Kapittel 3: Eksklusivitet og investering
3.2. Ein generell modell for investering og eksklusivitet
3.2.1. Modellen til Segal og Whinston (2000a)
A investigação científica com base nas fontes primárias anteriormente citadas, se constitui em um estudo histórico das transformações da profissionalização do professor com base na legislação educacional no período entre 1892 e 1930, em Uberabinha, e
vincula-se ao passado da sociedade de Uberlândia, e não, estritamente, do passado25. Tal
perspectiva se fez viável em razão das possibilidades surgidas com os avanços nos estudos da historiografia consolidados a partir da segunda metade do século XX, com a
24 MONTEIRO, Clóvis. Ortografia Língua Portuguêsa. n.1 – Coleção Silva Ramos n.1. Rio de Janeiro:
Colégio Pedro II, 1956, p. 16-17.
25 Cf. BLOCH, Marc. Introdução à História. 3.ed. Mira-Sintra – Mem Martins: Publicações Europa-
América,1976. Esta pequena distinção ressaltada por Bloch, indica a profundidade que deseja provocar na historiografia: “Algumas vezes se disse:‘A História é a ciência do passado’. É erro dizê-lo, em meu
entender.” (p.25). “O objeto da história é por natureza o homem. Melhor: os homens. Mais do que o
singular, favorável à abstração, convém a uma ciência da diversidade o plural, que é o modo gramatical da relatividade(...). O bom historiador, esse, assemelha-se ao monstro da lenda. Onde farejar carne humana é que está a sua caça.” (p.28)
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apresentação de pressupostos metodológicos para o estudo histórico, os quais ampliaram a perspectiva a ponto de abarcar até o estudo no presente, que nas palavras de Chauveau “a
história não é somente o estudo do passado, ela também pode ser, com um menor recuo e métodos particulares, o estudo do presente”26.
O próprio estudo vinculado ao passado social das sociedades sofreu, assim, renovações que interferiram na significação do mesmo, de forma a não se constituir mais um objeto rígido, autônomo e independente, com o qual a sociedade do presente deveria se conectar de forma mecânica. Hobsbawm, em uma outra perspectiva, argumenta que “o
problema para os historiadores é analisar a natureza desse ‘sentido de passado’ na sociedade e localizar suas mudanças e transformações”27.
Entre essas renovações, a História Nova, que se apresentou como proposta renovada de se fazer história, provém de uma construção lenta, que ocorreu a partir dos séculos XVIII e XIX. Tal proposta foi empreendida por escritores e intelectuais
iluministas28, que ampliaram suas discussões para a história da sociedade e tentaram
superar os limites estabelecidos há séculos pela concepção de uma história, conhecida
como História Tradicional, e definida por Cardoso29 como a história linear dos fatos
singulares.
Tais personagens inspiravam uma atmosfera carregada de um pensamento questionador, diante de uma lógica regida por leis rígidas ou sob o dogma religioso ou o dogma da ciência do mundo físico, conforme afirma Marc Bloch.
As gerações imediatamente anteriores às nossas, das últimas décadas do século XIX e dos primeiros anos deste, viveram como que alucinadas por uma imagem muito rígida,
26CHAUVEAU, Agnés. Questões para a História do Presente. In: CHAUVEAU, A.; TÉTART, P. (orgs.). Questões para a História do Presente. Bauru/São Paulo: EDUSC, 1999, p.15.
27 HOBSBAWM, E. Sobre a História. São Paulo: Cia das Letras, 1998, p.30. E mais, “Paradoxalmente, o
passado continua a ser a ferramenta analítica mais útil para lidar com a mudança constante, mas em uma nova forma. Ele se converte na descoberta da história como um processo de mudança direcional, de legitimação, mais com isso ela se ancora em um ‘sentido de passado transformado”’ (p.30). “Nadamos no passado como o peixe na água, e não podemos fugir disso. Mas nossas maneiras de viver e de mover nesse meio requerem análise e discussão” (p. 35).
28 BURKE, P. A Escola dos Annales (1929 – 1989): a revolução francesa da historiografia. São Paulo:
UNESP, 1997, p.17. Considera o autor que “por volta de meados do século XVIII, um certo número de escritores e intelectuais, na Escócia, França, Itália, Alemanha e em outros países, começou a preocupar-se com o que denominava a ‘história da sociedade’. Uma história que não se limitava a guerras e à política, mas preocupava-se com as Leis e o comércio, a moral e os ‘costumes’, temas que haviam sido o centro da atenção do famoso Livro de Voltaire Essai sur les moeurs”.
29CARDOSO, Ciro Flamarion. Os Métodos da História. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979, pp. 21-22. A
História Tradicional atribui ao historiador a missão “em estabelecer – a partir de documentos – ‘os fatos
históricos’, coordená-los e, finalmente, expô-los coerentemente. Os ‘fatos históricos’ seriam aqueles fatos singulares, individuais, que todos, objetivamente, sem optar entre eles. (...) Sua coordenação em uma cadeia linear de causas e conseqüências constituiria a síntese, a apresentação dos fatos militares ou religiosos, muito raramente, econômicos ou sociais”.
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uma imagem verdadeiramente comtiana das ciências do mundo físico. Alargando ao conjunto das aquisições do espírito esse esquema prestigioso, parecia-lhes não poder existir conhecimento autêntico que não conduzisse, mediante demonstrações logo
irrefutáveis, a certezas formuladas na forma de leis imperiosamente universais.30
Posteriormente, Le Goff considerou que esta proposta renovadora da história nova foi uma busca para superar o discurso da história positivista.
A história nova nasceu em grande parte de uma revolta contra a história positivista do século XIX, tal como havia sido definida por algumas obras metodológicas por volta de 1900.(...).A história nova ampliou o campo do documento histórico; ela substituiu a história de Langlois e Seignobos, fundada essencialmente nos textos, no documento escrito, por uma história baseada numa multiplicidade de documentos; escritos de todos os tipos, documentos figurados, produtos de escavações arqueológicas,
documentos orais, etc.31
A superação desejada por esses inquietos historiadores, do final do século XIX, recebeu grande contribuição com o movimento ocorrido na década de vinte do século passado, o movimento dos Annales, que Burke caracterizou como um movimento “(...)
pequeno, radical e subversivo, conduzindo uma guerra de guerrilhas contra a história tradicional, a história política e a história de eventos”32, liderados, entre outros por Lucien
Febvre e Marc Bloch.
A história e a historiografia, a partir desses autores, estavam diante da possibilidade de desacorrentaram-se dos grilhões oriundo das pesquisas das ciências físicas, do domínio da certeza de conhecimento mensurável e comprovado em laboratórios, puderam, sim, ser pensadas como conhecimento possível, em que se admite a noção da relatividade, da porção do conhecimento abstraído. Bloch argumentou que houve este momento propício para se estabelecer esta renovação historiográfica, em razão de que o conhecimento foi ampliado e ganhou novas dimensões de mensuração e novas perspectivas com a Teoria da Relatividade de Einstein:
Ora a nossa atmosfera mental já não é a mesma. A teoria cinética dos gases, a mecânica einsteiana, a teoria dos quanta; alteraram profundamente a idéia que ainda ontem toda a gente formava da ciência. Não a apoucaram. Mas tornaram-na mais flexível. Substituíram, em muitos pontos, o certo pelo infinitamente provável; o rigorosamente mensurável pela noção da eterna relatividade da medida. Estamos, portanto, doravante, muito mais preparados para admitir que um conhecimento merece
30 BLOCH, Marc. Introdução à História. 3.ed. Mira-Sintra – Mem Martins: Publicações Europa-
América,1976, p. 19-20.
31LE GOFF, Jacques.A História Nova. São Paulo: Martins Fontes, 1990, p. 28.
32 BURKE, P. A Escola dos Annales (1929 – 1989): a revolução francesa da historiografia. São Paulo:
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o nome de científico ainda que não seja susceptível de demonstração euclidiana ou de
imutáveis leis de repetição.33
Todavia, há de se considerar que esse foi o momento, o marco reconhecido de um movimento historiográfico em prol do amadurecimento de uma proposta que pudesse ser alternativa válida, para contrapor a perspectiva da história tradicional. Marc Bloch, Lucien Febvre e, posteriormente, Fernand Braudel, contribuíram para se efetivar essa renovação historiográfica, a partir de 1929, partilhando do reconhecimento com os outros nomes que propiciaram questionamentos, propostas e ações para fundamentar os alicerces dessa renovação na historiografia.
Le Goff apresenta em sua obra A História Nova, nomes que precederam a Bloch, Febvre e Braudel neste questionamento historiográfico. A partir do século XVIII, cita
Voltaire34, e no século XIX, Guizot35, em quem a palavra civilização ecoará e,
posteriormente, a partir de 1930, na voz de Lucien Febvre com a valorização dessa linha de pesquisa na trama de fios da história nova. Em seguida, há a participação de Chateaubriand, que apresentou no prefácio dos ‘Estudos históricos’ considerações sobre a história moderna, o que Le Goff denominou como “um verdadeiro manifesto da história
nova:‘(...) O historiador era apenas um viajante que contava o que via. Agora, a história é uma enciclopédia; é preciso enfiar tudo nela (...). Esse historiador diz saber não só o que aconteceu em sua pátria, como também nas regiões vizinhas(...)”36.
A presença de Michelet, no século XIX, foi considerada por Le Goff como a de um profeta da história nova, que entre suas argumentações a favor da renovação historiográfica, registrou no Prefácio da História da França em 1869:
Ela tinha anais, não uma história de Homens eminentes haviam-na estudado sobretudo do ponto de vista político. Ninguém penetrara no infinito detalhe dos diversos desenvolvimentos de sua atividade (religiosa, econômica, artística, etc.) (...).Em resumo, a história, tal como eu a via nesses homens eminentes (e vários admiráveis) que a representavam, ainda me parecia fraca em seus dois métodos...Enfim e sobretudo, o apelo a duas orientações essenciais da história nova: uma história mais material, anunciadora da história da cultura material, que se interessa pelo clima, pelos alimentos, pelas circunstâncias físicas, e uma história mais espiritual. Uma história que seja a dos costumes – e com a evocação de Voltaire (‘Ensaio sobre os costumes’)
33BLOCH, Marc. Introdução à História. 3a. ed. Mira-Sintra – Mem Martins: Publicações Europa-América,
1976, p. 22.
34 LE GOFF, Jacques. A História Nova. São Paulo: Martins Fontes, 1990, p. 36. O autor afirma que Voltaire
predisse “(...) escrevendo em suas ‘Novas considerações sobre a história’ (1744): ‘Talvez aconteça em breve,
na maneira de escrever a história, o que já aconteceu na física. As novas descobertas levaram à prescrição dos antigos sistemas’”.
35 Ibidem., p. 39. Guizot registrou: “(...) na primeira lição do seu ‘Curso de história moderna: história da civilização na Europa, desde a queda do império romano até a Revolução Francesa’”.
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anunciam-se à história antropológica e a volta de nossa época ao belo conceito de
“costumes”.37
Le Goff considerou, também, François Simiand como um dos que contribuíram para a renovação historiográfica, e ressatando que em sua visão crítica, esse autor denunciou no artigo Método histórico e ciência social, os três ídolos dos historiadores, até então: o político, o individual e o cronológico, com os seguintes argumentos:
1. O ‘ídolo político’, isto é, o estudo dominante, ou pelo menos a preocupação perpétua com a história política, os fatos políticos, as guerras, etc., o que leva a dar a esses acontecimentos uma importância exagerada. (...)
2. ‘O ‘ídolo individual’, ou o hábito inveterado de conceber a história como uma história dos indivíduos, e não como um estudo dos fatos, hábito que ainda conduz comumente a ordenar as pesquisas e os trabalhos em torno de um homem, e não em torno de uma instituição, de um fenômeno social, de uma relação a ser estabelecida (...).
3. ‘O ‘ídolo cronológico’, isto é, o hábito de se perder em estudos de origem, em investigações de diversidades particulares, em vez de estudar e compreender primeiro o tipo normal, procurando-o e determinando-o na sociedade e na época em que ele se
encontra.38
Não se deve esquecer de Henri Berr, que já havia empregado o termo de uma
história nova, ao apresentar críticas à história tradicionalista e positivista39referindo-se ao
movimento da Nova História, lançado nos Estados Unidos em 1912, quando se utilizou o termo novo, em seu artigo publicado na Reveu de Synthèses historique e H. E. Barnes, que
em 1919, apresentou o movimento da Nova História Social40.
Outro ponto a ressaltar sobre essa nova proposta historiográfica, diz respeito à possibilidade de se compreender a sociedade no passado tendo em consideração o esforço no sentido de comunicar com o seu presente, numa via de dois sentidos. Em razão de que “a incompreensão do presente nasce fatalmente da ignorância do passado. Mas talvez não
seja mais útil esforçarmo-nos por compreender o passado se nada sabemos do presente”41.
Neste sentido, pode-se convergir à proposta de análise crítica sobre a relação do historiador com o passado, concebida nas discussões desenvolvidas por Walter Benjamin, dando conta que
(...) a história não é uma busca de um tempo homogêneo e vazio, preenchido pelo historiador com sua visão dos acontecimentos, mas é muito mais uma busca de
37LE GOFF, Jacques. A História Nova. São Paulo: Martins Fontes, 1990, p. 41. 38 Ibidem., p. 42.
39 Cf. CARDOSO, Ciro F. Os Métodos da História. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979, p 471. “Na verdade, as idéias de Bloch e Febvre não eram novas. Desde o início do século, Henri Berr esboçara a crítica à história positivista”.
40 LE GOFF, op. cit., p. 57. Nota 1.
41 BLOCH, Marc. Introdução à História. 3.ed. Mira-Sintra – Mem Martins: Publicações Europa-América,
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repostas para ‘agora’. A História é um imenso campo de possibilidades onde inúmeros
‘agoras’ irão questionar momentos, trabalhar perspectivas, investigar pressupostos.42
Há que se ressaltar, ainda, que a sociedade do presente representa determinado momento, dinâmico e complexo, do todo de sua existência e que se propõe a dialogar com as dimensões passado/presente, uma vez que estas são indissociáveis na busca da compreensão da composição do todo da história, ou seja, de seus sujeitos históricos, sua identidade, seus conflitos e possibilidades. Tendo certo que numa pesquisa histórica “o
caminho natural de qualquer investigação se faz do mais bem ou do menos conhecido para o mais obscuro”43.
O Movimento de renovação historiográfico promovido pelo advento da Escola dos Annales contribuiu, certamente, para a alteração dos conceitos de história e de passado, alargando os horizontes dos novos historiadores, buscando a colaboração de outras
ciências44. Ciente, entretanto, de que essa renovação não se tornou uma proposta cabal e
definitiva que não possa ser questionada e criticada. A exemplo, a análise realizada por Josep Fontana:
Os seus traços mais visíveis são o ecletismo (característica habitual do pensamento acadêmico), uma vontade globalizadora, que se justifica pela necessidade de superar a limitação tradicional dos cultuadores da História política (porém que é, na realidade, o resultado do uso de um instrumento metodológico heterogêneo e nem sempre coerente), e um esforço pela modernização formal que cumpre a função de desviar a atenção para o meramente instrumental, encobrindo a ausência de um pensamento
teórico propriamente dito.45
Outra análise crítica pode ser fundamentada em Reis, que considera que a proposta dos Annales, “(...) só representaram uma renovação teórico-metodológica e ‘utópica’ em
relação à história tradicional porque teriam produzido, sob a influência das ciências sociais, uma ‘nova representação do tempo histórico’”46.
As considerações destes autores são pertinentes e devem formatar a constante inquietude que o historiador deve possuir. A História Nova foi parte do processo de renovação do Movimento de Annales, o qual pode ser dividido em três fases distintas: a primeira, a fase de subversão, compreendida entre os anos de 1920 e 1945; a segunda, a
42 BENJAMIM, Walter. Sobre o conceito de história. In: ___. Magia e técnica, arte e política. São Paulo:
Brasiliense, 1986, p.222.
43BLOCH, op. cit., p. 44.
44 Cf. CARDOSO, Ciro F. Os Métodos da História. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979, p. 470-471. 45 FONTANA i LAZARO, Josep. História: análise do passado e projeto social. Bauru-SP: EDUSC, 1998, p. 203-204. 46REIS, José Carlos. Os Annales: A Renovação Teórico-Metodológica e “Utópica” da História pela Reconstrução do
Tempo Histórico. In: SAVIANI, Demerval et alli. História e história da educação. 2 ed. Campinas-SP: Autores Associados: HISTEDBR, 2000, p. 29-30. Reis argumenta que o conhecimento histórico se renova, quando ocorre uma mudança significativa e distinta na representação do tempo histórico, a exemplo do que ocorreu na proposta dos Annales.
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fase de estabelecimento, entre os anos 1946 e 1956; e a terceira, a fase da fragmentação,
que compreende o período de 1956 a 196847.
Na primeira fase, o Movimento de Annales foi conduzido por Marc Bloch, estudioso especialista do século XVI, e Lucien Febvre, medievalista. Bloch e Febvre pensaram estabelecer uma nova forma de escrever a história, numa proposta que superasse a forma tradicional dominada pela narrativa dos acontecimentos políticos, fatos e marcos militares, os heróis, os grandes feitos e assim os grandes homens, que geralmente eram os reis, rainhas e os líderes militares. Essa nova proposta se pautava na perspectiva de uma história-problema, que ressaltasse o caráter regional.
O diálogo de Bloch e Febvre constituiu-se em uma proposta questionadora e inovadora. Bloch, líder da primeira fase, influenciado pela sociologia durkheimiana, buscou defender o uso mais competente e mais geral do método comparativo, apontando similaridades e diferenças entre sociedades distintas no tempo e no espaço. Febvre líder da segunda fase, buscou enfocar estudos sobre os primórdios do renascimento francês, a Reforma Protestante de Lutero, a Revolução Francesa e a relação da sociedade e indivíduo. Ambos promoveram em seus trabalhos a inquietação de seus espíritos diante da frieza da história tradicional com a dinâmica borbulhante da vida social preterida na história. Oportunizaram, assim, através do Movimento de Annales, espaço de discussão e debate entre diversos historiadores e diálogos com outras ciências, principalmente, as ciências sociais.
Na terceira fase, com liderança de Fernand Braudel, a flexibilidade ampliou-se, havendo uma inclinação para o enfoque do coletivo, diante do individual; da estrutura, diante do acontecimento; da periodização de longa duração diante da curta. Buscou-se conhecer as flutuações conjunturais, os movimentos populacionais e suas relações, a vida
das massas dominadas, a psicologia coletiva, etc48, que passou a se denominar a Nova
História.
Fernand Braudel, ao apresentar O Mediterrâneo e o mundo mediterrâneo na época
de Filipe II, amplia por uma nova ótica o fazer a história. Primeiro, por aprofundar as discussões sobre as forças permanentes do Mediterrâneo que atuam sobre as vontades do ser humano, sem que estes tomem consciência das influências que as primeiras promovem sobre eles, numa análise de longo tempo. Num segundo momento, Braudel desenvolve
47 BURKE, P. A Escola dos Annales (1929 – 1989): a revolução francesa da historiografia. São Paulo:
UNESP, 1997, p. 12-13.
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análise de médio tempo, sobre as forças particulares, impessoais e coletivas, que atuam no tempo da existência do Rei Filipe II da Espanha, no século XVI. Em um terceiro momento, o autor discute sobre fatos e suas dinâmicas que ocorrem em um curto espaço de tempo, norteados por diversas forças estáveis sobre variações imprevistas.
O conceito temporal de Braudel com articulação simultânea, de fatos e transformações da natureza, sociais, político-econômicas, e assim, históricas, pela perspectiva de tempos de curta, média e longa duração, ocorridos em ritmos diferenciados, porém, imersos e conectados uns aos outros, promoveu uma renovação na historiografia moderna.
Reis afirma neste aspecto que
(...) ao incorporar a consideração da simultaneidade, que é a dominação da assimetria entre passado e futuro, a história tornou-se outra que a tradicional. Ela mudou os seus objetos, mudou os seus historiadores, mudou os seus objetivos, mudaram-se os seus problemas disciplinares. Apareceu o que antes parecia não existir, quando a história era dominada por uma representação do tempo histórico - sucessiva e teleológica – um mundo mais durável, mais estruturado, mais resistente às mudanças: as estruturas
econômico-sociais-mentais.49
O conceito de longa duração apresentado pela História Nova foi a mais fecunda, pois possibilita a revelação das forças profundas da história. Em razão de que a história de curto prazo não é capaz de captar e explicar as permanências e as mudanças, a exemplo:
(...) uma história política que se pauta pelas mudanças de reinados, de governos, não apreende a vida profunda: o aumento da estatura dos humanos, ligado às revoluções da alimentação e da medicina; a mudança das relações com o espaço, decorrente da revolução dos transportes; a subversão dos conhecimentos, provocada pelo aparecimento dos novos meios de comunicação de massa, a imprensa, o telégrafo, o telefone, o jornal, o rádio, a televisão, não dependem das mudanças políticas, dos