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Metode og datagrunnlag

In document Uønsket utenlandsk påvirkning? (sider 24-28)

Considerando a forte influência social no setor saúde, a definição de Oddone (apud MIRANDA, 2002, p.21) é propícia à abordagem que propomos. O autor define a ciência da informação com uma visão prática, baseada em seu uso:

A Ciência da Informação, enquanto campo do saber humano, ocupa-se tanto do fluxo da comunicação como de seus atores e dos registros que transportam a informação e o conhecimento. Identifica sua mecânica processual e as instituições que dela participam, seus produtos, seus especialistas e usuários, as ferramentas e as técnicas de que se utiliza, procurando compreendê-los enquanto componentes do vasto organismo sistêmico que garante ao homem a satisfação de seu anseio e de sua necessidade de produzir, transformar, utilizar, comunicar, transmitir, enfim, perpetuar o conhecimento.

Tal abordagem é necessária pelo fato deste projeto tratar das necessidades de informação dos pacientes usuários do site Lupus OnLine. O fluxo de comunicação entre os vários atores (médicos, hospitais, pacientes, pesquisadores etc) possui características únicas e a Internet tem um grande papel quando consideramos os movimentos sociais. A informação rápida e seus efeitos nos usuários são responsáveis pelas novas necessidades de informação que criam uma contínua procura por mais informação.

Case (2002, p.5) nos fala que informação pode ser qualquer diferença percebida no ambiente do indivíduo, ou até mesmo, nele próprio. E completa:

Isto significa qualquer aspecto que você nota no padrão da realidade. Uma necessidade de informação é o reconhecimento que seu conhecimento é inadequado para satisfazer uma meta que você tem. A procura pela informação é um esforço consciente para adquirir informação em resposta a uma necessidade ou lacuna em seu conhecimento.

O autor enfatiza que nossa vida diária é rodeada por novos eventos e que continuamente nos tornamos curiosos em aprender mais sobre um assunto específico.Estas características são muito pessoais e variam através de pessoas, situações e temas. Entretanto, a procura de informação em fontes formais (livros, jornais, impressos em geral) é diferente da procura em fontes informais (amigos, colegas, programas de TV etc). Por esta razão, devem- se considerar o contexto envolvido, as situações individuais, as atividades específicas e o tipo de informação, pessoas e ambiente. .

Em relação à questão social e tecnológica, González de Gómez (2002, p.27) ressalta:

Em lugar de o social oferecer conceitos esclarecedores do que seja a informação, agora a informação e a comunicação, sob o embalo e propulsão das novas tecnologias de comunicação e informação (NTICs), são necessárias ao esclarecimento e compreensão das novas configurações sociais.

A Internet é a prova maior e mais atual dessas novas movimentações sociais. A velocidade com que as informações atingem seus usuários é responsável pelo dinamismo e nascimento de novas necessidades, gerando uma busca incessante por outras informações e assim por diante. Por estas razões, com o surgimento de novas tecnologias de informação e comunicação, além da influência do contexto econômico, a informação nos é apresentada com novos traços a saber:

- Ubíqua, pode estar em qualquer lugar do mundo ao mesmo tempo, liberta do contexto de geração, opaca a toda referência à origem;

- Anônima, não porque a comunicação um a muitos produz, em sua via de mão única, seu próprio sujeito receptor, mas sobretudo porque, devido à industrialização de sua produção, dissolve-se a categoria de autor;

- Dependente, antes que das esferas institucionalizadas de discurso, dos ambientes patenteados de processamento e transmissão da informação, agora são os códigos dos instrumentos (programas, interfaces) os que condicionam às pragmáticas institucionais, antes soberanas em seu poder disciplinar.(GONZÁLEZ DE GÓMEZ apud MALINI , 1995, p.07)

O homem, como ser social, possui diferentes papéis nesta sociedade da informação: agente, sujeito e ator. Belkin (apud GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2002, p.28) esclarece:

O usuário é um sujeito cognoscente que conhece e não conhece e que, como indagador, a partir da auto-percepção de uma “anomalia” em seu campo de cognição, se move de um estado prévio de conhecimento a um novo estado de conhecimento. A informação intervém como fator de “mudanças de estruturas”, a variável energética que viabiliza o movimento do conhecedor em direção a um novo conhecimento.

Wersig (apud GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2002, p.29) completa: “[...] qualquer processamento de informação, seja perceptivo ou simbólico, é mediado por um sistema de categorias ou conceitos, os quais [...] são um modelo de seu mundo”. Tal afirmação vai ao encontro das reflexões de Araújo (2001). A autora revela que quando há a seleção da informação por parte do sujeito, conclui-se que houve um reconhecimento da informação acessada como sendo um conteúdo válido. “Tal reconhecimento só ocorre quando há a mediação entre o acervo social do conhecimento desse sujeito, a realidade/situação vivenciada, onde ele pretende utilizar tal informação e a informação recebida”.

Neste sentido, Berger e Luckmann (1985) reforçam que a experiência do indivíduo, histórica ou biográfica, pode ser acumulada, compõem a sua base de conhecimento e é transmitida de uma geração para outra, sendo utilizada posteriormente pelo indivíduo no seu dia-a- dia. Em referência à sociologia, González de Gómez (2002, p.30) situa a informação “como dimensão das práticas e interações do homem, situado no mundo e junto aos outros homens”. Nesta linha de pensamento, a autora (2002, p.32) define: “informação [...] significa partilhar temática e situacionalmente um mundo em comum”.

Diante desta colocação, constatamos a impossibilidade de avaliar qualquer estudo informacional sem considerar a sua contextualização social. Capurro (apud GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2002, p.32) afirma que “a informação é, mais precisamente, a articulação de uma compreensão pragmática de um mundo comum compartilhado”. González de Gómez (2002, p.42) diz ainda que:

Numa concepção relacional da sociedade e cultura, mas especificamente falando nos termos “rede social” e “mediação“, podemos olhar a informação como “operador de relação“, agindo sobre distâncias entre o conhecedor e aquilo a ser conhecido, desde o ponto de vista simbólico-cognitivo assim como sobre distâncias entre lugares, regiões, tempos, desde o ponto de vista mediacional, sob o fundo da vinculação comunicacional de intersubjetividades históricas.

No presente estudo, a teoria de recepção do usuário desenvolvida por Brenda Dervin (sense-making) e estudos do comportamento informacional serão referências para o

entendimento das necessidades de informação dos usuários. “O fluir do sentido, da percepção, é um processo à medida que envolve uma série de procedimentos lógicos culminando com a atribuição de um ‘sentido’. Este sentido é o produto do processo” (FERREIRA, 1996, p.217).

Neste processo de atribuição de sentido, não podemos nos esquecer que cada indivíduo possui sua própria história de vida, necessidades específicas e questionamentos variáveis. Ou seja, “[...] o ser humano cria sua própria realidade e tem seus próprios estoques internos de informação, os quais são usados para compreender as informações externas e as diferentes situações em que os indivíduos se encontram em dado momento” (FERREIRA, 1996, p.219). A matéria informacional, nosso objeto de estudo e avaliação, encontra-se “na imbricação dos atos, relações e representações dos agentes sociais” (MARTELETO, 2000, p.72).

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