2 Teori
3.2 Metode
Para entendimento dos recursos, recorre-se à abordagem de recursos e capacidades como fonte de diferenciação competitiva da empresa. Portanto, esta visão pode ser percebida por meio de fatores internos que exercem influência significativa no sucesso das empresas, ou seja, recursos ou capacidades que uma empresa possui, capazes de identificar forças internas e propor recursos que gerem vantagem competitiva (Dalfovo et al., 2016). Neste contexto, esta abordagem traduz todos os recursos chaves que permitem desenvolver uma empresa (Quadro 2.2).
Quadro 2.2 - Tipo de recursos
Tipo de recursos Conceito
Recursos financeiros Capacidade de endividamento e de gerar recursos internos via resultados. Equilíbrio financeiro.
Recursos humanos Aptidões, experiência, adaptabilidade, flexibilidade, lealdade, atitudes e valores dos empregados.
Recursos tecnológicos Stock de tecnologias, investigação e desenvolvimento, conhecimento, know-how, saber fazer.
Reputação das marcas
Relações com clientes, com fornecedores, com instituições financeiras e com a comunidade, qualidade e fiabilidade dos produtos, entre outros atributos.
Recursos físicos Localização, equipamentos, instalações, custo e qualidade das matérias-primas a que tem acesso, stock de matérias-primas. Fonte: Adaptado de Barney (1991); Grant (1991); Greene, Brush e Brown ( 1997).
Em geral, uma larga variedade de ativos é requerida como recursos e capacidades para o sucesso de uma inovação. Na abordagem da visão baseada em recursos (RBV) da empresa, muitos críticos ignoram as diferenças entre os ativos e as habilidades da empresa (Priem e Butler, 2001). Contudo, consideram as diferenças entre recursos e capacidades na forma como são obtidos, combinados e aplicados, controlados ou quem tem acesso, colocando-os como principais determinantes da empresa (Mahoney, 1995; Helfat e Peteraf, 2003; Greenley e Hooley, 2005; McAdam et al., 2014; Dalfovo et al., 2016). Assim, os recursos a nível empresarial permitem que as empresas se distanciem de seus concorrentes e desenvolvam vantagens competitivas (Goedhuys et al., 2014; Barasa et al., 2017). Ainda, a capacidade da empresa poder reduzir os custos de transação e a incerteza e facilitar a coordenação entre os agentes económicos (Alonso e Garcimartín, 2013).
Os recursos são convertidos em produtos ou serviços finais, podem ser valorizados e negociados como uma marca, uma patente, um terreno ou uma licença (Hoopes e Madsen, 2003), utilizando uma grande variedade de outros ativos da empresa e mecanismos de ligação.
Estes mecanismos podem ser a capacidade, embora seja intangível pelo facto de as empresas não poderem quantificar as suas capacidades, ou seja, o “valor”. A capacidade é a gestão dos recursos de uma empresa para realizar uma atividade específica (Hoopes & Madsen 2003; Lieberman & Montgomery, 1988). Trata-se da gestão com pendor à resolução das expectativas dos consumidores através da combinação de todas as variáveis dentro da empresa (Fuentes, Montes e Fernández, 2006).
Por conseguinte, a gestão do conhecimento é uma ferramenta fundamental da gestão, do conjunto dos processos da empresa (Numprasertchai e Igel, 2005). Sendo que deve existir um conjunto de recursos aliado ao negócio e à estratégia da empresa, numa perspetiva RBV (Resource Based View), abordagem sintetizada por Collis e Montgomery (1995). Para Bateman e Snell (1998) as premissas e condições a serem observadas no processo de Inovação Tecnológica são as necessidades, recursos financeiros, iniciativa e prática empreendedora e capacidade de converter o conhecimento científico em prática. Esta última premissa e segundo Chiavenato (2000) preconiza que a gestão do conhecimento é o processo integrado destinado a criar, organizar, disseminar e intensificar o conhecimento para melhorar o desempenho global da empresa.
Portanto, a capacidade de converter o conhecimento científico em conhecimento prático, pode ser visto como a chave para a vantagem competitiva sustentável, como bem lembram Nonaka e Takeuchi (1997), a identificação de conhecimentos nas empresas é essencial para os processos de conversão de conhecimentos, isto porque só quando identificados é que os conhecimentos tácitos podem ser incorporados aos explícitos e vice-versa. A única vantagem sustentável que uma empresa tem é o que coletivamente sabe, a eficiência com que utiliza o que sabe e a prontidão com que adquire e utiliza os novos conhecimentos (Davenport e Prusak, 1998).
Desta forma, a capacidade de inovar tecnológicamente deve ser definida em extensões e níveis diferentes, a condizer com as exigências estratégicas. Evangelista et al. (1997) consideram atividades de I&D como uma componente central das atividades de Inovação Tecnológicas das empresas, como a inovação intangível mais importante.
De acordo Barney (1991), a RBV destaca os recursos estratégicos de uma empresa, como fontes de vantagem competitiva e desempenho superior. São valiosos no sentido de permitir que uma empresa possa explorar as suas oportunidades ambientais e/ou neutralizar as suas
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ameaças e tornar-se diferenciada entre as empresas atuais ou potenciais concorrentes, com dificuldade de imitação e sem substitutos estratégicos próximos.
Além disso, as empresas devem manter as suas vantagens competitivas através da implementação de estratégias que respondam às oportunidades ambientais e exploração dos pontos fortes internos. Os modelos devem ser expandidos para incluir os constrangimentos, desafios e sustentabilidade ambiental na procura das vantagens competitivas (Hart, 1995; Hart e Dowell, 2011; Barney et al., 2011). Contudo, McWilliams e Siegel (2011) salientam a importância da responsabilidade social das empresas como um recurso que pode levar à vantagem competitiva e aludir as possíveis desvantagens de comportamentos irresponsáveis. Pois, o ambiente institucional dentro do qual a empresa atua modera o efeito dos recursos de nível de empresa sobre a produção inovadora. Como tal, o ambiente institucional pode influenciar a propensão das empresas a inovar de várias maneiras (North, 1990). Por exemplo, a fraca aplicação dos regulamentos e a ausência de direitos de propriedade intelectual podem prejudicar a inovação. De acordo Zhu et al., (2015); Barasa et al.,(2017), afirmam que o ambiente institucional afeta a capacidade das empresas de introduzir novas inovações, ou seja, a má qualidade institucional torna mais difícil extrair valor dos recursos de uma empresa que são necessários para inovar.