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7. IMPLEMENTATION

7.2. Migration strategy

Na Itália28, somente uma pequena minoria de crianças de 0 a 3 anos é atendida na creche: uma média de 10 a 15% nas áreas urbanas setentrional e central e 5% em nível nacional. A creche tem sido objeto de pesquisas e reflexões, possibilitando um acúmulo de experiências sobre a infância e a escola.

O sistema educacional italiano é absolutamente rígido: existe somente a creche pública ou não existe nada; se existem iniciativas privadas, estas não aparecem nos censos. As soluções para muitas famílias desprovidas de recursos, além de onerosas, são completamente carentes de garantias.

Em outros países há uma multiplicidade de iniciativas. Na França, por exemplo, as babás — relativamente controladas pelos serviços públicos e de alguma maneira sustentadas e formadas, mais ou menos satisfatoriamente — são a escolha preferida por mães que possuem exigências de horários incompatíveis com a creche e que veem em uma dimensão mais individualizada e ‘familiar’ uma solução mais coerente com os próprios modelos culturais da família. Existem soluções temporárias, contratação de educadores animadores, educadores sociais coletivos, em que as mães se cotizam, enfim, são experiências ricas, mas que, em geral, são utilizadas exclusivamente por famílias de classe média.

A reflexão sobre como criar serviços que venham ao encontro das necessidades explícitas ou latentes de famílias com crianças pequenas, numa perspectiva mais flexível na relação do poder público e a iniciativa voluntária. Voluntariado compreendido como participação organizada de pessoas com experiências educacionais amadurecidas nas creches,

levou à abertura, em Milão, do programa denominado “Tempo para as Famílias”, que tem como objetivos:

 identificar novas formas flexíveis e informais de apoio às famílias e às crianças, com o objetivo de prevenir os desconfortos, os riscos criados pelo isolamento, pela ausência da família ampliada, pela dificuldade atual de fazer referência a modelos não contraditórios na educação dos filhos;

 ajudar a prevenir, na criança, o déficit devido a condições ambientais insatisfatórias, oferecendo às famílias um espaço físico rico em materiais, envolvendo os pais na descoberta e na condução de atividades e experiências que, enriquecendo as estratégias educacionais dos pais, favoreçam o desenvolvimento das crianças.

 favorecer a agregação espontânea das famílias (sobretudo daquelas que não se utilizam de nenhum serviço) e o surgimento de formas de voluntariado organizado no interior de uma estrutura pública que forneça um correto relacionamento formativo;

 criar um modelo novo e repetível — com custos reduzidos — no qual se encontram, no interior de um processo iniciado e orientado pelo serviço público, o profissionalismo dos educadores e técnicos e a iniciativa autônoma das famílias.

Um dos objetivos do programa Tempo para as famílias foi dar início a um novo tipo de iniciativa pública que enfrentasse os problemas educacionais das famílias de Milão. Pode-se definir esse programa como um serviço público que tem por finalidade principal constituir um apoio para prevenir e enfrentar, juntamente com os pais, os processos e dificuldades educacionais no cuidado e na criação dos filhos durante a primeira infância (0 a 3 anos).

A partir de 7 de fevereiro de 1986, o Tempo para as Famílias foi aberto para adultos e crianças. Atualmente, participam 103 famílias, das quais cerca de 85 participam regularmente, pelo menos duas vezes por semana. Note-se que, estando o serviço à disposição somente por algumas horas do dia, e não para as refeições e para o sono, não são necessários espaços muito aparelhados.

Para as famílias com crianças pequenas existem, em Milão, os consultórios pediátricos e a creche. Os consultórios oferecem serviço exclusivamente de medicina preventiva ou em

A creche é utilizada por apenas 10% das crianças de até 3 anos e possui um caráter predominantemente assistencialista. Assim, 90% das famílias educam seus filhos sem utilizar serviços públicos. Nesse percentual, pode-se identificar uma ampla faixa de famílias, em particular de mães, que conduzem as primeiras experiências de criação em ambientes (espaços habitacionais) insuficientes ou precários, sem confrontar-se com outros, em grande solidão ou isolamento, sem referências familiares, de amigos ou profissionais, para redimensionar, desdramatizar ou resolver os vários problemas que surgem quando se cuida o dia inteiro do bebê.

Essas famílias não têm necessidade de estruturas institucionais todos os dias e nem durante todo o dia, mas de espaços de socialização dos quais possam usufruir a seu critério, juntamente com as crianças, e onde possam encontrar conforto, apoio, para encontrar ocasiões e materiais de encontro e de jogo entre suas crianças e outras crianças.

Pode-se considerar que os pais:

 percebem a exigência de obter direcionamentos e orientações educacionais globais (desde a alimentação ao controle das necessidades fisiológicas; da aprendizagem da linguagem ao desenvolvimento da habilidades motoras) que sejam seguras ou não contraditórias;

 esperam a possibilidade de ter um local, um tempo e um espaço de agregação, onde seja possível efetuar a fundamental operação de confronto, de troca de experiência e de identificação;

 esperam um serviço público que, respeitando suas escolhas religiosas, ideológicas e culturais, constitua-se como ponto de referência estável e como forma de apoio e de sustentação ao enfrentar os problemas as dificuldades da criação dos filhos.

6.2 A perspectiva relacional do desenvolvimento infantil: interação entre dois ou mais