigação
• Estudo exploratório, para aferição e determinação das questões relevantes para avaliar as hipóteses operacionais (Anexo Um). • Definição do método de avaliação das questões e das hipóteses
operacionais.