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A preocupação com os estudos urbanos se intensificaram a partir da década de 1970 com o aumento expressivo de pesquisas sobre a organização espacial das cidades. Dada a sua evolução na ciência geográfica, a Geografia Urbana passa a ser lecionada nos cursos analisados em Minas Gerais como disciplina autônoma, tanto nos currículos de Licenciatura, quanto nos de Bacharelado a partir de 1970.

A cidade se expressa, então, como um fato urbano presente no espaço geográfico (enquanto posição e relacionamento externo), e em seu espaço interno (organização funcional, morfologia e espaços socioeconômicos). Juntos, esses fenômenos aparecem inter-relacionados com as teorias sobre o processo de urbanização no mundo e no Brasil, enfocando as particularidades do planejamento regional na Geografia Urbana.

Ao privilegiar os estudos sobre o planejamento como escopo da dinâmica urbana, os cursos de Geografia da UFMG, UFJF, UNIMONTES e UFU preocupavam-se com as teorias,

dados, tipos e formas relacionados ao processo de urbanização, com a organização interna das cidades, todos esses temas enfocando o planejamento urbano no Brasil e as contribuições do profissional geógrafo nas formulações e no acompanhamento das políticas urbanas. Na bibliografia, um dos textos mais utilizados no período foi o de Pedro Pinchas Geiger sobre a Evolução da Rede Urbana Brasileira e os boletins do CNG, repercutindo os ensaios sobre os estudos urbanos brasileiros desde o início do século XX.

A análise espacial, como um dos atributos dos estudos da Geografia Urbana, foi uma das preocupações proeminentes do IBGE. Em Panorama Regional do Brasil, de 1972, Faissol sinaliza que uma das preocupações dos geógrafos do Departamento de Geografia desse Instituto era estabelecer uma Matriz Geográfica46 para a realização de uma análise sistemática de todo o espaço, importante para os estudos urbanos em interface com o planejamento regional.

A Matriz Geográfica reduz o problema da diferenciação entre o método regional e o método sistemático a um simples problema de tamanho da matriz: um número elevado de linhas e pequeno de colunas, a primeira cortando fronteiras regionais ou políticas e a segunda agrupando fenômenos altamente correlacionados, significa análise sistemática, método sistemático. Um número pequeno de linhas constituídas de lugares contíguos e considerados mais ou menos semelhantes e um número elevado de características exprimindo fenômenos correlacionados entre si sou não, porém significativos para a atividade humana na área, significa análise regional, método regional. Em ambos os casos analisa-se sistematicamente lugares e características desses lugares, estabelecendo diferenciações regionais segundo muito ou poucas características, integradas, seja em termos de espaço ou de processo. Em suma, a Matriz Geográfica reafirma a unidade da geografia (FAISSOL, 1972, p. 7).

Partindo desses pressupostos, durante o processo de organização das grades curriculares pode-se observar que as disciplinas sobre Planejamento Regional nos quatro cursos analisados, formam um conjunto importante de discussões teóricas, indispensáveis à compreensão de outras frentes, como é o caso da Geografia da População, Comércio e Serviços, Geografia das Indústrias, Geografia da Energia e Circulação e Geografia Econômica (Quadro 8). Esse “bloco” de disciplinas foi o norteador dos estudos regionais nos cursos de Geografia analisados, contribuindo, não apenas para a apreensão dos conceitos e concepções teórico-metodológicas próprios das análises quantitativas, mas também, para o auxílio nas análises empíricas dos lugares e das regiões mineiras em que estão inseridos esses cursos.

Em se tratando dos estudos sobre a Geografia da População, estes refletem a dinâmica macrogeográfica, que envolve, segundo Faissol (1972), algumas variáveis, como o crescimento

46 Segundo Faissol (1972), os métodos quantitativos são direcionados para a construção de uma Matriz Geográfica

“em cuja linhas na (horizontal) são colocados todos os lugares para os quais se registram informações, e nas colunas (na vertical) é inserida a natureza das observações, ou sejam, as características dos lugares, chamadas variáveis (FAISSOL, 1972, p. 7).

da renda, as migrações e seus condicionamentos; ambas desenvolvidas por intermédio de processos computacionais.

As várias obras do Departamento de Geografia do IBGE e de autores como Speridião Faissol, são bastante corriqueiras nas grades curriculares analisadas (Quadro 8), indicando conteúdos que versam sobre os movimentos populacionais no mundo, a composição da população, teorias básicas e gerais sobre a população, conceitos de estrutura social e população, com ênfase no caso brasileiro, e aplicação do uso da componente população nos estudos de planejamento urbano. Consta, também, das grades curriculares, estudos computacionais sobre medidas de densidade e distribuição populacional, utilizando recursos como análise de dados demográficos, processos estatísticos para cálculos de projeção populacional e tendência de mobilidade.

As relações entre a disciplina de Geografia Urbana e Indústria são bastante próximas, inclusive na bibliografia utilizada no período. Com enfoque na industrialização brasileira e se respaldando nos ensaios do CNG – e do Departamento de Geografia – IBGE, a disciplina dirigia-se aos estudos sobre o planejamento das áreas urbanas como condição importante para a implantação comercial e industrial (Quadro 8). Priorizava, entre outros assuntos, as análises sobre as condições geográficas e históricas da evolução industrial, a estrutura e a forma de organização das indústrias (indústrias pesadas e leves) e os principais fatores de localização industrial.

De maneira bastante próxima, casam-se também as análises empreendidas na Geografia Econômica e da Circulação e Consumo, relacionando as atividades industriais com o crescimento urbano e o planejamento regional. Destacam-se nas grades curriculares dessas disciplinas, temas como os aspectos geográficos do comércio, o crescimento econômico das atividades industriais no Brasil e a circulação comercial de bens de produção, e a distribuição geográfica das redes de transportes brasileiras e suas relações com as teorias locacionais (Quadro 8).