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Após abordarmos a formação docente em face dos principais aparatos legais e evidenciarmos o processo de formação que recebem os monitores do Projeto MOVA-Brasil, faz-se necessário refletirmos sobre a prática pedagógica, considerando que uma está relacionada a outra. A pertinência dessa questão é crucial, uma vez que temos como objetivo principal da nossa pesquisa investigar a prática pedagógica dos monitores do Projeto MOVA-Brasil a partir da formação (inicial e continuada) que esses recebem.

Considerando todo o investimento e estrutura demandados pelo Projeto para a formação de seus monitores, pensamos que esta deve trazer resultados efetivos ao final de cada etapa, de acordo com os objetivos estabelecidos, embora, a cada ano, novos monitores assumam o lugar daqueles que já atuaram, renovando os participantes e repetindo todo o processo formativo anualmente.

Diante disso, indagamos: o que seria a prática pedagógica? O que a compõe? A prática pedagógica, para Veiga (2008, p. 16), é entendida “como uma prática social, orientada por objetivos, finalidades e conhecimentos, e inserida no contexto da prática social. [...] é uma dimensão da prática social que pressupõe relação teoria-prática [...]”. Como base nessa afirmação, poderíamos apontar que é uma atividade teórico-prática, na qual a teoria passa a influir sobre a prática e esta, por sua vez, fornece elementos para ampliar ou modificar a teoria num movimento dialético de complementação.

A dissociação entre teoria e prática significa um empobrecimento das práticas nas escolas que reflete na ação do educador, que é uma prática social e uma forma de se intervir na realidade social por meio da educação, essencialmente nas instituições de ensino. As instituições, por sua vez, estabelecem suas formas e modelos de educação em diferentes contextos e culturas, cerceadas de tradições, em que nem sempre há clareza sobre os saberes de referência da ação pedagógica dos professores, sendo necessária assim a teoria, conforme a citação:

[...] o papel das teorias é iluminar e oferecer instrumentos e esquemas para análise e investigação que permitam questionar as práticas institucionalizadas e as ações dos sujeitos e, ao mesmo tempo, colocar elas próprias em questionamento, uma vez que as teorias são explicações sempre provisórias da realidade. (PIMENTA; LIMA, 2011, p. 43)

Considerando que são instituições que determinam a realização das ações dos sujeitos – atividade humana que reflete os objetivos, finalidades e meios e que implica consciência dos sujeitos –, e quando for necessário promover mudanças nas instituições, o papel das teorias, então, torna-se fundamental.

Por essa razão, a prática pedagógica do(a) professor(a) não pode ser somente vinculada à ação docente, levando em conta que a formação humana do sujeito humano é responsabilidade da instituição formadora, e não apenas de um único, ou de um conjunto de educadores (SOUZA, 2006). A questão é que a realização da ação docente envolve também outros atores e contextos,

como educandos, gestores e, ainda, o trabalho com os conhecimentos. Conforme o autor, a prática ou práxis pedagógica seria:

[...] inter-relação de práticas de sujeitos sociais formadores que objetivam a formação de sujeitos que desejam ser educados (sujeitos em formação) respondendo aos requerimentos de uma determinada sociedade em um momento determinado de sua história, produzindo conhecimentos que ajudem a compreender e atuar nessa mesma sociedade e na realização humana aos seus sujeitos. (SOUZA, 2006, p. 10)

Tal fato nos leva a entender que a prática ou práxis pedagógica é perpassada por outras práticas coletivas de instituições formadoras de educadores ou de outros profissionais, seja em qualquer nível, seja em outros processos educativos não escolares. Essa não pode ser reduzida somente à prática docente, como explica Souza (2006, p. 7): “A prática docente é apenas uma das dimensões da prática pedagógica interconectada com a prática gestora, a prática discente e a prática gnosiológica e/ou epistemológica”. Ou seja, a prática pedagógica se concretiza dentro de uma relação que envolve vários sujeitos e suas ações, a saber: o sujeito educador, o sujeito educando e o sujeito gestor, mediados pela construção de conteúdos pedagógicos ou de conhecimentos e permeadas ainda por relações de afeto.

Nesse contexto, vislumbramos a prática pedagógica dos monitores do Projeto MOVA- Brasil como uma atividade teórico-prática que, dialeticamente, deve complementar-se e, ainda, como um conjunto de ações de outros tantos sujeitos, perpassados por uma relação afetuosa e amorosa, pois “a afetividade não se acha excluída da cognoscibilidade” (FREIRE, 1996, p. 141), conforme pretendemos realizar nesta investigação.

4 EM BUSCA DOS RESULTADOS DA PESQUISA

Nesse capítulo, trataremos de explicitar as significações do conteúdo das falas (orais e escritas) referentes ao processo formativo das monitoras egressas do Projeto MOVA-Brasil, procurando conhecer o que está por trás das palavras, a partir das categorias inicialmente construídas e, posteriormente, aglutinadas em categorias finais e inferidas a partir da subjetividade da pesquisadora, representando assim uma síntese das significações identificadas no decorrer da análise dos documentos. Em seguida, abordamos a exposição reflexiva do contexto em que aconteceram algumas formações, bem como as nossas inferências sobre sentimentos, percepções e impressões, mediante a proposição e o cronograma das atividades formativas, além de outros aspectos como o próprio fazer, pensar e o agir dos seus participantes que serviram de subsídio para as análises.

Por último verificamos, mediante situações de aprendizagem advindas da prática pedagógica, através de atividades selecionadas dos portfólios, alguns dados que evidenciam os resultados do processo formativo do Projeto em estudo.

4.1 EXPLORANDO O CONTEÚDO DAS NARRATIVAS

Para uma melhor sistematização dos dados obtidos, decidimos organizar o presente capítulo em seis tópicos, correspondentes às categorias finais de análise. A primeira categoria se refere à inserção das monitoras no Projeto, em que procuramos demonstrar como acontece a seleção, refletindo sobre a participação das mesmas, levando em consideração os critérios estabelecidos, os objetivos e as perspectivas do Projeto MOVA-Brasil.

Na segunda categoria de análise, evidenciamos a formação inicial das monitoras no Projeto, referenciado nos eixos de formação destacados nas narrativas, buscando averiguar as contribuições dessa formação para a prática pedagógica alfabetizadora.

Na terceira categoria, passamos a fazer as nossas inferências sobre a formação continuada no referido Projeto, objetivando também tornar latentes as contribuições dos princípios nesse aspecto da formação para a prática pedagógica alfabetizadora das monitoras.

Descortinamos na quarta categoria, os aspectos e as características da prática pedagógica mencionada pelas monitoras, com base na fundamentação recebida, buscando,