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Metode og arbeidsform

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A charge do século XIX se apresenta de forma diferente da ideia que temos dela nos dias de hoje, em que é mostrada com economia nos traços, intensificando alguma característica física daquele que é representado. Pode-se perceber que, no período mencionado, eram detalhadamente preenchidas, ridicularizando, a partir de elementos contrastantes, ou podendo fazer analogia com imagens clássicas. Plenas de sinais de ironia, muitas vezes de forma violenta, trazendo atitudes suspeitas, revelando vícios, imoralidade, indignidade, dentre outras características, como um paparazzi em atividade, como se flagrasse pessoas importantes em seus momentos mais torpes.

O jornal era o principal veículo para publicar as caricaturas, meio escolhido para noticiar e provocar através dos fatos cotidianos, para realizar a cumplicidade que se procurava estabelecer entre as notícias e o leitor. No Arquivo Nacional recuperamos inúmeras imagens de periódicos do século XIX, muitos com curto período de existência, por razões diversas. Mencionam o importante papel que cumpriram para circular as notícias que:

Se espalhavam em um intenso boca a boca nas praças e esquinas [...] a maior parte da população era analfabeta, isso não impedia a formação de círculos em que um indivíduo letrado lia em voz alta para vários transeuntes que não sabiam ler, mas que se interessavam vivamente pelo que ocorria à sua volta [...] Questões como as rebeliões regionais da primeira metade do século, a guerra do Paraguai – que chegava aos brasileiros basicamente através de relatos e desenhos divulgados nos jornais - e a escravidão -, para cujo fim a pressão exercida através da imprensa mostrou-se fundamental.41 (Arquivo Nacional, 2013)

A relação entre autor, obras, imprensa da época e o período político e social em que estão mergulhadas as produções azevedianas, acabam por nos fazer questionar qual teria sido o papel cumprido efetivamente por suas charges como fenômeno comunicacional. Acreditamos que a charge seja um instrumento que, desde que passou a ser apresentado em periódicos, passou a promover maior fruição das notícias textuais publicadas nos mesmos. Traçando um paralelo entre o papel do desenho e da escrita, entendemos que tanto um como o outro exigem ações corporificadas e corpóreas para a transmissão de uma ideia. Para que a notícia seja compreendida, sabe-se que em sua trama existe um acontecimento que pode ser transformado de acordo com a afirmação de Pinheiro (2009) em relação à:

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Para maiores informações, sugerimos a consulta a Exposições Virtuais do Brasil do Século XIX, no Arquivo Nacional, em textos disponíveis em <www.exposiçõesvirtuais.arquivonacional.gov.br>.

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Prática de um humor carnavalizado, do paródico ao grotesco, que, em certa medida, e junto a certos procedimentos específicos de construção textual, fazem o autor e leitor participarem (ou parecer participarem) do evento (como foliões, artistas, jogadores etc.). Desse modo, a relação entre os meios técnicos de produção importados (todo o desenvolvimento do parque industrial da imprensa) e os já mencionados fatores materiais peculiares da cultura promovem um território de invenção de que participa a fruição coletiva, mesmo num veículo que busca a padronização. (PINHEIRO, 2009, p. 25)

Dentro das molduras cômicas, espaço destinado à charge no jornal, o ausente está presente, porém não lhe é possível sua própria defesa. Está colocado em lentes de aumento, para análise, fazendo apelo à memória coletiva que acompanha os acontecimentos e sabe como corporificá-lo (o ausente).

Através do texto de Didi-Huberman (1992), sob o título “O Que Vemos, Quem Nos Vê”, somos levados a refletir sobre a seguinte questão: parece-nos que não somos muito conscientes de que a imagem não se resume à sua visibilidade. Ela traz muitas outras informações além de sua apresentação. Seu texto nos alerta para as armadilhas construídas nos meios de comunicação, a fim de persuadir, sugerir e seduzir.

Partindo-se então do pressuposto de que a charge é uma ilustração crítica política de um acontecimento ou personagem de conhecimento público, carregada de graus diferentes de comicidade, dependendo do estilo de cada chargista, entendemos que o exercício de liberdade estética e expressão ideológica do autor pode influenciar o leitor. A charge provoca usando estrategicamente o emocional, pois “provoca o riso a serviço de um novo tipo de imagem coletiva e controle de postura social” (SODRÉ, 2006, p. 50). É a partir do efeito final cômico que procura resgatar um sentimento de inconformismo e despertar seu público para a seriedade dos fatos que revela. Questões relacionando visibilidade e visualidade denunciam que é necessário despertar nossos sentidos para melhor compreendermos como se dá esse processo de leitura.

O espaço da charge é entendido como reservado para mostrar aquilo com o que o chargista não concorda que esteja acontecendo no ambiente político. Essa forma de expressão parece uma busca para intimidar os políticos, por exemplo, escancarando seus defeitos, representando o artista o papel de juiz e carrasco que condena a partir da imagem que publica, como se assumisse a defesa do coletivo social, ainda que não tenha sido eleito para isso. Não nos cabe aqui defender ou criticar o papel do chargista, mas é importante deixar claro que as relações na sociedade são complexas e o espaço de expressão, como possibilidade de ação democrática, surge, ainda que se possa discordar das posições expostas, como legítimo

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movimento de expressão. Segundo MORIN (2007) “a democracia faz do indivíduo um cidadão que reconhece deveres e exerce direitos. O civismo constitui então, a virtude sociopolítica da ética” (MORIN, 2007, p. 149).

Mas esse ato democrático não deixa de ser subjetivo, pois em jornais não oficiais da época ou até mesmo nos dos dias de hoje, a charge vem carregada de intencionalidade ética, mas não uma ética comum a todos, “planetária ou comunitária” (MORIN, 2007) e, sim, uma ética que vislumbra, nos bastidores, interesses próprios: o de derrubar aqueles que não compartilham da mesma opinião.

Vemos então como Azevedo usa seus dons artísticos causando tensões ao tratar de temas cotidianos, plasticamente, de maneira risível no jornal, veículo para elucidação de acordo com a posição política que assume.

A primeira hipótese desse trabalho é a de que a charge seja capaz de convidar o leitor a uma nova conscientização sobre o ambiente político, mantendo um lugar privilegiado na mídia em relação ao texto, pois convida primeiramente ao entretenimento e, depois, à reflexão. Assim, nossa segunda hipótese seria de que a comicidade presente é o que garante uma melhor recepção do fato representado, ou seja, a articulação entre o real e o cômico, como o elemento carnavalizado é colocado em Bakhtin.

Então, a presença de elementos que levam ao riso chama atenção para a leitura e para o veículo divulgador. No entanto, é necessário que o leitor tenha conhecimento das últimas notícias sobre a vida política, social e cultural na qual está inserido sob o risco de não compreender a charge. O chargista pode escolher imagens ou referências históricas que combinem com o que ele deseja utilizar na representação, aliado ao tema que surge na mídia. Assim, é um desenho que, a partir da liberdade artística que lhe é própria, atende a um sistema mercadológico, agregando valor ao jornal, na forma de objeto atrativo para os leitores, ainda que, várias vezes, possa ser de uma ética questionável, apelando ao que defende o editorial do jornal representando uma narratividade cômica pautada em assuntos políticos, econômicos, sociais, sempre se expressando de forma crítica, desconstruindo imagens públicas para mostrá-las de uma forma até então não percebida, o que leva justamente ao riso.

Nossa primeira reação à imagem é imediata, através de sua visibilidade, provocadora do riso, desmoralizadora, subversiva (revoltada contra a aparente ordem ou poder estabelecidos). Para sermos capazes de enxergar uma visualidade denunciatória, ideológica, oposicionista, indignada, precisamos de conhecimento sobre o que é tratado, ou seja, do conhecimento do cenário polêmico representado.

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Poderíamos abordar as obras literárias ou os processos de criação utilizados por Aluísio Azevedo, tomando como base alguns estudiosos do assunto. Poderíamos ainda pesquisar a importância desses processos relacionados à recepção das obras e seu alcance, a título de conscientização crítica política e social. Porém, o que nos interessa como foco investigativo, é observar que elementos de carnavalização, provenientes de ritual religioso, estão presentes na caricatura ou charge e como são, talvez de forma subjetiva, apresentados, com a finalidade de ridicularizar sem descaracterizar os personagens e as situações envolvidas.

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Fig. 49 – Quaresma.

Legenda: Fecharam-se os theatros! Abriram-se os bordéis. Fonte: Vide Índice de Figuras.

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