• No results found

Microbiology of polymer and POM degradation

Na técnica quadro estático/dinâmico, além das representações do ser jovem e do ser jovem candomblecista, os participantes dos grupos de produção de saberes produziram imagens do que é ser jovem candomblecista autoridade, ou seja, com mais de sete anos ou que tenha um cargo religioso no terreiro.

Figura 14 – Cena estática: o que é ser jovem candomblecista

autoridade Figura 15 – Cena estática: o que é ser jovem candomblecista autoridade

No momento da apresentação do quadro, os jovens que estavam assistindo relataram o que viram como:

- o jovem mais velho guiando o (orixá) de outra pessoa, por que o mais velho já tem um pouco mais de conhecimento;

- a pessoa mais velha guiando um santo pra dançar;

- a hierarquia, [...] a questão da religião ser passado sempre do mais velho pro mais jovem, independente de idade, mesmo que eu seja um jovem e o mais novo seja mais velho que eu. Sempre vai ter essa... eu sempre vou ter que passar pra ele121.

O nome dado às duas cenas foi o mesmo, Hierarquia, sendo que um grupo acrescentou respeito. Como afirma o Babakekerê de Airá:

A gente tem que mostrar que a gente é jovem na idade, mas a gente também tem a nossa idade de santo. E gente tem que respeitar a gente pela nossa idade, a gente tem que se impor o tempo todo, mostrar o tempo todo que a gente é capaz de fazer o que foi dado a gente.

Porque alguns mais velhos nossos não acreditam que a gente é capaz de fazer o que foi imposto a gente fazer. [Porquê?] Por causa da juventude, por ser jovem, uma autoridade jovem. (Informação verbal).

A fala deste jovem demonstra como uma grande parte da sociedade não acredita no jovem, percebe-se também que ele, mesmo sendo autoridade na religião, tem que se impor para ser reconhecido como tal.

Um jovem traz também o pensamento de que existe o respeito ao jovem autoridade mesmo entre os pares. Ele associa o respeito à hierarquia.

Eu já falei mesmo pra vocês aquela história, que eu tenho 28 anos, o pai Demir tem 25 ou 26 e eu mostrar o meu respeito por ele, por ele ser autoridade na casa, eu sou um iaô, respeito ele, respeito ela que é Ekedi, mesmo ela sendo nova de idade, mais do que eu, entendeu? É o respeito da hierarquia no candomblé. (Iaô D. de Oxum. Informação verbal).

Em entrevista, perguntei aos quatro jovens que eram autoridades – duas moças e dois rapazes – participantes desta investigação como se sentiam sendo jovens na idade e, ao mesmo tempo, sendo mais velhos na religião e como conciliavam isso.

A jovem de 20 anos que há pouco tempo (antes da pesquisa) recebera o cargo de

yalorixá em sua festa de 7 anos, respondeu que se sente bem por estar nessa posição de ter

mais tempo de aprendizado do que outras pessoas, mas, ao mesmo tempo, se sente estranha por ser jovem e não ter passado por situações onde outras pessoas que a procuram passam e

pedem conselhos, tendo receio em ajudá-las por esse motivo. Ela se sente desfavorecida pela pouca experiência de vida, apesar de tê-la na religião.

O sentimento desta jovem iyalorixá confirma que a experiência também se adquire com o tempo, apesar de ter passado por todo o processo de iniciação ela ainda não tem a vivência de uma pessoa mais velha biologicamente.

Para o jovem de 19 anos, que nasceu na religião e desde criança recebeu o cargo de babalaxé do terreiro Ilê Asé Olojudolá, o respeito acontece a partir do comportamento dele enquanto autoridade. Se ele se comporta como uma pessoa mais velha, as pessoas irão respeitá-lo por isso. Mas, fora da roça, o mesmo pode ser um jovem como outro(a) qualquer, brincando com os(as) outros(as) jovens, mesmo aqueles da sua religião. No seu pensamento, devem-se separar as coisas: “[...] ser jovem lá fora, ser autoridade dentro da roça” (Informação verbal).

O babakekerê do terreiro Ilê Asé Iya Omi Arim Ma Sun, de 28 anos, tem medo por ter que conversar e dar conselhos a uma pessoa mais velha na idade e mais jovem na religião, contudo, considera gratificante o respeito que essas pessoas têm por ele e se emociona quando os mais velhos biologicamente o respeitam “[...] como se fosse um igual”. Ele acrescenta que um jovem autoridade foi um iaô que se calou, ouviu mais e falou menos.

De acordo com a mais jovem Iarobá/Ekeji desse grupo (17 anos), ser autoridade e ser jovem é ter uma responsabilidade que algumas pessoas não entendem, pois “[...] no candomblé, a gente não olha a idade da pessoa, a gente olha hierarquia, que é a idade do orixá da pessoa”. Ela também enfatiza que a autoridade é conquistada quando uma pessoa, independente de sua idade, recebe um cargo dentro do terreiro122, como ela recebeu com 11 anos de idade.

Às vezes, pessoas que têm oito anos com santo deitando nos pés de uma pessoa que tem três anos de santo, só porque aquela pessoa contém um cargo ou um posto dentro do ilê axé.

A pessoa tem... por exemplo, eu tiro por minha irmã. Minha irmã tem 30 anos e o

babakekerê tem 26. Ela chama ele de pai, totalmente, naturalmente deita nos pés

dele pra tomar banho, respeita ele, respeita o que ele é dentro da roça de candomblé. (Informação verbal).

Ao serem indagados(as) acerca da existência de diferenças entre eles(as) e os(as) jovens que são iaôs, e quais seriam, as autoridades juvenis responderam que existem e são muitas as diferenças.

122 Este cargo pode ser identificado através do jogo de búzios, quando o orixá reivindica o cargo para determinada pessoa.

Para o Babakekê de Airá, o que difere é que “[...] o jovem autoridade deve se impor mais do que o jovem iaô para ser respeitado. [...] se resguardar. Tem o momento de tirar brincadeira e tem o momento de que tem que ter respeito”123. Ele ressalta também que um valor que o candomblé ensina quando você entra é ter respeito pelos mais velhos, independentemente da idade.

Os jovens que falaram são tão habituados a essa relação de hierarquia, que ao saírem para uma festa ou outra atividade de lazer com aqueles de sua idade que são autoridades, não conseguem deixar o tratamento de respeito dentro do terreiro, extrapolam os muros, gerando situações constrangedoras para quem está acima na hierarquia. Trago dois relatos que exemplificam essa situação.

[...] até lá fora o respeito que eu tenho pelo pai Júnior é o mesmo que eu tenho aqui dentro, porque é, tipo, eu não consigo tirar brincadeira com ele, eu não consigo, já é de mim. (Iaô de T/L de Iemanjá. Informação verbal).

Eu já saí pra farra com alguns jovens daqui, assim por querer sair e eles não

conseguir se divertir porque tava do meu lado. Me senti muito incomodado, voltei

pra casa. (muitos risos) (Babakekerê de Airá. Informação verbal).

De acordo com as duas autoridades participantes da pesquisa no terreiro Ilê Asé

Iya Omi Arin Ma Sun, é o orixá que torna o jovem capaz de ser uma autoridade. “O orixá da

gente torna a gente... capaz de fazer isso. O orixá, ele modifica a vida da gente totalmente. Você que bota resposta pra tudo, download assim, tipo matrix, a gente fica só em êxtase e pra dar a resposta na hora e pronto” (Iarobá/Ekeji de Ogum, Babakekerê de Airá. Informação verbal).

A Jovem Egbomi, do terreiro Ilê Asé Olojudolá, diz que a diferença entre os(as) jovens iaôs e os(as) jovens autoridade é que os últimos, ao contrário do que muitos pensam, adquirem, com a experiência e o cargo, mais responsabilidade com a roça, com os irmãos e com as atividades cotidianas.

[...] na nossa cabeça funciona assim, quando eu completar meu 7 anos eu não vou fazer isso, fica ali, só olhando vou ficar aqui, só mandando, sentadinha e tal, mas a gente vê que não é isso, depois que você completa sua maioridade você, [...] a gente vê que cai muito mais responsabilidade em cima da gente, ah, diz assim: ‘a Christina

tá em casa... tem bicho pra pelar, tem isso pra fazer’, então a Egbomi tá responsável

por todo mundo, se a egbomi não resolver e o pai chegar e tiver aquilo ali pra fazer, a culpada é a Christina por que ela já é egbomi, então ela tinha que ter pegado a responsabilidade pra ela, independente da minha idade de é... Cronológica ou não. Na minha cabeça é isso. (Informação verbal).

123 Informação verbal.

Para alguns participantes, não existe conflito na relação jovens autoridades e jovens iaôs, pois ao entrar as pessoas são ensinadas a ter respeito pelo mais velho na religião, mesmo que esse seja jovem biologicamente. Como relata o Iaô R. de Ogum, “[...] não (existe conflito), mas a gente... quando a gente entra a gente entra sabendo” (Informação verbal).

Contudo, as ideias não são unânimes. Uma jovem egbomi, que recebeu o cargo de iyalorixá, releva que existem conflitos por alguns motivos. Primeiro, por ser jovem e, nessa relação de hierarquia e geração, os candomblecistas adultos terem dificuldade de reconhecer os jovens como autoridades, pois isso não acontece no seio da sociedade ocidental, que é adultocêntrica. Dessa forma, o conflito está instalado. Como respeitar um(a) jovem que é autoridade dentro do terreiro, mas fora dele carrega todos os estereótipos de sua condição, se revelando ainda como um(a) aprendiz?

Para Jaide (1968, p. 22), o que existe em nossa sociedade é um conflito geracional e uma eterna rivalidade entre as gerações.

No fundo, o que parece existir é o ressentimento dos mais velhos, que falsifica tudo o que de positivo apresenta a juventude, convertendo tudo em aspectos negativos. O mais velho gosta de superestimar o que tem a apresentar, invejando aquilo de que não mais dispõe e idealizando sua própria mocidade.

A respeito do conflito entre hierarquia e a geração, a Iarobá/ekeji de Ogum e o

Babakekerê de Airá relatam:

[...] por exemplo, por você ser mais velha que eu na idade, eu sou mais nova, você pensar que eu não posso fazer nada, você não apostar em mim, que eu não sou capaz de fazer aquilo.

[Já aconteceu contigo?] Já. Eu fui pra pessoa e mostrei que eu fazia melhor do que ela, que era mais velha que eu.

[...] uma vez já aconteceu; não, eu não cheguei pra ela pra perguntar, eu esperei o orixá dela vim dar uma reposta a mim, porque ele deve respeitar a mim igual como ela deve, mas só que ele deve mais do que ela, tá entendendo? A partir do momento que ela não quer me tomar a benção. [...] Mas só que eu deixei passar, porque quando ela fez isso, ela deu as costas, o orixá dela pegou ela, tá entendendo? E veio até a mim, tomou a benção e eu tomei a benção a ele, entendeu? Ao mesmo tempo, então, por isso foi resolvido esse caso. (Iarobá/Ekeji de Ogum. Informação verbal). Já (aconteceu conflito) muitas vezes. Eu reagi, eu acho que da melhor maneira possível, baixei minha cabeça e fui fazer o que eu tinha que fazer, me botaram pra

mim fazer. E eu tive que respeitar. (Babakekerê de Airá. Informação verbal).

O conflito se instala, pois o candomblé inverte as relações de poder e de transmissão de saber. O que importa, nesta religião, é a experiência religiosa que a pessoa e sua vivência no dia a dia, independente da idade biológica. O poder, a hierarquia e a transmissão desse saber ancestral são baseados nesta máxima da religiosidade cotidiana. Todavia, os terreiros estão inseridos numa sociedade que impõe outros valores civilizatórios e

o trânsito destes acontece da mesma forma que os vividos dentro deste espaço. O limite entre uma coisa e outra (ser jovem - ser adulto) é tênue e frágil.

Nesse sentido, de acordo com Bourdieu (1983, p. 121), “[...] quando o ‘sentido dos limites’ se perde, vê-se aparecer os conflitos a respeito dos limites de idade, dos limites entre as idades, que têm como objeto de disputas a transmissão do poder e dos privilégios entre as gerações”.

A Egbomi/Yalorixá de Ewa afirma que, ao se tornar autoridade, o(a) candomblecista deve se comportar diferentemente dos(as) iaôs, ela mesma teve que se isolar de seu grupo etário, tornando-se uma pessoa diferente da jovem que era. Arrisco-me a dizer que a mesma adquiriu comportamentos do mundo adulto com a maioridade religiosa. Trago o seu relato:

É complicado pra gente, mais que a gente é jovem [...] quando a gente vai fazer, digamos, completar esse círculo, por que, assim, a gente, querendo ou não, a gente tira brincadeira besta aqui, brincadeira besta ali, por que a gente tem a hierarquia, a gente consegue ser amigo. [...] a gente não deixa de ser jovem, exato, a gente tem uma liberdade a mais com um, uma liberdade a mais com outro, tem aquela brincadeira de jovem normal, aí quando a gente começa a chegar próximo aos 7 anos, aí começa uma nova, tipo uma doutrinação, você vai completar 7 anos, você tem que agir desse jeito, não pode ser... [...] assim, ó! Você vai ter que ter uma postura tal, não vai poder tá falando assim, poder tá falando assado, num tá no meio de fofoca, não poder tá no meio de rodinha. [...] se isolar. [...] exato, querendo ou não, a gente acaba se isolando pra quando a gente completar esse círculo a gente ser visto como, digamos, um pilar [...].

Os(as) jovens iaôs que participaram deste trabalho foram enfáticos(as) ao afirmarem que os(as) irmãos(ãs) de religião de sua mesma faixa etária mudaram de comportamento quando tornaram-se egbomis (autoridades). Contudo, houve divergências, ao confirmarem o conflito ocorrido acerca dessa situação. Devo ressaltar que apenas um terreiro apresentava esta situação, pois o outro tinha uma fundação recente.

A Egbomi de Ewá mudou? Mudou muito (risos). [...] ela tá mais seria, tá mais na dela, antes ela era mais chegada e tal, num fica mais ali no meio dos Yao, quando troca de cargo, mas é assim mesmo acontece. (Iaôs de Ogum e Oxaguiã. Informação verbal).

Querendo ou não a gente muda. [...] [Mas isso não dá conflito?] Um pouquinho. Mas um dia todo mundo vai passar por isso [...] é, mas, todo mundo passa, todo mundo diz assim: ‘aí quando atingir minha maioridade eu num vou ficar desse jeito’, mas querendo ou não.

[...] eu passei 3 anos da minha vida falando isso, aí quando chegou perto, eles sentaram comigo e falaram assim: ‘ó, você tem que sair do meio do povo, saia do meio de história se isole mais, guarde seu pensamento mais pra você’, num sei o quê e tal e acabou que deu nisso. (Egbomi/Ialorixá de Ewa. Informação verbal).

A jovem em questão revelou também não se reconhecer ainda como mais velha, pela sua condição juvenil e por ter passado muito tempo tendo hábitos de iaô (cabeça baixa, calada, andando descalço). Os novos comportamentos não são internalizados de uma hora para outra, porque são aprendizagens, e ela se sente incomodada por ter de se comportar diferente de seus pares, pois não sabe lidar com a nova situação.

Trago seu relato abaixo, por ter me chamado atenção:

Outra dificuldade que eu tive muito grande, eu num sei os meninos, é questão de andar calçado, por que a gente passa 7 anos andando descalço e de cabeça baixa (risos) [...] de cabeça baixa, então, quando você completa, as pessoas falam: ‘tu vai andar, levanta a cabeça’, [...] sempre alguém aqui e acolá: ‘Ah! cadê o ojá? Bote a tua conta, levanta a cabeça! Cadê a chinela?’, porque eu não sou mais, querendo ou não, não faço mais parte do mundo de iaô, agora sou uma autoridade, mesmo às vezes a gente não se vendo uma, as pessoas de fora acabam...

[...] é o costume, a gente passa tanto tempo assim, é... vivendo assim, fechadinho, que quando você, que é pra você se soltar, que é pra você ter uma postura, uma coisa, você não consegue, você meio que se sente limitado por você mesmo não por ninguém.

[Te incomoda tu ficar sentada no banquinho, enquanto eles estão na esteira?] Incomoda, por que é... eu querendo ou não, eu tenho que me acostumar com esse novo estilo de vida, querendo ou não, é outro tipo de vida que, calçada, coisa que também eu não gosto muito, me acostumei a tá de pé no chão, né? Então, é... eu tenho que me acostumar, querendo ou não eu tenho que me ver como egbomi, não como iaô . (Egbomi/Ialorixá de Ewa. Informação verbal).

Os amigos iaôs da Egbomi/Iyalorixá de Ewá afirmam não se incomodar com sua nova condição, apesar de terem dito que ela, a partir de sua maioridade, tratava-os de forma diferente desde então.

De fato, não existe um botão que desligue sua ação como iaô e outro que ligue, e no mesmo instante, a pessoa se comporte com um(a) egbomi. Mais uma vez, o conflito geracional se mostra, pois ela não se reconhece como uma mais velha porque não possui determinadas características para tal cargo. Para ser egbomi tem que deixar de ser jovem? Como conciliar essa situação dentro e fora do terreiro? Como ser um(a) jovem respeitado(a ) no terreiro e, ao mesmo tempo, ser desconsiderado pela sua condição fora dele? E os adultos? Dentro da roça os respeitam e valorizam? E fora dela?

A Egbomi/Iyalorixá de Ewá apresenta, em sua fala, como esse conflito cotidiano ocorre com ela atualmente sendo uma autoridade.

[...] alguns já acostumaram, outros não [...] é por que, assim, é tipo assim, ogan normalmente não troca de benção com a gente [...] depois que a gente vira egbomi, eles têm que trocar de benção com a gente e muitos deles sai, esquece, assim quando eu era iaô, todos me chamava de ewasse, que é filha de ewá e muita gente parou, os que já conseguem me ver como egbome, como yalorixa, já pararam e muitos continuam ainda me chamando de ewásse sem trocar de benção.

[...] às vezes, eu fico meio chateada, mas, ao mesmo tempo, eu fico feliz por mim, é a chateação do bem, digamos assim, por que eu vejo que isso, eu falo de pessoas mais velhas, eu vejo que eu conseguir chegar, conseguir ter conhecimento, eu conseguir chegar à minha maioridade sendo jovem, então isso quer dizer que eu ainda tenho muita coisa pra aprender, tanto na vida como na religião. Aí as pessoas fazerem isso é meio que, na minha cabeça, é meio que recalque.

[...] por que já são pessoas com idade mais avançadas, não tiveram tantas oportunidades como eu, que muitas vezes não tiveram tanta oportunidade de aprendizado como eu tive, entendeu? Então é uma felicidade e uma tristeza ao mesmo tempo, é estranho. (Informação verbal).

O poder é adulto, a figura de um jovem não inspira poder desde os tempos remotos, como na Idade Média, onde as imagens dos jovens reis eram envelhecidas com barbas para serem representados como tal. Afinal, a relação entre a idade social e biológica se configura como algo complexo.

Concordo com Bourdieu, que afirma que a juventude e a condição de adulto124 são categorias construídas socialmente na luta entre jovens e velhos. De acordo com esse autor (1983, p. 113), “[...] se comparássemos os jovens das diferentes frações da classe dominante [...] veríamos que esses ‘jovens’ possuem tanto mais atributos do adulto, do velho, do nobre, do notável etc., quanto mais próximo se encontrarem do polo do poder”.

Portanto, percebo que autoridade e poder aparecem em muitos relatos apresentados neste capítulo, bem como respeito e hierarquia. Penso que ser “jovem que velho respeita” é algo desafiador para os(as) jovens participantes desta pesquisa, contudo, apesar do candomblé estar inserido numa sociedade que desvaloriza os valores da ancestralidade, ele é, sem dúvida, a única religião que conheço onde jovens são respeitados (independente da sua idade e dos conflitos por ela gerados) pela sua ancestralidade religiosa. Eles e elas são jovens que velhos respeitam.