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Foi na segunda metade do século XX que o tema da responsabilidade social começou a ganhar corpo no mundo empresarial. Bowen (1953) uma das primeiras definições de responsabilidade social existentes diz-nos que os gestores deverão decidir quais políticas e estratégias a adotar, para ser possível satisfazer os objetivos e valores da sociedade onde a empresa desenvolve a sua atividade.

Segundo Davis (1960) a responsabilidade social é influenciada pelo poder que a empresa tem na sociedade. O autor considera ainda que a empresa tem de dar resposta à sociedade nas questões económicas, técnicas e legais, sem nunca esquecer a obtenção de ganhos subjacentes à atividade económica que desenvolve.

O conceito de Responsabilidade Social tem uma história longa na literatura (Carroll 1999). Carroll (1979, p. 499) definiu responsabilidade social do seguinte modo:

“A responsabilidade social das empresas abrange as expectativas económicas, legais, éticas e discricionárias que a sociedade tem relativamente às organizações em determinado período no tempo.”

Em termos pragmáticos a gestão das empresas deve esforçar-se por obter lucros obedecendo à lei, sendo ética e íntegra. Carroll (1999) acrescenta que após décadas a estudar o desempenho das empresas ao nível da responsabilidade social, entende que as atividades destas estendem-se além dos fins lucrativos, e que as suas contribuições para a comunidade levam à conclusão de que a responsabilidade social real é a que satisfaz as expectativas criadas e isso é manifestado por muitas empresas de excelência.

Por outro lado,

o Instituto Ethos apresenta a seguinte definição de responsabilidade social:

“Responsabilidade social empresarial é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela

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se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais que impulsionem o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais.” (In sítio Ethos( n.d.)).

Para Branco & Rodrigues (2006), a responsabilidade social das empresas está ligada a questões complexas tais como, proteção ambiental, gestão de recursos humanos, segurança e saúde no trabalho, relações com a comunidade local e relações com fornecedores e consumidores.

Zenisek (1979) propôs uma definição para responsabilidade social, que consistia num ajuste entre duas componentes, a ética empresarial e as expectativas da sociedade para com o setor económico privado.

Por ética empresarial o autor entende um sistema de normas de conduta e de julgamento moral. Os comportamentos éticos dividem-se em dois aspetos, o operacional e o ideológico. O aspeto operacional está ligado à orientação do comportamento do indivíduo. Por sua vez, o aspeto ideológico está ligado à ideologia de cada indivíduo. A diferença entre os dois pode ser interpretada de uma forma simples, ou seja, embora um indivíduo possua determinada ideologia nem sempre age em sua concordância. Enquanto o aspeto operacional se refere à forma de agir, o ideológico está relacionado com os valores individuais. No que concerne às expectativas da sociedade para com as empresas, Zenisek (1979) elencou um conjunto de atitudes a que as empresas devem atender:

 Uma empresa deve cooperar com o governo com todas as suas capacidades;  Uma empresa não deve degradar o ambiente;

 Uma empresa deve fazer tudo o que é possível para ajudar os grupos minoritários;

 Uma empresa (tal como acontece com um cidadão) é um ator na sociedade em conjunto com todas as responsabilidades que a cidadania acarreta;

 Uma empresa deve participar ativa e abertamente na política;

 Uma empresa depende da sua imagem pública, portanto deve ceder às exigências da sociedade;

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 Uma empresa é tanto uma instituição social como económica.

O sucesso dos negócios depende de uma sociedade solidária. Assim, as práticas de responsabilidade social definidas pela sociedade são muito importantes, mas as empresas têm de assumir esse compromisso de forma voluntária, cumprindo as normas sociais e ambientais, de acordo com os padrões mínimos exigidos (Kinderman 2012). Kinderman (2011, p. 30) afirma o seguinte:

“A maior parte da literatura trata e relaciona as origens da RSE com as questões do negócio ou com uma resposta à pressão das ONGs. No entanto, a maioria dos relatos têm negligenciado o contexto histórico, o político-económico e o institucional da RSE. A literatura aborda cada vez mais os determinantes institucionais da RSE, bem como a sua evolução histórica. Esta literatura tem discutido se a forma de RSE com base na auto-regulação das empresas funciona como um complemento ou um substituto do Estado, dos sindicatos, da correcção do mercado regulamentado e de outras instituições a que Ruggie (1982) chamou de "liberalismo embutido.”.

Garriga & Melé (2004) classificam as teorias mais importantes e relevantes de RSE em quatro grandes grupos: teorias instrumentais, teorias políticas, teorias integrativas e teorias de valores. Na tabela seguinte estão resumidas as principais características de cada uma delas:

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Tipos de Teoria Abordagens Descrição

Teorias Instrumentais (Foco em atingir os objetivos económicos por meio das atividades sociais)

Maximização do valor para o acionista

Estratégia para obtenção de vantagens competitivas

Causas relacionadas com o Marketing

Maximização do valor a longo prazo Investimentos sociais num contexto competitivo

Estratégia baseada nos recursos naturais e nas capacidades dinâmicas da empresa

Estratégia económica para a base da pirâmide

Atividades altruístas, reconhecidas socialmente, utilizadas como instrumento de comercialização

Teorias Políticas

(Foco no uso responsável do poder dos negócios na esfera política)

Constitucionalismo corporativo

Teoria integrativa do contrato social

Cidadania Corporativa (ou Empresarial)

Responsabilidades sociais das empresas surgem a partir da quantidade de poder social que detêm

Assume-se que existe contrato social entre a sociedade e as empresas A empresa é vista como sendo um cidadão com um certo envolvimento na comunidade

Teorias Integrativas

(Foco na integração da procura social)

Questões da gestão

Responsabilidade pública

Gestão dos stakeholders

Desempenho da Responsabilidade social

Processos Corporativos de resposta a essas questões sociais e políticas que possam afetar significativamente sobre a empresa

A Lei e as políticas públicas são tomadas como referência para o desempenho social

Equilibra o interesse dos stakeholders na empresa

Procura da legitimidade social e de processos para dar respostas adequadas aos problemas sociais

Teorias de Valores

(Foco no que é correto para atingir o bem da sociedade)

Teoria normativa dos stakeholders

Direitos universais

Desenvolvimento sustentável

O bem comum

Considera os deveres de lealdade para com os stakeholders da empresa. A sua aplicação requer alguma teoria moral (ex. teoria da justiça)

Modelos baseados nos direitos humanos, direitos dos trabalhadores e respeito pelo ambiente

Com o objetivo de alcançar o desenvolvimento humano tendo em conta as gerações presentes e futuras Orientada para o bem comum da sociedade

Fonte: Adaptado de Garriga & Melé (2004) Tabela 1 – Teorias de Responsabilidade Social Empresarial e respetivas abordagens

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Os autores concluíram que as teorias de RSE apresentadas estão focadas em quatro aspetos principais:

1- Produção de lucros a longo prazo;

2- Uso do poder do negócio de forma responsável; 3- Integração das exigências sociais;

4- Contribuição para uma boa sociedade fazendo o que é eticamente correto (Garriga & Melé 2004).

Por sua vez Porter & Kramer (2011) afirmam que a visão antiga do capitalismo defendia que o negócio das empresas contribuia para a sociedade através do lucro: era este que viabilizava o emprego, o investimento e a arrecadação de mais receita para o Estado proveniente da cobrança dos impostos sobre os lucros. No fundo conduzir os negócios normalmente era suficiente para contribuir pra o bem da sociedade, pelo que as questões sociais estariam fora do seu âmbito. Esta argumentação corrobora o defendido por Milton Friedman (1962), ou seja, que as empresas devem obter lucros e deixar as questões da responsabilidade social para os governos.

Embora a área da Responsabilidade Social Empresarial tenha vindo a ser alvo de muitos estudos, continua a não existir uma definição consensual do termo. Basicamente, as definições de responsabilidade social giram em torno de duas escolas: uma ligada à obrigação das empresas obterem lucros sempre com o compromisso do cumprimento mínimo do que é exigido em termos éticos e legais por parte da sociedade. A outra ligada ao defendido por Friedman na sua clássica definição: a responsabilidade social das empresas é a obtenção de lucros, dentro das regras do jogo num mercado concorrencial e sem fraudes (cit. in: Schwartz & Carroll 2007).