10 Beregninger og effekter av utslipp til sjø
10.3 Modellresultater
5.2. Perfis sociais de felicidade
A análise exploratória realizada através de uma ACM sugeriu quatro grupos sociais distintos para a sociedade portuguesa. Neste contexto, colocam-‐se algumas questões quanto às especificidades destes agrupamentos, nomeadamente: Qual a sua dimensão? Quais são as suas principais características? Apresentam diferentes percepções de felicidade?
Com o objectivo de aprofundar o conhecimento acerca dos grupos sociais sugeridos pela ACM, realizou-‐se uma análise classificatória ou análise de clusters65.
Após a identificação dos grupos, quanto à sua dimensão, procedeu-‐se à exploração das suas especificidades, nomeadamente à sua distribuição por sexo, nível de instrução, estado civil e escalão etários, mas também percepção de felicidade. A tabela seguinte (tabela 4) apresenta as principais características de cada um dos grupos.
65 As variáveis usadas para classificar os indivíduos são os scores factoriais decorrentes da ACM
realizada. A técnica de classificação utlizada foi a hierárquica, comparando os métodos de agrupamento de Ward e Vizinho mais afastado, nomeadamente pela análise dos dendogramas e representação gráfica dos coeficientes de fusão. Estes métodos sugeriam um número de clusters diferente, mas o cruzamento dos seus resultados permitiu sustentar a decisão de 4 grupos sugerida pelo método do vizinho mais afastado e que é igualmente apontada pela análise de correspondências múltiplas apresentada anteriormente. Definido o número de grupos (clusters) a considerar, em seguida, procedeu-‐se a uma classificação não hierárquica para optimizar a escolha dos indivíduos pertencentes a cada grupo (Marôco, 2011).
Tabela 4 -‐ Perfis sociais
(Análise de Clusters não hierárquica)
Fonte dos dados: ESS.5, 2010
O grupo 1 é composto maioritariamente por mulheres (59,8%), indivíduos casados (72,7%), com idades compreendidas entre 35-‐44 e os 45-‐54 anos (percentagem acumulada: 59,3%) e com níveis de instrução do 2º ciclo (24,6%), 3º ciclo (28,7%) e secundário (20,8%). Este grupo é constituído por 756 inquiridos. Cerca de 93% percepciona felicidade, conforme se pode verificar na tabela 5.
Por sua vez, o grupo 2 é o mais pequeno com 249 indivíduos. Agrupa principalmente mulheres (73,4%), com baixos níveis de instrução (sem instrução e com 1º ciclo ascendem aos 92%: percentagem acumulada), maioritariamente viúvas (59,2%) e com idades elevadas: 86,8% (percentagem acumulada) tem 65 ou mais anos. Refira-‐se que este grupo apresenta a percentagem mais baixa dos que percepcionam felicidade, aspecto que analisaremos em seguida.
O grupo 3 é o maior grupo identificado (N=786) e o que apresenta uma distribuição mais equitativa de homens e mulheres. Os níveis de instrução são baixos, uma vez que 70,7% deste grupo tem apenas o 1º ciclo de escolaridade. Os
N % N % N % N % Homem 304 40,2% 66 26,6% 336 42,7% 164 45,8% Mulher 452 59,8% 183 73,4% 450 57,3% 194 54,2% Sem7instrução 4 0,5% 117 47,0% 55 7,0% 0 0,0% 1º7ciclo 123 16,3% 112 45,0% 556 70,7% 3 0,7% 2º7ciclo 186 24,6% 7 2,8% 77 9,8% 20 5,5% 3º7ciclo 217 28,7% 3 1,0% 58 7,3% 99 27,7% Secundário 157 20,8% 5 2,0% 21 2,7% 137 38,3% Superior 69 9,2% 6 2,3% 19 2,4% 99 27,7% Casado/junto 548 72,7% 70 28,1% 657 83,6% 96 26,7% Divorciado/separado 48 6,4% 14 5,8% 46 5,8% 9 2,4% Viúvo 1 0,1% 148 59,2% 37 4,7% 5 1,5% Solteiro 156 20,8% 17 6,8% 46 5,9% 249 69,5% 15K24 58 7,7% 0 0,0% 0 0,0% 172 48,0% 25K34 148 19,6% 1 0,3% 0 0,0% 91 25,3% 35K44 229 30,3% 1 0,6% 19 2,4% 46 12,7% 45K54 219 29,0% 8 3,4% 107 13,6% 26 7,3% 55K64 97 12,8% 22 8,9% 254 32,3% 8 2,1% 65K74 5 0,6% 77 30,8% 269 34,2% 11 3,2% 75+ 0 0,0% 140 56,0% 137 17,5% 5 1,3% Estado7civil Escalões7etários Sexo Nível7de7instrução
indivíduos deste grupo são maioritariamente casados (83,6%) e com idades superiores a 55 anos.
Por fim, o grupo 4 é constituído pelos mais novos (73,3% tem idades inferiores a 35 anos: percentagem acumulada), com níveis de instrução mais elevados (secundário: 38,3% e superior: 27,7%) e na sua maioria solteiros (69,5%) e com uma distribuição de homens e mulheres semelhante. Refira-‐se que este grupo apresenta a maior percentagem dos que se declaram felizes (94,6%).
A tabela 5 apresenta a percepção de felicidade entre os vários grupos identificados. Mobilizámos o teste de independência do qui-‐quadrado para perceber se há diferenças significativas quanto à percepção de feliz e infeliz entre os 4 grupos sociais considerados66. De facto, há diferenças significativas entre os vários grupos sociais quanto à sua percepção de felicidade: as maiores diferenças ficam marcadas entre o grupo 2 (em que se destacam as mulheres mais velhas e com baixos níveis de instrução) que apresenta uma elevada probabilidade de não declarar felicidade, e os grupos 1 e 4 que apresentam uma elevada probabilidade de declararem felicidade.
Tabela 5 -‐ Percepção de felicidade entre grupos
Fonte dos dados: ESS.5, 2010
Nota: Os valores apresentados referem-‐se aos resíduos estandardizados e ajustados entre categorias. * indica significância estatística (|Z|>1,96; nível de significância de 0,05). Os valores realçados a negro indicam uma associação positiva entre as categorias67.
66
𝑋2(3)=138,821; 𝑝<0,001.
67
Um resíduo superior a 1,96 (𝑅ij>1,96) é significativo a 0,05, sendo que o valor positivo do
resíduo indica que o valor observado na célula é significativamente superior ao valor esperado e o valor negativo indica que os valores observados na célula são significativamente inferiores aos valores esperados. Em termos de análise, o valor de resíduo significativo é consistente com a importância que a relação entre as categorias na célula desempenham no efeito significativo do conjunto (Sheskin, 2004).
Infeliz (5,3* 7,0% 10,8* 36,8% 1,7 14,4% (4,3* 5,4%
Feliz 5,3* 93,0% (10,8* 63,2% (1,7 85,6% 4,3* 94,6%
Grupo.4
Felicidade
Da mesma forma, verifica-‐se que o grau médio de felicidade percepcionada difere entre os grupos e decresce com o aumento da idade média68 (ver tabela 6).
Tabela 6 -‐ Perfis sociais, grau de felicidade média e idade média
Fonte dos dados: ESS.5, 2010
Assim, os mais novos (idade média de 30 anos) reportam níveis médios de felicidade mais elevados (7,51) por oposição aos mais velhos (idade média de 74 anos) com uma felicidade média de 5,52. É o grupo 2 que reúne os respondentes mais velhos, e maioritariamente mulheres, que declara menor felicidade média, tal como foi afirmado anteriormente.
Mais uma vez, os resultados contrariam teses anteriores quanto à universalidade da relação entre idade e felicidade, penalizando – no caso português – os mais velhos, que reportam menor felicidade média do que em qualquer outro ciclo de vida.
Da mesma forma, se há diferenças que são atribuíveis à idade, outras aprecem determinadas pelo sexo. Recorremos ao teste t à igualdade de médias para avaliar se há diferenças significativas entre a percepção (média) de felicidade de homens e mulheres no conjunto da população portuguesa69. Os resultados permitem concluir que há diferenças de sexo significativas quanto à percepção de
68 A variável grau de felicidade percepcionada foi medida em escala de 11 pontos, em que 0
corresponde a Extremamente infeliz e 10 a Extremamente feliz.
69 𝑡(1996,321)=3,102; 𝑝=0,002. Grau%de%felicidade%% (média) Idade%(média) Grupo%1 6,97 41,48 Grupo%2 5,52 74,18 Grupo%3 6,48 64,82 Grupo%4 7,51 29,76
felicidade, e que essas diferenças ficam expressas pela menor felicidade média entre as mulheres.
Estes resultados confirmam a hipótese inicialmente formulada de que a percepção de felicidade é socialmente diferenciada. Esta diferenciação fica marcada essencialmente pela idade mas também pelo sexo.
A existência de espaços sociais (e de perfis sociais) associados a felicidade obriga ao aprofundamento do conhecimento acerca do desigual acesso às condições sociais de existência e que pode contribuir para a compreensão da diferenciação social das formas de percepcionar este sentimento. Como tal, o ponto seguinte será dedicado à exploração das relações entre as percepções de felicidade e a posição social.
De qualquer forma, os resultados até aqui apresentados são já um primeiro indicador de que a felicidade é um recurso (emocional) socialmente desigual em Portugal.
5.3. Felicidade e posição social
A sociedade portuguesa actual apresenta níveis de desigualdade social elevados sendo que os dados de 2011 apontam para um índice de Gini de 0,34170. De acordo com Pickett e Wilkinson (2011), estes valores colocam Portugal entre os países mais desiguais do mundo, a par de Singapura, dos Estados Unidos da América e do Reino Unido. Um estudo recente sobre a burguesia em Portugal alerta para a desigual repartição da riqueza no país destacando o papel da modernização neste processo desigualizador (Louçã, Lopes, & Costa, 2014)
70
O índice de Gini é uma medida da desigual distribuição de rendimentos num país. Varia entre 0 e 1, em que 0 representa igualdade e 1 a completa desigualdade. Fonte: OCDE, 2011.