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Effekter på vegetasjon og fauna

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Se   esta   caracterização   mais   ampla   nos   permite   começar   a   conhecer   os   contornos   da   diferenciação   social   das   formas   de   sentir   –   relacionadas   com   diferenças   de   sexo   e   idade   –,   levanta   outras   questões   que   urge   aprofundar   nomeadamente   quanto   à   influência   da   posição   social   face   às   percepções   de   felicidade.   Para   tal,   recorreu-­‐se   aos   resultados   do   questionário   construído   e   aplicado   no   âmbito   do   trabalho   de   investigação   desenvolvido   neste   doutoramento.    

Uma  vez  que  a  análise  dos  resultados  utiliza  dados  de  diferentes  origens  e   amplitudes,   a   exposição   que   se   segue   terá   a   preocupação   de   referir   sempre   a   amostra,  o  objectivo  e  a  extensão  da  análise  desenvolvida.    

   

5.1.  Espaço  social  de  felicidade    

O   espaço   social   assume   diferentes   configurações   em   função   da   distribuição  desigual  de  recursos.  Estes  recursos  estão  dependentes  das  condições   de  vida,  na  sua  relação  com  o  momento  do  ciclo  de  vida  e  situam  estilos  de  vida  e   percepções  de  felicidade.    

Perante   a   complexidade   de   relações   e   interdependências   que   se   estabelecem   entre   as   várias   dimensões   que   influenciam   felicidade,   e   face   aos   objectivos  definidos  de  explorar  configurações  sociais  associadas  à  percepção  de   felicidade,   pensamos   que   a   análise   conjunta,   simultânea   e   relacional   de   várias   características  sociais  que  remetem  tanto  para  o  momento  da  vida  como  para  as   condições  de  vida,  é  a  melhor  opção.  

Neste   sentido,   recorreu-­‐se   à   Análise   das   Correspondências   Múltiplas   (ACM)  com  o  objectivo  de  explorar  se  diferentes  configurações  sociais  estruturam   percepções   diferenciadas   de   felicidade,   ou   seja,   saber   se   a   felicidade   pode   ser  

 

diferentemente   percepcionada   em   função   do   espaço   social   de   pertença   do   indivíduo.  

De   acordo   com   Helena   Carvalho,   a   ACM   é   particularmente   indicada   quando  interessa  preservar  uma  abordagem  estrutural  da  multidimensionalidade,   nomeadamente  quando  se  pretende  estudar  o  espaço  social,  e  a  “[...]  matriz  de   posições,   que   têm   associadas   certas   condições   de   existência,   socialmente   definidas,  com  configurações  especificas.”  (Carvalho,  2008).  

A   análise   relacional   de   várias   categorias   sociais   em   simultâneo   permite   identificar   as   associações   privilegiadas   entre   elas   (o   que   aproxima   e   distancia   diferentes   atributos)   e   conhecer   a   sua   configuração.   Assim,   a   escolha   desta   técnica   surge   pela   necessidade   de   relacionar   vários   atributos   qualitativos,   indicadores  de  espaço  social  que  podem  influenciar  a  percepção  de  felicidade.  

Assim,   as   variáveis   activas   escolhidas   para   esta   análise   são:   nível   de   instrução,   estado   civil,   escalões   etários,   número   de   residentes   no   agregado   familiar,   planos   para   ter   filhos   nos   próximos   3   anos,   principal   fonte   de   rendimento,  nível  de  instrução  parceiro  e  nível  de  instrução  da  mãe61.  

Porque   estas   variáveis?   Porque   nos   remetem   para   características   associadas   ao   percurso   biográfico   (nível   de   instrução   e   idade),   que   permitem   distinguir  diferentes  estilos  de  vida  (planos  para  ter  filhos,  número  de  residentes  e   fontes   de   rendimento)   e   que   influenciam   a   posição   social   ocupada   (nível   de   instrução  do  parceiro  e  da  mãe62).  

                                                                                                               

61  A   variável   felicidade   foi   projectada   em   suplementar   porque   não   é   estruturadora   do   espaço  

social.   Está   categorizada   em   feliz,   e   infeliz   e   decorre   da   transformação   da   variável   Grau   de  

felicidade   percepcionada   originalmente   medida   numa   escala   de   0   (extremamente   infeliz)   a   10  

(extremamente  feliz).  Os  que  não  se  consideram  nem  felizes  nem  infelizes  foram  excluídos  desta   análise.  

62  Estudos  sobre  as  elites  políticas  e  económicas  referem  que  as  características  dos  parceiros  e  dos  

pais,   mas   principalmente   das   mães,   são   fortemente   influenciadoras   do   percurso   de   sucesso   profissional.   Os   indivíduos   que   ocupam   posições   de   liderança   têm   mais   frequentemente   mães   e   parceiros  com  níveis  de  instrução  elevados,  e  este  aspecto  tende  a  facilitar  a  sua  carreira  (Vianello   &  Moore,  2004),  pelo  que  considerámos  ser  relevante  para  situar  o  espaço  social  de  pertença.  

 

O  exame  dos  resultados  (gráfico  2)  permite  perceber  como  cada  uma  das   dimensões   diferencia   os   objectos   em   análise.   A   dimensão   1   mais   ligada   ao   percurso   de   vida;   e   a   dimensão   2   estrutura   as   condições   de   vida   actuais63.   Mais   especificamente,   as   variáveis   que   mais   discriminam   a   dimensão   1   estão   claramente   ligadas   ao   ciclo   de   vida:   nível   de   instrução   do   próprio,   fonte   de   rendimento,   nível   de   instrução   da   mãe,   planos   para   ter   filhos.   Por   sua   vez,   a   dimensão   2   estrutura-­‐se   através   das   variáveis   estado   civil,   nível   de   instrução   do   parceiro   e   número   de   pessoas   que   compõem   o   agregado   familiar,   remetendo   para   as   condições   de   vida   actuais   dos   respondentes.   Refira-­‐se   que   a   variável   escalão  etário  é  importante  para  as  duas  dimensões  e  que  essa  importância  está   contemplada  na  análise  e  interpretação  dos  resultados.  

   

                                                                                                               

63  A  análise  da  ACM,  iniciou-­‐se  com  a  identificação  das  dimensões  mais  significativas  (através  dos  

valores  de  inércia)  e  análise  das  medidas  de  discriminação  de  cada  uma  das  variáveis  propostas.  A   interpretação   das   dimensões   fez-­‐se   por   via   das   contribuições   de   cada   categoria   para   a   estruturação  do  espaço  e  do  seu  posicionamento  nos  quadrantes.  Esta  análise,  completada  com  a   interpretação   da   representação   gráfica,   permitiu   designar   as   dimensões   e   sustentar   a   análise   interpretativa.   A   dimensão   1   apresenta   uma   capacidade   explicava   de   13,6%   da   variância   e   a   dimensão   2   tem   uma   capacidade   explicava   de   6,7%   da   variância.   Refira-­‐se   ainda   que   a   variável   condição   perante   o   trabalho   foi   projectada   em   suplementar   porque   não   contribui   para   a   estruturação  do  espaço  factorial  (Carvalho,  2008).  

 

Gráfico  2  -­‐  Topologia  de  Espaço  Social  

(Análise  das  Correspondências  Múltiplas)  

 

 

Fonte  dos  dados:  ESS.5,  2010   Escalões etários: 15;24 – 15-24 anos 25;34 – 25-34 anos 35;44 – 35-44 anos 45;54 – 45-54 anos 55;64 – 55-64 anos 65;74 – 65-74 anos 75+ – 75 e mais anos

Nível de instrução parceiro:

Par_S/ instrução - parceiro sem instrução Par_1º ciclo - parceiro com 1º ciclo Par_2º ciclo - parceiro com 2º ciclo Par_3º ciclo - parceiro com 3º ciclo

Par_Sec - parceiro com secundário

Par_Sup - parceiro com universitário

Nível de instrução pai:

Pai_S/ instrução - pai sem instrução Pai_1º ciclo - pai com 1ºciclo Pai_2º ciclo - pai com 2º ciclo Pai_3º ciclo - pai com 3º ciclo Pai_Sec - pai com secundário Pai_Sup - pai com universitário

Nível de instrução mãe:

Mae_S/ instrução – mãe sem instrução

Mae_1º ciclo – mãe 1º ciclo

Mae_2º ciclo – mãe 2º ciclo

Mae_3º ciclo – mãe 3º ciclo

Mae_Sec – mãe secundário Mae_Sup – mãe superior

Nível de instrução: 1º ciclo 2º ciclo 3º ciclo Secundário Superior Estado civil:

cas/junt - casado ou vive junto sep/div - separado ou divorciado viúvo - viúvo

Solteiro - solteiro

Planos filhos (nos próximos 3 anos): Filhos_N - sem planos para ter filhos Filhos_S - planos para ter filhos

Filhos_NA - não se aplica

Principal fonte de rendimento: salário

pensão outras fontes

Condição perante o trabalho: Empregado

Estudante Desempregado Reformado Doméstico

Outra CPT – outra condição perante o trabalho

Número de residentes alojamento:

1 2 3 4 5+ Felicidade: Infeliz Feliz

 

A  análise  articulada  entre  a  projecção  das  categorias  e  a  sua  contribuição   para   a   estruturação   do   espaço   mostra   que   estas   se   projectam   em   forma   de   parábola   desenhada   pela   relação   entre   a   idade   e   os   recursos   (principalmente   escolares):  a  idades  mais  elevadas  correspondem  menores  recursos  e  vice-­‐versa.  

Assim,   verifica-­‐se   uma   associação   privilegiada:   1)   entre   os   grupos   etários   mais   elevados   e   níveis   de   instrução   baixos   ou   nenhuma   instrução;   2)   entre   os   escalões  etários  intermédios  e  os  níveis  de  escolaridade  de  2º  e  3º  ciclos;  3)  entre   os  mais  novos  e  os  recursos  escolares  mais  elevados  (secundário  e  universitário).   Estas   associações   sugerem   uma   topologia   de   espaço   social   com   quatro   grupos   distintos,   cuja   proposta   de   representação   gráfica   (gráfico   3)   se   apresenta   em   seguida.  

 

Gráfico  3  –  Topologia  de  espaço  social  (exploração  de  grupos)  

(Análise  de  Correspondências  Múltiplas)  

 

Fonte  dos  dados:  ESS.5,  2010  

 

A   projecção   das   categorias   no   espaço   bidimensional   propõe   quatro   configurações  sociais  distintas:    

-­‐ num   primeiro   grupo,   encontramos   uma   aproximação   entre   os   indivíduos   mais  velhos  (75  e  mais  anos),  viúvos  e  que  vivem  sós,  sem  qualquer  grau   de  escolaridade,  com  parceiros  igualmente  sem  instrução;    

-­‐ um  segundo  grupo,  também  envelhecido  (65-­‐74),  essencialmente  com  o  1º   ciclo,  doméstico,  casado,  cujo  parceiro  tem  também  o  1º  ciclo  de  instrução   formal   mas   a   mãe   sem   qualquer   grau   de   escolaridade,   reformado   e   cuja   principal  fonte  de  rendimento  é  a  pensão;    

-­‐ um   terceiro   grupo   com   idades   entre   os   45   e   os   54   anos,   já   com   escolaridade  até  ao  nível  do    2º  ciclo,  parceiros  com  2º  ciclo,  e  mãe  com   níveis  de  ensino  de  1º  ciclo,  e  empregados  cuja  fonte  de  rendimento  são   os  salários;    

-­‐ e   uma   última   configuração   com   indivíduos   mais   jovens   (15-­‐24   e   25-­‐34   anos),  estudantes,  solteiros,  sem  filhos,  com  níveis  de  instrução  secundário   e   superior   e   cujas   mães   possuem   igualmente   recursos   escolares   mais   elevados.    

 

Quanto   à   hipótese   inicial,   da   existência   de   diferentes   espaços   sociais   de   felicidade,  verifica-­‐se  que  a  percepção  de  felicidade  (categoria  feliz),  e  porque  se   aproxima  da  origem,  não  tem  uma  relação  privilegiada  com  nenhum  dos  grupos   identificados,  o  que  sugere  a  sua  importância  para  todo  o  espaço  social.  Contudo,   a  projecção  da  categoria  infeliz  aproxima-­‐se  espacialmente  dos  mais  velhos  e  com   menos  recursos.  

Este   resultado   reforça   a   hipótese   inicialmente   proposta   em   torno   da   existência  de  espaços  sociais  mais  ou  menos  propícios  à  percepção  de  felicidade,   sendo  que  tal  fica  expresso  pela  relação  entre  a  percepção  de  não  felicidade  e  um   conjunto  de  atributos  socialmente  diferenciados.  

 

Apesar   de   alguns   estudos   apontarem   para   o   efeito   em   U   (ou   em   sorriso)   que  a  felicidade  apresenta  em  relação  à  idade  (Blanchflower  &  Oswald,  2008;  Di   Tella  et  al.,  2003;  Veenhoven  &  Jonkers,  1984)  –  em  que  os  mais  novos  e  os  mais   velhos  se  autoavaliam  como  mais  felizes  –  esta  tendência  parece  não  se  verificar   em  Portugal.  

A   explicação   poderá   situar-­‐se   nas   diferentes   representações   sociais   de   felicidade  entre  as  várias  gerações  –  um  artigo  recente  destaca  que  os  mais  velhos   retiram  mais  prazer  e  felicidade  do  passado,  através  das  suas  memórias,  do  que   do  presente  (Hyman,  2014)  –,  mas  também  em  assimetrias  sociais  que  tendem  a   penalizar   os   mais   velhos,   numa   sociedade   em   que   estes   detêm   menos   recursos   (educativos  e  por  vezes  financeiros).  

Neste   sentido,   lembramos   que   os   efeitos   da   crise   financeira   poderão   contribuir   para   estes   resultados,   na   medida   em   que   concorrem   para   a   alteração   da   responsabilidade   e   preocupação   deste   grupo   etário,   que   é   fortemente   penalizado   com   reduções   nos   vencimentos/reformas,   mas   também   pelo   acréscimo   de   despesas   decorrentes   do   aumento   de   desemprego   entre   os   mais   jovens   (que   retornam   a   casa   dos   pais   e/ou   os   sobrecarregam   com   responsabilidades  financeiras)64.  

Sendo   a   Análise   de   Correspondências   Múltiplas   uma   técnica   exploratória   de   análise   de   dados   e   tendo   sugerido   quatro   grupos   sociais   distintos   importa   conhecê-­‐los  quanto  às  suas  principais  características.  É  este  o  objectivo  do  ponto   seguinte.  

   

                                                                                                               

 

5.2.  Perfis  sociais  de  felicidade    

A   análise   exploratória   realizada   através   de   uma   ACM   sugeriu   quatro   grupos  sociais  distintos  para  a  sociedade  portuguesa.  Neste  contexto,  colocam-­‐se   algumas   questões   quanto   às   especificidades   destes   agrupamentos,   nomeadamente:   Qual   a   sua   dimensão?   Quais   são   as   suas   principais   características?  Apresentam  diferentes  percepções  de  felicidade?  

Com  o  objectivo  de  aprofundar  o  conhecimento  acerca  dos  grupos  sociais   sugeridos   pela   ACM,   realizou-­‐se   uma   análise   classificatória   ou   análise   de   clusters65.  

Após   a   identificação   dos   grupos,   quanto   à   sua   dimensão,   procedeu-­‐se   à   exploração  das  suas  especificidades,  nomeadamente  à  sua  distribuição  por  sexo,   nível   de   instrução,   estado   civil   e   escalão   etários,   mas   também   percepção   de   felicidade.   A   tabela   seguinte   (tabela   4)   apresenta   as   principais   características   de   cada  um  dos  grupos.  

 

                                                                                                               

65  As   variáveis   usadas   para   classificar   os   indivíduos   são   os   scores   factoriais   decorrentes   da   ACM  

realizada.   A   técnica   de   classificação   utlizada   foi   a   hierárquica,   comparando   os   métodos   de   agrupamento  de  Ward  e  Vizinho  mais  afastado,  nomeadamente  pela  análise  dos  dendogramas  e   representação  gráfica  dos  coeficientes  de  fusão.  Estes  métodos  sugeriam  um  número  de  clusters   diferente,   mas   o   cruzamento   dos   seus   resultados   permitiu   sustentar   a   decisão   de   4   grupos   sugerida   pelo   método   do   vizinho   mais   afastado   e   que   é   igualmente   apontada   pela   análise   de   correspondências  múltiplas  apresentada  anteriormente.  Definido  o  número  de  grupos  (clusters)  a   considerar,  em  seguida,  procedeu-­‐se  a  uma  classificação  não  hierárquica  para  optimizar  a  escolha   dos  indivíduos  pertencentes  a  cada  grupo  (Marôco,  2011).  

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