5. Oppsummering-konklusjon
5.3 Miljøfaktorenes betydning for juniorløpere på ski
As leituras das obras de Boris Cyrulnik e Merleau-Ponty delimitadas para elaboração deste trabalho possibilitaram uma reflexão epistemológica sobre a temática corpo e aprendizagem. Mas deve-se ressaltar que o provimento de tais premissas foi conduzido perante um olhar subjetivo, o qual remete a certo estilo de visualização e interpretação pessoal do pesquisador, possibilitando, portanto, o aparecimento de outros estudos acadêmicos, constituídos por diferentes percepções, de acordo com cada sujeito, pois “a penetração do observador depende também da maneira como sua faculdade de observação se elaborou ao longo de seu próprio desenvolvimento” (CYRULNIK, 2007, p. 6).
Os estudos de Boris Cyrulnik e Merleau-Ponty devem ser encarados como um dentre vários caminhos existentes para esboçar as concepções no tocante ao corpo e aprendizagem, visto que os dois autores expressam nitidamente em suas obras uma atenção cuidadosa ao redigir seus constructos, pois defendem um arquétipo de pensamento mais aberto, respeitando as compreensões de cada área epistemológica, como as biológicas, filosóficas, entre outras. Compreende-se que não há uma verdade absoluta, restrita apenas a uma área de conhecimento, como diriam Boris Cyrulnik (2007) e Merleau-Ponty (2011), posto que o mundo sensível permite interligar pensamentos, reconstruir afirmativas, mostrando assim que um constructo está aberto a ressignificações a todo instante, tendo em vista as diferentes percepções ocorridas nas experiências vividas e em nossa relação com um mundo sensível, cujo corpo transforma o sentir em várias maneiras interpretativas.
Diante do exposto, ambos os estudiosos se apropriam das concepções estabelecidas por algumas linhas de pensamento, principalmente as que estão voltadas à crítica ao dualismo que concebe aos aspectos corporais, o raciocínio lógico da causalidade linear, das funções estímulo-resposta, ou seja, dos resultados premeditados, da submissão do corpo ao cogito. Por isso focam seus estudos nos aspectos da percepção corporal, assim como nas relações vinculadas com o meio, que são ressignificadas a cada experiência vivida.
Assim, a obscura causalidade do corpo se reconduz à estrutura original de um fenômeno, e não imaginamos explicar “através do corpo” e em termos de um pensamento causal, a percepção como acontecimento de uma consciência individual. (MERLEAU-PONTY, 1975, p. 247)
Nesse intuito, antes de falar propriamente sobre o corpo e a aprendizagem, evidenciaram-se alguns pontos relevantes a estas temáticas que os autores enfocam. O primeiro deles é o advento da temporalidade, pois ambos enfatizam como o tempo é responsável por uma adoção de uma postura de pensamento e/ou atitude no ser humano, permitindo ou restringindo seus comportamentos. Porém, para Merleau-Ponty, o homem habita o tempo, não se encontrando separado dele, pois o tempo possibilita e desperta no corpo a inclusão com o meio circundante, promovendo a interação e a exploração da coisa e do outrem; e, para Boris Cyrulnik, o tempo volta para a firmação ou não do vínculo empático com seu semelhante, por intermédio das experiências vividas com este.
Outro aspecto abordado é a espacialidade, pois no espaço no qual o homem se encontra, acontecem as mais diversas interações sociais e culturais que marcam e constroem a historicidade do sujeito. Mas esta espacialidade adquire uma singularidade para Boris Cyrulnik, no tocante ao local no mundo que irá permitir, entre os seres humanos, a adoção de atitudes posturais, provocadas ou não pelo vínculo empático com o próximo.
O tempo e o espaço destacados anteriormente (que são interdependentes e intersubjetivos) devem ser cuidadosamente interpretados, pois cada um deles remete a uma identidade própria do ser humano, baseadas em suas experiências vividas, conforme um dos autores expõe abaixo.
O tempo no sentido amplo, quer dizer, a ordem das coexistências assim como a ordem das sucessões, é um ambiente ao qual só se pode ter acesso e que só se pode compreender ocupando nele uma situação e apreendendo-o inteiro através dos horizontes dessa situação. (MERLEAU-PONTY, 2011, p. 445).
Outro ponto a ser enfatizado refere-se às experiências vividas (enraizadas no tempo e no espaço) por cada ser humano, que denotam o entrelaçamento entre as percepções de Boris Cyrulnik e Merleau-Ponty, pois ambos consideram esses momentos essenciais para o ser, porque possibilitam o crescimento e desenvolvimento do homem, ou seja, sua historicidade, conforme ratificado nesta citação: “o fato de que, num organismo, sejam traçados desde cedo respostas preferenciais de tristeza ou de alegria não exclui as significações psicológicas. Os
fatos vêm carregados de um sentido dado por nossa história” (CYRULNIK, 2009, p. 135).
Após um breve destaque sobre as questões do tempo, espaço e experiências vividas, consegue se projetar discussões sobre o corpo e a aprendizagem, visto que perpassam por tais considerações epistêmicas.
O corpo apresenta entre estes estudiosos uma visão pautada no sensível, rompendo com as posturas impostas do empirismo, do corpo objeto, da causalidade linear (do estímulo resposta), bem como do intelectualismo (do cogito, da alma, do ser pensante), e mostrando a aproximação entre a alma e o corpo, sem hierarquizações de conhecimento. Mas Boris Cyrulnik apresenta o corpo por uma vertente de pensamento, voltada preponderantemente para as percepções estabelecidas com seus semelhantes, no tocante à imitação dos gestos (repetição dos movimentos) ou como ações posturais para sua sobrevivência. E quando se aborda este último tópico, da sobrevivência, verifica-se que Boris Cyrulnik atribui à região da boca uma importância essencial ao ser humano, pois este orifício corporal possibilita ao homem, desde a infância até a fase adulta, realizar suas funções elementares para viver, seja por intermédio da respiração ou da alimentação, podendo também ser considerada como o meio condutor de exploração do mundo, através dos hábitos alimentares, do beijo, ou até mesmo da linguagem. Mas algo importante que o corpo assume para Boris Cyrulnik está voltado às primeiras formas encontradas pelo ser humano para se relacionar com o outro, ou seja, o corpo assume o papel inicial que irá prover posteriormente a formação do vínculo empático. Em contrapartida, Merleau-Ponty confere ao corpo uma função existencial, ofertando a esta temática uma dimensão ontológica do ser humano. O corpo é expressivo, detém uma intencionalidade em suas ações, cuja motricidade, ou seja, os movimentos corporais são providos de potenciais exploratórios em seus comportamentos. O corpo é posicionado como parte intrínseca do sujeito a ser observado, remetendo à identidade desse sujeito, de acordo com seu jeito ou estilo de ser no mundo. E, para conhecer esse mundo, o veículo ou meio a ser utilizado é o corpo, portanto sua relevância é notória para as concepções de Merleau-Ponty, que o descreve como linguagem, antes da palavra dita ou mesmo inserido nesta, favorecendo a construção das representações simbólicas vinculadas com a coisa e
outrem; detentor de sexualidade, expressa na subjetividade de cada ser, mas que transcende as questões apenas do ato sexual. Entretanto é na concepção de esquema corporal que Merleau-Ponty propõe a principal relevância do corpo, pois, ao assumir certa postura ou atitude, o ser humano se faz interagir e pertencer ao meio circundante, imanando assim sua existência, ratificada nas questões do tempo e do espaço.
Nossa instalação em um certo ambiente colorido, com a transposição de todas as relações de cores que ela acarreta, é uma operação corporal; só posso realizá-la entrando na nova atmosfera, porque meu corpo é meu poder geral de habitar todos os ambientes do mundo, a chave de todas as transposições e de todas as equivalências que o mantêm constante. (MERLEAU-PONTY, 2011, p. 417)
Nas obras estudadas, Boris Cyrulnik enfatiza suas questões corporais na boca e Merleau-Ponty concede aos sentidos do tato e visão um destaque diferenciado. Para Merleau-Ponty (2011), o homem, ao perceber algo, deve se utilizar do tato para sentir o percebido, entrelaçando tais percepções a uma reflexão mais aberta sobre os prováveis constructos fechados e limitados pelo racionalismo, uma vez que “assim como o olhar explorador da verdadeira visão, o “tato cognoscente” nos lança, pelo movimento, fora de nosso corpo” (MERLEAU-PONTY, 2011, p. 422).
Nota-se que mesmo os autores esboçando um olhar mais diferenciado para alguns sentidos do corpo humano, os dois confirmam em seus estudos que todos os sentidos inerentes ao ser são importantes, visto que cada um ratifica a percepção que foi sentida no mundo.
Essa percepção verificada através dos gestos corporais, dos comportamentos adotados pelo ser humano, como o silêncio, a reclusão, o ato de chorar, são ditos, de acordo com Boris Cyrulnik, como as condutas de apego expostas frente ao seu semelhante, entrelaçadas com os aspectos culturais, denotando as pretensões de existencialidade proferidas pelo autor. Em contrapartida, Merleau-Ponty interpreta tais expressões corporais dotadas de simbolismos, de diferentes sentidos, ratificando a existencialidade e identidade do sujeito através das ações corporais, cujos movimentos apontam para as perspectivas do invisível, de liberdade para novos caminhos epistemológicos.
Observou-se que ambos os autores dissertam a respeito do corpo, no tocante ao membro fantasma, ou seja, a ausência de certas partes corporais, como braço(s) ou perna(s) causada por alguma doença, acidentes, entre outras possibilidades. Contudo Boris Cyrulnik remete as concepções do membro fantasma ao advento da memória, das lembranças geradas por essa parte corporal que se encontra inexistente. Neste sentido, é possível recordar e sentir, a partir da visualização do membro fantasma, sentimentos de dor, comparados a feridas cicatrizadas, as quais permanecem eternamente na lembrança desse indivíduo. Merleau-Ponty expressa que o corpo, mesmo constituído por um membro fantasma, não deixa de ser existencial para o ser humano, visto que este (corpo) não pode ser fragmentado em partes, ele integralmente representa o homem em seu estado cognoscente. O membro fantasma, então, remete ao sujeito sua historicidade, fazendo seu corpo adotar caminhos para continuar se expressando no mundo, pois o eu posso continua presente, lançando-se intencionalmente no meio, através dos caminhos reflexivos.
Deve-se ressaltar ainda a questão da reversibilidade que estes pesquisadores expressam em suas concepções, pois Boris Cyrulnik menciona tal questão abordando os fatores da resiliência, ou seja, quando um ser humano, após ser vulnerado, consegue novamente estabelecer a continuidade de seu desenvolvimento psicobiológico, associado aos fatores protecionais que o meio social e/ou cultural lhe concederam para retomada desses comportamentos. Este fato pode ser exemplificado quando um indivíduo perde uma figura de apego, a qual representa um campo sensorial que permite segurança na exploração espacial, uma vez que, após esse acontecimento, outros entes familiares ou até mesmo culturais permitem a construção de novos vínculos para suprir essa ausência. Entretanto, Merleau-Ponty volta o pensamento da reversibilidade para as questões corporais, ou seja, o corpo expressivo, através de suas ações nas experiências vividas, permitindo o entrelaçamento de suas percepções objetivas e subjetivas, como no simples fato do tocar e ser tocado, ratificando as representações simbólicas que se ampliam para novas perspectivas reflexivas.
Quando se aborda a questão da aprendizagem, Boris Cyrulnik e Merleau- Ponty reforçam a importância das experiências vividas no transcurso existencial do ser humano, seja no tempo ou no espaço. Tais momentos requerem do ser humano
uma percepção de algo, a adoção de uma postura explorativa e interativa com o que foi percebido, promovendo o surgimento dos diversos sentidos e significados, baseados no envolvimento firmados com o meio. E, nesta exploração do mundo, existem para os autores as influências exercidas tanto pela cultura como pelo meio social, que externam, através de sua historicidade, certas regras, condutas ou comportamentos a serem cultuados, porém nem sempre adotados.
As posturas corporais e comportamentais expressas frente à cultura e à sociedade são efetuadas de acordo com as experiências vividas por cada ser humano, e, por serem específicas de cada sujeito, remetem a posicionamentos individuais, mediante a história de acontecimentos vividos.
Entretanto, Boris Cyrulnik apresenta a aprendizagem do ser humano vinculada à formação ou não do laço empático entre os sujeitos, denominados de figuras de apego, principalmente os pais, ou seja, se os relacionamentos firmados entre os seres humanos propuseram a construção de um campo sensorial, cercado de apoio e segurança, para que este sujeito explore o seu meio social. O autor denota que, para a elaboração desse campo confiável, alguns aspectos devem ser considerados, como a história dos pais (suas aprendizagens no passado), assim como as demais pessoas ou regras constituintes do meio cultural e social, que irão intervir na convivência do ser humano, retratando com isso o aparecimento dos fatores de risco (ausência de diálogo, de afetos, fome, violência) ou de proteção (moradia, cumplicidade, atenção), que podem influenciar na aprendizagem do indivíduo, limitando ou ampliando, a aquisição de novos sentidos e significados no meio social, em decorrência das relações estabelecidas com o meio.
Algo interessante que Boris Cyrulnik destaca é que todo ser humano precisa interagir com seu semelhante, pois este o impulsionará na exploração do seu meio. Contudo essa interação não deve ser arquitetada por uma proteção exacerbada da figura de apego, nem uma ausência total de carinho e atenção, visto que tais condutas provocam um desequilíbrio de interpretações dos fatos vividos. E isto pode impulsionar para comportamentos autocentrados, de dependência ou recusa do seu semelhante. Portanto, ratifico mais uma vez que a aprendizagem, conforme os parâmetros observados por Boris Cyrulnik, volta-se ao provimento dos vínculos com o próximo, seu semelhante, de maneira equilibrada, interligados com a cultura e a
sociedade que a cerca por intermédio do apego. Por isso que o autor descreve o conceito dos “cavalos alados”, pois cada ser humano precisa experimentar o sabor dos sentimentos em seus opostos, como alegria e tristeza, ganhar e perder, sorrir e chorar, entre outros. Permitindo a aquisição de uma dosagem de percepção e expressão coerente em cada situação vivida.
Seja a dor percebida ou imaginada, quer ela passe pelas vias neuroquímicas ou pela percepção de uma palavra, é a mesma zona cerebral que, alertada, provoca uma emoção sentida no corpo. O mero fato de imaginar em nosso mundo psíquico o sofrimento de alguém que amamos provoca em nós um mal-estar biológico. Quando aquela que eu amo sofre, não sofro como ela, mas não consigo ficar feliz. Meu bem-estar depende de sua felicidade. (CYRULNIK, 2009, p.132)
Por outro lado, Merleau-Ponty realça que a aprendizagem deveria ser construída através da percepção da coisa e/ou outrem, partindo do corpo expressivo de cada sujeito. Nessas considerações, o ser humano é concebido como sujeito perceptivo, que dirige seu corpo em um espaço, percebe algo ou outrem, constrói suas significações através dos elementos sensíveis, pois este ser sente, percebe e cria sentidos. E ao perceber, depois interagir com o percebido faz com que as concepções do sujeito sejam desdobradas, ou seja, não ficam apenas no que é visto ou tocado, afundam-se nas representações do mundo simbólico, que transcendem para novas perspectivas de pensamento.
O ser humano aprende não através dos aspectos mecânicos, mas explorando, com o seu corpo fenomenal, o mundo circundante, pois este não repete gestos, incorpora ações exploratórias com diferentes sentidos e significados, que são apreendidos a cada movimento efetuado, expressando uma maneira única de ser no mundo. Isto permite mostrar a existencialidade do ser humano, pautada constantemente em seus atos reflexivos do movimento.
Não começamos por conhecer os aspectos perspectivos da coisa; ela não é mediada por nossos sentidos, nossas sensações, nossas perspectivas, nós vamos diretamente a ela e é secundariamente que percebemos os limites de nosso conhecimento e de nós mesmos enquanto cognoscente. (MERLEAU-PONYT, 2011, p. 434)
Merleau-Ponty reforça a aprendizagem através do sujeito perceptivo, que, por intermédio de seu corpo expressivo, faz-se presente em um mundo como existência,