4.3 Results
4.3.1 Model with Interaction of GDP PC and Economic Globalization
O município de Pirenópolis possui uma área de 2.228 Km², sendo que a área urbana ocupa em torno de 6,4 km². Sua população total é de 22.475 habitantes1, sendo que 13.064 (58%) encontram-se área urbana (Censo IBGE, 2000). Segundo Mauro Cruz, os primeiros ocupantes da região foram os índios Caiapó, “que habitavam o vale da parte alta do Rio das Almas e as encostas dos montes Pireneus” (Cruz, 2000, p. 8). O autor informa que, desde fins do século XVI, várias expedições de bandeirantes exploraram a região em busca de ouro e de índios para escravizar.
Antes de ser alçada a categoria de cidade, a sede do município era o povoado de Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte, fundado em 1727, durante o ciclo do ouro, às margens de uma curva fechada do Rio das Almas. Com a decadência da produção aurífera, o assentamento passou por um período de estagnação. Somente a partir de 1800, a economia foi reativada, tendo como base a produção agrícola (sobretudo de algodão e cana de açúcar) e a função de entreposto comercial. Em 1853, Meia Ponte foi elevada à condição de cidade e, em 1890, batizaram-na “Pyrenópolis”, devido à localização no sopé da Serra dos Pireneus. Embora tendo sido um centro urbano florescente até meados do século XIX, a partir de então a cidade passou por um novo período de estabilidade e isolamento, o que favoreceu que seu patrimônio permanecesse praticamente intocado até a década de 1970 (URBIS, 2002).
Desde o período colonial, a cidade destaca-se como importante centro cultural do estado de Goiás, possuindo tradições de festas religiosas, das quais a mais significativa é a Festa do Divino, com a representação das “Cavalhadas”. Com os efeitos da proximidade de Goiânia e de Brasília, a nova capital do País, bem como do processo de modernização da economia do
1 Segundo a contagem populacional do IBGE para 2007, a população total do município diminuiu para 20.460
223 Centro Oeste, a cidade experimenta atualmente um novo momento de dinamização (URBIS, 2002). Pirenópolis passa por uma significativa expansão de sua malha urbana, com o crescimento aleatório de atividades turísticas, o que provoca pressão no sentido da descaracterização de suas configurações arquitetônicas e urbanas coloniais. Em 1998, a cidade foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional/ IPHAN, como estratégia para proteção do seu acervo patrimonial.
O Rio das Almas, que atravessa a cidade, compõe a porção alta da bacia hidrográfica do Rio Tocantins. A sub-bacia do Rio das Almas possui uma área de aproximadamente 150 km², predominando o padrão de drenagem radial. O contexto geológico envolve a Unidade B do Grupo Araxá (na porção mais alta da microbacia, localizada na Serra dos Pireneus, a montante da área urbana) e a seqüência Metavulcânica Sedimentar Rio do Peixe (na porção mais baixa da microbacia, englobando a cidade). Na área urbana são encontrados dois grupos de solos: latossolo vermelho amarelo e areias aluvionares (depósitos provenientes das alterações dos quartzitos do Grupo Araxá, situados à montante e transportados pela ação do rio), sendo que as últimas são muito susceptíveis a processos erosivos. No trecho em que atravessa a cidade de Pirenópolis, o Rio das Almas apresenta vazão média de 3,94 m³/s, correndo no sentido leste-oeste (IPHAN, 2008).
O Rio das Almas, na área da cidade, está a aproximadamente 750 metros de altitude, a cerca de dezoito quilômetros das nascentes, localizadas na Serra dos Pireneus, a 1200 metros de altitude (Figura 7.1). O curso d’água possui leito estruturado por afloramentos rochosos, entremeados por planos de areia e seixos, que formam praias em alguns pontos de suas margens. A grande diferença de altitude entre as nascentes e a área urbana provoca a formação de inúmeras quedas d’água ao longo do curso. Dentre os tributários do Rio das Almas, na cidade encontram-se os Córregos da Prata e Lava-pés. Algumas nascentes, que existiam na margem esquerda, foram aterradas ou canalizadas com a ocupação urbana.
Atualmente, a economia do município gira em torno principalmente da exploração de quartzito e do turismo. Embora o município possua grande extensão de área rural, a maior parte das fazendas é de pecuária extensiva e a produção agrícola não é expressiva. A extração de pedra – quartzito micáceo, popularmente conhecido como “pedra de Pirenópolis” – é realizada por processos rudimentares, em termos técnicos e organizacionais, o que vem causando sérios impactos ambientais: desmatamento das zonas ripárias, erosão de encostas, assoreamento de nascentes e leitos dos cursos d’água, além do comprometimento da paisagem, em função das feridas abertas nos morros (URBIS, 2002).
Fig. 7.1. Situação da área de estudo (indicada com hachura) e do Rio das Almas (traço azul em destaque), cujas nascentes são localizadas no Parque Estadual da Serra dos Pireneus (poligonal indicada em traço verde).
O Vale do Rio das Almas apresenta vertentes relativamente íngremes, sendo que no trecho urbano a declividade média é de 9%. Poucas ruas da cidade são dotadas de redes receptoras de águas pluviais; na grande maioria, as águas correm pelo leito da via2. O escoamento insuficiente e inadequado das águas de chuva provoca, em eventos de chuvas mais intensas, uma série de danos como alagamentos das áreas marginais e erosões nos locais de descarga no Rio das Almas. Todas as áreas da cidade contam com abastecimento de água potável. A coleta de lixo residencial é feita diariamente em alguns bairros e menos frequentemente em outros, com equipamentos precários, sendo que o destino final é um lixão localizado fora da área urbana. Não há rede coletora e tratamento do esgoto urbano, que é lançado em fossas sépticas e, na maioria do casos, fossas negras, o que causa comprometimento do lençol freático3.
2 Na área tombada, as vias são pavimentadas com “pedras de Pirenópolis” fincadas verticalmente – pavimento
localmente denominado “pé-de-moleque” – que permite alguma percolação das águas pluviais, em chuvas menos intensas.
3 Encontra-se em execução, pela Empresa de Saneamento de Goiás/ Saneago, a implantação de rede coletora de
esgotos, estações elevatórias e uma estação de tratamento – sistema anaeróbico, composto por lagoas de estabilização e maturação – a ser localizada próxima ao Rio das Almas, a jusante do trecho urbano (Pirenópolis, 2001).
225 Constatam-se ligações clandestinas de esgoto nos córregos urbanos e sistemas de drenagem, provocando a poluição do Rio das Almas4.
Em 2001 foi aprovado o Plano Diretor de Pirenópolis, que dá diretrizes de desenvolvimento territorial, bem como define regras de uso e ocupação do solo urbano. O plano diretor e outros documentos produzidos por oficinas e grupos de trabalho diversos5 elegeram o “Projeto Beira-Rio das Almas” como uma das ações mais importantes a serem desenvolvidas na cidade. O Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional/ IPHAN, em parceria com a Prefeitura Municipal de Pirenópolis, contratou a elaboração do projeto Beira Rio das Almas6.