3. Metode
3.2 Metodisk tilnærming
3.2.3 Metodiske utfordringer
Estudar o psiquismo humano, entendê-lo em sua complexidade requer um método que possibilite tal compreensão. Deste modo, Vigotski mostrou-se preocupado em desenvolver um método que alcançasse tal objetivo. Esse autor fundamentou-se nos princípios do materialismo histórico dialético, principalmente em Marx, no seu estudo do método da economia política.
Um ponto fundamental deste método é o modo de apreensão do fenômeno, ou seja, a forma de investigação do objeto de estudo. O objeto não é compreendido apenas pela sua manifestação externa e/ou conhecimento de suas partes mas, através da análise do processo. Assim, a tarefa que se coloca é a de compreender o processo histórico do objeto, conhecer suas multideterminações. No entanto, entende-se que estas não se apresentam de forma imediata, sendo necessário um aprofundamento de seu processo de constituição.
Para tanto, a investigação dos processos psicológicos deve estudar a história do desenvolvimento destes processos. Assim, ao analisar um fenômeno sob o ponto de vista do desenvolvimento, objetiva-se conhecer “ a sua gênese e suas bases dinâmico-causais” (VIGOTSKI, 1984, p, 71). Isso quer dizer que se busca compreender a constituição dos processos internos ao invés de sua expressão externa. Desta forma, visa-se a apreensão da histórica do desenvolvimento dos processos, rejeitando a mera descrição destes processos. Não nega-se as manifestações externas dos fenômenos, mas não se limita a essas manifestações, realizando uma análise dialética de ambos os aspectos.
Portanto, para a efetiva apropriação da realidade é necessário realizar uma análise histórica dos fenômenos. Sobre a historicidade, uma da principais categorias do materialismo, Vigotski coloca:
Estudar algo historicamente significa estudá-lo em movimento. Esta é a exigência fundamental do método dialético. Quando em uma investigação se abarca o processo de desenvolvimento de algum fenômeno em todas as suas fases e mudanças, desde que surge até que desaparece, isso implica colocar em manifesto sua natureza, conhecer sua essência, já que somente em movimento demonstra o corpo que existe. Assim pois, a investigação histórica da conduta não é algo que complementa ou ajuda o estudo teórico, sim que constitui seu fundamento (1995, p. 67-68).
O desvelamento das diversas determinações dos processos internos é entendido por Marx (1978, p.116) como o movimento da aparência/essência, isto é, “do concreto idealizado passaríamos a abstrações cada vez mais tênues até atingirmos determinações das mais simples”. Assim, o contato inicial com o objeto se apresenta como uma representação caótica do todo e, somente através de uma análise de suas determinações, é possível conhecer a essência do fenômeno.
Ao chegar às categorias mais simples inicia-se o caminho inverso, isto é, das relações mais simples às relações complexas mas, agora o fenômeno é compreendido de forma diferente, pois houve um movimento de entendimento das diversas determinações que o constituem.
Marx coloca a idéia de que entender as formas superiores de desenvolvimento possibilita conhecer as formas inferiores: “ a anatomia do homem é chave da anatomia do macaco” (1978, p. 120). E Vigotski utiliza bem essa idéia em sua obra ao estudar a análise das funções psicológicas superiores. Para o autor a compreensão das funções psicológicas se dá pela análise das formas complexas até chegar às formas inferiores.
Este movimento de análise das formas complexas às formas inferiores ocorre no pensamento mediado pelas abstrações. Assim, o pensamento não se apropria do concreto real de forma imediata, não pode reproduzi-lo através do contato direto, mas através da mediação das abstrações. Na investigação científica a teoria medeia a análise das diversas relações que estão envolvidas no objeto de estudo. Pela
mediação da teoria o pensamento realiza o movimento da análise das diversas determinações do objeto buscando sua essência.
Na realização da análise Vigotski pretendia substituir o método de análise dos elementos pelo método de análise das unidades. Por unidade, o autor entende que é a menor parte que contém as características essenciais da totalidade, ou seja, é a partícula que revela o todo.
Assim, a escolha de nossa unidade de análise é a palavra com significado, pois possibilita compreender os aspectos cognitivos, afetivos, volitivos que constituem o indivíduo.
A expressão da fala do indivíduo não possui a totalidade dos processos psicológicos, pois estes são tão complexos que não é possível compreendê-los somente pela expressão do sujeito. Desta forma o pesquisador, através da análise, deve ser capaz de buscar as determinações históricas e sociais “ que se configuram no plano do sujeito como motivações, necessidades, interesses [...], para chegar ao sentido atribuído pelo sujeito “ (AGUIAR, 2001, p.131).
Iremos, então, fazer uma tentativa de apreender os sentidos e significados da professora acerca do valor de autonomia na sua prática pedagógica.
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
4.1- Obtenção das Informações
Temos a compreensão da complexidade da constituição dos sentidos e da dificuldade de sua apreensão, e possuímos a clareza da impossibilidade de apreendê-los em sua totalidade; por isso, acreditamos que sua apreensão será sempre parcial e provisória.
O tipo de estudo que realizado foi um estudo de caso, o qual requer um maior aprofundamento do objeto a ser pesquisado.
Utilizamos três técnicas, história de vida, entrevista semi-estruturada e análise de uma piada.
A escolha da professora foi feita em conjunto com a coordenadora pedagógica, devido esta profissional possuir um certo conhecimento acerca de seus professores. Um critério utilizado foi a de que a professora possuísse uma prática pedagógica que visasse formar alunos críticos, que reflitam sobre sua realidade e atuem nela de forma ativa. Assim, as atividades propostas por ela, a maneira como lida com os alunos foram aspectos considerados na escolha. Outro critério foi a participação das reuniões e o fato de mostrar-se interessada pelas questões discutidas nestas e, com as da escola como um todo. A disposição do participante na pesquisa também foi importante para o andamento desta.
No contato inicial com a professora, foram explicitados o objetivo da pesquisa, a metodologia, os riscos e benefícios; por outro lado, garantiu-se o seu anonimato nas respostas dadas.
Utilizamos apenas uma professora devido à complexidade do método adotado. Assim, a entrevista nos pareceu a técnica mais adequada pela possibilidade oferecida de analisarmos o discurso e apontarmos as contradições.
Na entrevista o pesquisador observa não somente a fala do entrevistado mas, suas expressões faciais, corporais, tom de voz, expressões afetivas.
Num primeiro momento da coleta de dados, utilizamos a história de vida, por julgarmos importante para o objetivo da pesquisa conhecermos um pouco sobre a vida pessoal da entrevistada.
Pedimos para a professora contar sobre os fatos marcantes sua vida, não importando a época, podendo ser da infância, adolescência ou fase adulta. Marcamos um novo encontro para discutirmos os aspectos que necessitaram ser aprofundados ou que não ficaram claros para o pesquisador.
No segundo momento foram realizadas entrevistas semi-estruturadas. Este tipo de entrevista permite a entrevistada expor conteúdos, sentimentos, que uma entrevista estruturada não possibilita. No entanto, a entrevista semi-estruturada possui um tema definido que direciona a entrevista a fim de coletar dados que estejam relacionados com o objetivo da pesquisa.
As entrevistas abarcaram questões sobre a prática pedagógica, o papel da escola e do professor, sobre valores, especialmente o de autonomia (vide anexo1).
O terceiro momento da coleta de dados foi a análise de uma piada. Escolhemos esse instrumento devido à complexidade do problema de pesquisa e por não termos a segurança de que com a entrevista apreenderíamos os conteúdos necessários referentes à temática escolhida. Foi dada uma piada cujo conteúdo abordava a falta de autonomia da criança. Realizou-se uma discussão primeiramente dos conteúdos que a entrevistada extraiu dessa piada, ampliando para questão da autonomia (vide anexo 2).
4.2- Procedimentos de análise
A análise dos dados teve como ponto de partida a aparência do fenômeno para caminharmos para a compreensão de sua essência, movimento este, mediado pelas abstrações teóricas. Neste sentido, a palavra com significado, como unidade de análise, foi nosso ponto de partida para apreensão dos sentidos e significados da entrevistada.
O passo inicial foi a realização de diversas leituras dos dados, no sentido do pesquisador ficar “impregnado” pelos conteúdos das entrevistas. Após essa leitura iniciou-se o trabalho de organização dos núcleos de significação do discurso. Estamos entendendo por núcleo de significação a forma de organizar os dados da pesquisa.
Para a organização dos núcleos foram aglutinados os conteúdos que estão articulados pela semelhança, complementaridade ou oposição. Os critérios utilizados para os agrupamentos foram aqueles conteúdos que apareceram com alguma frequência, que se mostraram significativos para a entrevistada, e os que foram pertinentes para o objetivo da pesquisa.
Este momento de construção dos núcleos já demonstra o papel do pesquisador interpretativo/construtivo, pois ao selecionar os conteúdos para a organização dos núcleos, o pesquisador já está interpretando os dados.
Deste modo, a idéia de neutralidade é desmistificada nesta perspectiva; o pesquisador, na realização da análise dos dados, está interpretando partindo de sua singularidade, ou seja, de suas experiências vividas no âmbito pessoal e profissional e, é claro, a partir de uma teoria científica. O referencial teórico metodológico é de suma importância pois embasa as interpretações realizadas pelo pesquisador.
O passo seguinte é a análise dos núcleos. Nessa etapa existem dois momentos. No primeiro momento o pesquisador analisou cada um dos núcleos. Na realização de tal tarefa, buscou apreender as determinações que constituem as formas de significar expressas pelo sujeito. No segundo momento o pesquisador articulou os núcleos entre si e, com a história da pesquisada e com o contexto histórico-social. Os núcleos foram “destacados” do discurso para em seguida serem reintegrados no movimento histórico, isto é, serem articulados com a realidade social.
Ao realizar esse movimento foi possível obter uma compreensão dos determinantes da constituição dos sentidos e significados que a professora constituiu acerca do valor de autonomia na sua prática pedagógica.
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4.3- Características da escola
A escola onde foi realizada a pesquisa pertence à prefeitura Municipal de São Paulo e situa-se num bairro da zona norte desta cidade. Este bairro é residencial, com áreas comerciais próximas às redondezas da escola.
A clientela atendida pela escola são alunos de 6 a 15 anos do Ensino Fundamental I e II e alunos do Ensino de Suplência, sendo a maioria residentes do próprio bairro.
As crianças, nascidas na cidade de São Paulo, são em grande maioria filhos de pais nordestinos.
A maioria das pessoas da comunidade mora em casas de aluguel, sendo que, de modo geral tanto o pai como a mãe trabalham. 50% desta população tem uma renda familiar de 2 a 5 salários mínimos, na outra parcela esta renda varia em até10 salários mínimos, e um pequeno número ultrapassa esse valor.
As profissões dos pais são variadas, não exigindo um alto grau de escolaridade. As mães são principalmente domésticas, manicures, vendedoras e, em número pequeno, digitadoras e bancárias. Os pais trabalham como policiais, pintores, seguranças, metalúrgicos, mecânicos, motoristas, comerciantes, entre outros, e também em menor número bancários, supervisores, nutricionistas.
A escolaridade destes pais se divide: 40% dos pais concluíram o Primeiro Grau, outros 40% não chegaram concluir a 8ª série, 25% concluiu o Segundo Grau e uma minoria tem nível superior.
Em relação ao espaço físico da escola, esta possui 13 salas de aula, sala de leitura, laboratório de informática, quadra descoberta, palco, pátio interno, sala de JEI, sala de vídeo, secretaria, cozinha, banheiros para alunos e outro para funcionários.
Quanto aos funcionários, esta instituição possui diretor, assistente de diretor, coordenadores pedagógicos, auxiliares de direção, secretário, auxiliares de secretaria, professor orientador de sala de leitura (OSL), professor orientador de informática educativa (POIE), professores readaptados, agentes escolares, vigias, professores de Educação Física, professores do Ensino Fundamental I e II e professores eventuais do Ensino Fundamental I.
A escola funciona em três turnos: o primeiro turno é das7:00hs às 11:00hs e atende alunos do Ensino Fundamental I; o segundo é das 13:00hs às 17:00hs e atende alunos do Ensino Fundamental II, tendo 2 salas para o terceiro e quarto anos do Ensino Fundamental II; e o terceiro é das 19:00hs às 23:00hs e atende alunos do Ensino Fundamental II e Suplência.
Na escola existem horários coletivos destinados a atividades dos professores e das coordenadoras pedagógicas, num espaço favorecedor de troca de
experiências entre eles, possibilitando uma reflexão acerca das dificuldades encontradas no cotidiano da sala de aula. Estudam-se temas que venham ao encontro das necessidades do grupo e das novas tendências educacionais, considerando também a legislação em vigor.São também discutidas questões referentes ao planejamento de estratégias e conteúdos a serem desenvolvidos com os alunos.
Alguns projetos foram desenvolvidos no ano de 2004 na escola, como o Projeto Grupo de Formação e Aperfeiçoamento Profissional, que envolveu grande parte dos professores, professor orientador de sala de leitura (OSL), professor orientador de informática educativa (POIE), e coordenadoras pedagógicas. O Projeto Esporte 2004, com a participação de pais, alunos e ex-alunos ocorreu nos finais de semana; o Projeto de Orientação Sexual ocorreu fora do horário de aula e teve a participação de professores e alunos.
4.4- Um breve histórico da entrevistada
Rosana possui 54 anos, é casada, possui 2 filhas adolescentes e é natural da Bahia.
Cursou o magistério no Estado de origem e logo passou no concurso público para lecionar. No entanto, tinha o desejo de cursar Serviço Social e, por isso, decidiu vir para São Paulo. Pediu exoneração de seu emprego e com19 anos veio para a cidade paulista.
Ingressou na universidade de Serviço Social e após o término deste curso prestou concurso público no Estado para assistente social e foi aprovada. Ficou aproximadamente 10 anos longe da docência, embora sentisse muita falta, mas quando teve oportunidade de acumular dois cargos públicos, voltou a lecionar.
Trabalha atualmente de manhã, como professora na prefeitura, e à tarde como assistente social no Estado.
No retorno às aulas percebeu que estava muito defasada em relação a conteúdos e didática e, em vista disso, resolveu cursar Pedagogia, curso que terminou recentemente.
A entrevistada sente-se muito satisfeita em retornar a dar aulas pois é algo de que gosta muito.
ANÁLISE DOS DADOS
A seguir apresentaremos os núcleos constituídos a partir da fala da entrevistada, analisados à luz do referencial teórico adotado, que são: negação do autoritarismo e valorização da autonomia e liberdade e prática pedagógica.
- Negação do autoritarismo e valorização da autonomia e liberdade
Rosana, ao longo das entrevistas realizadas, mostrou-se crítica ao autoritarismo verbalizando que o abomina. Observa-se também que, se por um lado ela critica o autoritarismo, por outro valoriza de forma acentuada e constante a autonomia e/ou situações de liberdade.
“ Porque assim, se eu sou autônoma, eu sou livre pra pensar, eu sou livre pra
me expor, eu sou livre pra contribuir né, eu sou livre pra sugerir né. E o
autoritarismo ele é o oposto, ele é o contraponto é o que vem destoado da
autonomia das pessoas”.
A entrevistada coloca que o autoritarismo “é tudo que é solicitado, tudo que é
imposto né, sem antes saber , sem antes a pessoa colher, saber o que a pessoa
pensa daquilo entendeu?”.
Essa negação do autoritarismo é muito presente na vida de Rosana, pois nas suas relações, sejam profissionais ou pessoais, procura evitar que o autoritarismo apareça:
“ Como professora às vezes me pego com atitudes autoritárias mas logo já
“ Aqui em casa com meu marido eu não admito autoritarismo dele sobre mim,
quer conversar a gente conversa se você não quer conversar então fica pra
outra hora quando você quiser entendeu?”.
A negação do autoritarismo construída por Rosana provavelmente tem como um dos elementos constitutivos suas experiências frente às condições objetivas vividas por ela e a forma como lidou com estas condições, ou seja, os sentimentos, emoções, pensamentos que permearam a forma de lidar com a sua realidade social. A negação do autoritarismo aparece com uma forma de se colocar no mundo, ou seja, em todas as suas relações: afetivas, sociais e também nas relações vividas na prática docente. Esta forma de se colocar frontalmente contra o autoritarismo sem dúvida foi constituída de vivências que são atravessadas fortemente pelas emoções, revelando desta forma a inseparabilidade do afetivo e do cognitivo. A posição de Rosana é clara, bem organizada cognitivamente e ao mesmo tempo emocionada (estes dois aspectos – a clareza cognitiva e a força afetiva se constituem mutuamente).
Podemos obter uma compreensão maior acerca da constituição da negação do autoritarismo retomando sua história de vida.
A entrevistada estudou em colégio particular de padres e freiras o qual era bem rígido, pois impunha regras de comportamento, como por exemplo, ficar em filas e rezar. Na sala de aula não era permitido conversar, não podia fazer perguntas, pois o professor só dava aulas expositivas, não dando oportunidade para o aluno se expressar. Desde essa época não concordava com a imposição das regras, porém as respeitava e teve que aceitá-las, pois o pai queria que estudasse
nessa escola por ser a melhor, e Rosana reconhecia que em termos de conteúdo era uma boa escola.
“ Eu me adaptei porque em termos de aprendizado seria o melhor pra mim
mas não que eu aceitasse aquilo”.
A educação de Rosana parece ter sido marcada por traços de rigidez sendo um dos determinantes, segundo ela, o fato de seus pais serem evangélicos. Relata que seus pais queriam as coisas “certinhas”, no entanto, no seu discurso, aponta uma contradição ao colocar que “[...] eles sempre foram meio que abertos, não
reprimiam a gente”. Rosana verbaliza que seus pais davam liberdade para sair,
porém se acompanhada de algum familiar. Em relação a namoro, este era vigiado com a presença da mãe na sala. O casamento era arranjado pelo pai, isto é, ele que escolhia o marido para o casamento; segundo Rosana, não existia diálogo entre pais e filhos. Em caso de desobediência o filho apanhava, como em um episódio quando Rosana quis ir ao circo e o pai não deixou; então, ela fugiu para ver o circo e quando o pai descobriu, deu-lhe uma surra.
Na vida da entrevistada existia o controle, o autoritarismo; essas vivências de controle provavelmente foram determinantes na constituição do desejo de liberdade, de ser autônoma. Rosana podia fazer as coisas, porém com certos limites que a impediam de satisfazer as suas necessidades que historicamente vinha construindo.
No entanto Rosana tomou uma decisão em sua vida que se mostrou contrária aos limites impostos por seus familiares: resolveu vir para São Paulo cursar faculdade de Serviço Social.
“Eu saí do meu Estado, eu sou da Bahia e vim pra São Paulo, isso foi muito
marcante pra mim na minha época porque ninguém da minha família queria
que eu viesse pra cá”.
Este fato foi muito marcante, pois naquela época o pai mantinha o controle sobre a vida dos filhos, principalmente das mulheres. A ação de Rosana aponta para um comportamento diferente daquele esperado pelos pais, pois saiu de seu Estado sozinha para cursar faculdade de Serviço Social e casou com o rapaz escolhido por ela.
Rosana, ao vir para São Paulo, desafiou o autoritarismo familiar com seus padrões, valores e expectativas colocadas sobre ela, já que seu pai, a esta altura, já tinha “traçado” o seu destino. Seu pai havia escolhido um rapaz para Rosana se casar, sendo o pretendente, na visão do pai, de boa família e adequado para o casamento. Rosana, no entanto, ao vir para São Paulo afirma sua vontade, sua escolha de estudar e, inclusive, de decidir com quem iria se casar.
Para o pai foi difícil aceitar a decisão de Rosana vir para São Paulo. Para ele, o fato de Rosana já ter um emprego na rede pública, possuir estabilidade financeira, já seria grande conquista. Assim, ele não enxergava motivos para Rosana vir para São Paulo cursar uma universidade, procurar outro emprego, pois na sua visão, a vida de sua filha já estava “estruturada”. A entrevistada, ao vir para São Paulo, teve que pedir exoneração de seu cargo.