4. Findings
4.2. Mindfulness as a concept
Em razão do Plano Nacional de Extensão, da criação do CODAE e das articulações institucionais ocorridas com diversos ministérios federais e ONGs, o FORPROEX inicia o ano 2000 fortalecido em seu poder negociador e, em decorrência desse poder, organizado em comissões estruturais e temáticas.
Com a mudança do governo em 2003, reinicia-se o processo de negociação entre os diversos ministérios e o FORPROEX na pauta de trabalho mantém as históricas reivindicações:
Financiamento da extensão através de um programa de bolsas e de aquisição de equipamentos;
Institucionalização da extensão via processo de flexibilização curricular; Implantação do Sistema Nacional de Registro de Atividades de Extensão; Implantação de indicadores da extensão universitária pelo MEC na avaliação institucional das universidades brasileiras e no Censo da Educação Superior.
No campo da valorização institucional, o Governo Federal, através do MEC, reedita o PROEXT (2003) e inclui a produção da extensão e a prestação de serviços institucionais no Censo da Educação, fato que vigora de 2004 a 2008.
Ao analisarmos a pesquisa realizada pelo FORPROEX, publicada em 2006, encontraremos exemplos concretos de que a extensão universitária possui expressivas fragilidades no contexto de sua institucionalização, quais sejam:
A indicação de que a “limitação de recursos financeiros” é a maior e mais importante dificuldade das instituições públicas para o desenvolvimento das atividades de extensão (FORPROEX, 2006, p. 33);
O corpo docente e técnico envolvido com a extensão são insuficientes se comparado ao número total de docentes e técnicos das universidades (FORPROEX, 2006, p. 35);
O número de bolsas destinadas aos estudantes envolvidos com a extensão é insuficiente se comparado à demanda existente (FORPROEX, 2006, p. 35);
A infraestrutura disponível para ao desenvolvimento das ações extensionistas, tais como, salas, transporte, equipamentos de informática, veículos, entre outros é insuficiente para o atendimento das demandas institucionais (FORPROEX, 2006, p. 33);
São poucos os indicadores objetivos e validados para a avaliação das atividades de extensão das universidades e sua concreta e objetiva inserção nos programas institucionais de avaliação;
As práticas da extensão não estão devidamente reconhecidas como atividades curriculares nos projetos pedagógicos dos cursos de graduação da maioria das universidades.
A superação dessas dificuldades passa, necessariamente, pela busca de estratégias políticas e de gestão que contemplem uma intensa articulação interna e externa às universidades, tanto na formulação de uma política pedagógica que contemple a indissociabilidade entre a extensão, o ensino e a pesquisa, quanto na formulação de parcerias de dimensão interinstitucional e na integração com os agentes sociais dos projetos de extensão.
Nesse sentido, encontramos linhas referenciais que são norteadoras para essa institucionalização nos documentos Universidade Cidadã (1998) e no Plano Nacional de Extensão (1999), ambos os documentos subscritos pelo FORPROEX em parceria com o MEC, que mesmo sendo datados da década de 1990, são ainda oportunos na atual conjuntura, quais sejam: a superação do modelo assistencialista para um modelo democrático- participativo; a indissociabilidade entre os fazeres acadêmicos; o uso de metodologias claras
como forma de manter o referencial acadêmico das atividades de extensão e a implementação de um processo de avaliação sistemático.
Outra importante ação articulada e defendida pelo FORPROEX, a partir de 2002, foi a discussão sobre flexibilização curricular, ferramenta importante para a institucionalização da extensão em sua dimensão acadêmica. Em 2000, no contexto do Plano Nacional de Educação (2000/2010), fica manifesto o interesse do Estado em promover a inclusão curricular da extensão universitária, em 10% do total de crédito exigidos pelo curso de graduação. Entretanto, mesmo fortalecendo a vertente acadêmica da extensão, essa norma quando cumprida não consegue, com raras exceções, ir além dos atendimentos protocolares, bem como não gera mudanças ou rupturas paradigmáticas.
Diante do exposto, podemos concluir que buscando tomar parte do modelo hegemônico, a extensão pretende ser reconhecida e valorizada dentro da tríade com o ensino e pesquisa. Nesse sentido, a luta dos atores extensionistas é por uma nova significação da extensão universitária, colocando-a como produtora de conhecimento e de saber, com características que passam pela formação para a cidadania, pela integração e mudança social para o desenvolvimento local. Para tanto, é necessário uma política de reconhecimento e valorização deste fazer acadêmico.
Para além da sua função político-reflexiva, o FORPROEX, no final dos anos 1990 e inicio dos anos 2000, assumiu e vem desenvolvendo uma série de atividades para o fomento à institucionalização da extensão, quais sejam:
A criação de uma base de dados institucional para a extensão universitária, como o Sistema de Informações da Extensão (SIEX), desenvolvido pela UFMG e utilizado por várias universidades; e o Sistema de Informação e Gestão de Projetos (SIGPROJ), desenvolvido num consórcio entre várias universidades e o MEC;
A realização bianual do Congresso Brasileiro de Extensão (CBEU) que já se encontra em sua 5ª edição;
A inserção da extensão nos parâmetros de pontuação para a ascensão funcional dos docentes, principalmente das universidades públicas;
A criação de programas próprios de bolsa de extensão em várias universidades, mantidos com recursos próprios;
A discussão para inserção de indicadores da extensão na matriz orçamentária das Universidades Públicas;
A inserção de indicadores da extensão na avaliação institucional das universidades através da avaliação dos projetos acadêmicos dos cursos de graduação. Tais ações exigiram do FORPROEX uma maior organicidade estrutural, sendo constituídos grupos temáticos de trabalho para reflexões, articulações e trocas de experiências em oito áreas temáticas, a saber: educação, comunicação, cultura, direitos humanos, meio ambiente, saúde, tecnologia e trabalho, além dos grupos de trabalho de sistematização e bases de dados e da avaliação institucional. Sendo a avaliação institucional um elemento estratégico no processo de institucionalização da extensão, o FORPROEX vem demandando expressivos esforços no sentido de estruturar uma proposta exequível, como apresentado a seguir.