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Joaquim Hudson Ribeiro 1, Selma Perdomo 1, Fernanda Farias de Castro 1, Maria de Nazaré Ribeiro 1, Elen Fatima Souza 1, Edvania Oliveira 2, Cleisiane Diniz 2 e Orlando

Barbosa 3

1-Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Estado do Amazonas – ESA/UEA, Manaus – Amazonas, Brasil; 2-Curso de Psicologia da Faculdade Martha Falcão, Manaus-Amazonas, Brasil; 3Departamento de

Psicologia, Universidade Federal do Amazonas – UFAM, Manaus – Amazonas, Brasil

O envelhecimento da população mundial é uma realidade que gera inúmeros desafios na atualidade, despertando assim o interesse de diversos pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento, especialmente no que diz respeito ao processo saúde-doença (Lourenço & Veras, 2010; Panhoca & Pupo, 2010; Saldanha & Caldas, 2004; Santos & Pavarino, 2011). De um modo geral, a presença de doença no idoso é constante, considerando os altos índices de morbidades crônicas como a hipertensão, diabetes, osteoporose, cardiopatias e depressão. Porém, dentre os vários transtornos que afetam idosos em todo mundo, a depressão, considerada o mal do século, merece uma atenção especial (Oliveira, et al., 2006; Santana & Barbosa Filho, 2007; Siqueira & Vasconcelos, 2009).

No mundo as taxas de prevalência de depressão entre idosos variam entre 5% e 35%, quando consideramos as diferentes formas e a gravidade da depressão (Penninx, et al., 2000; Veras, 1999). No Brasil, estima-se que 15% dos idosos apresentam sintomatologia depressiva, sendo que 4% dos idosos tem depressão severa depressiva (Baptista, et al., 2006; Silberman, et al., 1995). Não poderia ser diferente, uma vez que devido à sua alarmante incidência em todo o mundo, a depressão tem sido bastante estudada, pesquisada e discutida (Dawson & Tylee, 2001; Ehrenberger, 2000; Lima, 1999; Moreira & Freire, 2003).

Com frequência, na pessoa idosa, a depressão é secundária a outras patologias, como neoplasias, doença de Parkinson, demência, diabetes ou ao uso de medicamentos, como anti- hipertensivos, corticosteróides, entre outros (Moreira & Freire, 2003). Associado a estes fatores encontram-se as perdas como: encerramento da vida profissional, fim da reprodutiva, diminuição da renda, do poder e morte dos amigos ou entes queridos.

Ao considerarmos que a depressão pode interferir na qualidade de vida dos idosos a promoção da saúde dos mesmos deveria, portanto, estar focada nas transformações comportamentais dos indivíduos, estilo de vida, relações familiares, cultura, lazer, padrão adequado de alimentação e nutrição, habitação, saneamento, boas condições de trabalho, oportunidades de educação ao longo da vida, ambiente físico adequado que também pudesse evitar tão alarmante aumento do número de casos de depressão entre idosos (Brasil, 2007; Neves, 2006; Saldanha & Caldas, 2004). Nesse sentido, é necessário o conhecimento sobre depressão em idosos para identificar as alterações normais e diferenciá-las das mórbidas,

Selma Barboza Perdomo, Av. Visconde Porto Seguro, 500; Condomínio Ilha do Sol, casa 7, CEP: 69058-090, Manaus – Amazonas Brasil; e-mail: [email protected]

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priorizando o diagnóstico precoce e fidedigno, possibilitando orientar intervenções adequadas, promovendo a diminuição dos fatores de risco associados à depressão e, consequentemente, a melhoria da qualidade de vida dos idosos (Gonçalves, et al., 2008). Além do mais, Lima (2002) afirma que estudos epidemiológicos conduzidos nas últimas duas décadas têm proporcionado uma compreensão mais ampla da ocorrência e do curso dos transtornos mentais, além de permitir que se avaliem consequências diretas e indiretas das doenças, como prejuízo no funcionamento individual, familiar e social. Segundo ele, essas informações servem como uma base para decisões políticas em saúde mental, bem como para a avaliação do acesso à assistência médica e uso de serviços de saúde.

Após leituras sobre o assunto, encontramos poucas pesquisas que correlacionavam as variáveis depressão e separação/divórcio entre os idosos. Alguns estudos que encontramos apontam que entre os inúmeros desafios gerados na atualidade por conta do aumento do número de depressão entre idosos solitários (viúvos e separados/divorciados), existe nesse grupo, uma maior ocorrência de depressão (Andrade, et al., 2010; Gonçalves, et al., 2008; Koropeckyj-Cox, 1998; Siqueira & Vasconcelos, 2009). A separação entre casais de idosos é considerada fator predisponente à depressão de um ou ambos os cônjuges (Koropeckyj-Cox, 1998; Penninx, et al., 2000).

Para se ter uma ideia da importância de estudar esse assunto, no Brasil, o divórcio na terceira idade tem crescido mais do que o número geral de separações e divórcios em outras faixas etárias. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2012), nunca os brasileiros se divorciaram tanto. Em 2011, o país registrou 351 mil divórcios, um aumento de 46% em relação a 2010. Segundo o levantamento Registro Civil 2011, feito anualmente pelo IBGE, o ano passado registrou o maior número de separações judiciais da

história do país. Desse total, o IBGE afirma que o número de pessoas que decidiram encerrar

seus relacionamentos após os 60 anos passou de 14,3 mil para 25,5 mil no mesmo período — um aumento de 79%.

Esta pesquisa teve como objetivo analisar os indicadores de depressão entre idosos cadastrados na Universidade Aberta da Terceira Idade da Universidade do Estado do Amazonas (UnATI -UEA) e identificar se há indicadores de depressão entre idosos separados. Desse modo, pretendermos com essa pesquisa colaborar com novas investigações sobre a temática em foco.

MÉTODO Participantes

Trata-se de um estudo descritivo, transversal com abordagem quantitativa, onde a população foi constituída de 583 idosos (N=583), com amostra de 330 (N=330/56,6%), na faixa etária => de 60 anos, sendo 56 do sexo masculino (17%) e 274 do sexo feminino (83%), residentes na cidade de Manaus (AM, Brasil), participantes da Universidade Aberta da Terceira Idade da Universidade do Estado do Amazonas (UnATI -UEA), que voluntariamente desejaram participar da pesquisa, após assinarem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Material

Utilizou-se como instrumento para a coleta de dados a Escala de Depressão Geriátrica (EDG 15) na versão abreviada, composta de 15 questões objetivas (Sim e Não) para verificar a presença de quadro depressivo. A cada resposta positiva, soma-se um ponto sendo: de 0 a 5 pontos considerada normal; 6 a 10 pontos indica depressão leve e de 11 a 15 pontos depressão severa (Brasil, 2007). Foi ainda utilizado um questionário de entrevista semiestruturada

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contendo questões focadas nas características socioeconômicas e demográficas, suporte social e estilo de vida.

Procedimento

Este estudo é parte de um projeto macro que realiza a Avaliação multidimensional dos idosos cadastrados da Universidade Aberta da Terceira Idade e se propõe a discutir o seguimento da presença de depressão entre idosos. Portanto, para este artigo considerou-se apenas um recorte de indicadores de depressão entre idosos separados. A pesquisa foi autorizada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Protocolo N° 134/10.

Com a permissão dos professores dos cursos livres da UnATI, os pesquisadores foram a cada sala de aula e agendaram 10 idosos por dia para serem entrevistados. Foi entregue no momento do agendamento um cartão informativo com data, hora e local da entrevista. As entrevista ocorreram no mesmo dia em que os idosos frequentavam os cursos da UnATI, antes ou depois da aula. A cada dia formaram-se grupos de 10 idosos. Para estes foram explicados os objetivos da pesquisa e sua aplicabilidade no desenvolvimento de atividades de prevenção dos agravos mentais entre idosos, dentre os quais a depressão. Os idosos foram ainda motivados a compartilharem sobre o que sabiam do assunto por meio de uma roda de conversa.

Após a aplicação da Escala de Depressão Geriátrica (EDG 15) e da entrevista semiestruturada, os dados receberam tratamento estatístico sendo que na análise das variáveis quantitativas quando os dados apresentavam normalidade ao nível de 5% de significância foi calculada a média e o desvio-padrão (DP), quando não satisfeita à hipótese de normalidade foi calculada a mediana e os quartis (Qi). Já na análise dos dados categóricos foi calculado

Intervalo de Confiança ao nível de 95% (IC95%) e aplicado o teste do Qui-quadrado de Pearson (Arango, 2001; Vieira, 2004). O software utilizado na análise foi o programa Epi- Info 3.5.3 para Windows, que é desenvolvido e distribuído gratuitamente pelo CDC (www.cdc.gov/epiinfo) e o nível de significância fixado na aplicação dos testes foi de 5%. Os dados foram apresentados por meio de quadros e figuras.

RESULTADOS

Segundo o Ministério da Saúde (Brasil, 2007) e o Estatuto do Idoso (Lei n. 10.741, de1º de outubro de 2003) , considera-se idoso no Brasil as pessoas com ou acima de 60 anos. Pessoas abaixo desta faixa etária, como por exemplo, 55 anos são considerados, segundo Lourenço e Veras (2010) envelhecentes, ou seja, aqueles que estão se preparando para entrar na velhice.

Conforme o quadro 1, no que diz respeito às variáveis sociodemográficas faixa etária, naturalidade, escolaridade, religião e estado civil, os resultados mostram que 58,5% (193) encontram-se na faixa de 60 a 65 anos; 21,2% (70) têm idade entre 65 e 70 anos; 13% (43) entre 70 e 75 anos; 5,5% (18) entre 75 e 80 anos; e apenas 1,8% (06) tem idade igual ou superior a 80 anos.

Com relação à naturalidade, 50,5%. (164) referiram ser da cidade de Manaus. Quanto à escolaridade apenas 0,6% (02) dos idosos declararam não possuir escolaridade; 28% (92) possuem segundo grau incompleto; 25,8% (85) possuem segundo grau completo; 16,1% (53) possuem ensino superior completo; 5,8% (19) cursaram nível superior mais não concluíram; e 23,7% (78) declararam ter primário/primeiro grau completo e/ou incompleto. Sobre a religião, ouve predomínio de idosos que se declararam católicos com 71,8% (237), seguido pelos evangélicos 23% (76) e 5,2% (17) seguem outras religiões. Quanto ao estado civil, o estudo revelou que 39,4% (130) dos idosos são casados ou possuem união estável; 19,4% (64)

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encontram-se solteiros; 24,8% (82) são viúvos; e 16,4% (54) são separados/divorciados.

Quadro 1

Distribuição segundo a Frequência das Variáveis Sociodemográficas dos Idosos Cadastrados na UnATI, Manaus – AM Variáveis (N=330) fi % Idade 60 |--- 65 193 58,5 65 |--- 70 70 21,2 70 |--- 75 43 13,0 75 |--- 80 18 5,5 80 |--| 85 6 1,8 Média ± DP 64,3 ± 6,2 Naturalidade Manaus 164 50,5

Demais municípios do Estado do Amazonas 86 26,1

Outros Estados 80 24,4

Escolaridade (n = 329)

Nenhuma 2 0,6

Primário/ primeiro grau completo e incompleto 78 23,7

Segundo grau incompleto 92 28,0

Segundo grau completo 85 25,8

Superior incompleto 19 5,8 Superior completo 53 16,1 Religião Católico 237 71,8 Evangélico 76 23,0 Outra 17 5,2 Estado Civil Casado/União estável 130 39,4 Solteiro 64 19,4 Separado/Divorciado 54 16,4 Viúvo 82 24,8

fi=frequência absoluta simples; DP=desvio-padrão

Os resultados apresentados na figura 1 mostra que 11,2% (37) dos idosos cadastrados apresentam dados indicativos de depressão. Ao analisarmos os dados do gráfico citados observamos que 10,9% (36) dos idosos foram identificados com dados indicativos de depressão leve ou moderada atingindo de 6 a 10 pontos na EDG-15. O estudo identificou apenas 0,3% (1) de idosos com dados indicativos de depressão severa, com pontuação entre 11 e 15 na EDG-15.

3737 Figura 1

Distribuição segundo a frequência de idosos com indicadores depressão, cadastrados na UnATI, Manaus – AM

De acordo com o exposto no Gráfico 1 e no quadro 2 foram identificados dados indicativos de depressão em 12,4% (34/274) entre as idosas e de 5,4% (3/56) entre os idosos, com maior predominância para a faixa etária de 60 a 65 anos (28,6%). Diferença estatisticamente significante ao nível de 5% da depressão em relação a média de idade (p=0,035), onde observou-se que as pessoas deprimidas apresentaram menor média de idade (62,3 ± 6,2) em relação as não deprimidas (64,6 ± 6,2).

Quadro 2

Distribuição segundo a Frequência das Variáveis Sociodemográficas dos idoSos Cadastrados na UnATI/UEA em relação a Depressão, Manaus - AM

Grupo

Variáveis (N=330) Normal Com depressão

fi % fi % Total p Género 0,12 Masculino 53 94,6 3 5,4 56 Feminino 240 87,6 34 12,4 274 Idade 0,03 60 |--- 65 169 172,4 24 27,6 193 65 |--- 70 64 91,4 6 8,6 70 70 |--- 75 37 86,0 6 14,0 43 75 |--- 80 17 94,4 1 5,6 18 80 |--| 85 6 100,0 - - 6 Média ± DP 64,6 ± 6,2 62,3 ± 6,2 Escolaridade (n = 329) 0,26

Nenhuma/ primário/ primeiro grau completo e incompleto 71 88,8 9 11,2 80 Segundo grau incompleto 80 87,0 12 13,0 92 Segundo grau completo 81 95,3 4 4,7 85 Superior incompleto 16 84,2 3 15,8 19 Superior completo 45 84,9 8 15,1 53

fi=frequência absoluta simples; DP=desvio-padrão; Valor de p em negrito itálico indica

diferença estatística ao nível de 5% de significância.

O quadro 3 mostra uma parcela significativa de idosos 11,2% com dados indicativos de depressão, com prevalência para o gênero feminino em 12,4% e para idosos

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separados/divorciados em 22,2%. Foi constatada associação estatística em relação ao estado civil (p=0,004), onde identificamos que a proporção de separados/divorciados 22,2% (12/42) e solteiros 17,2% (11/53) com depressão foi maior que os casados/união estável 6,2% (8/122) e viúvos 7,3% (6/76).

Quadro 3

Distribuição segundo a Frequência das Variáveis Econômicas (Estado Civil, Trabalho e Renda) dos Idosos Cadastrados na UnATI/UEA em relação a Depressão, Manaus - AM

Grupo

Variáveis (N=330) Normal Com depressão

fi % fi % Total p Estado civil 0,004* Casado/União estável 122 93,8 8 6,2 130 Solteiro 53 82,8 11 17,2 64 Separado/Divorciado 42 77,8 12 22,2 54 Viúvo 76 92,7 6 7,3 82 Trabalha atualmente 0,31* Sim 102 86,4 16 13,6 118 Não 191 90,1 21 9,9 212 Renda familiar (R$) 0,54*** Mediana 2.000,00 2.000,00 Q1/Q3 1.200/3650 1200/2750

fi=frequência absoluta simples; DP=desvio-padrão; * Teste do qui-quadrado de Pearson; **

Teste t de Student para comparação das médias; *** Teste não-paramétrico de Mann-Whitney; Valor de p em negrito itálico indica diferença estatística ao nível de 5% de significância.

Ao analisarmos idosos com dados indicativos de depressão relacionados aos que continuam inseridos no mercado de trabalho, observamos que 13,6% (16/102) dos idosos que continuam trabalhando apresentam depressão e que 9,9% (191) dos idosos que não trabalham apresentam dados indicativos de depressão. Para avaliar a renda familiar dos idosos com dados indicativos de depressão foi calculada uma mediana chegando ao valor de R$ 2.000,00 (Q1/Q2 = 1.200,00/2.750,00) (Quadro 3).

DISCUSSÃO

A depressão é uma das síndromes mais comuns que acometem indivíduos idosos, onde os fatores biológicos e psicossociais são importantes na etiologia do surgimento desta doença (Lourenço & Veras, 2010; Neves, 2006; Saldanha & Caldas, 2004; Veras, 1999). Diversas vezes a depressão não é reconhecida como doença por familiares ou mesmo por profissionais de saúde que prestam cuidados as pessoas idosas. O diagnostico precoce é importantíssimo para evitar quadros depressivos com maior gravidade, pois indivíduos deprimidos podem cometer suicídio (Santana & Barbosa Filho, 2007; Siqueira & Vasconcelos, 2009).

No estudo de Santana e Barbosa Filho (2007), foi observado a prevalencia de depressão em idosos com baixa escolaridade de 21,4% e idosos com média escolaridade de 23,3%. Constatamos então que aos resultados do presente estudo estão abaixo dos valores encontrados pelo referido autor. Ainda no mesmo estudo 15,7% dos idosos com alta

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escolaridade apresentaram dados indicativos de depressão, valores esses próximos aos encontrados em nossa pesquisa. Ao analisarmos esses resultados podemos supor que a baixa escolaridade de idosos é uma variável que deve ser considerada em estudos que procuram estudar a prevalência da depressão entre idosos. Porém, os dados encontrados em nossa pesquisa mostram que a porcentagem de idosos com dados indicativos de depressão foi maior em relação aos idosos com ensino superior incompleto 15,% (3/16). Por isso, deve-se ter bastante cuidado ao não estigmatizar os idosos com baixa escolaridade como aqueles mais propensos a desenvolver depressão.

Ao analisarmos os resultados apresentados na figura 1, concluimos que 11,2% (37) dos idosos cadastrados apresentam dados indicativos de depressão. Os resultados obtidos são menores em relação ao estudo realizado por Oliveira, et al. (2006), onde o indice de idosos com indicadores de depressão foi de 31%. No mesmo estudo, Oliveira, et al. (2006), identificou uma porcentagem de 26% de idosos com depressão leve ou moderada, valor acima do encontrado em nossa pesquisa. Como vimos, nossa pesquisa identificou apenas 0,3% (1) de idosos com dados indicativos de depressão severa, ou seja, os que obtiveram pontuação entre 11 e 15 na EDG-15, resultado importante e animador tendo em vista a gravidade do quadro que a depressão severa proporciona ao individuo, uma vez que, segundo dados epidemiológicos, estima-se que 15% dos idosos apresentam algum sintoma de depressão, sendo 2% apresentando depressão grave/severa (Coutinho, et. al., 2002). Já no estudo de Oliveira, et al. (2006) a porcentagem de idosos com dados indicativos de depressão severa foi mais alta, chegando a porcentagem de 4%, sendo que a amostra populacional era relativamente menor.

Batista, et al. (2006) em sua pesquisa encontraram associação entre depressão e separação conjugal de idosos, também confirmados nos estudos de Koropeckyj-Cox (1998) onde se demonstrou que, entre os idosos solitários (viúvos e separados), existe a ocorrência maior de depressão. Os autores também afirmam que existem relatos mostrando correlação entre suporte social e sintomatologia depressiva entre idosos (Batista, et al., 2006, 2001; Warner, 1998), pois, segundo eles, quanto melhor o suporte social, mais branda é a sintomatologia depressiva. O que querer dizer que já é evidente para a comunidade científica que os idosos com vida ativa, física e intelectual ou artística, apresentam um retardo significativo em sua deterioração orgânica, o que não é sentido pelas pessoas inativas (Batista, et al., 2006). As atividades sociais podem ser definidas como todas as atividades que os idosos participam ativamente, tais como as físicas, lazer, religião, serviços voluntários, sendo de fundamental importância para contribuir na melhoria do conjunto das funções dos idosos (Batista, et al., 2006), o que inclui ainda a participação do idoso em um Grupo de 3ª. Idade. Talvez por isso, os indicadores de depressão dos idosos que frequentam a UnATI tenham sido tão baixos.

Todavia, ao realizar este estudo, houve escassez de dados sobre depressão com EDG-15 e fatores relacionados, impondo limites e desafios à correlação das variáveis do presente estudo com os demais, sem com isso tirar o mérito da pesquisa que vem fornecer mais subsídios para estudos e práticas futuras, no sentido de proporcionar aos gestores ações que promovam a prevenção da depressão e a melhoria da qualidade de vida dos idosos com sintomas indicativos da doença. Para os profissionais da área da saúde e UnATI que lidam com os idosos frequentemente, os resultados do estudo servirão para que se desenvolvam medidas preventivas para os idosos e seus familiares podendo utilizar o instrumento utilizado na coleta de dados desta pesquisa (EDG -15), como parte de seus instrumentos de triagem e avaliação para os idosos que pretendem entrar ou que já fazem parte de seus cursos, assim como, ao encontrar idosos com indicadores de depressão, poderão encaminhar aos serviços de saúde mental do município de Manaus.

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PERTURBAÇÕES DA PERSONALIDADE E OS CINCO FATORES DA