Para a operacionalização do questionário, foi utilizado o software livre chamado Encustafacil, disponível no endereço eletrônico: www.encustafacil.com, conforme Figura 12.
Figura 12 – Software EncuestaFacil.com
O questionário foi composto, conforme Apêndice A, por 76 itens, agrupados em 23 perguntas. Os itens foram divididos em cinco partes ou grupos.
A primeira parte refere-se à identificação da empresa, itens de 1 a 9. Nesta etapa pretendeu-se identificar o principal segmento de atuação da empresa, qual o tempo de fundação, qual a composição do corpo técnico voltado para o P&D e a origem do capital.
A segunda parte utiliza o instrumento de pesquisa desenvolvido por Spanos e Lioukas (2001), itens de 10 a 55, cujo objetivo principal foi analisar a influência dos ativos intangíveis (competências) da organização no desempenho e na força da indústria. Nesta parte também foi acrescentado os itens 35 a 38, referentes ao resultado da avaliação do CPqD para o setor de Telecomunicações.
A terceira parte foi composta pelos itens 56 a 59 referente ao estudo de Figueiredo (2008) sobre a acumulação tecnológica das empresas em países emergentes. Pretendeu-se com este conjunto de perguntas obter o estágio das competências técnicas das empresas.
A quarta parte, formada pelos itens 60 a 69, refere-se às competências identificadas por grandes autores, conforme levantamento bibliográfico, como necessárias às organizações de alta tecnologia.
E finalmente a quinta parte é composta pelos itens 70 a 76 a qual diz respeito à Lei de Informática como principal instrumento governamental para o setor de TIC.
O instrumento utilizou em sua grande maioria a escala Likert de 5 pontos.
O e-mail foi direcionado individualmente para cada uma das 64 empresas, conforme Apêndice B.
O questionário utilizou questões abertas para complemento do respondente, item 1 e 76. A fim de identificar algo relevante que não foi perguntado, foi criada uma ultima pergunta aberta no final do questionário.
3.3.1.1. Instrumento de Pesquisa desenvolvido por Spanos e Lioukas (2001) – Itens 10 a 55
A pesquisa elaborada por Spanos e Lioukas (2001) primeiramente concentrou em empresas independentes (ou únicas unidades de negócios) para que os efeitos da estratégia e das capacidades pudessem ser examinados de forma independente dos efeitos conturbados do nível corporativo. No segundo momento, a pesquisa foi feita em empresas que tinham relacionamento com indústria. Finalmente, apenas as empresas que empregavam pelo menos vinte empregados foram consideradas na amostra, a fim de garantir uma estrutura mínima de funcionamento. Os dados foram solicitados a partir de uma população de 1.090 empresas. Estas pertenceram a várias indústrias de manufatura, dentre elas: equipamentos elétricos e eletrodomésticos.
Segundo os pesquisadores, os dados foram coletados através de um questionário estruturado enviado para os principais executivos das organizações (CEOs). Várias abordagens foram utilizadas para garantir a qualidade de resposta e aumentar a taxa de resposta. Mais especificamente, o processo foi organizado da seguinte forma: primeiro, o instrumento de pesquisa foi pré-testado duas vezes. Na sua forma de projeto, passou por um pré-teste com CEOs de três empresas.
Um segundo pré-teste foi realizado após discussões em profundidade com acadêmicos e especialistas para o desenho do questionário. Este segundo pré-teste foi realizado em quatro empresas. Depois de algumas pequenas modificações no questionário final foi enviado para os
CEOs, juntamente com uma carta explicando o objetivo do estudo e assegurando o anonimato, juntamente com um envelope pré-selado dirigida a um dos pesquisadores. Quatro semanas após a discussão inicial que enviou uma discussão de acompanhamento que incluía o mesmo material que o primeiro. Um total de 187 CEOs responderam dando uma taxa de resposta de 17%. Destes, 147 questionários foram encontradas utilizáveis. O tamanho méido da empresa foi de 160 funcionários.
Segundo os autores, medidas de estratégias genéricas de Porter foram derivados e adaptados dos estudos de Dess e Davis (1984) e Miller (1988). A escala faz perguntas sobre a extensão do uso de táticas específicas relevantes para a diferenciação competitiva no mercado, a diferenciação inovadora e de baixo custo. Como as pesquisas empíricas sobre os recursos e capacidades ainda não atingiram a maturidade (Miller e Shamsie, 1996), foi utilizado uma base com contribuições teóricas de estudiosos, acadêmicos e CEOs durante a fase de pré-teste do desenvolvimento do questionário. Para os ativos da empresa, foram incluídas as medidas de capacidades de marketing, organizacional e técnica. Os CEOs foram solicitados a indicar a extensão em que estes constituem pontos fortes em relação à concorrência. Mais especificamente:
Capacidades organizacionais denotam Teece et al. (1997) os processos organizacionais e gerenciais abrangendo competências gerenciais, conhecimentos e competências dos funcionários, juntamente com a estrutura organizacional eficiente, cultura organizacional, mecanismos eficientes de coordenação, os procedimentos de planejamento estratégico e capacidade de atrair colaboradores criativos.
Capacidades de marketing lembram Lado, Boyd e Wright (1992) com base em resultados e competências foram medidos com itens como a construção de relações privilegiadas com clientes e fornecedores, conhecimento do mercado, o controle sobre os canais de distribuição, e forte base de clientes "instalada". Capacidades técnicas paralelas a sistemas técnicos de Leonard-Barton (1995) e
as competências baseadas em transformação de Lado et al, referindo-se as competências que são necessárias para converter entradas em saídas. Estes foram medidos com três itens, ou seja, departamento de produção eficiente, capacidades tecnológicas e de infra-estrutura e economias de escala e experiência técnica.
3.3.1.2. Itens adicionados ao Instrumento de Pesquisa desenvolvido por Spanos e Lioukas (2001) – Itens 35 a 38
Acrescentou-se quatro itens ao questionário desenvolvido por Spanos e Lioukas (2001): Participação das redes de produção globais e cadeias globais de valor para beneficiar a difusão do conhecimento; Capacidade de absorção de novos conhecimentos por meio transferências de conhecimento tecnológico; Exploração de tecnologias não consolidadas pelo mercado; e Exploração de tecnologias já consolidadas pelo mercado
Em relação à exploração de tecnologias não consolidadas pelo mercado e a exploração de tecnologias já consolidadas pelo mercado: quando a tecnologia ainda não esta madura, considera-se uma época de oportunidades para a entrada de novos atores, nesta etapa, o hiato entre diferentes grupos de P&D não é muito grande e com isto, pode-se obter resultados maiores com poucos investimentos. À medida que a tecnologia se consolida e amadurece, o investimento para alcançar as empresas líderes começa a aumentar.
3.3.1.3. Instrumento de avaliação das Capacidades Tecnológicas desenvolvido por Figueiredo (2008) – Itens 56 a 59
Retiramos do estudo de Figueiredo (2008), que examinou o desenvolvimento de capacidades tecnológicas em 18 dos mais importantes institutos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) para o setor de TIC, os tipos de Competências tecnológicas de economias emergentes. Com isto, foi possível descobrir qual o nível técnico atual das empresas pesquisadas.
3.3.1.4. Competências obtidas através do levantamento bibliográfico- Itens 60 a 69
Apresenta-se a seguir as competências relacionadas por autores como necessárias para empresas de alta tecnologia que investem em P&D:
Quadro 3 - Competências adicionadas ao questionário
Competências Autor
Agilidade para adaptar as mudanças dinâmicas do ambiente externo (políticas macroeconômicas, políticas industriais, fiscais, entrada de novos concorrentes, etc)
Zou e Dong (2010)
Compartilhamento e integração entre funcionários de diferentes setores Choi e Ko (2010)
Gerenciamento de Contrato de Terceiros Garcia-Villaverde (2011)
Parcerias com Centros de P&D Garcia-Villaverde (2011)
Alianças Estratégicas Munier (1999)
Gerenciamento de Projetos Zhang e Zhang (2009)
Gerenciamento do Conhecimento/Informação Terra (2005)
Autonomia de P&D Huang (2011)
Compromisso com P&D Huang (2011)
Prospecção tecnológica Huang (2011)
3.3.1.5. Aspectos relevantes à Lei de Informática - Itens 70 a 76
O item 70 procura mensurar a importância da Lei de Informática para inovações de produtos.
O item 71 tem por finalidade obter do respondente seus conhecimentos e percepções sobre o acesso aos mecanismos públicos de fomento a inovação (FINEP, RHAES/CNPq, BNDES, Subvenção, FNDCT) (desconheço; conheço, mas considero o acesso difícil (custo elevado para elaborar propostas); conheço, já utilizei, mas não usaria novamente devido as exigências burocráticas; conheço e usaria novamente). Essas opções foram levantadas por servidores do governo que administram a Lei de Informática da SEPIN.
Os itens de 72 a 75 buscam captar do respondente quais os mecanismos ou ações o Estado poderia adotar para impulsionar a inovação no Brasil.
Aprimorar os incentivos existentes (Lei de Informática), agilizando o prazo para deliberação;
Criar um regime diferenciado pra apoiar o desenvolvimento de tecnologia local, incluindo incentivos, linhas de crédito à exportação e acesso a regimes aduaneiros especiais;
Centrar esforços em investimentos na capacitação/aprimoramento do RH (exemplo: ampliando o acesso a bolsas para profissionais ou partilhando custos de RH com o setor empresarial);
Implementar mecanismos de encomendas tecnológicas vinculadas a grandes desafios (exportação, petróleo, setor energético, segurança, etc).
Essas opções foram levantadas por servidores do governo que administram a Lei de