Quando deixou o acolhimento (LIJ/RAIA), a maioria dos indivíduos (re)inseriu-se no concelho de Lisboa, sendo que uma parte relevante passou a habitar noutros concelhos do referido distrito, uma pequena parte foi viver para concelhos pertencentes a outros distritos do território nacional e poucos indivíduos foram viver para outro país. Todavia, à data das entrevistas presenciais verificámos que já havia existido alguma mobilidade geográfica dos indivíduos, embora restrita na maior parte dos casos. Assim, metade habitava no concelho de Lisboa, uma parte significativa encontrava-se a morar noutros concelhos do distrito de Lisboa e um pequeno número estava em concelhos pertencentes a outros distritos do território nacional.
Para que a investigação nos mostrasse mais nitidamente as trajetórias individuais foi pertinente realizar uma avaliação do confronto entre as expectativas e a realidade. Logo, sondámos os sujeitos sobre os sonhos/expetativas que tinham, enquanto estavam ainda em acolhimento em relação à sua vida futura, pelo que nos mencionaram “sonhos” que ordenámos em duas áreas: pessoais/familiares e escolares/profissionais. Outras pessoas referiram não terem sonhos para o futuro naquela época.
Começar a trabalhar influenciou o percurso escolar •Porque consideraram que deveriam investir mais no percurso escolar; •Porque lhes foi difícil conciliar estudos e atividade profissional;
•Porque desistiram de frequentar o ensino superior ou adiaram essa decisão; •Porque precisaram de se autosustentar;
•Porque ter dinheiro se tornou aliciante;
•Porque foi esse o rumo que pretenderam seguir.
Começar a trabalhar não influenciou o percurso escolar •Porque não gostavam de estudar;
•Porque optaram por fazer uma pausa no percurso escolar; •Porque se tornaram autodidatas;
•Porque conciliam as duas vertentes;
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Fig. 20 – Aspirações para o futuro em tempo de acolhimento
Começámos por considerar o modo e o processo de saída da instituição. Neste campo de ação concluímos que a amostra deixou, maioritariamente, de viver em LIJ entre os dez e os dezasseis anos de idade e um subgrupo, mais pequeno, teve b.p./p.t. entre os dezassete e os vinte e três anos, alguns a partir de RAIA.
Quarenta e um indivíduos que compõem a amostra (n=50) deixaram o acolhimento a partir de um LIJ e nove indivíduos cessaram a sua passagem pelo acolhimento institucional tendo saído do projeto RAIA. Dos indivíduos que deixaram o acolhimento a partir de um LIJ, alguns continuaram a ser acompanhados por uma equipa AIF durante um período de transição. No cômputo geral, a maior parte dos indivíduos expressaram ter-se sentido apoiados pela CPL quando prepararam a sua transição para fora do acolhimento institucional.
Para a generalidade dos entrevistados a sua saída foi uma opção pessoal tendo-se tratado, para metade da amostra, de um projeto desenhado pela própria instituição e, para um cômputo considerável, de uma sequência expectável de acontecimentos.
No sentido de avaliar o modo e o processo decorrente da integração dos indivíduos fora da instituição nos primeiros tempos reunimos informação sobre as suas experiências pessoais. A saída do LIJ/RAIA foi ao encontro daquilo que a maioria dos jovens desejava, mas nalguns casos não foi o que aconteceu.
* Casar;
* Ter (muitos) filhos; * Estar com a família; * Ser feliz;
* Ter uma vida organizada
Área pessoas/fami
liar * Estudar;
* Trabalhar;
* Ter boas condições financeiras;
* Ser bem-sucedido Área
escolar/profi ssional
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Fig. 21 – Sentimentos experienciados pós-acolhimento
Quanto à forma como é lembrado o momento da saída do LIJ/RAIA, as opiniões dividem-se sensivelmente ao meio porque, para uns, o momento da saída é recordado de forma negativa (dor; mágoa; despedida; tristeza), mas, para outros, tal momento sobressai de forma positiva (naturalidade; otimismo; liberdade; momento festivo e alegre).
O momento da saída pode ter sido, ou não, importante para os indivíduos dependendo de diversos fatores pessoais e ambientais, mas, para a maioria, este foi um momento importante (reaproximação familiar; valorização das aprendizagens realizadas, início de um novo ciclo de vida). Os jovens que consideram que se tratou de um momento sem importância, referiram que a saída não foi a sua escolha, porque não teve qualquer significado e porque tiveram que sair por se encontrarem grávidas.
Bastantes auscultados não acreditam que houvesse outras soluções para poderem ter saído mais cedo da instituição e alguns pensam que as soluções existentes não eram as mais indicadas.
A maior parte da amostra considera que foi apoiada na preparação da sua autonomia através das dinâmicas, educação, regras e valores quotidianos vigentes no LIJ, tendo salientado aspetos como o apoio individual e/ou familiar - aspetos materiais e/ou financeiros, nomeadamente o fornecimento de e o apoio técnico (AIF/RAIA).
Alguns jovens disseram que souberam que iam sair quando sentiram que se encontravam preparados para tal e, outros, referiram que a saída foi gradual, sendo que muitos entrevistados historiaram espaços de tempo entre um dia e um ano antes de se
•Liberdade •Bem-estar •Apoio •Integração •Felicidade •Carinho
Sentimentos positivos pós-acolhimento
•Mau-estar •Inadaptação •Solidão •Infelicidade •Desorientação •Estranheza
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efetivar a sua saída do LIJ/RAIA.
Os primeiros tempos passados fora da instituição foram sentidos de forma positiva pela generalidade dos participantes neste estudo (alegria; diversão; adaptação; felicidade; alívio). Outra parte do grupo, conquanto inferior, refere-se-lhes como tempos conturbados (tristeza; inércia; impacto; solidão; aflição; estranheza). Arroladas com os primeiros tempos fora do LIJ estão as dificuldades (ou não) sentidas pelos indivíduos e a forma que estes encontraram para as dissipar. As arduidades colocaram-se, por exemplo, ao nível psicológico, financeiro, escolar, familiar. Estas dificuldades foram resolvidas, sobretudo, através da aceitação da situação, da auto valorização, da distração, do apoio de familiares e de amigos e da continuação de contactos com o LIJ/RAIA. Em particular, as complexidades escolares e de acesso à escola foram superadas com o apoio de colegas de escola e com a duplicação do esforço, do interesse, da concentração e do empenho.
A falta de uma rotina estável foi ultrapassada através da prática, com a criação das suas próprias famílias e recorrendo ao que haviam aprendido no LIJ/RAIA. A falta de apoio psicológico, a inserção num agregado familiar desestruturado e sem recursos financeiros foi contornada tendo trabalhado para ajudar a família, com o apoio familiar ou pode ainda estar por resolver. Um subgrupo referiu não ter sentido quaisquer dificuldades quando deixou o acolhimento.
A maior parte dos sujeitos referiu que se encontrava preparada quando saiu do LIJ/RAIA porque a saída ocorreu na altura/idade certa, porque as condições familiares haviam melhorado, porque já tinham adquirido competências de autonomia, porque mantiveram as rotinas e porque se sentiram apoiados pela instituição e pelos familiares. Outros revelam que não se encontravam preparados quando saíram do LIJ/RAIA porque a saída se deveu a uma injustiça, porque consideravam o LIJ/RAIA a sua casa, porque eram imaturos e porque se sentiram desacompanhados e desapoiados.
Após terem cessado o acolhimento na CPL, a generalidade dos jovens referiu não ter precisado de recorrer ao apoio de outras instituições. Em contraponto, alguns foram apoiados institucionalmente após deixarem LIJ/RAIA. Entre os indivíduos que mencionaram ter precisado de apoio institucional após deixarem a CPL afirmaram ter usufruído de apoio financeiro, psicológico, social ou de outro tipo de apoio não especificado.
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Uma margem substancial de sujeitos afirmou que não poderia ter sido ajudada de outra forma pela CPL quando deixou o acolhimento. Alguns auscultados disseram que poderiam ter tido mais apoio social, financeiro, psicológico ou as três coisas.
Quando saíram do acolhimento (LIJ/RAIA), a maior parte dos indivíduos não experienciou dificuldades, sendo que alguns referiram ter sentido falta de apoio (financeiro; sociofamiliar; etc.), e outros especificaram, através das suas experiências imediatas pós- acolhimento, ter sentido solidão nesta nova fase das suas vidas.
Sem experiência de dificuldades
“Não senti dificuldades.” Hipólito, 19 anos
“Que eu me recorde, nenhumas (dificuldades).” Rosália, 26 anos
Sentimento de falta de apoio
“ (…) foi mais a escola, a parte dos estudos, não ter ninguém ali que
conseguisse seguir-me porque, também, não tinham estudos suficientes para o fazer.
Aldair, 24 anos
Só não tinha aquele apoio para estudar e assim, (…).” Samanta, 26 anos Sentimento de solidão
“Foi difícil estar sozinho depois de tantos anos numa casa com muitas
pessoas.”
Angélico, 29 anos “Não ter a barulheira das crianças a correrem para trás e para a frente. Não
ter a educadora: «saiam daí! Não façam isso! Vocês ainda se vão aleijar!» ”
Nazaré, 25 anos
Relativamente às expectativas criadas pelos indivíduos, ainda durante o período de acolhimento, e aquilo que realmente veio a suceder numa fase posterior, foram identificadas algumas diferenças pelos mesmos, na medida em que lhes foi difícil passarem a viver com menos pessoas, porque no LIJ não tinham a noção das responsabilidades inerentes a uma vida autónoma, porque pensavam que existia mais solidariedade social e porque pensavam que, na generalidade, a vida seria mais fácil. Um subgrupo não identificou quaisquer diferenças porque, possivelmente, foi bem preparado no LIJ/RAIA para a realidade exterior ao acolhimento.
Importou-nos saber quais foram os rumos pós-institucionais imediatos dos indivíduos ao saírem do sistema de acolhimento. Assim, apurámos que uma parte regressou
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à família nuclear, outros seguiram um percurso de autonomia de vida, alguns integraram a família alargada, e poucos indivíduos empreenderam os seguintes rumos: foram viver com uma família adotiva; constituíram família; foram transferidos para outra resposta39.
Quando os jovens saíram do LIJ/RAIA podem ter tido vários destinos: a família de origem, a família alargada, a família reconstruída, a família construída, a família adotiva, a família unipessoal, amigos, uma instituição, a casa dos patrões. Uma parte considerável dos inquiridos regressou à família de origem e um outro cômputo constituiu família unipessoal.
De entre os indivíduos que saíram do LIJ/RAIA e que regressaram às famílias, a maior parte exprimiu sentimentos positivos (contentamento; unificação; felicidade; realização; aceitação; carinho). Todavia, uma franja referiu sentimentos negativos nessa mesma fase (ambivalência; desnorteamento; dificuldade; estranheza; apreensão; perda). Contudo, os indivíduos podem, ou não, ter sentido diferenças nas famílias quando passaram a viver a tempo inteiro com as mesmas. Assim, uma parte disse que sentiu a existência de diferenças quando regressou à família (falta de afeto; aumento da idade; mais privacidade; afastamento; solidão; diferença nas rotinas). Outra parte, numericamente semelhante, revelou que sentiu que não existiam diferenças quando regressou à família uma vez que o contacto foi permanente durante o acolhimento.
As mudanças podem ter sido operadas nos inquiridos ou nas famílias. As modificações assinaladas pelos indivíduos, neles próprios, aconteceram na forma de interpretar a realidade, na aquisição de competências em acolhimento, por terem mais instrução, maturidade e maior autonomia. Por sua vez, as mudanças detetadas nas famílias prenderam-se o facto de existir pouco convívio, de estarem com mais idade e de, nalguns casos, haver alterações financeiras.
Relativamente aos jovens que saíram do LIJ/RAIA e não foram viver com as suas famílias, esta decisão deve-se à inexistência de relação parental, por mágoa, por quererem empreender estilos de vida independente, por as famílias continuarem sem as condições adequadas, porque não queriam reviver o passado (pré-institucionalização) e porque os indivíduos já tinham autonomia laboral e financeira.
Desde que saíram do LIJ/RAIA, a maior parte com b.p./p.t., outros com b.d./p.s., até à altura em que concederam as entrevistas presenciais (2013-2014), os indivíduos
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podem ter tido, ou não, transições habitacionais/familiares. Desta forma, apurámos que parte apreciável teve uma transição e que, na maior parte dos casos, foi uma escolha dos próprios. Também é saliente a fração de casos que não tiveram quaisquer transições ou que já tiveram duas transições, sendo que, quase sempre, tal foi assumido como escolhas exclusivas dos indivíduos. Outras franjas já tiveram três ou quatro transições desde que saíram do LIJ/RAIA até à atualidade. Apesar de terem, ou não, regressado às famílias, das quais haviam saído anos antes rumo à institucionalização na CPL, a generalidade dos indivíduos disse ter mantido sempre algum tipo de contacto com os familiares.
Quanto ao estado civil da amostra, a maioria dos jovens contactados permanecem solteiros, muitos vivem em união de facto e uma pequena parte referiu ser casada.
A maior parte dos inquiridos referiu que na atualidade ainda se relaciona com a família com a qual vivia antes de ingressar na resposta LIJ da CPL; outros disseram que não se relacionam e uma pequena parte fá-lo pontualmente. Nesta senda, foi possível apurar que parte da amostra vive atualmente com a família de origem, a maior parte vive com a família construída, alguns vivem com a família alargada, outros vivem sozinhos, uma pequena parte vive com amigos e casos residuais vivem em instituição.
No que diz respeito aos aspetos que correram melhor na organização da vida diária dos indivíduos desde que deixaram a instituição de acolhimento, destacam-se, entre outros, a reaproximação familiar, o aumento da liberdade, a construção de família, a maturidade, a autonomia e o facto de terem mantido algumas rotinas implementadas no LIJ/RAIA. Por outro lado, existiram áreas em que os sujeitos não foram bem-sucedidos nos primeiros tempos que passaram fora do LIJ, embora um subgrupo significativo tivesse afirmado não ter tido quaisquer dificuldades nos primeiros tempos de integração. As áreas em que sentiram maiores dificuldades foram, entre outras, a organização financeira, dificuldades habitacionais, processos judiciais, ter falta de competências pessoais e sociais, ter falta de apoio emocional e dificuldades de relacionamento com familiares.
Quanto à ocupação dos indivíduos quando transitaram a partir do sistema de acolhimento, apurámos que a maioria apenas trabalhava, outros apenas estudavam, enquanto alguns estudavam e trabalhavam em simultâneo. Uma pequena parte não tinha qualquer ocupação nesta fase da sua vida. Acerca do nível escolar frequentado na altura em
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que os indivíduos fizeram a sua transição, coligimos que a maioria se situava em cursos profissionais de nível II ou III.
Após saírem do acolhimento, a maioria dos indivíduos continuaram a estudar, situação que alguns ainda mantêm, mas outros não o fizeram. Quanto à escolaridade que os indivíduos frequentavam ou detinham na altura em que foram entrevistados presencialmente, concluímos a existência de uma realidade diversificada.
Fig. 22 – Escolaridade frequentada
De entre os quarenta indivíduos que não se encontram presentemente a estudar, bastantes pretendem vir a retomar os estudos quando para tal reunirem as condições que consideram basilares.
Na atualidade, a maioria dos indivíduos trabalham, alguns trabalham e estudam, uma pequena parte apenas estuda e outros encontram-se desempregados/à procura de emprego. Detivemo-nos sobre a idade de início da vida profissional dos indivíduos e apreendemos que a questão não se coloca em relação a uma parte ínfima dos indivíduos porque nunca tiveram experiências profissionais, dado que continuam a ser apenas estudantes. Porém, muitos tiveram a sua primeira experiência laboral antes dos dezoito anos de idade e, igualmente, outros começaram a trabalhar com dezoito ou mais anos, sendo que poucos não nos esclareceram.
A maioria dos indivíduos encontra-se a trabalhar no sector terciário e outros encontram-se distribuídos disformemente pelos setores primário e secundário.
3.º ciclo e.b. Ens. sec. regular C. prof. nível I C. prof. nível II C. prof. nível III C. prof. nível IV Licenciatura Pós- graduação Mestrado
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Com exceção de uma parte, pouco representativa, de indivíduos que nunca teve qualquer experiência de trabalho, a maioria dos jovens referiu que não teve dificuldade em ingressar numa atividade profissional após deixar o acolhimento, sendo que alguns se debateram com dificuldades neste campo.
Atendendo à exceção constituída pelos poucos indivíduos que ainda não iniciaram a sua vida laboral, registámos que a generalidade dos indivíduos não teve qualquer período de desemprego, não sendo, contudo, essa a situação de um pequeno grupo, na medida em que já experienciou, pelo menos, uma fase em que não teve trabalho.
Relativamente à duração do tempo de desemprego de alguns indivíduos, tomámos conhecimento que alguns se encontravam desempregados há um ano, outros há dois anos e um pequeno número estava sem trabalho há três anos, sendo que a esmagadora maioria se achava a trabalhar, a estudar ou conciliava ambas as atividades.
No contorno das perceções e práticas pessoais e socio relacionais dos indivíduos,
relativamente a contactos posteriores à desinstitucionalização com
técnicos/pessoal/amigos afetos à resposta social, para apreendermos a essência da ligação à instituição, apurámos que uma margem larga mantém na atualidade relações com essas pessoas.
Contemporaneamente, os jovens inquiridos consideram que a sua verdadeira família pode ter as mais várias configurações: família de origem, família alargada, família construída, amigos (e/ou ex-colegas de LIJ), ex-educadores, grupo religioso. Em muitos casos, para cada um dos indivíduos, a verdadeira família é composta por pessoas com as quais podem, ou não, ter laços sanguíneos, mas em relação às quais se sentem próximos e afins, provavelmente por terem partilhado realidades que lhes são comuns ou por reconhecerem a essas pessoas papeis determinantes e exemplares no decorrer do seu percurso de vida, mesmo após a desinstitucionalização, como é o caso dos ex-educadores.
Na atualidade, quando precisam de algum tipo de apoio, a maior parte dos sujeitos recorre à família de origem, à família alargada, a amigos, à família construída, à CPL ou a outra instituição. Alguns dizem que apenas contam consigo próprios na eventualidade de precisarem de suporte.
A forma como os jovens perspetivam as suas famílias pode ajudar a compreender as relações estabelecidas entre estes dois polos. Igualmente, o tipo de relacionamento que
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os indivíduos têm, na atualidade, com as suas famílias (proximidade ou afastamento) pode ser indicador do tipo de trabalho concretizado pelos técnicos do acolhimento neste âmbito. A generalidade dos indivíduos diz ter, na atualidade, relações positivas com a família e outros dizem que têm com os familiares relações, simultaneamente, positivas e negativas. Declaram gostar das famílias que têm porque existe um conhecimento mútuo, porque são felizes, porque se sentem apoiados e porque se sentem completos e enraizados. Porém, alguns gostavam de ter famílias diferentes na medida em que apreciavam que existisse um bom relacionamento entre os familiares e que os pais fossem presentes e apoiantes.
Na atualidade, os sujeitos dividem-se entre os que dizem que não gostavam de mudar nada nas suas famílias e os que gostavam de mudar alguns aspetos. Estes últimos aludem aos seguintes aspetos: ausência de dificuldades financeiras, maior independência relativamente à família, melhores relações familiares, uma melhor saúde e estabilidade emocional e, também, gostavam de construir família.
Vários entrevistados afirmam ajudar as famílias embora não especificando a forma como o fazem mas, a maioria, referiu que ajuda a família emocionalmente, estando presente na vida familiar, e de forma material/financeira.
No decorrer das entrevistas presenciais alguns indivíduos disseram já serem pais/mães. Averiguámos que dezasseis dos entrevistados já haviam experienciado a maternidade/paternidade, a maioria entre os dezoito e os vinte e sete anos, apenas se registando dois casos de maternidade aos dezassete anos de idade, sendo que a generalidade tinha apenas um filho e outros tinham dois ou mais filhos.
O facto de ter filhos, ou não, o número de filhos e a maneira de os educar ajuda a compreender se o jovem repercute nessa função o seu próprio modelo de base ou o modelo apreendido no acolhimento. Quanto ao número de filhos de cada indivíduo, aclarámos que a maior partes não tem filhos e que outros têm um, dois ou três filhos.
A maioria das pessoas pretende vir a ter (mais) filhos e os restantes dividem-se, equitativamente, entre os que deixam em aberto essa possibilidade e os que a rejeitam liminarmente porque já têm os filhos que desejam, ou porque recusam vir a ser pais ou mães.
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Ao nível da educação dos filhos que já têm ou que pretendem vir a ter, as opiniões