6.2 The Multi-Material Eulerian Model
6.2.3 MME Domain Sensitivity Study
Segundo Barbier (2007), os instrumentos de coleta e de análise de dados utilizados na realização da P-A não são novos, mas sim tradicionais. A diferença está na ressignificação
90 que lhes é dada, pois são abordados numa perspectiva mais interativa e implicativa. Entretanto, deve-se pensar na possibilidade de flexibilidade em relação à escolha dos instrumentos, pois na P-A o processo “desenrola-se frequentemente num tempo relativamente curto, e os membros do grupo envolvido tornam-se íntimos colaboradores” (BARBIER, 2007, p. 56).
O aspecto ‘flexibilização’ na P-A é explicado por Barbier (2007) através da metáfora da abordagem em espiral, a qual demanda que o pesquisador esteja permanentemente avaliando, reavaliando e refletindo sobre suas ações anteriores e posteriores ao início da pesquisa.
Visando promover um maior dinamismo e coletividade no desenvolvimento da P-A, os instrumentos de coleta de dados foram selecionados, a fim de possibilitar uma avaliação coletiva de etapas anteriores por parte dos participantes.
Diante disso, os dados foram coletados em um momento inicial, através da aplicação de uma Ficha de Identificação no primeiro encontro do curso. Em seguida, as informações foram verbalizadas para se promover uma maior interação. O pesquisador também conversou com as participantes para definirem como o curso seria desenvolvido (THIOLLENT, 2011), quais as expectativas delas em relação ao curso, as representações que elas já tinham sobre a identidade profissional de professor de línguas e um levantamento de filmes que elas já conheciam e que retratam o dia-a-dia da profissão-professor. Essa conversa inicial com as participantes foi fundamental, pois a P-A recorre às diferenças de subjetividade. Nesse sentido, El Andaloussi (2004, p. 137) considera que “a escolha do assunto, os métodos e as hipóteses que o pesquisador elabora no início só podem compor um anteprojeto que, uma vez negociado com os atores, podem tomar rumo bem diferente.”
A Entrevista Focalizada32 (FLICK, 2009) foi desenvolvida no sétimo encontro do curso temático, com o objetivo de se estudar o impacto que a sessão de visionamento integral do filme O Substituto (2011) teve sobre as professoras participantes.
Observando que para Liberali; Magalhães; Romero (2003) e Liberali (2004) os diários reflexivos e as sessões reflexivas são gêneros discursivos aplicados à reflexão do professor, também foi solicitado às professoras participantes que fizessem diariamente, após os encontros, a escrita de um diário reflexivo (de bordo)33 (BARBIER, 2007). Essa prática possibilitou às participantes registrar e refletir sobre o desenvolvimento do curso. Entretanto,
32 Com base em Thiollent (2011, p. 73), também é classificada como entrevista coletiva. Ver Apêndice 4. 33 Usamos os termos “diário reflexivo” e “de bordo” intercambiavelmente.
91 ao longo da P-A, nem todas as participantes sentiram-se motivadas a escrevê-lo, de modo que apenas duas professoras fizeram suas reflexões nesse instrumento.
Diariamente, fiz a escrita do meu diário de itinerância, a fim de exercitar minha reflexão crítica imediatamente após os encontros. Tendo em vista a rapidez dos acontecimentos, conforme sugere Barbier (2007), realizei algumas gravações em vídeo, expondo as minhas percepções imediatamente após um dos encontros, pois a filmadora era o recurso de gravação mais adequado que tinha disponível naquele momento.
Com base na teoria de sequência didática34 proposta por Dolz; Noverraz; Schneuwly (2004) e esclarecida por Cristóvão (2009), foram aplicadas algumas sequências didáticas35 com cenas de filmes e com um filme exibido integralmente. Nesse caso, o gênero discursivo ‘filme’ passou a se constituir como um instrumento de promoção da reflexão crítica sobre as identidades de professores presentes nos filmes assistidos, bem como aquelas dos discursos das participantes e da sociedade. No decorrer do desenvolvimento das sequências didáticas, foram realizadas algumas sessões de visionamento dos filmes36previamente escolhidos e de outros que se fizeram pertinentes. De antemão, tinham sido selecionados seis, a saber:
Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society, 1989); Mentes Perigosas (Dangerous Minds, 1995);
Bossa Nova (2000);
Escritores da Liberdade (Freedom Writers, 2007); O Substituto (Detachment, 2011);
Adorável Professora (The English Teacher, 2013).
Inicialmente, tendo em vista que a P-A tinha sido pensada apenas para um público- alvo composto por professores de LI, foram selecionados os filmes supracitados, cujos personagens principais são professores e professoras dessa língua. Entretanto, em consideração ao fato de que o grupo de participantes que se inscreveu no curso ter sido
34 Segundo Dolz; Noverraz; Schneuwly (2004, p. 82), sequência didática “[...] é um conjunto de atividades
escolares organizadas, de maneira sistemática, em torno de um gênero textual oral ou escrito.” Aproveitamos para inserir o gênero “filme” (COSTA, 2009, p. 112) no leque de possibilidades de gêneros discursivos de se trabalhar na formação de professores de línguas.
35 A estrutura da sequência didática utilizada no curso temático foi proposta pelo Grupo de Estudos em Didática
de Língua Estrangeira – GEDLE (http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/0524323240846821), coordenado pela professora Dra. Maria da Glória Magalhães dos Reis.
92 composto por duas professoras de LI e duas de LF, tornou-se necessário inserir no curso alguns outros filmes37 que apresentassem personagens “professores de Francês”, bem como de outras línguas, conforme as sugestões das professoras participantes. Das duas professoras de Francês, apenas uma sugeriu dois filmes, a saber: Entre os Muros da Escola (Entre lês Murs, 2009) e O Pequeno Nicolau (Le Petit Nicolas, 2009). Outro filme em Francês que pensei em usar foi Os Incompreendidos (Les Quatre Cents Coups, 1959). No caso das professoras de Inglês, também apenas uma sugeriu um filme: Como Estrelas na Terra, Toda
Criança é Especial (Taare Zameen Par, 2007). De acordo com o processo de desenvolvimento do curso temático, observando as possibilidades de tempo, dos filmes sugeridos, apenas Entre
os Muros da Escola (Entre les Murs, 2009) teve uma de suas sequências exibidas no nono encontro do curso temático. O filme Mentes Perigosas (Dangerous Minds, 1995), o qual tinha sido previamente selecionado por mim, também não foi utilizado. Entretanto, optei por exibir no nono encontro o curta-metragem Pierre (2008), produzido pelo laboratório de audiovisual da Faculdade de Educação da UnB, como resultado de uma pesquisa de mestrado desenvolvida por Barcelos (2010). O objetivo de utilização desse curta-metragem foi o fato de eu ter escolhido usar o seu roteiro para explicar às professoras um pouco de como a linguagem do cinema se constituía a partir da escrita de um roteiro cinematográfico, assim como de outros elementos como os planos cinematográficos. Após a leitura do roteiro, foi feita a exibição do filme. Isso foi relevante porque as professoras participantes da P-A tiveram que, como resultado do desenvolvimento da sequência didática sobre o gênero discursivo “filme”, produzir um vídeo curta-metragem falando de si.
Os encontros, realizados em 10 dias, foram registrados em vídeo, a fim de que eu pudesse ter um olhar analítico de maior alcance no que tange à interação de si com as professoras participantes. Essas gravações apresentaram-se bastante pertinentes, pois as sessões de reflexão que eram realizadas após a assistência a uma sequência de filmes ou após a leitura de um texto teórico revelaram muitos aspectos que corroboraram a transformação e a ressignificação pelas quais passaram as professoras participantes. No último encontro, apliquei um Questionário Final de Avaliação (APÊNDICE 7) e desenvolvi uma Entrevista Final de Reflexão (APÊNDICE 8), a qual foi registrada também em vídeo, referente a todo o processo desenvolvido no curso temático. Esses instrumentos tiveram como propósito possibilitar ao pesquisador perceber, no discurso das professoras participantes, como as experiências tidas ao longo do curso influenciaram a ressignificação de suas identidades
93 pessoais e profissionais. No Quadro 02 a seguir, estão dispostos e descritos os instrumentos utilizados para a coleta de dados.
Quadro 02. Instrumentos de coleta de dados
Instrumentos de coleta de dados
Código Descrição Forma de uso
1 Ficha de identificação FI Possibilita conhecer melhor os
participantes. Utilizada participantes para identificassem que os suas expectativas e desejos quanto ao curso temático.
2 Entrevista focalizada (coletiva)
EF
Permite estudar o impacto que um estímulo uniforme (filme, etc.), tem sobre determinado grupo através da utilização de um guia de entrevista.*
Utilizada para colher as impressões dos participantes após a sessão de visionamento integral do filme O Substituto.
3 Entrevista final de reflexão sobre o curso
temático EFR
Possibilita aos participantes refletirem acerca do percurso de transformação ocorrido no curso temático.
Realizada para verificar as transformações ocorridas no discurso das participantes a respeito de suas identidades.
4 Diário de
bordo/reflexivo
DB
Instrumento a ser utilizado pelos participantes (professores em formação) com o propósito de registrar suas impressões pessoais e diárias sobre o processo do
curso, bem como suas
experiências no processo de formação inicial e/ou contínua.
Utilizada para fornecer ao pesquisador um feedback por parte dos participantes em relação à maneira como eles perceberam o processo de formação mediado por filmes em cada encontro.
5 Diário de itinerância DI Utilizado pelo pesquisador. Possui um caráter pessoal e íntimo. Apesar disso, algumas partes podem vir a ser publicadas, desde que estas sejam selecionadas com
cuidado, respeitando os
envolvidos na pesquisa.**
O pesquisador registra
quaisquer sensações,
impressões, pensamentos e críticas sobre algo observado no cotidiano.
6 Questionário final de avaliação do curso
temático. QFA
Utilizado para registrar por escrito
as percepções sobre as
experiências tidas no curso temático.
As participantes refletem e registram por escrito as percepções avaliativas sobre o curso temático.
7 Gravações em vídeo GV Técnica de registro em material midiático de áudio e vídeo de
quaisquer momentos dos
encontros a serem realizados no curso.
Utilizadas para gravar todos os encontros previstos.
8 Produções de vídeos curtos por parte das professoras.
PVC Vídeos curtos produzidos com o objetivo de se identificarem as representações identitárias da profissão ‘professor de línguas’ contidas no discurso dos futuros professores.
Os professores produziram vídeos curtos sobre suas representações da profissão ‘professor de línguas’ como produção final das sequências didáticas.
*Cf. Flick, 2009, p. 144. ** Criado por Barbier (2007).
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